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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

09
Abr20

Um dia (horas) de uma Advogada em Quarentena

quatro de treta e um bebé

Filha de 20 meses acorda, vamos lá mudar fralda, dar o leite, vestir robe, calçar meias e por no canal Panda.

Trimmmm, trimmm, toca o telefone:
Empresa: "Temos um caso urgente: trabalhador não vem trabalhar desde dia 09/03/2020. Queremos despedi-lo".
Ao fundo (na minha casa) ouço "para o teu amigo panda, para o meu amigo panda, lalalalalalala...."
Respondo: "mas o trabalhador não avisou? Nem nenhum familiar?"
Panda: "olhó dragão, olhó dragão ..."
A minha sanidade mental cai a pique.
E lá vem a miúda que acabou de comer: "mamã, queijinho, queres?"
Respondo: "estou ao telefone..."
Miúda: "queres, queeeeres...."
Peço uns instantes para (sem som) dar 4 berros.
Recomeço "sim, por favor..."
Benedita, "mais, mais".
Do outro lado: "mas então é para avançar, porque repare, ele faltou, não veio, não é, desde dia 09/03, e ele sabe bem o que está a fazer, isto é só uma desculpa, não podemos ter contemplações, ele já queria isto há muito, não podemos ficar parados, ele goza connosco, ele pensa que faz o que quer, mas connosco não, temos que agir, agir rápido, faça isso o quanto antes como quem diz já para enviarmos já. Os correios estão a funcionar? Temos q enviar pelo correio? Ou vamos lá a casa dele? Ai, a casa não dá... não é? E melhor não. Ele pode nem estar em casa. Repare, se está infectado pode nem estar, mas não vai estar, ele quer é umas férias, assim é que se está bem. Não facilite Dra, temos que agir já, .... bla bla bla bla bla bla!
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Socorro!
Enquanto isso a Benedita já testou os cabos da Nos, já escondeu 3 comandos, já tirou a cabeça a 3 bonecos, já se pôs na lareira, já tirou o robe, as meias, o tótó, já foi à cozinha, já abriu as especiarias, já tirou o cabo do computador, já foi buscar os meus óculos, já foi, já foi, já foi.....
alguém me ajude que eu ainda não passei das 10h da manhã!?
Alguém?
Estou quase a COVID(ar) o CORONA para um café íntimo, assim mesmo daqueles íntimos para ver se depois fico em isolamento.

Sugestões para isto melhorar?

Grata!

Com alerta vermelho de intolerância,

S.

30
Mar20

A História que estamos a viver

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

Já pararam para pensar que, neste preciso momento, estamos a viver um momento histórico que, daqui a uns anos, estará nos livros de todos os miúdos que tiverem o privilégio (sim é um privilégio) de estar nas suas escolas a aprender sobre o mundo?

Crescemos todos a ler sobre a I e a II Guerras Mundiais, a Guerra Fria, a Revolução Francesa, o 25 de Abril e tantos outros acontecimentos que nunca sequer pensamos fazer parte (ok, claro que os nossos pais fizeram parte do 25 de abril, alguns dos nossos avós talvez tivessem passado pela II Guerra Mundial) mas com a evolução do mundo e com tudo o que hoje temos, com tudo acessivel a o todos, alguma vez vos tinha passado pela cabeça viver os dias de hoje? Na minha não tinha passado, de certeza.

E sim, vivemos a história quando apareceram os telemóveis, e a internet, e o mIRC. Quando deixamos de usar o telefone de fio da PT (em que para ter internet o telefone tinha que ser desligado) e passamos a usar aqueles queridos tijolos com teclas e antenas. Passamos pela história quando deixamos de ter que escrever uma mensagem com nao sei quantos caracteres e com abreviaturas (só para não gastarmos duas mensagens, porque isso equivalia a um gasto extra de dinheiro!), quando deixamos de enviar postais aos amigos e passámos a tirar fotografias com o telemóvel. Estamos a viver história, quando os glaciares do ártico estão a derreter, quando a barreira de corais da Austrália está a ser diminuida a olhos vistos, vivemos história quando o Barack Obama foi eleito. Mas em 2020, a maior parte de nós está em casa. De quarentena. Num estado de emergência. Estado esse que os nossos pais já passaram, é verdade, em novembro de 1975, mas que, se calhar, não deixou as marcas que este estado deixará. Estamos a viver história, porque estamos em casa. 

Se calhar isto vai servir (e acredito mesmo que sim, ao contrário da M.) para sairmos desta fase melhores pessoas. Sermos mais bondosos e mais tolerantes. Podemos aproveitar estes tempos, em que o que não nos falta é tempo, para falarmos com aqueles amigos dos quais nos fomos afastando, mas ainda gostamos tanto. Podemos aproveitar este tempo, para pedir desculpa a alguém que tenhamos magoado, mesmo sem querer. Podemos aproveitar para pensar no que podemos melhorar, e aprender a não dar tudo por garantido. Há duas semanas, alguém achava que sair para ir à farmacia ou ao supermercado era das poucas coisas que podiamos fazer fora de casa?

Alguém, há um mês atrás, achou que ia ter tempo de ler os livros que tem na estante há anos, de ver as séries que se acumulavam? de passar tempo com os filhos, de os ajudar a estudar, de os ver crescer?

Alguém, há um mês atrás, pensou que podia passar o dia a trabalhar de pijama em casa, cabelo apanhado e make up free? not me. 

E não, estes não são tempos risonhos, não são tempos felizes, são tempos de medo, de receio, de incerteza, mas é um tempo histórico e podemos tirar o melhor partido dele e aproveitar para sair deste estado pessoas mais fortes, melhores, e com mais vontade de viver, de fazer pelos outros e de fazer pelo mundo.

Mas não nos esqueçamos que temos que puxar por nós neste tempo tão difícil. Temos que ser fortes e ultrapassar o medo (tão fácil falar...), temos que acreditar que daqui a uns meses podemos voltar a ter uma vida normal, mas não como antes, um bocadinho como eu acredito que possa ser, mais conscientes, mais tolerantes, mais bondosos, mais cuidadosos, mas novamente tão felizes com o simples acto de podermos ir trabalhar para os nossos escritórios, almoçar com os amigos num bom restaurante, sair para uma aula de dança ou ir ao ginásio. Mas para já, vamos pensar em quão privilegiados somos, ou pelo menos, a maioria de nós, pelos dias que podemos ficar em casa, ou podemos trabalhar de casa, porque temos uma casa, ou temos uma família connosco que é isso mesmo, uma família, e pensemos naqueles que: 1. não podem ficar em casa porque precisam estar a combater isto na linha da frente, quer para nos curar quer para que as coisas continuem a chegar a nossa casa, possamos continuar a fazer as nossas compras e o nosso lixo; 2. aqueles que, efectivamente, não têm casa; 3. aqueles que, apesar de estarem em casa, têm também em casa os seus agressores ou aqueles que tanto mal lhes fazem. 

Vamos agradecer, enquanto podemos, todas as coisas boas que continuamos a ter, apesar de tudo o que se passa. 

E vamos esperar que, quando a pandemia aparecer nos livros de história dos nossos filhos, possamos pensar nela como algo distante e do qual conseguimos sair com o minimo de sequelas possível... E que fez as pessoas e o mundo crescer. 

 

Deixo-vos um video - que vi no instagram da cocónafralda - que tanto nos mostra como Portugal é incrível e nos relembra que nós portugueses, também somos. 

Can't Skip Hope.

F. 

25
Mar20

Assim que tiver tempo, prometo.

quatro de treta e um bebé
Há uns meses atrás a F. escrevia-nos sobre o tempo, sobre como "ele" passa e nem nos apercebemos disso. Escrevia-nos sobre como passamos o tempo a desejar que chegue um determinado dia e quando esse dia chega, automaticamente passamos a desejar um outro. E está tão certa!

Nunca arranjamos tempo para estar, para usufruir, para desfrutar. Ou porque temos muito trabalho, ou porque estamos cansados ou porque hoje não dá e amanhã não apetece. A família, os amigos, acabam por se encaixar nas horas vagas que não existem, de uma vida sempre agitada, com tempo contado para coisa nenhuma, coisa essa que é sempre prioritária. Damo-nos conta que passamos mais tempo com pessoas que não nos dizem nada ou que nos dizem muito pouco, com pessoas mesquinhas, de quem nem gostamos, ou até a fazer algo que não nos satisfaz. Porque para isso há tempo, porque isso é o que tem que ser, a isso somos obrigados. E fazemos, e vamos, e (sobre)vivemos aquilo que chamamos de vida, sonhando com um determinado dia, momento ou pessoas.

De amanhã não passa. No próximo fim de semana é que é. No próximo ano não há desculpas. Nas próximas férias, da próxima vez, assim que tiver tempo, na próxima encarnação. Fica para a próxima, prometo!

E de repente, chega um tal vírus que nos obriga a ter tempo. Um tempo imposto. Que nos condena à prisão, sem direito a visitas e que o único contacto permitido é através de videochamadas. E de repente, todos temos tempo. Através de uma pequena câmara, arranjamos formas de tomar café ou jantar com as pessoas que nos são queridas. Arranjamos tempo para ir ao ginásio, jogar cartas ou, simplesmente, estar à conversa. Os filmes parece-nos aborrecidos, os livros cansativos, as redes sociais uma seca. Porque o que gostamos mesmo é de pessoas. De estar com pessoas. E foi preciso um tal vírus aparecer, para nos darmos conta disso mesmo. Um tal vírus que nos mudou as perspetivas e diz-se por aí, que assim que esse vírus nos abandonar, o mundo jamais será o mesmo. As relações pessoais jamais serão as mesmas.  

E de repente, esse tal vírus vai embora. Felizmente, voltaremos à nossa rotina diária. Aos trabalhos que nos tiram tempo e energia, às coisas que nem gostamos assim tanto, mas que tem que ser. E as prioridades que durante estes tempos de quarentena estabelecemos, desaparecerão novamente. Ficarão para mais tarde. Para outra altura. Para quando houver tempo

Diz-se, por aí, que esse tal vírus veio mudar as pessoas. Diz-se por aí e diz-se mal. 

Durante a estadia desse tal vírus, as pessoas fizeram aquilo que fazem sempre. Esperar por um dia que não aquele. E quando esse dia chegar, esperarão por outro. E outro. E outro. Até que não hajam mais dias por que esperar. 

 

M.
19
Mar20

Carta ao Papá

quatro de treta e um bebé

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Olá Papá!

Este é só o segundo ano que festejo contigo o Dia do Pai, mas as diferenças são tantas...
Hoje acordei e pude encher-te de mimo, abraços, beijos, e cantigas.
Hoje pude sentir-te com tempo para me ouvires, para cantares comigo, para brincares comigo, para tomares o pequeno almoço comigo, para almoçares sem pressas comigo, para me adormeceres na minha sesta.
E que bom que foi!
Senti que o fazias com tempo, sem nunca olhares para o relógio, sem te ver stressado e preocupado com o escritório, sem atenderes o telefone, sem pegares na toga e saíres a correr. Que bom, que bom!!
Acordei da sesta e qual não foi o meu espanto estavas lá, a perguntar-me o que queria lanchar. Brincaste comigo durante a tarde. Senti-te feliz. Fizeste-me feliz. Que bom que é ter-te comigo.
Pode ser sempre assim?
Explicaram-me que estávamos de quarentena por causa de um vírus.
Não entendo bem e não sei do que se trata mas acho que eles nos querem bem.
Vocês disfarçam mas parecem preocupados. Contudo, o meu balanço é sempre o mesmo. Estou agora com vocês como nunca estive desde o dia em que nasci.
Obrigada COVID-19!!

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14
Mar20

Carta à COVID-19

quatro de treta e um bebé

Querida (?) COVID-19, 

Qual Wanderlust, qual quê?
Decidiste ceder à tua vontade súbita e forte de viajar e quiseste envolver-nos a todos.
Não achas que é egoísmo a mais fechar um mundo inteiro para te ver passar? Queres esplanadas vazias, centros comerciais mais airosos, escolas fechadas, serviços parados, ruas desertas para te passeares à vontade. Não é egoísmo a mais? Pensa que o egoísmo determinou também que os museus, espaços públicos, praias, parques, estabelecimentos de diversão fossem encerrados e nem tu podes deles tirar proveito. Vemos-te passar de forma arrogante e a incomodar todos os que tranquilamente seguiam a sua vida, ao ritmo habitual. Chegaste determinada a perturbar o quotidiano e os costumes de cada nação. Ninguém te disse que a beleza da viagem está no que adquires e "bebes" culturalmente dos outros? COVID-19, continua a tua viagem discretamente, de forma serena e tranquila, ao som daqueles que te vão "acolhendo" sem te impores demasiado.
Tira o máximo proveito desta viagem e faz com que ninguém dê por ti.
A torcer para que a tua viagem termine rápido,
S.

10
Fev20

Serviço Público - com a participação especial de Paola Solarevicz

quatro de treta e um bebé

Um agradecimento especial às pessoas com mau gosto. Sem elas este artigo não teria sido possível.

 

Há uns tempos, escrevia-vos sobre aquelas coisas que me impediam de apaixonar por um homem, por mais lindo que ele fosse. Falava-vos da altura, da voz, da data de nascimento e até da bagagem. Por mero lapso, não referi o mau gosto. Mas hoje escrevo-vos para corrigir esse lapso, e fazer “serviço público”. Porque entendo que ao contrário da altura, da voz, da data de nascimento ou da bagagem, o mau gosto pode moldar-se, corrigir-se, educar-se. Ou pelo menos quero acreditar que sim.  

 

Numa “conversa de café” com a Paola Solarevicz, uma verdadeira entendida no tema, falávamos do mau gosto. Do mau gosto em geral, embora nos focássemos, essencialmente, no mau gosto dos homens. Da falta de noção ou de espelho. Falávamos da surpresa, do impacto, do bater de frente com alguém com mau gosto e da sensação de “facada no peito” quando nos cruzamos com homem que tem tanto de bonito como de mau gosto.

Dizia-me ela que adorava homens com bom gosto, que se sabem vestir e, mais ainda, sabem adaptar o que vestir à ocasião. Por sua vez, quando se cruzava com homens vestidos como autênticas “árvores de natal” não consegue evitar o beicinho a tremer, a pupila a dilatar e a lágrima a espreitar no canto do olho, pronta para verter, de tamanha desilusão com o mundo.

Poluição visual. Dizia ela que se tratava de uma poluição visual. E devia ser crime, da mesma forma que a poluição ambiental o é.

Assim, e de forma a contribuir para um mundo melhor, deixo-vos infra as dicas de Paola Solarevicz, sobre o que não vestir, nem em casa.

 

Manga cava preta, com calças de ganga e sapatilhas básicas.

Acrescento que manga cava só por si, nunca! Não é para usar, em situação nenhuma, com coisa nenhuma. Nem com calças de ganga, nem com outra coisa qualquer. Nem na rua, no passeio de domingo a tarde, ou no ginásio. Exceciona-se a utilização para prática de modalidades desportivas como o basquetebol ou o voleibol de praia. Mas como referido, apenas e só nessas duas modalidades.

Roupas justas

Jamais! A não ser que vá participar numa prova de danças de salão ou salto em trampolim, é fugir das roupas justas a sete pés. Cruzar-nos com um homem que decidiu sair de casa com a roupa do filho mais novo, não é de todo atrativo.

Calças “tomara que caia”

Tipo os tops das mulheres, mas numa versão masculina. Traduz-se naquela peça de roupa, que deveria estar na cintura, mas que, por se ter comprado o número acima, estão constantemente a ameaçar cair. A mais recente versão deste modelo, implica que as mesmas sejam justas em baixo, imaginamos nós que seja para que, caso caiam, não fiquem pelo caminho.

Camisa aberta até ao umbigo

Ou até um pouco mais acima. Se não aperta mais, não é porque não é para apertar, é porque o tamanho não era esse. A situação piora se tiverem o fio no pescoço.

Fatos não cintados

Aquela máxima de que um homem compra um fato uma vez e depois usa o mesmo fato para sempre, porque os fatos são todos iguais e nas fotografias de casamento não se vai notar já não se aplica. Os anos passaram, os fatos mudaram, os cortes também. Usar umas calças de fato largas em baixo? Não. Deitem fora.

 

Nas palavras sábias de Paola Solarevicz, “quando os olhos não sabem para onde olhar, significa que tudo está mal ali”. A mesma, refere ainda que “não há mal nenhum em evidenciar o corpo, desde que o mau gosto não se evidencie primeiro”. Dito isto, é um facto: a elegância conquista. E a falta dela também…

 

M.

 

04
Fev20

Mulherzinhas

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

Bem-vindo Fevereiro! Fevereiro é o mês da nossa S., por isso só pode ser um bom mês.

Eu cá comecei o mês no cinema, a ver o filme Mulherzinhas. 

Quem me conhece sabe que o livro Mulherzinhas da Louisa May Alcott é dos meus preferidos! (Aliás já falei dele aqui no blog.) É um clássico tão bom de ler que, para mim, nem parece clássico. É daqueles livros que já li mais de uma vez e continuo sempre a descobrir coisas novas e continua a afectar-me sempre de forma diferente. Tenho várias edições deste livro e já vi o filme de 1994 dezenas de vezes.

Mas vamos por partes!

Para aqueles mais distraidos que não sabem sobre o que tratam os livros/filmes, falamos da história da família March. O Mulherzinhas é passado durante época da guerra civil americana, entre 1861 e 1865. Está família é constituída por quatro irmãs, a Meg, a Jo, a Beth e a Amy. Vivem com a mãe e o pai está na guerra. Com a partida do pai para a guerra esta família enfrenta dificuldades económicas mas juntas conseguem superar as dificuldades e a si mesmas e fortalecer-se enquanto família. Enquanto no mulherzinhas estas quatro irmãs aprendem a crescer e a lidar consigo e com os outros, no Boas Esposas, 3 anos depois do fim do Mulherzinhas, estas já são adultas e têm que conviver com a perda, com escolhas, casamentos e uma vida diferente daquela que estavam habituadas, mas pela qual vão lutar e saberão ser felizes. 

Em Portugal, a história da família March é dividida em dois livros, o Mulherzinhas - Livro 1, e o Boas Esposas - Livro 2. Efectivamente, o Boas Esposas é a segunda parte do Mulherzinhas, 3 anos depois do fim do primeiro livro. Mas, muitos países há em que estes dois livros são vendidos como um só! 

Depois destes dois, há ainda (mas não traduzido para português) o Little Men e o Jo's Boys. (Estes são uma continuação do Mulherzinhas e do Boas Esposas, mais centrado noutras personagens desta história, das quais não vou falar para não dar detalhes/spoilers da primeira história!)

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Posso-vos dizer que ainda não li estes dois livros mas, já os encomendei na wook (por 3€!!!! os dois, juntos! nota-se muito o entusiasmo?!) e, assim que chegarem pegarei neles!

Pronto, passando agora para os filmes e as séries. (ou só filmes, porque apesar de já existirem várias séries e de eu ter uma ou duas guardadas, ainda não peguei!).

Estes livros já foram objecto de várias séries e de filmes ao longo dos anos. Posso dizer que o mais conhecido é, sem dúvida, o filme de 1994.

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E, eu, posso dizer que é dos meus filmes de eleição. Já o vi imensas vezes. Sempre que dou conta que está a dar na TV fico a ver, pelo que, estava muito colada a esta versão a estas personagens.

É muito fácil comparar todas as personagens e, foi justamente o que fiz durante todo o filme. Mas acho que não devia. Distam 15/16 anos entre os dois filmes, é mais do que natural que haja diferenças e são muito bem vindas! 

A questão é que, como gosto tanto dos livros e do filme que conhecia, ia com expectativas altas e demasiado pormenorizadas e claro, fui logo surpreendida nos primeiros minutos.

Mas já lá vamos...

Assim que soube que ia estrear um novo filme do Mulherzinhas, e vi que era com a Emma Watson (que eu adoro) disse logo que tinha que ir ver ao cinema! Acompanhada ou sozinha mas iria vê-lo! Por isso, assim que estreou, 3 amigas vieram fazer-me uma visita a Viseu e lá fomos nós ver um filmes que todas tinhamos tanta curiosidade.

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Para começar, a fotografia deste filme é maravilhosa! Este filme conta a história da família March entre um passado recente e o presente, saltita de umas cenas para as outras, mas acho que tem uma capacidade de o fazer de forma acertada e subtil. 

O filme está muito bem feito, tem as cenas importantes, talvez uma ou outra de forma diferente do que eu esperava (estava muito colada à versão de 1994, como vos disse) mas, agora pensando nisso, acho mesmo que está um filme bem conseguido! Aliás, é um dos filmes nomeados para melhor filme nos Óscares!

Falando das personagens...

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Ah Saoirse.. como mereces levar o óscar de melhor actriz para casa! (não me venham já perguntar se já vi os outros filmes nomeados e a prestação das outras actrizes. Não vi, mas acho que a Saoirse está MARAVILHOSA neste filme) É a minha Jo preferida. Gostei mesmo muito dela neste filme.

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Emma Watson como Meg. Meg é a mais velha das 4 irmãs. Eu adoro a Emma, mesmo! Foi uma das grandes razões por querer logo ver este filme e apesar de a achar lindamente, como sempre, não sei explicar mas acho que faltou alguma coisa. Continuo a não a ver como Meg. Não acho que tenha sido muito convincente neste papel. Em termos comparativos acho que a Meg de 1994 é mais Meg que a Emma. Senti realmente que faltava ali alguma coisa, ou que se calhar nao combinava com ela. Não sei explicar. 

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Eliza Scanlen, como Beth, a irmã número 3, aquela que tem a saúde mais fragil, a que mais gosta de música. Não conhecia esta actriz e acho que esteve muito bem. Sinto que esta versao de 2019 não mostrou grande coisa da Beth, nao nos fez conhece-la e quase nos esquecemos que ela está ali. Nisso o filme de 1994 dá-lhe mais atenção, chama-nos mais a atenção. E a Beth é aquela irmã que todos nós precisavamos mais de ser!

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Florence Pugh, como Amy, a irmã mais nova. O filme de 1994 tem duas actrizes a fazer de Amy. Uma mais novinha, enquanto criança e outra mais velha ja nos seus 20 anos. Aqui a Florence faz as duas idades da Amy, enquanto adolescente e enquanto adulta. Dei-me conta agora que a Florence está nomeada para melhor actriz secundária. E pensando bem, talvez mereça mesmo. Disse várias vezes no dia em que vi o filme que esta Amy era a minha preferida. Para quem já leu os livros sabe bem que a Amy sendo a mais nova é a mais mimada, é a mais orgulhosa e acaba por ser um bocadinho irritante. Esta versão de 2019 traz-nos uma Amy tudo isto mas ao mesmo tempo nada irritante. Disse mesmo "Esta Amy é muito menos irritante que as outras, sem dúvida". Acho que é uma actriz do caraças esta Florence e, fez-me gostar muito da Amy, coisa que não tinha acontecido anteriormente!

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O Laurie não podia ser mais diferente da versão de 1994. E se acho que em termos de actuação este talvez me encha mais as medidas, gostei mais deste no papel de Laurie, por outro lado não acho que seja assim tão adequado para este papel. A verdade é que durante todo o filme este Laurie me pareceu um miúdo. Mesmo miúdo. Não o tinha com um ar tão infantil. E mesmo quando passamos para a fase mais adulta deles, ele continua exactamente igual. Não sei, eu gostei dele, mas ao mesmo tempo não gostei. 

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Meryl Streep como a Tia March, a tia que nenhuma das raparigas gosta muito, excepto a Amy. Mas a tia rezingona e ao mesmo tempo com saídas que nos fazem rir. Como sempre óptima, a Meryl.

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Laura Dern como a mãe das quatro irmãs. Quando ela apareceu e, comparando com a versão de 1994, pareceu-me novinha, mas depois pensei que realmente parecem todos muito mais novos nesta versão que na anterior. No entanto, não deixei de a adorar no papel de Marmee, talvez até mais do que na versão de 1994, mas talveeez tenha ideia que a versão de 1994 é mais aproximada a do livro. Não sei, eu gostei muito desta Marmee. 

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E provavelmente a maior e mais surpreendente personagem desta versão de 2019 foi Friedrich Bhaer, digamos que este era bem mais novo que a versão de 1994, muito mais atrativo, nada a ver com o seu antecessor. Gostei desta nova versão do professor, até porque claro, se coaduna mais com a Jo, mas não achei muito fidedigno ao livro. Mas enfim, para os olhos foi melhor, sem dúvida. 

 

E isto tudo para dizer, vão ao cinema, vão ver este filme. 

Vale a pena. Eu vou, de certeza, vê-lo mais vezes.

Mas sabem o que vale mesmo a pena também? Lerem os livros!!

F. 

27
Jan20

Não cantarás

quatro de treta e um bebé

Estava outro dia num qualquer convívio quando tive a seguinte epifania: talvez seja uma bênção eu não saber cantar.

Não para mim, para os outros. E daí talvez um pouco para mim, ao não me obrigar a viver em exílio.

Talvez se trate daqueles males que vêm por bem.

Adoro música. Há épocas em que gosto de descobrir, noutras de recorrer aos clássicos; dias em que não saio daquelas duas canções, dias mais variados; fases em que ninguém me tira o reggaeton, fases em que não largo o rock.

Toda a minha vida quotidiana se desenrola com uma banda sonora dentro da minha cabeça. Por vezes é tão intrínseco, que nem dou por ela, e só me apercebo quando já estou a enjoar daquela música sem saber bem porquê.

Tantas outras vezes, dou por mim a trautear. Com sorte, não está a sair muito som e só parece que estou a ter um ataque do miocárdio e espasmos na boca. Com azar, está mesmo a fazer barulho.

Mas trautear é um mero prólogo do cantar, uma benesse em comparação.

É que eu gosto mesmo de cantar. Nem estou a falar das caras estranhas e expressões excessivas; do mal, o menos.

Gosto de cantar.

Ou algo semelhante.

Fazer barulhos? ... Gritar com alguma melodia? …

São imensas as situações em que uma música me vem à cabeça, ou porque aquela frase me fez lembrar uma letra, ou porque aquele tema está mesmo bem retratado numa canção, ou porque se aplicaria mesmo bem aquele refrão.

São inúmeras as vezes em que me apetece responder com uma música ou parte da sua letra, ou reagir apenas com som, com uma melodia de uma canção. Bem, são várias as vezes em que o faço (e às vezes me arrependo). “Não estás a ver como é a música? É aquela assim” – e começo a cantar; como é que alguém haveria de adivinhar o que era isso?!

Talvez seja uma bênção que eu não saiba cantar.

Imagino que, soubesse eu cantar ou tivesse eu uma voz naturalmente bonita a cantar, deixaria de apenas falar.

Responderia a 99% das conversas em música, fosse ela inventada ou a adaptar letras e melodias existentes. Sim, sim, quando digo que gosto de cantar, não é necessariamente algo que exista. E é sempre. Desde o leite com cereais ao abrir o email; “tu vais para o spam, querias tu ter um recibo de leitura e não to vou dar, lixo, lixo, lixo, já obtive essa informação”. Mas a cantar. (estão a ver aquele clip do Marshall a estudar Direito?)

Algo me diz que isso não funcionaria bem em sociedade, nem a nível social e de convívio, nem a nível profissional, imagino.

Lembro-me de uma célebre revista Fórum Estudante, há muitos anos atrás, que me destroçou com um: “não cantarás”. Andava eu a aprender a tocar guitarra (talvez seja também uma dádiva que nunca tenha dominado o instrumento) nesta fase, feliz da vida, quando o horóscopo da revista quanto ao meu signo tinha por título “não cantarás” e seguia a dizer “não, ninguém te quer ouvir cantar noite feliz” (só a música que andava a cantar em loop).

Foi das coisas mais cruéis que já li. Terá talvez sido aí que pus definitivamente de lado qualquer esperança de soar algo melhor do que um animal a ser torturado. Quer dizer, só podia ser a maneira do Universo de chamar à atenção, através de uma revista para estudantes. Foi duro. Mais ainda quando na minha família, ao invés de destroçados, ficaram até um pouco aliviados.

Prefiro pensar que é pelo melhor.

Não estaria preparada para saber cantar. Talvez não tenha a responsabilidade suficiente para conseguir lidar com esse poder. Ia exagerar, tenho a certeza que ia exagerar. Não ia conseguir cantar só um bocadinho. Já assim, bem sei o que custa. É, talvez seja melhor assim.

Talvez seja uma bênção não saber cantar.

 

 

P.S.: Imagino que seria algo parecido com isto:

(filme "Capuchinho Vermelho - A Verdadeira História" e o bode que só consegue falar se for a cantar)

 

R.

20
Jan20

“Deu-me para isto”

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19 de Janeiro, 22 horas, Porto, Sá da Bandeira e gargalhada farta. 

Estava o cenário montado para me sentar confortavelmente a “fazer o jeito” à Pipoca Mais Doce.
E lá estava ela com o habitual humor que torna sempre todos nós, em geral, mais interessantes.
Descontraída, embora tivesse partilhado que não saiu da casa de banho nos últimos tempos, e com uma capacidade incrível de “falar sozinha” sempre com piada foi o que ressaltou de 2h de espectáculo.
Não desiludiu. E quando me ia ajeitando na cadeira para assistir a mais umas quantas horas, eis que ela termina com “obrigada, Porto!”.
No final lá tive que gramar com a Pipoca que insistiu para que tirasse uma foto agarradinha a ela. Bem, imaginem, fiz o esforço e voilá (risos). Uma simpatia, por acaso.
Casa esgotadíssima, de resto o que aconteceu em 24 dos seus 26 espectáculos.
Para quem já a viu: qual a vossa hora “segura” para chegar a casa e não ter que, mesmo com 4 mortais e sem ar, aceder a pedidos?
Ela voltará, por isso não percam.
Com humor,
S.

 

#humor #rir #pipoca #pipocamaisdoce #teatro #teatrosadabandeira #porto #fodeibos "agoradeumeparaisto

10
Jan20

Ano Novo, Leituras Novas

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

Bom Ano! Que tenham um 2020 e uma década nova muito feliz!

Ora bem, (já dizia o RAP na musica da comercial ) hoje vamos falar sobre as leituras de 2019 e sobre as aspirações de 2020!

Para mim, 2019, quando comparado com 2018, foi um ano muito fraquinho em leituras. Em 2018 li 30 livros, o que fez com que em 2019 tivesse como meta os mesmos 30 livros. O problema é que só consegui chegar aos 23, sendo que 4 deles foram infantis por isso quase não contam. 

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Curiosamente estes dois livros que aparecem na imagem foram dos meus preferidos do ano. O livro infantil do David Litchfield é maravilhoso. Tem uma ilustração de emocionar e fui muito feliz a ler este livrinho!
o Diz-me quem sou da Julia Navarro é um livrão. É maravilhoso, é um daqueles de 1000 páginas que parece que tem 300 de tão fácil de ler que é! Já fui comprar mais livros dela, porque se forem todos comos dois dela que li, são bons de certeza!

Fui falando ao longo do ano das minhas leituras, aquiaqui e aqui! por isso já sabem que dos meus livros preferidos, além desses dois foi o Becoming, da Michelle Obama e o Robot em Fuga do Peter Brown. Além dos que partilhei aqui gostei muito do Nas Brunas da Noite da Sandra Byrd, mesmo muito. Adoro livros de epóca, livros que retratam epócas que nao conheço e onde gostava de ir 'passear', por isso o segundo dela está definitivamente nos meus próximos a comprar! 

Outro que adorei, não desilude nunca, foi o The Truth Pixie Goes do School, do Matt Haig. Já sabem que adorei o primeiro e o segundo não foi excepção. Tenho pena que só haja na língua original, em inglês, porque acho que era um livro que todos deviam ler, miúdos e graúdos. Mas, um livro do mesmo autor já traduzido para português é o MARAVILHOSO Um Rapaz Chamado Natal. Basicamente esta é a história do Pai Natal. E desengane-se quem acha que esta é uma história fácil e sem sofrimento. É uma historia complexa, bonita e cheia de magia mas é um livro que vale tanto a pena ler... O Segundo já é meu, e no próximo natal nao me escapa! 

Chegados ao fim de mais um ano de leituras, é tempo de definir novas metas para 2020. Neste novo ano o meu objectivo são 20 livros. O tempo tem escasseado e preciso dividir o tempo dos livros com o tempo das séries (já sabem que sou viciada não é?). Por outro lado já tenho um trabalho tão desgastante, psicologicamente, que só me tem apetecido aqueles livros leves e fáceis de ler, mas vamos lá ver o que o novo ano me reserva em termos de livros. Pelo menos não vou ser demasiado ambiciosa e vamos ver se pelo menos os 20 consigo!

Para já, comecei o ano com um livro de um autor turco (nunca tinha lido nenhum autor turco), Orhan Pamuk, O Museu da Inocência. Este autor ganhou o prémio nobel da literatura. Por isso, só coisas boas: autor desconhecido, galardoado, e sobre um país e uma cidade cujo interesse cresce a olhos vistos. Depois conto-vos o que achei!

E vocês, definem objectivos de leitura para o ano? Se sim contem-me quantos livros planeiam ler!

F. 

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