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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

20
Jan20

“Deu-me para isto”

quatro de treta e um bebé

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19 de Janeiro, 22 horas, Porto, Sá da Bandeira e gargalhada farta. 

Estava o cenário montado para me sentar confortavelmente a “fazer o jeito” à Pipoca Mais Doce.
E lá estava ela com o habitual humor que torna sempre todos nós, em geral, mais interessantes.
Descontraída, embora tivesse partilhado que não saiu da casa de banho nos últimos tempos, e com uma capacidade incrível de “falar sozinha” sempre com piada foi o que ressaltou de 2h de espectáculo.
Não desiludiu. E quando me ia ajeitando na cadeira para assistir a mais umas quantas horas, eis que ela termina com “obrigada, Porto!”.
No final lá tive que gramar com a Pipoca que insistiu para que tirasse uma foto agarradinha a ela. Bem, imaginem, fiz o esforço e voilá (risos). Uma simpatia, por acaso.
Casa esgotadíssima, de resto o que aconteceu em 24 dos seus 26 espectáculos.
Para quem já a viu: qual a vossa hora “segura” para chegar a casa e não ter que, mesmo com 4 mortais e sem ar, aceder a pedidos?
Ela voltará, por isso não percam.
Com humor,
S.

 

#humor #rir #pipoca #pipocamaisdoce #teatro #teatrosadabandeira #porto #fodeibos "agoradeumeparaisto

10
Jan20

Ano Novo, Leituras Novas

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

Bom Ano! Que tenham um 2020 e uma década nova muito feliz!

Ora bem, (já dizia o RAP na musica da comercial ) hoje vamos falar sobre as leituras de 2019 e sobre as aspirações de 2020!

Para mim, 2019, quando comparado com 2018, foi um ano muito fraquinho em leituras. Em 2018 li 30 livros, o que fez com que em 2019 tivesse como meta os mesmos 30 livros. O problema é que só consegui chegar aos 23, sendo que 4 deles foram infantis por isso quase não contam. 

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Curiosamente estes dois livros que aparecem na imagem foram dos meus preferidos do ano. O livro infantil do David Litchfield é maravilhoso. Tem uma ilustração de emocionar e fui muito feliz a ler este livrinho!
o Diz-me quem sou da Julia Navarro é um livrão. É maravilhoso, é um daqueles de 1000 páginas que parece que tem 300 de tão fácil de ler que é! Já fui comprar mais livros dela, porque se forem todos comos dois dela que li, são bons de certeza!

Fui falando ao longo do ano das minhas leituras, aquiaqui e aqui! por isso já sabem que dos meus livros preferidos, além desses dois foi o Becoming, da Michelle Obama e o Robot em Fuga do Peter Brown. Além dos que partilhei aqui gostei muito do Nas Brunas da Noite da Sandra Byrd, mesmo muito. Adoro livros de epóca, livros que retratam epócas que nao conheço e onde gostava de ir 'passear', por isso o segundo dela está definitivamente nos meus próximos a comprar! 

Outro que adorei, não desilude nunca, foi o The Truth Pixie Goes do School, do Matt Haig. Já sabem que adorei o primeiro e o segundo não foi excepção. Tenho pena que só haja na língua original, em inglês, porque acho que era um livro que todos deviam ler, miúdos e graúdos. Mas, um livro do mesmo autor já traduzido para português é o MARAVILHOSO Um Rapaz Chamado Natal. Basicamente esta é a história do Pai Natal. E desengane-se quem acha que esta é uma história fácil e sem sofrimento. É uma historia complexa, bonita e cheia de magia mas é um livro que vale tanto a pena ler... O Segundo já é meu, e no próximo natal nao me escapa! 

Chegados ao fim de mais um ano de leituras, é tempo de definir novas metas para 2020. Neste novo ano o meu objectivo são 20 livros. O tempo tem escasseado e preciso dividir o tempo dos livros com o tempo das séries (já sabem que sou viciada não é?). Por outro lado já tenho um trabalho tão desgastante, psicologicamente, que só me tem apetecido aqueles livros leves e fáceis de ler, mas vamos lá ver o que o novo ano me reserva em termos de livros. Pelo menos não vou ser demasiado ambiciosa e vamos ver se pelo menos os 20 consigo!

Para já, comecei o ano com um livro de um autor turco (nunca tinha lido nenhum autor turco), Orhan Pamuk, O Museu da Inocência. Este autor ganhou o prémio nobel da literatura. Por isso, só coisas boas: autor desconhecido, galardoado, e sobre um país e uma cidade cujo interesse cresce a olhos vistos. Depois conto-vos o que achei!

E vocês, definem objectivos de leitura para o ano? Se sim contem-me quantos livros planeiam ler!

F. 

06
Jan20

Resoluções de Ano Novo.

quatro de treta e um bebé

Na viragem do ano que agora terminou, dizia-vos eu que adorava resoluções de ano novo. E que apesar de não acreditar verdadeiramente nelas, nunca deixava passar as doze badaladas sem a companhia das uvas passas e o respetivo desejo.

Odeio uvas passas e não sou fã de champanhe (!), mas todos os anos, no dia 31 de dezembro, preparo, sem exceção, as 12 uvas passas (que envolve a árdua tarefa de encontrar as doze uvas mais pequenas para que o sacrifício seja também ele mais pequeno ou, pelo menos, mais fácil de superar) e à meia noite estendo a mão ao champanhe. Cumpro religiosamente o que manda a tradição. Peço um desejo por cada uva passa e brindo ao novo ano, ao que aí vem. Brindo ao ano que passou e fecho o tal ciclo.

Assim que terminam as doze baladas termina também o ritual. Nunca mais penso nos desejos! E no final do novo ano que acabou de chegar recomeço tudo de novo. Literalmente.

Não penso nos desejos que fiz no ano anterior. Não faço um balanço do que pedi ou daquilo a que me comprometi. O mais certo é nem saber o que pedi no ano anterior.

Não sei se o drama dos 30 (e um, já sei) chega a este ponto, mas este ano foi diferente. Dias antes do final do ano, do nada, dei por mim a pensar nas minhas resoluções para o ano 2019. Lembro-me (e desta vez tão bem) que todas tinham algo em comum: mudança. Mudança radical. De vida, de cidade, de emprego, de amor. Mudar tudo. Não que tudo estivesse mal, não estava, mas porque a minha vida precisava de ser agitada e nada melhor que a mudança (radical) para isso.

Recordo-me, ainda, de ter pensado que mudar tudo era muita coisa e que talvez não fosse possível num só ano. Priorizar era difícil, queria todas da mesma forma. Talvez porque queria que todas estivessem interligadas.

Sem que disso me tivesse apercebido, durante o ano de 2019 ocorreram essas mudanças. Talvez como nos anos anteriores, aqueles em que não fiz balanço. Não da forma que as imaginei, não com a tal agitação que previ. Mas chego ao fim do ano com tanto. Com mais do que desejei à meia noite do dia 1 de janeiro de 2019. E estou tão grata por isso. Contudo, a vida andou, rodou, mudou e eu… eu nem dei por isso. E continuo a querer mais e mais e mais.

No dia 31 de dezembro, voltei a pedir 12 desejos. Voltaram a ter a mudança no centro. Algumas vinham do ano anterior, porque a mudança não foi suficiente, outras são novas, porque os anos passam, a coisas mudam, mas continuo inconformada.

Feliz 2020.

M.

 

Ps.: Ainda não foi este ano que fui a NY. 

15
Dez19

Que mal fiz eu a Deus?

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

Não, não vamos falar de coisas más e o título não é para levar à letra! Vamos falar sim de cinema, mais concretamente de um filme que fui ver esta semana. 

Que Mal Fiz Eu a Deus, Agora?

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É uma comédia francesa que estreou dia 05 de dezembro! 

Quem me conhece sabe que eu não sou a maior fã de comédias. Não acho grande piada à maior parte das comédias, americanas então é rarissimo ver. Mas as comédias francesas... é impossivel não gostar!

Confesso que fui ver este filme porque já tinha viste o Que Mal Fiz Eu a Deus? e ADOREI. 

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Ri-me TANTO mas tanto, que chorei a rir.

É tão bom o primeiro filme que, naturalmente, o segundo ficou um bocadinho aquém das expectativas. Não é tão bom como o primeiro. Não me ri nem metade do que ri no primeiro. Mas é um bom filme. É um filme que entretém muito bem. Que dá para rir. E para quem, como eu, gosta de saber o que é feito daquelas personagens, é optimo voltar a vê-las. 

O Christian Clavier e a Chantal Lauby são magníficos. Óptimos actores. 

Aconselho. Se querem passar bons momentos, rir e esquecer o mundo lá fora, esta é uma comédia imperdivel, nos seus filmes 1 e 2. 

Vejam! Vão ao cinema, vejam em casa, mas aproveitem e divirtam-se!

Deixo-vos os trailers de ambos os filmes:

 

F. 

 

 

 

09
Dez19

O lado de fora.

quatro de treta e um bebé

O coração acelera e o nervosismo fala mais alto. Num ato irrefletido olho para as minhas mãos que balançam sem parar. Sem que me aperceba disso um braço cruza e o outro vai à boca como se fosse roer as unhas. E eu que nem roo as unhas. Apoio o corpo numa perna e depois noutra. Respiro fundo. Junto as duas mãos como se pedisse ajuda divina. E eu que nem acredito no divino. Ando para um lado. Depois para o outro. Dou por mim a fletir as pernas e volto a colocar-me direita. Pulo e controlo-me. Volto a dar um salto. E depois outro. E paro. Respiro fundo. E recomeço. Sem que dê por isso. Mais uma vez. E outra e outra e mais outra. Até que o apito final se faz soar no pavilhão. E o ritmo cardíaco tenta voltar ao normal, a respiração acalma e as mãos balançam cada vez menos. Não percebes como, nem porque. A adrenalina entrou em dose superior aquela que entra quando estás lá. E saí de forma mais lenta. 

Foram, quase, duas horas a jogar na pior das posições. A mais difícil. A do lado de fora.

M.

01
Dez19

O jantar de natal de empresa (do ponto de vista de uma principiante)

quatro de treta e um bebé

Este natal vou ter o meu primeiro grande jantar de empresa.

Já passei por jantares de trabalho, durante o tempo de estágio; um deles num bom restaurante, com a família dos chefes, pago pelos ditos cujos, outro deles, do lado oposto, uma refeição informal entre pessoas que trabalham juntas. Já fui convidada em jantares de empresas em que alguns dos funcionários terminaram na rua a expelir tudo o que acabavam de ingerir, numa mistura perigosa entre álcool e insatisfação.

Vale sempre o truque do costume: sorrir e acenar.

Lidar com os que nem sequer fazem um esforço, os que não se calam, os absolutamente inadequados, os de que efetivamente gostamos mas com quem não conseguimos falar.

A linha ténue que separa o divertirmo-nos do ser socialmente adequado a um ambiente mais ou menos profissional.

Este ano, pela primeira vez, participo num jantar de uma empresa maior, um jantar cuidadosamente planeado e organizado.

Mais, um jantar com tema.

Pior, com bar aberto.

Antes de mais, decidir o que vestir e tudo o que com isso anda de mãos dadas: comprar, pedir emprestado, planear e escolher.

Cometer o erro de deixar antever alguma dúvida, e a sugestão amigável passar a conselho não solicitado.

Ter a certeza absoluta de que alguém irá criticar, ou não fosse passatempo habitual ir ver as fotos dos anos passados e largar aquela frustraçãozinha em críticas algo generalizadas, sempre numa ótica de heteroavaliação, claro.

Decidir que, acima de tudo, queremos sentir-nos bem. Decidir que, já que no dia-a-dia a escolha recai sobre peças mais casuais, queremos ir com algo que nos assente bem e tenha algum efeito uau. Mas que também queremos estar confortáveis e seguras, até porque convém ser simpáticos durante o jantar, e se já vamos ter que usar aquele sorriso amarelo de vez em quando, não será fácil ter que o fazer se estivermos a agonizar com dores nos pés ou preocupados com a racha do vestido.

Tentar balançar entre o too little com o too much, afinal de contas, esta não é propriamente a minha praia.

E, depois de tudo, a preparação mental. Para ser um ser sociável e simpático, estar à vontade, mas não à vontadinha, confiante, mas não armante.

Preparar a parte social: trabalhar os músculos faciais para o sorriso, a mente para ignorar as boquinhas, os olhos para não mostrar as críticas que fazemos à empresa ou aos chefes durante a semana, lembrar de ter sempre um copo na mão para ninguém chatear, mas de lembrar que estamos, afinal de contas, num ambiente semi profissional, e que não queremos acabar a noite de gatas.

No meio disto tudo, esperar que seja minimamente divertido! Esquecer que aquilo nos chateou e desmotivou ou que aquela costuma ser insuportável, e tentar aproveitar.

Estreitar laços, conversar, partilhar ideias, motivar, e, quem sabe, descobrir pessoas que vão deixar saudades, um dia, quando partirmos para outra etapa.

E, no final, voltar ao trabalho. Abanar a cabeça ao pensar no stress e planeamento que exigiu uma única noite, cruzar os dedos e esperar que não tenham feito ou dito nada desapropriado, e voltar ao que efetivamente estamos lá para fazer: trabalhar.

Com certeza estão também vocês na época dos jantares de natal, incluindo os da empresa.

Algum conselho para uma principiante?

 

R.

24
Nov19

“Paital”: Fujam!

quatro de treta e um bebé

 

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Eis que “abriu” a época natalícia e estamos oficialmente tramados e condenados a ficar com os miúdos em casa!!!!
Eu adoro o Natal o que ajuda a ter estofo para lidar com tudo isto mas digo-vos que não é fácil!
Ora bem: “Benedita, queres ir à rua?”
- “queres!”, responde ela, assertivamente.
Penso, bem vou só ali então fazer umas comprinhas e já volto.
Entro no supermercado, penso que entrei na TOYSRUS e enquanto (quase) pontapeio os brinquedos para chegar ao fiambre, tenho a Benedita a por a mão em tudo o que é brinquedo e a dizer “queres, queres”.
Explico-lhe que apesar de estar tudo entusiasmado, o Natal é só mais para a frente.
E ela continua sem querer perceber “queres, queres bebé...panda...queres”.
Respondo: sim, filha, eu percebi mas por agora é só fiambre mesmo (risos).
Entre puxões lá a trago para junto de mim, quase, quase a chegar ao fiambre... Ups, mais uma secção natalícia, agora o “paital” em todo o lado. E “queres, queres, queres,...”
Lá a enrolo mais um bocado sempre com a treta do “ai que lindo! É, depois vemos isso, agora temos que ir”.
E ela, persistente: “paital, gio, queres”.
Ainda bem que ela não tem (ainda) grande léxico e argumentação. Teremos alturas piores. Para o ano nem saio de casa.
Pensam vocês, coitada da S., ainda não comprou o fiambre. Isso!!!!!
Mas vá, depois de algum esforço lá encontro o fiambre e coloco mais umas coisas no cesto. Dirijo-me a caixa e penso “ufa, que alívio, tenho o que quero e a miúda já sossegada!”.
NÃO!!!! Ainda travo uma batalha com as pantufas, pijamas e babygrows alusivos ao Natal.
Venço-a e sigo em frente a achar-me a Super Mãe.
Chego à caixa... e não é que o “gajo” está lá de novo?
“Paital, paital!”, alerta-me a B..
Respondo com ar desinteressado e despercebido: “diz, filha!?”.
Diz-me ela: “mais, mais, paital, paital”.
E continua o senhor de barbas, agora em chocolate, a “enfernizar-me” a vida!
Já pensei fazer um acordo com ele, o que acham?
Ele aparecer só mesmo dia 25 de Dezembro? Ali uma horinha e depois transformar-se em fumo e desaparecer!! Que tal?
Quem mais trava esta batalha?
Com paciência e de pazes feitas com Pai Natal porque o adoro,
S.

 

 

 

15
Nov19

O tempo

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas,

 

Na semana passada a M. fez anos. Entrou nos 31 e, entre as quatro, relembrámos que há um ano atrás estávamos todas juntas a festejar os 30.

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Partilhámos entre nós esta foto. Uma foto do dia dos festejos dos 30. E o curioso é que como eu disse, passou 1 ano. Um ano. Como é que passou um ano desde que estivemos a festejar os anos da M.? Se me dissessem que tinham passado dois meses, eu acreditava.

Como é que nessa foto a nossa B. ainda era um bebé de colo e agora até já caminha?

Como é que ainda ontem estávamos a pensar no natal do ano passado e já estamos outra vez no natal?

É só a mim que esta passagem do tempo assusta? É que eu, genuinamente, não dei pelo ano passar. Coisas que se fizeram, coisas que se disseram, para mim foram no mês passado, não no ano passado.

Como é que passamos a semana a querer que seja sexta, o mês a querer que seja fim do mês, o ano a querer que seja ou aniversario, ou natal, ou férias, mas depois quando damos conta já foi?

Não tenho memória que há anos atrás tivesse sido assim. Não tenho memória que o tempo passasse tão depressa como nos últimos anos. E se por um lado é bom, tudo passa, o bom e o mau (felizmente este último). Por outro lado, não estamos a deixar escapar momentos, pessoas, neste passar do tempo que nos parece um nada, mas é muito? Facilmente passamos meia dúzia de meses sem falar ou ver alguém e parece que foi ontem que falámos e vimos. Acho que connosco acontece isso. E por um lado isso é bom. No nosso caso podiamos até estar o ano inteiro sem nos vermos, mas quando estamos as 4 juntas parece que estamos todos os dias. 

E lá está, se por um lado já não estamos juntas há um par de meses, parece que estivemos ontem.

Não sei se faz grande sentido o que disse, mas sei que esta coisa do tempo passar enquanto piscamos os olhos assusta um bocadinho. Quando dermos conta a B. já não é um bebé, já quer andar por aqui a escrever também.

E isso vai ser muito giro de ver…

F.

 

11
Nov19

Às pessoas.

quatro de treta e um bebé
Andei por Coimbra, Porto, Gaia, Guarda e, por fim, Lisboa. Todas estas mudanças de cidades estiveram associadas a mudanças profissionais. E as mudanças profissionais levaram à alteração, não só, do local de trabalho, da cidade, da casa, mas também das Pessoas. Pessoas que conheci nesses novos lugares, que me facilitaram a integração, com quem criei laços e desenvolvi amizades que até hoje perduram, apesar da distância, dos horários e das dificuldades em arranjar tempo, num tempo que não corre mas voa. De todas as vezes, e por causa das pessoas, as mudanças profissionais fizeram-me sentir aquele sabor agridoce. No fundo, e apesar de todas as promessas para que isso não aconteça, sabemos que há sempre alguém que fica para trás. E não é porque não sejamos amigos, ou sejamos menos amigos. Não é porque não queiramos ou não façamos o esforço. É porque é assim, porque, por vezes, torna-se difícil que duas vidas tão distantes se cruzem.

 

Não tenho dúvidas de que o que faz um lugar são as pessoas. E se fui feliz em cada uma desses lugares, se recordo com nostalgia, foi, e é, graças às pessoas. De Coimbra trouxe os "vamos apenas tomar café", do Porto as "quatro de treta", de Gaia os treinos às 7h da manhã. Da Guarda a proximidade.

 

Lisboa é diferente. Cheguei, há dois anos, àquela cidade que me foi apresentada como a cidade de onde tantos fogem pela confusão, pelo tamanho, pelo trânsito e pelas pessoas que se cruzam na rua (ou no elevador) sempre com passo apressado, sem tempo para um "bom dia". Cheguei e encontrei uma cidade cheia de luz, onde raramente chove e as temperaturas são bastantes agradáveis. Deparei-me com pessoas simpáticas e sorriso fácil. Com vizinhos afáveis, sempre com tempo para o tal bom dia. Conheci quem rapidamente se transformou em Amigo, e me faz sentir em casa. Os laços, esses, criaram raízes profundas. São e dão suporte. Seguram. Aparam as quedas. Um dia, quando me despedir de Lisboa, levar-la-ei comigo, tal como trago Vila Praia de Âncora no coração. Uma ao lado da outra. Tão longe, tão distantes, tão diferentes, mas tão "casas", as duas.

 

Hoje, termino mais uma etapa do meu percurso profissional. Pela primeira vez, não há mudança de cidade, de casa, de pessoas. Desta vez, não há sentimentos agridoce, nem despedidas, nem promessas de que vamos combinar jantares todos os meses, ou de dois em dois, ou uma vez por ano. E estou tão feliz por isso!

 

M.
02
Nov19

Amor entre rivais

quatro de treta e um bebé

Sou portista desde pequenina. Sócia desde 1994.

Desde pequena que vou ao estádio, tenho cachecóis e t-shirts, grito os golos do Porto e festejo as vitórias nos aliados.

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Como portista que sou, estou também habituada a vencer desde pequenina.

Desde pequena que fui habituada uma certa competição com os da outra trupe. E não apenas por serem, tantos deles, um tanto ao quanto arrogantes, que não se conseguem aturar quando, ao fim de tantos anos de derrotas, lá ganham qualquer coisa, mas porque são, efetivamente, o nosso maior rival. Aqui entre nós que ninguém nos ouve (especialmente a F.), já sabemos que, pelo menos desde que esta geração se lembra, as grandes competições pendem quase sempre entre dois clubes.

A acrescer, sou portuense desde pequenina. Sou bairrista pela minha cidade, e o meu clube é o clube da minha cidade (desculpe-me o axadrezado). Sempre torci o nariz à centralização, a ter 90% de notícias da outra cidade no telejornal, a ouvir o tempo para a capital, a ver o trânsito apenas para a capital, como se, fora daí, nada se passasse. Isso também se vê no futebol, nas reações diferentes às vitórias do meu clube nos jornais, sites desportivos, telejornais, e outros que tal, a ter programas da manhã dedicamos àquela vitória esporádica dos vermelhos mas ter, anos a fio, apenas um cantinho dedicado à vitória dos azuis.

Como ferrenha desde pequenina, sempre disse, de nariz empinado, que não namoraria com um daqueles do outro clube.

Quis o destino, em tom jocoso, que me aparecesse à frente o J. E eu, feita inocente, não me lembrei de lhe perguntar o clube antes de me apaixonar. E, depois, já não fui a tempo.

Quis o destino, gozando comigo, que, contrariando aquilo a vinha habituada desde pequenina, desde que namoramos que o clube dele ganha mais do que o meu.

Tentando ver o lado positivo da coisa, ao fim ao cabo, ninguém é perfeito, menos mal que o defeito do J. é tão fácil de descobrir.

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Por outro lado, quando era pequenina, não fazia ideia do que seria um Famalicão. Tão pouco sabia, como a maior parte das pessoas só veio a descobrir no ano passado, que Famalicão teria um clube de futebol. Tão pouco imaginava, tal como a maior parte das pessoas só se foi apercebendo quando o Famalicão chegou e se manteve no primeiro lugar, que seria um clube capaz de ser competitivo na primeira liga.

Aí sim, descobri a melhor parte do futebol. O prazer de torcer pela mesma equipa que a pessoa que está ao nosso lado.

Aí, o destino quis compensar-me e ser bom para mim, dando-me a oportunidade de torcer, com o J., por um clube azul e branco. E que bom que é! (não é, J., e pode ser mais do que um jogo por jornada assim, se tu quiseres… - numa derradeira tentativa de o convencer)

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Hipocrisias à parte, e como, para um ganhar, o outro terá de perder, confesso que eu torço principalmente pelo meu clube mas um bocadinho também pelo clube que está a jogar contra o meu rival, pelo menos enquanto a luta pelo primeiro lugar for tão acesa como nos últimos anos. Contudo, podemos fazer isso tudo e ter respeito uns pelos outros, que o respeitinho é muito importante, e, acreditem em nós, é possível. Especialmente porque sem o nosso clube ganhar, de pouco importa o outro perder, pelo que o que o clube deveria fazer é preocupar-se consigo e o seu jogo, e, quanto aos outros, bem, estar macagar.

Nem sempre é fácil, nem sempre é tranquilo, duas vezes por ano futebolístico, pelo menos, a nossa amizade é posta à prova, um fica sempre mais feliz do que o outro no final do ano. Felizmente, o J. não é tão ferrenho quanto eu, e conseguimos, para já, sobreviver e até gostar de ver futebol em conjunto.

Resta-me a esperança de que o azul e branco do Famalicão se entranhe tanto que expulse o vermelho de dentro dele, e uma rapariga pode ter esperança, certo?!

 

R.

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