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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

20
Ago19

Feira de São Mateus

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

E essas férias? fins de semana prolongados? ou então dias de trabalho (como por aqui)? tudo a correr bem?

Hoje vamos falar de feirar, que é como quem diz da Feira de São Mateus, que tem lugar, anualmente, em Viseu. É um optimo sítio para virem dar um saltinho, quer estejam e férias, de folga ou a trabalhar! Quem é que nunca ouviu falar desta feira?

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Diz-se que  Feira de São Mateus é a guardiã das festas populares do país. É uma feira que conta já com 627 anos, sendo a feira popular mais antiga da Península Ibérica. 

Acontece sempre entre Agosto e Setembro, e este ano começou no dia 8 de Agosto e termina no dia 15 de Setembro. É mais de 1 mês de feira, que está à vossa espera.

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Confesso que no meu caso, que sou de cá, a feira é assim vista como uma oportunidade de me encher de pão com chouriço, de farturas , bolas de berlim com geleia de morango e algodão doce. Ou seja, o melhor da feira para mim é a comida  (e aposto que se a R. fosse de cá, também o era para ela, ahaha). Mas a feira é muito mais do que isso. (curiosamente, este e´o ano da gastronomia em Viseu, que dá tema à nossa Feira!).

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É uma feira popular com tudo a que têm direito. Desde carrosseis (para miúdos e graúdos), a restaurantes com comida típica da beira ou não tão típica assim, com (o meu tão amado) pão com chouriço, ou cachorros, ou até as já tão tradicionais, e sem as quais a feira não fazia sentido, barraquinhas de enguias; até à farturas, churros, bolas de berlim. Não há nada que falte nesta feira. Há animação todos os dias e o palco é visitado por artistas nacionais e internacionais. Há barraquinhas de bugigangas, de artesanato, de loiça para a casa, de utensílios de cozinha, de texteis, há peças de presépios, há barriquinhas de ginja, há barraquinhas de doces, há até tratores e piscinas para vender. Há um pavilhão só com móveis e coisas de casa. Há um sem fins de coisas, por isso, o melhor é vir visitar. 

E para saberem quando é que a entrada é gratuita, ou a pagar, ou saberem quem vai estar a animar o palco da feira, espreitem a agenda, de certeza que vos vai ser útil. 

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Mas não se esqueçam de vir e de se divertirem! 

F. 

 

 

 

16
Ago19

O meu anjo da guarda abandonou-me!

quatro de treta e um bebé

Hezalel, volta já aqui! Agora!! Não te volto a chamar! Hezalel!!!!!!

Hezalel é o meu anjo da guarda.
Que ao fim de 30 anos decidiu fazer greve (não consigo evitar revirar os olhos ao dizer isto). Diz ele que está cansado e recebe pouco!

Pensava eu que a função dos anjos da guarda era igual à dos advogados estagiários, não remunerada, e que a gratidão, por si só, chegava. E se há coisa da qual ele não se pode queixar é de lhe ser, eterna e extremamente, grata.

Recordo o meu querido anjo da guarda com um grande sorriso no rosto... Já fomos tão felizes juntos! Eu a tentar fazer asneira e ele a impedir. Eu a tentar alguns desvios e ele, teimoso, a empurrar para o caminho certo. Por diversas vezes, não tinha qualquer a intenção de me desviar do percurso, mas dava-me algum gozo ouvir o suspiro do "outra vez?!", ver o encher do peito como se fosse buscar energia aos confins do mundo, e a corrida rápida, tipo Duck Dodgers, para se colocar à minha frente com o dedo esticado a dizer "go out".

Foi com ele que aprendi a dizer os meus "nãos" e o "põe-te a andar".

É um anãozinho (bem pequenino), gordinho, de cabelo encaracolado, loiro, olhos claros e nariz empinado. Anda sempre de fraldas de pano, com alfinete dourado, e teima em carregar nas costas umas asas daquelas que se compram em qualquer loja de fantasias na altura do carnaval. Anda como se desfilasse, de peito feito e barriga encolhida, aparentando que mantém a respiração suspensa durante todo o tempo. Sempre o achei ridículo. Mas ao mesmo tempo um fofo, daqueles que apetece apertar as bochechas só para que o peito baixe, a barriga saia e a respiração retome a normalidade.

Apesar de todas as nossas desavenças e pensamentos opostos, sempre gostei muito dele. E sempre fomos um só.

Mas agora, sem dó nem piedade, decidiu abandonar-me assim. Sem mais. Argumentando que se quero continuar a fazer asneira, para o fazer com força, e para não contar com ele. Que está cansado e que não lhe pago para isso?!

Como assim cansado? Eu nem dou assim tanto trabalho!

Está a fazer birra! É isso, está simplesmente a fazer birra!

Hezalel, já não tens idade para birras! Volta imediatamente. Por favorzinho!!!

 

M.

10
Ago19

Há sítios assim...

quatro de treta e um bebé

Hoje, partilho com vocês um texto muito especial para mim, escrito há dez anos atrás, sobre um lugar igualmente especial: a Lageosa da Raia.

 

Quem me conhece, já me ouviu falar sobre a minha aldeia. Faz sentido partilhar este texto agora, este mês, depois de ter voltado de lá.

É um sítio muito especial, sobretudo, pelas pessoas especiais que lhe estão associadas. 

É por isso que, hoje, é com um misto de sentimentos que partilho este texto, que tanto me diz. Aquele sítio continua tão especial, tão importante. Sucede que muitas das pessoas que o tornavam tão especial já não estão cá. Em particular, aquela pessoa já não está cá, aquela que é das pessoas mais especiais e mais importantes de toda a minha vida. É, por isso, com um misto de dor e tristeza, com muita saudade, mas também alegria, gratidão e muito amor, que partilho este texto, com a certeza que não vos dirá tanto quanto me diz a mim, mas com a esperança de, após esta pequena explicação, consigam perceber o quão especial é para mim este sítio.

 

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"Há sítios assim, onde o resto do mundo parece desaparecer, restando pouco mais a não ser nós próprios, com todas as nossas fragilidades e imperfeições. É algo a que acabamos por não estar muito habituados, já que na sociedade é costume escondermo-nos atrás de maquilhagens, mentiras, actuações teatrais, até da própria boa educação. Há sítios assim, em que nos é permitido largar tudo isso. Há sítios em que podemos descansar, sem porquês, sem obrigações, preocupações, discussões, desculpas. Podemos fugir, ainda que por momentos, deste mundo atarefado que nos sobrecarrega a todos os minutos com sensações de todos os tipos – gritos, palavras falsas, sons agressivos, todo o tipo de movimentos, cheiros, uma constante agitação. Temos a oportunidade de sentir, menosprezando o pensar. Conseguimos abstrairmo-nos, largar os bens materiais excessivos e as dores de cabeça. Guardamos apenas a nossa personalidade e um iPod, para que possamos ter o prazer de nos deliciarmos com a melhor musica, aquela que “fala” connosco e nos faz sentir bem. Numa tarde de Verão em que o sol está presente, atinge-nos uma sensação de calor e, caso tenhamos sorte, uma suave brisa. Se tirarmos os auriculares dos ouvidos, conseguimos ouvir os mais leves movimentos das folhas, os passos raros e distantes, o rio que passa devagar. Atirar uma pedra ao rio, ouvir o seu primeiro contacto, observar o salto da água e a pedra a descer até ao fundo, onde repousa, misturando-se com todas as outras pedras e perdendo qualquer característica distinta – os mais puros e ingénuos comportamentos, tão frequentemente chamados de infantis, que nos acalmam e, de certa forma, ainda nos impressionam. Contrariando as grandes cidades, conseguimos sentir a natureza, conseguimos fazer com que todo este conjunto se funda connosco de forma harmoniosa. Se olharmos com atenção, é impossível não nos sentirmos maravilhados com a simplicidade e a pureza de sítios assim, ainda não destruídos pelo homem. Apesar da nossa consciência e racionalidade nos dizer que não é possível haver algo perfeito, parece-nos impossível apontar críticas a um sítio que nos causa tamanha paz - sentimo-nos ser invadidos por uma serenidade incrível. Pensamos e sentimo-nos como nos é natural e verdadeiro, sem sermos controlados.

Para mim, a Lageosa da Raia é um sítio assim. Caminhar sozinha, rodeada de campos banhados pelo sol numa tarde soalheira, animais de vez em quando (mais raras ainda as pessoas), sem ter que explicar o porquê de me sentir bem, sem ter que encontrar razões para seguir um determinado caminho. Simplesmente caminhar. E, de em vez quando, parar, parar para sentir com maior força e admirar o quão maravilhosas são a simplicidade e a pureza de sítios assim, tão serenos. Viajar por um mundo melhor sem sair deste mundo, viajar por emoções, sentimentos, ideais, recordações, sem tirar os pés do chão. Entrar num ambiente que é só nosso, de mais ninguém. Há sítios assim, pequenos e pouco desenvolvidos, que com tão pouco nos provocam tão boas sensações. Há sítios assim, mágicos, onde sentimos que nada neste mundo nos pode perturbar."

 

Hay un lugar tan especial 
En donde yo contigo quisiera estar
Ese lugar tan especial
Donde si quieres nos besamos
Y me voy enamorando

R.

04
Ago19

Quase, quase...

quatro de treta e um bebé

 

Preciso de férias! Sim. Urgentemente. Estou a preparar tudo para viajar, contudo, acho que alguém conspirou contra mim e, quando menos espero, tenho uma série de assuntos “sérios” para dar saída. Sim, saída, antes mesmo de viajar. Alguém ajuda? Processos urgentes conhecem? Não, não estou a falar daqueles todos a que o cliente - por ser o seu próprio - atribui esse carácter. Estou mesmo a falar dos processos que a lei considerou urgentes, como sejam: por exemplo, insolvências e violência doméstica.
Estes processos correm em férias e, por essa razão, interrompem as já marcadas de pessoas como eu que querem muito ir mas que se arriscam a ficar em terra.
Com muito humor negro pergunto: qual a tendência para as pessoas “falirem” ou perderem a cabeça em férias ou nos meses de férias?
Tenham melhor gosto!! Há meses tão giros para o fazerem. Vá lá...
fica aqui a dica para eventuais e futuros deslizes, está bem?
É que uma pessoa quer fazer as malas e nem pode. Este ano acresce que tenho que fazer contas às fraldas, levar Leite, 1001 roupas, medicamentos, brinquedos, babetes, repelente, e mais e mais e mais...
Estou quase, quase a ir e não tenho nada preparado. Nem uma malinha; ou vá: a lista, pelo menos.
Amanhã ainda vou a custóias, sim, ao estabelecimento prisional visitar um “amigo” antes de ir. Alguém quer dar uma ajudinha? Eu aceito de olhos fechados. A sério! Não se ofereçam que eu cobro depois.
Se não puderem fazer mais, fiquem a torcer para que eu consiga, apesar de todos os esforços, chegar ao destino.

 

Com cansaço e a precisar de férias,

S.

25
Jul19

Barriga Vazia não conhece alegria #4

quatro de treta e um bebé

 Olá pessoas!

 

Chegou o verão (ou se calhar não, visto que me parece que o S. Pedro nos vai trocar as voltas nos proximos dias) e eu já tive a sorte de gozar umas (merecidas) férias por terras algarvias. 
Felizmente, tenho a sorte, de todos os anos ir passar uns dias até às praias de Portimão e ter uns dias de "sopas e descanso", que é como quem diz, bolas de berlim e praia. E sim, podia vir falar-vos das bolas de berlim da Laidinha, que enfardei diariamente, ou da bolacha americana, ou do meu imenso gosto por fazer de lagarto na toalha, ao sol, mas não, venho falar-vos de um restaurante na Praia da Rocha.

 

É um restaurante italiano, que fica na Av. Tomás Cabreira, mesmo na avenida principal da Rocha, atrás do Casino. 

É um restaurante com alguns anos mas que nunca desilude. É o La Dolce Vita. 

E nunca desilude, porquê? Pois, porque a comida é sempre saborosa, o restaurante é agradavel, os funcionários sao simpaticos e a qualidade-preço é muito apetecivel. 

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Mas vamos lá falar do que comi quando lá fui jantar a semana passada!

De entrada um maravilhoso pão de alho. Mega fininho, mega estaladiço. Adorei! Mandamos vir as versões com e sem queijo e eu confesso que gosto mais da "sem queijo", mas são ambas as versões muito boas!

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De prato principal escolhemos os Cannelloni, a Lasanha e a Pizza Tropical. 


 

A Pizza, mega fininha e estaladiça também, super saborosa e enorme. A lasanha absolutamente maravilhosa, cheia de molho de tomate como eu gosto e os Cannelloni com um sabor tão bom e tão diferente da lasanha. Ficamos fãs!

As porções são mais que generosas! Tão generosas que não fomos capazes de pedir sobremesa, nem experimentar os seus gelados... nessa noite! Porque voltamos no dia a seguir só para os gelados, e quem comeu diz que são muito bons, cremosos, artesanais e que vale a pena! Não são realmente como em Itália, mas será que algum dia vou encontrar, por cá, gelados tão bons como comi em Itália? (nunca vou esquecer aquele maravilhoso gelado de pessego que lá comi, nem eu nem quem estava comigo, pois não meninas?!). 

 

Mas bem, este post serve para vos sugerir este restaurante muito simpático se por acaso ainda forem para terras algarvias, mais concretamente Portimão, este Verão. Passem por lá e comam bem!

 

F.

 

Ah! Boas Férias para quem ainda vai de férias e força nisso para quem, como eu, já voltou ao trabalho! 

18
Jul19

Aos colegas de trabalho.

quatro de treta e um bebé

Com a passagem dos anos, e a evolução inerente, substituímos os colegas da escola, aqueles que eram também os nossos amigos e com quem passávamos a maior parte do nosso tempo, pelos colegas de trabalho.

Na altura, e no geral, o que nos fazia levantar todos os dias para ir para a escola eram as pessoas. As conversas, os jogos de futebol nos intervalos, as risadas nos momentos mais inoportunos. A nossa vida desenrolava-se, essencialmente, durante aquele tempo, com aquelas pessoas. Com quem crescemos, aprendemos e nos moldamos. Talvez nunca tenhamos pensado nisso (eu, pelo menos, só estou a pensar agora) mas hoje, somos o que somos, seguimos os caminhos que seguimos, muito graças aos nossos colegas de escola e àquilo que vivemos com eles ou por causa deles. E eles a mesma coisa. São o que são, também, por nossa causa. E pela forma como interviemos nas suas vidas.

Agora, já mais crescidos e com perspetivas sobre as relações pessoais bem diferentes das da altura, passamos a maior parte do nosso tempo com os colegas de trabalho. E ao contrário daquela época, ninguém fica feliz por acordar todos os dias e ir para um espaço onde estão os nossos colegas de trabalho. Exceto eu!!

Ao contrário dos tempos da escola, já não é no local de trabalho que estão os nossos amigos. Ou até estão, pelo menos alguns, mas não é lá que nos gostamos de encontrar. Até porque o pão com chocolate e o leite achocolatado foram substituídos por minis e amendoins, e ainda não conseguimos perceber o porquê de essas duas coisas não estarem disponíveis nas máquinas de vending no nosso local de trabalho.

Sem dispersar, uma vez que as minis e os amendoins já me levaram os pensamentos para outros lados, eu devo ser das poucas pessoas (se não a única) que continua a acordar todos os dias com vontade de ir para o meu local de trabalho por causa das pessoas. Sou, sem dúvida, uma privilegiada por privar, todos os dias, com seres tão... puros.

Preocupam-se comigo como ninguém. Zelam pela minha vida. Acrescentam-lhe a pitada de sal que ela precisa. Agitam-na.
Arranjam-me namorado quando percebem que é isso que me faz falta e terminam essa mesma relação quando percebem que me está a fazer mal. Mandam-me de férias para aliviar as ideias e mudam-me de casa porque entendem que a minha já não corresponde às minhas necessidades, que eles tão bem conhecem. Arranjam-me encontros e mantém-se ao longe a assistir, apenas para se certificarem que tudo corre bem. Garantem que chego a horas ao trabalho e confirmam que não me atraso na hora de saída. E tudo isso sem eu saber. Para que não me sinta em dívida,  para que não sinta a obrigação de retribuir.

Há alturas em que me pergunto se conseguem ter tempo para gerir a vida deles, que, imagino eu, também precisa de algum cuidado. Chego a sentir remorsos por não conseguir responder na mesma medida, de retribuir da mesma forma. E sinto ainda mais remorsos, por saber que mesmo que tentasse não conseguiria, sequer, chegar perto daquilo que fazem por mim. Dou por mim, todas as noites, antes de adormecer, a agradecer a Deus (e logo eu que nem acredito em Deus!) o facto de os ter colocado na minha vida. E a pedir para colocar alguém como eles na vida deles próprios.

Depois tenho os outros. Os que para além de colegas de trabalho são também meus amigos. Com quem passo imenso tempo, principalmente se na nossa companhia estiver a tal mini e os amendoins. Que me convidam para jantar em casa deles, que fazem questão de me ter nos momentos importantes como aquele em que decidem dizer "sim" ao "felizes para sempre", ou me ligam em euforia a dizer que vão ser pais. Com quem passo horas a fio a falar da minha vida, ou da deles, que conhecem os meus medos e os meus sonhos. Que sabem os meus segredos e partilham comigo os deles. Os que não me importo de fazer quilómetros só para estar à conversa, para rir nos momentos mais inoportunos ou jogar futebol nos intervalos.


É pá! Mas estes... estes não chegam nem aos calcanhares dos outros. E que pena!

M.

13
Jul19

Falar ou não falar

quatro de treta e um bebé

Falar ou não falar – uma questão mais ancestral que os dinossauros.

 

Se acham a frase da autoria de Shakespeare emblemática, esta é ainda mais icónica.

Falar demais ou falar de menos são os riscos que se correm. Todos conhecemos exemplos dos dois casos.

Aquela pessoa a quem pensávamos ser indiferentes, porque nunca nos disse nada, aquela que sofria em silêncio, porque nunca se abriu a ninguém, aquela que, por orgulho, receio, ou até preguiça, nunca disse como se sentia.

Do outro lado, aquela pessoa que nunca se cala, que nos faz doer os tímpanos, que nos diz que a roupa nos fica mal sem que perguntemos, que nos conta ao pormenor o que fez no dia anterior, mesmo quando é inapropriado.

No meio, a procura pelo equilíbrio.

Obviamente que, conseguindo alcançá-lo, a resposta certa é o equilíbrio. No entanto, sejamos realistas e tiremos o equilíbrio da equação. A ter que pender para um dos lados, falar ou não falar?

Durante muito tempo, optei pela segunda hipótese.

Já nos ensinava o Bambi, "se não tens nada simpático para dizer, não digas nada".

Fala apenas quando o que tens a dizer for mais valioso que o silêncio, ou, como alegam que disse Eurípedes, "fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então guarda silêncio", ou ainda, como atribuem a Pitágoras, "se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te".

Por tudo isto, aliado a algumas inseguranças e ansiedade social, remetia-me ao silêncio. Desde que me deixassem em paz e não me chateassem, nem ouviam a minha voz. 

Só que algo não estava a bater certo. 

Desde logo, sentia alguma inquietude, sentia algo dentro de mim que queria sair. Afinal de contas, tenho um cérebro hiperativo, com tanto para dizer e tanto para partilhar… 

Por outro lado, percebi algo que me assustou. Vi que as pessoas não tinham bem noção do que significavam para mim. Que as pessoas não me entendiam porque não sabiam que eu estava mal, porque eu não dizia.

A partir de certa altura, dei uma volta de 180°, mudei de lunetas, e passei a ver as coisas de uma maneira diferente.

Decidi falar. Que raio, tantas palavras são ditas por tanta gente com tão pouco para dizer, e eu, aqui calada, com ideias tão bem mais interessantes. É que, quando optas por não falar, corres o risco de abarcar também palavras bem mais fortes, belas e importantes do que o silêncio.

 

Então, passei a falar. Entendi também outra coisa que, até então, me tinha passado ao lado: é que as outras pessoas também passaram pela mesma indagação, e estão tão preocupadas com a perceção que as outras pessoas têm de si que ficam sem tempo para te julgar por falares.

Descobri também o poder das palavras. O poder de magoar, claro, mas também de curar, de ajudar, de salvar. 

Passei de lobo solitário a animal social (porque os humanos são prós em metáforas animais). 

Passei a ser a pessoa que não tem medo de quebrar o silêncio, a que não tem medo do que as pessoas vão achar das minhas palavras, a dar o corpo às balas com piadas e disparates.

Passei, igualmente, a abrir um pouco a porta à maneira como me sinto, a partilhar mais os meus medos, anseios, preocupações e desejos.

Dei por ela de que aquele cliché é, efetivamente, verdade: quando olhamos para trás, aquilo de que mais nos arrependemos é do que não fizemos, e não do que fizemos - ou dissemos, neste caso.

Com o passar do tempo, adotei um novo mote. Mais vale dizer a mais do que dizer a menos. Como diz o meu John Mayer, "it's better to say too much, than never to say what you need to say".

Não quero deixar nada por dizer. Quero que as pessoas que são importantes para mim o saibam.

Passei a dizer mais vezes "gosto de ti". Passei a dizer "tenho saudades de ti", e até "preciso de ti". A mandar mensagens só para dizer "pensei em ti". A agradecer mais, a dizer "desculpo-te", a pedir ajuda. Mas não só, passei a dizer também "magoaste-me", "estou triste", "sinto-me frágil", "não concordo contigo", "o que fizeste não me parece certo".

 

 

E são posts como o desta semana que me fazem ter a certeza de que fiz a escolha certa. A vida é curta, passa a correr, e, de repente, gosta de nos lembrar disso. Por isso, se for para escolher, façam-no rápido, enquanto têm tempo. Não queiram levar as palavras convosco quando partirem, aí já não adianta de nada. Eu já decidi que prefiro arrepender-me de ter falado, do que de não o ter feito. Se concordam comigo, falem. Não deixem passar muito tempo, digam o que sentem, especialmente se for algo que pode fazer a diferença de forma positiva na vida de alguém. Curem, salvem, partilhem a bondade através das palavras. Falem.

 

R.

09
Jul19

Até sempre

quatro de treta e um bebé

Olá a todos!


Hoje escrevo-vos depois de um dia difícil. Pelas 11h estava no funeral do pai de uma colega do escritório. Tinha 50 anos e deixou-nos após um jogo de futebol. Assim, sem mais. O jogo terminou, a equipa tinha ganho, a alegria apoderava-se de todos eles, porém e quando se encontrava no balneário para tomar banho, sentou-se... e partiu.


Hoje o dia foi de reflexão. Somos tão pequeninos. Hoje, por diversas vezes, me questionei sobre aquilo que somos e o que cá fazemos. Na verdade, vivemos permanentemente sob “bomba relógio” e estamos definitivamente na mão do destino sem que este nos dê sinal ou confidencie os seus intentos. É estranho. Assustador. Sufocante. Deve custar muito despedirmo-nos de alguém com um “até já” que se transforma em minutos num “até sempre saudoso”. É uma dor muito grande. E faz-nos pensar que podemos tentar controlar tudo, mas acabamos sempre nas mãos do mesmo. Daquele que tudo tem pensado para nós mas que guarda segredo. É difícil conceber que somos “nada”, porém não é difícil perceber que há tanto para dar valor, tanto para aproveitar, tanto para viver enquanto cá estamos.
Isto faz-nos perceber que as adversidades à nossa volta são caminho apenas para desbravar e nunca um verdadeiro entrave ou o fim da linha.


A todos os que de alguma forma se identificam com este texto, o meu sincero abraço.


Com amor,
S.

02
Jul19

Aquilo que nos faz felizes #1

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

Nunca pensei ser bailarina nem seguir dança em qualquer momento da minha vida, não tenho o talento nem o empenho dos bailarinos, mas desde muito pequena que comecei a dançar. 

Comecei no Ballet Clássico com 4 anos e aí me mantive numa escola ligada à Royal Academy of Dance até aos 15/16 anos. Sempre gostei muito de ballet e da disciplina que este me deu, mas muitas vezes quis desistir. Porque, sejamos sinceros, há alturas, que mesmo nós sendo pequenas, não queremos ir duas vezes por semana às aulas de ballet, não queremos aturar a professora a dizer para esticarmos o pé, para levantarmos o queixo, para apertarmos o barriga, para sermos graciosas... não nos apetece. Apetece ficar em casa a brincar (quando somos pequenas) ou sair com os nossos amigos (quando somos adolescentes), essa é a verdade. Mas, felizmente (e digo-o hoje com toda a convicção, sou muito grata por isso) os meus pais nunca me deixaram desistir. Porque era algo que me fazia bem e, eu que nunca fui NADA ligada ao desporto, precisando de algo que não me deixasse ficar parada, o ballet era uma opção que, maioritariamente, me dava alegria. Mais que não me deixar parada, deu-me muitas competências enquanto crescia e que hoje utilizo sem sequer me aperceber que, muito provavelmente, ganhei essas mesmas competências enquanto fazia ballet desde pequena. 

Depois de acabar o Ballet podia facilmente ter deixado a dança de lado, mas não, ainda experimentei hip hop (deus senhor, para isto é que eu não tenho mesmo jeitinho nenhum!), e outros géneros mas, com 17 anos entrei para o mundo da dança jazz e para o grupo onde me mantenho até hoje. Sim, até hoje, com 30, continuo a ter aulas todas as semanas, a participar em espectáculos todos os anos e a dançar (pior ou melhor que a idade já pesa e já é tudo mais dificil ahaha), a reservar as sextas-feiras para a minha família da dança. Há anos que os meus amigos e família sabem que não contam comigo à sexta, porque as sextas são da dança e de mais ninguém.

Muita gente não entende como é que continuo nestas andanças, mas a explicação é muito muito simples. Devemos fazer aquilo que nos faz feliz, e apesar de não ter um especial talento, de não ser a melhor ou de não ter o empenho que muitos têm, eu sou muito feliz a dançar e a ter aulas com aquelas pessoas. 

Dá-me gozo ver que ao longo dos anos os miudos que conhecemos com 6 ou 7 anos já têm 16 ou 17 e estão homens e mulheres feitos. Dá-me gozo ir aos casamentos das minhas colegas de dança (que se tornaram, inevitavelmente, amigas), deixa-me feliz dançar ao lado de uma delas grávida e no ano a seguir subir ao palco a bebé dela, deixa-me feliz saber que conseguimos seguir com as nossas vidas adultas e continuarmos a ter aquele escape das sextas à noite, onde voltamos a ser apenas miúdas que gostam de dançar. 

Dá-me gozo (e muitos nervos) subir ao palco duas noites seguidas para fazer um espectáculo com não sei quantos colegas e miúdos, até me dá gozo passar a semana seguinte exausta de cansaço e dores no corpo (porque, mais uma vez, uma pessoa já não tem 20 anos ahah). 

Isto para vos dizer que: façam aquilo que vos dá gozo, que vos faz feliz. Não liguem se disserem que já não têm idade para isto ou aquilo, que não fica bem, que não entendem porque é que continuam.

Façam o que vos faz feliz e sejam realmente felizes a fazê-lo. Vale a pena e a recompensa é maior do que se imagina. (e quem verdadeiramente gosta de nós, apoia-nos e não questiona porque é que ainda fazemos isso, fica simplesmente feliz por nós - e eu tenho a sorte de ter os bons do meu lado, que me continuam a aturar, a ir aos espectáculos, a ver os videos, a ver as fotos e essas coisas todas). 

F. 

24
Jun19

Tinder, prazer!

quatro de treta e um bebé

Maria. Maria Crespo Martins. Não Maria Crespo, está incompleto, falta qualquer coisa. Nem Maria Martins, há muitas. 30 anos, mas ninguém me dá mais de 20. Consigo aparentar 5 anos, quando me oferecem um presente envolto em papel de embrulho, e até 2 anos, nos dias da rabugice do sono. Cabelo loiro escuro, segundo diz a cabeleireira. Desculpem, cabelo loiro escuro, assim o diz a Art Director de um hairstlyling qualquer. E olhos azul camuflado. Odeio favas, herdei da mãe, e sushi, porque tal como as favas não continuo a insistir comer até gostar.

Seguindo os conselhos sábios de uma amiga, que reitera, com alguma frequência, que não devemos negar, à partida, uma ciência que desconhecemos, decidi descarregar a aplicação Tinder e apresentar-me da forma supra a quem tem a sorte de me localizar dentro da área geográfica pré-estabelecida. De forma curta e clara. Para que não hajam dúvidas e não se sintam enganados. E para que não cometam erros irreversíveis logo no primeiro encontro.

Seria pouco provável que num primeiro encontro o candidato a uma bela amizade me levasse a jantar a um restaurante japonês, com um presente dentro de um saco do continente, e me dissesse que tenho um cabelo castanho super hidratado, e uns olhos negros brilhantes? Nunca fiando.

A quem começou a revirar os olhos no momento que leu "Tinder" já pode parar os olhos no centro e ler com atenção. Espantem-se: O Tinder não é assim tão diferente do Facebook ou Instagram! Na verdade, fiquei com a sensação que é só a versão 0.0.1 dessas redes sociais.

Simples. Fundo branco e traços finos. Tudo é feito em 3, talvez porque o seu criador acreditava na perfeição associada ao número. O ecrã dividi-se em 3 partes: a superior, com 3 separadores (acesso ao perfil pessoal, acesso aos perfis dos candidatos e acesso à caixa de mensagens), a central que permite vislumbrar a foto, o nome e a idade dos candidatos, e a inferior, com 3 botões: nope, superlike e like.

A partir daqui é só deslizar o dedo.

Aproveitei as férias no Algarve para explorar esse mundo, no verdadeiro sentido da palavra. Em menos de 24 horas, tinha mais de 99 likes, 5 matchs, e um encontro em Albufeira. C'um caraças, o Tinder funciona mesmo!

Durante os 3 dias seguintes o Tinder foi divertido. Foi realmente divertido.
E, ao contrário do que as mentes preconceituosas por aí espalham, existe de tudo. Pessoas normais e outras normais à maneira delas.
Há quem ache que a sua cara metade deve conhecer, antes de tudo, os seus atributos fisicos, e quem ache que deve conhecer primeiro o cão. Há quem leve à letra aquela velha máxima de que o tamanho é que importa, e outros pretendem conquistar com um boxers com notas de quinhentos euros.
Há pessoas simpáticas e verdadeiramente afáveis. E há os outros. Na verdade, nada de novo. Exceto ter chegado à conclusão que ando a dormir na rua. Garanto-vos que na minha área geográfica há gente verdadeiramente interessante. Isso, verdadeiramente interessante.

Infelizmente o entusiasmo passou-me rápido e, hoje, o Tinder dá-me sono. Abro a aplicação e em menos de dois minutos estou a piscar os olhos. Mas o problema não é da aplicação, é meu! Quem me manda ir para lá à procura do Tiago Violas?

Já agora, para os curiosos, o encontro correu bem. Ele tinha boa alma.

M.

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