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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

29
Out18

amor à camisola

quatro de treta e um bebé

Logo à noite, perto da meia noite, estarei, finalmente, a chegar a casa depois de mais um treino. Provavelmente, quando chegar a casa, queixar-me-ei do braço que doí, do corpo que pede cama e dos joelhos que estão esfolados. Cairei na cama, exausta, para acordar no dia seguinte, cedíssimo, para mais um dia de trabalho que terminará, também ele, perto da meia noite, depois de mais um treino, em que, provavelmente, me continuarei a queixar de tudo o que me queixei no dia anterior.

 

As pessoas que me são próximas dizem que vivo para aquilo. Outras, menos próximas, perguntam como tenho tempo para tudo. Há quem faça birras porque não vou, porque tenho jogo, porque na verdade o tempo não chega para tudo e priorizo.

 

Dou por mim a sorrir.

 

Não me lembro como é que isto começou. Sei que tinha uns 8 ou 9 anos, quando, por algum motivo (provavelmente levada pelo professor de educação física) entrei no mundo do voleibol. Também não me recordo, mas duvido que soubesse para o que ia e no que aquilo que se ia tornar para mim.

 

Sem dar por ela, o que era suposto ser um hobbie, rapidamente deixou de ser apenas isso. Treinava todos os dias. Jogava, aos fins de semana, em dois campeonatos distintos. Passava mais tempo com a Equipa do que com a minha família.

 

Vivia intensamente cada treino, cada jogo, cada campeonato. Sentia a ansiedade, a importância “daquele” jogo. Gritava cada ponto! Vibrava com cada vitória.

Joguei algumas vezes com dores, outras com mau estar, outras ainda com cansaço. Joguei com tudo isso ao mesmo tempo. Joguei com alegria, com satisfação, com vontade. Com garra! Com prazer. Acima de tudo, com prazer.

 

Entrei em cada jogo para sair apenas com a vitória. E há derrotas que ainda hoje estão presas na garganta.

 

Ontem, após alguns anos de pausa, porque a vida (porque nem sempre é possível priorizar como queremos) assim me impôs, regressei, oficialmente, a este mundo. A um mundo que, apesar das pessoas não perceberem, tanto me dá.

 

Hoje, tantos anos depois do primeiro dia, sinto tudo da mesma forma, com a mesma intensidade. E sei, desde já, que vou continuar a jogar com dores, a sentir a ansiedade, a vibrar com cada ponto, a viver cada vitória como se tudo se resumisse àquilo.

 

Infelizmente, e sob protesto, sei também que vão continuar a existir jogos que me ficarão presos na garganta. Que a frustração vai fazer parte. E que nem sempre os resultados vão ajudar a acalmar as dores ou o cansaço.

 

Mas de uma coisa tenho a certeza, vou continuar a jogar com prazer. Porque apesar de todo o esforço que isso me exige, de todas as coisas que me faz “não fazer”, de todos os lugares onde não poderei estar e de todas as opções que vou tomar em prol do voleibol, aquela equipa (que apesar do pouco tempo já é tão minha), aquele clube, dentro daquele campo, me vão fazer tão feliz! Mas tão feliz!

 

E o braço vai continuar a doer, e o corpo vai continuar a pedir cama, e os joelhos vão continuar esfolados. E eu vou ser tão feliz mesmo assim.

 

M.

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25
Out18

À minha maneira

quatro de treta e um bebé

Bem, são 22h e estou a escrever para o blog…

Hoje é o meu dia de postar algo – e até às 23h59 ainda é hoje! (mais três dias se pagar multa, certo?!)

 

Porque é que só estou a escrever agora? Podia dar-vos mil e uma justificações, cada uma mais válida do que a outra e sendo todas verdade.

De facto, estou cansada, mais mentalmente do que propriamente a nível físico, e a precisar urgentemente de algo a que os comuns mortais chamam de férias.

Efetivamente, hoje estive bastante ocupada com trabalho, tive almoço de família (parabéns Tia!), e só há pouco me sentei no sofá.

Sofro de uma preguicite crónica, autodiagnosticada (mas sobejamente confirmada, perguntem a quem quiserem).

É um facto que tenho muita coisa na cabeça.

A verdade é que sou portuguesa e, como boa portuguesa que sou, à última é sempre a melhor altura para se fazer o que quer que seja.

 

Ideias não me faltam. Tenho imensos temas sobre os quais quero falar convosco – sim, convosco; apesar de não me importar de falar sozinha, queremos partilhar estes nossos devaneios (e gostamos de saber que vocês estão aí, por isso, deixem um olá ali em baixo nos comentários!).

 

Mas, realisticamente, a justificação é maioritariamente uma: sou do contra.

Sempre fui daquele tipo de crianças (vamos fingir que foi só enquanto era criança) que quando ouvia um faz automaticamente pensava não vou fazer. Levantava-me para ir arrumar a roupa, mas se ouvia um “tens que ir arrumar a roupa”, voltava a sentar-me mais dois minutos. Queria mesmo ir, mas perdia a vontade se me mandassem ir.

É que tiram o gozo todo à coisa se tiver que ser só porque tem que ser. Nunca fui grande especialista a cumprir ordens. Não me dou muito bem com horários. Não gosto muito de compromissos. Chamavam-lhe teimosia; eu prefiro o termo determinação. Houve até quem usasse a expressão mau feitio (que ultraje).

 

Eu faço, mas à minha maneira.

 

Acho adorável vocês pensarem que eu tenho algum tipo de controlo sobre isto. Lembram-se de vos ter falado do meu cérebro hiperativo? Pois. É uma reação automática. Sucede que agora oiço menos tem que ser’s, entendo que há coisas que têm mesmo de ser, e, por vezes, consigo sentir a reação a surgir e resfriá-la (não, não R., desta vez vais fazer e pronto).

Disse-vos logo no meu primeiro post que provavelmente era o membro com mais incertezas. Sei que fui a pessoa mais adversa à ideia, ou que lhe criou mais obstáculos. Não que não adore falar, ou que tenha pouco para dizer, ou até poucas ideias – nada disso. Mas tenho que escrever regularmente. Tenho de cumprir com esse compromisso. Tenho de tentar transmitir algo de minimamente agradável de ler. E puff, lá perdi o interesse em escrever sobre aquele tema sobre o qual estava tão ansiosa para escrever. Não é que não queira ou que não goste de escrever. Mas ai, o cérebro mete-se lá nuns arranjos com o subconsciente e lá vêm as mil e uma desculpas com que começámos – entendam-se lá, porque eu quero escrever!

 

Aliás, eu ainda não entendi muito bem porque é que escolhi ser Advogada, mas tenho cá para mim que foi um arranjinho do subconsciente, que só ouviu a expressão trabalhadora independente!

 

Alguém desse lado sofre do mesmo mal?!

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Eu, cerca de 1994 – mantenho-me igual.

R.

22
Out18

DUAS COLHERADAS E DUAS DE TRETA PELO MEIO, se possível!

quatro de treta e um bebé

 

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Poluição sonora. É isto. Falta de respeito e consciência social.
Chego a um restaurante. Sento-me. Chega o empregado. Pergunta uma, duas, três vezes... qualquer coisa que eu não entendo. Porque não ouço. Porque não consigo ler através dos lábios. E ele tenta, simpaticamente, alterar a voz.
Aos berros, pergunta se já escolhemos. Aos berros, eu peço-lhe para ele aguardar mais um pouco. E, aos berros, peço o meu menu.

Fico o jantar/almoço todo a, apenas, abanar a cabeça para quem me acompanha. Não falo. Não se fala.
Com o pouco que falo rebento com os decibéis e chego cá fora, no fim de tudo, rouca. Cheia de dores de cabeça e com vontade de ir para casa repousar. Um programa que seria agradável para descontrair quantas vezes acaba por ser um tormento?
Isto porque há sempre aquelas almas que se juntam em jantares de família para festejar os aniversários do avôzinho e fazem da sala do restaurante, a sala de sua casa. Melhor era impossível.
Crianças a correr pelas mesas, o 40° da mesa a falar com o 1° da outra ponta. A mãe a chamar a atenção aos miúdos. As adolescentes, histéricas, a comentar o “boy mais giro lá da escola”. Os bebés aos gritos - esses com desconto, claro. O avôzinho a perguntar 1001 vezes se já todos escolheram, enquanto vai soltando um “olhaaaaa, tu aí Mila, já escolheste mais o teu home?”. E repete o processo pela mesa toda.
Quando penso que tudo vai acalmar após os pedidos dos menus, eis que chega a comida, e lá anda esta para um lado e para o outro. “Prova aqui”, “prova ali”. Comida pelo ar, pelos mais novos, e mais uns quantos berros para chamar atenção.
No fim de tudo, pensamos “ufa, de barriguinha cheia já devem acalmar mais um bocadinho”. E vêm os Parabéns. Em tom BEM alto! Altíssimo, diria. Capaz de rebentar um qualquer tímpano. Até o mais calejado. E envolvem toda a sala do restaurante com palmas.
Depois lá vem - qual cereja no topo do bolo - o “e-fé-re -á” (https://youtu.be/fbs5jtESfz8)
E no fim ainda vêm as criancinhas com o “e que seja feliz, e que parta o nariz”.
Serei eu a intolerante?
Sugiro aos restaurantes que, após festejos destes, na continha que apresentam tragam logo a farmácia para ver se uma pessoa consegue fazer - de pé - o caminho até ao carro sem chamar o INEM. Exagero, não é!?
Até não é, sabem!? Porque isto a correr bem, anima a B. para fazermos ensaio para um concerto de techno music, assim que chega a casa.
Confesso que saio pouquíssimas vezes para jantar fora. Agora com a B., menos ainda e, apesar de ter cuidado, por vezes, ainda me deparo (como aconteceu este fim de semana) com situações destas.

Ufa! Haja paciência!!

Bons jantares/almoços, de preferência silenciosos.


S.

18
Out18

O flagelo das revisões de livros

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas.

 

Não tinha qualquer intenção de escrever sobre este tema assim, sem mais nem menos. Mas, em conversa com uma amiga (que é tão ou mais aficcionada por livros como eu), acho que está na altura de ver se alguém tem a mesma opinião que nós ou se o defeito é nosso e somos exigentes demais.

Eu gosto de ler. Gosto de livros. Um dos meus sonhos é ter uma biblioteca em casa, com uma escada para deslizar pelas estantes (qual Bela na Bela e o Monstro). Gosto de falar sobre livros, gosto de me apaixonar por livros, gosto de me apaixonar por personagens.

Não pertenço ao mundo editorial, bem sei. Não tenho certezas sobre como as coisas funcionam nesse mundo, é verdade, mas como leitora, assídua, que gosta de fazer colecção de livros, acho que tenho direito a uma opinião sobre o que passa para nós leitores.

Há livros absolutamente excepcionais. Por vários motivos. Há livros excepcionais por aquilo que nos fazem sentir. Há livros excepcionais pelas personagens complexas e maravilhosas que têm. Há livros excepcionais porque têm excelentes histórias. E, também há livros excepcionais porque estão editados de forma exemplar, com revisões exímias. E é aqui que eu quero chegar.

Como é que me vou apaixonar por um livro que está cheio de gralhas e frases sem sentido?  Como é que vou confiar numa editora que livro após livro não melhora e não liga nenhuma ao que os seus leitores dizem?

Eu sigo muitos blogs sobre livros. Gosto de saber sempre as novidades, gosto de saber o que algumas bloggers dizem acerca dos livros, a opinião delas. Há meia dúzia, cuja opinião, realmente, valorizo. Mas depois há outras tantas que eu penso, será que leram mesmo os livros? Ou será que ler na diagonal conta? É que, convenhamos, como é que alguém pode adorar um livro, pode dizer que é a última bolacha do pacote quando só tem gralhas? Frases sem nexo. Pontuação completamente fora do sítio, expressões e sentidos que nós nem usamos? Não entendo.

Há livros cuja história é boa, promissora, tem tudo para ser um livro giro, mas quando numa página temos que reler as frases duas e três vezes para que percebamos o sentido, isso não altera logo a nossa perceção do livro e o nosso gosto pela leitura desse mesmo livro?

E há dias ou livros em que nem estamos para nos irritar e pronto, a má revisão nem nos incomoda assim tanto. Mas há outros em que é impossível. E começamos a apontar, as gralhas, a falta de pontuação, as frases sem sentido, a má tradução…etc., e decidimos mandar um email para a editora a fim desta, numa próxima edição, conseguir fazer chegar ao leitor um livro melhor. Convenhamos, eu leitora, quando faço isso, já estou a facilitar um trabalho que não é o meu. E há editoras que sim, sabem que ter livros bem revistos no mercado, faz diferença e respondem-nos, agradecem e alteram. E depois há outras que “nem burro se queres água” como se costuma dizer, e continuamos a ver livro após livro, dessa editora, cada vez mais mal revisto, mas com cada vez mais livros no mercado.

Acho que chegou a altura de sermos um bocadinho exigentes com aquilo que consumimos. E não, não estou a ser mesquinha. E sim, os meus textos têm gralhas e provavelmente têm erros. Têm pontuação errada, verdade. Mas, em minha defesa, eu não sou nem escritora, nem revisora, nem editora de textos. Não é a minha profissão. Mas conheço pessoas cuja profissão é exactamente essa, revisão de textos. E é por conhecer e saber que ela é eximia no seu trabalho e que sim, podem passar gralhas, pode passar uma pontuação aqui e outra ali, mas sei que se ler um livro revisto por ela vai ser um bom livro, na ótica da edição. E é tão bom ler um livro bem escrito. Por isso, se há tão bons profissionais no mercado e há livros que têm potencial para ser, realmente, giros se a revisão estiver bem feita, porque é que ainda continuamos a comprar e a ler livros que nos tiram do sério pela falta de profissionalismo e de preocupação pelos leitores neles plasmados? Não sei. E contra mim falo, que infelizmente continuo a comprar livros de editoras e de revisores (sim, há livros que quando saem no mercado e vemos que tem como revisora a pessoa x, dizemos logo ‘oh não, vai ser mais um para nos irritar’) que não ligam grande coisa a forma como o livro chega aos leitores. Mas a verdade é que a maior parte das vezes os escritores também não têm culpa, a maior parte são escritores estrangeiros. Mas, a questão é mesmo essa, será que se pararmos de consumir livros mal editados e mal revistos estes começam a melhorar? Não saberá a editora que aqueles escritores vendem? Quer o livro esteja bom ou mau? Não sei, eu começo a fazer as minhas escolhas. Há livros que quero ler, mas se tem um revisor que eu sei que não faz um bom trabalho já peço o livro emprestado, já não vai para a lista do ‘a comprar’… assim sempre leio o livro que quero, pela história e pelo autor mas não dou dinheiro a ganhar aquela editora.

Para terminar resta-me dizer que há livros e editoras excelentes no que à revisão diz respeito. E gosto tanto quando isso acontece! E vocês, o que me dizem sobre este assunto? Sou muito picuinhas ou há mais pessoas aí desse lado a pensar como eu?

 

Boas leituras.

 

F. 

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