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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

29
Out18

amor à camisola

quatro de treta e um bebé

Logo à noite, perto da meia noite, estarei, finalmente, a chegar a casa depois de mais um treino. Provavelmente, quando chegar a casa, queixar-me-ei do braço que doí, do corpo que pede cama e dos joelhos que estão esfolados. Cairei na cama, exausta, para acordar no dia seguinte, cedíssimo, para mais um dia de trabalho que terminará, também ele, perto da meia noite, depois de mais um treino, em que, provavelmente, me continuarei a queixar de tudo o que me queixei no dia anterior.

 

As pessoas que me são próximas dizem que vivo para aquilo. Outras, menos próximas, perguntam como tenho tempo para tudo. Há quem faça birras porque não vou, porque tenho jogo, porque na verdade o tempo não chega para tudo e priorizo.

 

Dou por mim a sorrir.

 

Não me lembro como é que isto começou. Sei que tinha uns 8 ou 9 anos, quando, por algum motivo (provavelmente levada pelo professor de educação física) entrei no mundo do voleibol. Também não me recordo, mas duvido que soubesse para o que ia e no que aquilo que se ia tornar para mim.

 

Sem dar por ela, o que era suposto ser um hobbie, rapidamente deixou de ser apenas isso. Treinava todos os dias. Jogava, aos fins de semana, em dois campeonatos distintos. Passava mais tempo com a Equipa do que com a minha família.

 

Vivia intensamente cada treino, cada jogo, cada campeonato. Sentia a ansiedade, a importância “daquele” jogo. Gritava cada ponto! Vibrava com cada vitória.

Joguei algumas vezes com dores, outras com mau estar, outras ainda com cansaço. Joguei com tudo isso ao mesmo tempo. Joguei com alegria, com satisfação, com vontade. Com garra! Com prazer. Acima de tudo, com prazer.

 

Entrei em cada jogo para sair apenas com a vitória. E há derrotas que ainda hoje estão presas na garganta.

 

Ontem, após alguns anos de pausa, porque a vida (porque nem sempre é possível priorizar como queremos) assim me impôs, regressei, oficialmente, a este mundo. A um mundo que, apesar das pessoas não perceberem, tanto me dá.

 

Hoje, tantos anos depois do primeiro dia, sinto tudo da mesma forma, com a mesma intensidade. E sei, desde já, que vou continuar a jogar com dores, a sentir a ansiedade, a vibrar com cada ponto, a viver cada vitória como se tudo se resumisse àquilo.

 

Infelizmente, e sob protesto, sei também que vão continuar a existir jogos que me ficarão presos na garganta. Que a frustração vai fazer parte. E que nem sempre os resultados vão ajudar a acalmar as dores ou o cansaço.

 

Mas de uma coisa tenho a certeza, vou continuar a jogar com prazer. Porque apesar de todo o esforço que isso me exige, de todas as coisas que me faz “não fazer”, de todos os lugares onde não poderei estar e de todas as opções que vou tomar em prol do voleibol, aquela equipa (que apesar do pouco tempo já é tão minha), aquele clube, dentro daquele campo, me vão fazer tão feliz! Mas tão feliz!

 

E o braço vai continuar a doer, e o corpo vai continuar a pedir cama, e os joelhos vão continuar esfolados. E eu vou ser tão feliz mesmo assim.

 

M.

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25
Out18

À minha maneira

quatro de treta e um bebé

Bem, são 22h e estou a escrever para o blog…

Hoje é o meu dia de postar algo – e até às 23h59 ainda é hoje! (mais três dias se pagar multa, certo?!)

 

Porque é que só estou a escrever agora? Podia dar-vos mil e uma justificações, cada uma mais válida do que a outra e sendo todas verdade.

De facto, estou cansada, mais mentalmente do que propriamente a nível físico, e a precisar urgentemente de algo a que os comuns mortais chamam de férias.

Efetivamente, hoje estive bastante ocupada com trabalho, tive almoço de família (parabéns Tia!), e só há pouco me sentei no sofá.

Sofro de uma preguicite crónica, autodiagnosticada (mas sobejamente confirmada, perguntem a quem quiserem).

É um facto que tenho muita coisa na cabeça.

A verdade é que sou portuguesa e, como boa portuguesa que sou, à última é sempre a melhor altura para se fazer o que quer que seja.

 

Ideias não me faltam. Tenho imensos temas sobre os quais quero falar convosco – sim, convosco; apesar de não me importar de falar sozinha, queremos partilhar estes nossos devaneios (e gostamos de saber que vocês estão aí, por isso, deixem um olá ali em baixo nos comentários!).

 

Mas, realisticamente, a justificação é maioritariamente uma: sou do contra.

Sempre fui daquele tipo de crianças (vamos fingir que foi só enquanto era criança) que quando ouvia um faz automaticamente pensava não vou fazer. Levantava-me para ir arrumar a roupa, mas se ouvia um “tens que ir arrumar a roupa”, voltava a sentar-me mais dois minutos. Queria mesmo ir, mas perdia a vontade se me mandassem ir.

É que tiram o gozo todo à coisa se tiver que ser só porque tem que ser. Nunca fui grande especialista a cumprir ordens. Não me dou muito bem com horários. Não gosto muito de compromissos. Chamavam-lhe teimosia; eu prefiro o termo determinação. Houve até quem usasse a expressão mau feitio (que ultraje).

 

Eu faço, mas à minha maneira.

 

Acho adorável vocês pensarem que eu tenho algum tipo de controlo sobre isto. Lembram-se de vos ter falado do meu cérebro hiperativo? Pois. É uma reação automática. Sucede que agora oiço menos tem que ser’s, entendo que há coisas que têm mesmo de ser, e, por vezes, consigo sentir a reação a surgir e resfriá-la (não, não R., desta vez vais fazer e pronto).

Disse-vos logo no meu primeiro post que provavelmente era o membro com mais incertezas. Sei que fui a pessoa mais adversa à ideia, ou que lhe criou mais obstáculos. Não que não adore falar, ou que tenha pouco para dizer, ou até poucas ideias – nada disso. Mas tenho que escrever regularmente. Tenho de cumprir com esse compromisso. Tenho de tentar transmitir algo de minimamente agradável de ler. E puff, lá perdi o interesse em escrever sobre aquele tema sobre o qual estava tão ansiosa para escrever. Não é que não queira ou que não goste de escrever. Mas ai, o cérebro mete-se lá nuns arranjos com o subconsciente e lá vêm as mil e uma desculpas com que começámos – entendam-se lá, porque eu quero escrever!

 

Aliás, eu ainda não entendi muito bem porque é que escolhi ser Advogada, mas tenho cá para mim que foi um arranjinho do subconsciente, que só ouviu a expressão trabalhadora independente!

 

Alguém desse lado sofre do mesmo mal?!

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Eu, cerca de 1994 – mantenho-me igual.

R.

22
Out18

DUAS COLHERADAS E DUAS DE TRETA PELO MEIO, se possível!

quatro de treta e um bebé

 

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Poluição sonora. É isto. Falta de respeito e consciência social.
Chego a um restaurante. Sento-me. Chega o empregado. Pergunta uma, duas, três vezes... qualquer coisa que eu não entendo. Porque não ouço. Porque não consigo ler através dos lábios. E ele tenta, simpaticamente, alterar a voz.
Aos berros, pergunta se já escolhemos. Aos berros, eu peço-lhe para ele aguardar mais um pouco. E, aos berros, peço o meu menu.

Fico o jantar/almoço todo a, apenas, abanar a cabeça para quem me acompanha. Não falo. Não se fala.
Com o pouco que falo rebento com os decibéis e chego cá fora, no fim de tudo, rouca. Cheia de dores de cabeça e com vontade de ir para casa repousar. Um programa que seria agradável para descontrair quantas vezes acaba por ser um tormento?
Isto porque há sempre aquelas almas que se juntam em jantares de família para festejar os aniversários do avôzinho e fazem da sala do restaurante, a sala de sua casa. Melhor era impossível.
Crianças a correr pelas mesas, o 40° da mesa a falar com o 1° da outra ponta. A mãe a chamar a atenção aos miúdos. As adolescentes, histéricas, a comentar o “boy mais giro lá da escola”. Os bebés aos gritos - esses com desconto, claro. O avôzinho a perguntar 1001 vezes se já todos escolheram, enquanto vai soltando um “olhaaaaa, tu aí Mila, já escolheste mais o teu home?”. E repete o processo pela mesa toda.
Quando penso que tudo vai acalmar após os pedidos dos menus, eis que chega a comida, e lá anda esta para um lado e para o outro. “Prova aqui”, “prova ali”. Comida pelo ar, pelos mais novos, e mais uns quantos berros para chamar atenção.
No fim de tudo, pensamos “ufa, de barriguinha cheia já devem acalmar mais um bocadinho”. E vêm os Parabéns. Em tom BEM alto! Altíssimo, diria. Capaz de rebentar um qualquer tímpano. Até o mais calejado. E envolvem toda a sala do restaurante com palmas.
Depois lá vem - qual cereja no topo do bolo - o “e-fé-re -á” (https://youtu.be/fbs5jtESfz8)
E no fim ainda vêm as criancinhas com o “e que seja feliz, e que parta o nariz”.
Serei eu a intolerante?
Sugiro aos restaurantes que, após festejos destes, na continha que apresentam tragam logo a farmácia para ver se uma pessoa consegue fazer - de pé - o caminho até ao carro sem chamar o INEM. Exagero, não é!?
Até não é, sabem!? Porque isto a correr bem, anima a B. para fazermos ensaio para um concerto de techno music, assim que chega a casa.
Confesso que saio pouquíssimas vezes para jantar fora. Agora com a B., menos ainda e, apesar de ter cuidado, por vezes, ainda me deparo (como aconteceu este fim de semana) com situações destas.

Ufa! Haja paciência!!

Bons jantares/almoços, de preferência silenciosos.


S.

18
Out18

O flagelo das revisões de livros

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas.

 

Não tinha qualquer intenção de escrever sobre este tema assim, sem mais nem menos. Mas, em conversa com uma amiga (que é tão ou mais aficcionada por livros como eu), acho que está na altura de ver se alguém tem a mesma opinião que nós ou se o defeito é nosso e somos exigentes demais.

Eu gosto de ler. Gosto de livros. Um dos meus sonhos é ter uma biblioteca em casa, com uma escada para deslizar pelas estantes (qual Bela na Bela e o Monstro). Gosto de falar sobre livros, gosto de me apaixonar por livros, gosto de me apaixonar por personagens.

Não pertenço ao mundo editorial, bem sei. Não tenho certezas sobre como as coisas funcionam nesse mundo, é verdade, mas como leitora, assídua, que gosta de fazer colecção de livros, acho que tenho direito a uma opinião sobre o que passa para nós leitores.

Há livros absolutamente excepcionais. Por vários motivos. Há livros excepcionais por aquilo que nos fazem sentir. Há livros excepcionais pelas personagens complexas e maravilhosas que têm. Há livros excepcionais porque têm excelentes histórias. E, também há livros excepcionais porque estão editados de forma exemplar, com revisões exímias. E é aqui que eu quero chegar.

Como é que me vou apaixonar por um livro que está cheio de gralhas e frases sem sentido?  Como é que vou confiar numa editora que livro após livro não melhora e não liga nenhuma ao que os seus leitores dizem?

Eu sigo muitos blogs sobre livros. Gosto de saber sempre as novidades, gosto de saber o que algumas bloggers dizem acerca dos livros, a opinião delas. Há meia dúzia, cuja opinião, realmente, valorizo. Mas depois há outras tantas que eu penso, será que leram mesmo os livros? Ou será que ler na diagonal conta? É que, convenhamos, como é que alguém pode adorar um livro, pode dizer que é a última bolacha do pacote quando só tem gralhas? Frases sem nexo. Pontuação completamente fora do sítio, expressões e sentidos que nós nem usamos? Não entendo.

Há livros cuja história é boa, promissora, tem tudo para ser um livro giro, mas quando numa página temos que reler as frases duas e três vezes para que percebamos o sentido, isso não altera logo a nossa perceção do livro e o nosso gosto pela leitura desse mesmo livro?

E há dias ou livros em que nem estamos para nos irritar e pronto, a má revisão nem nos incomoda assim tanto. Mas há outros em que é impossível. E começamos a apontar, as gralhas, a falta de pontuação, as frases sem sentido, a má tradução…etc., e decidimos mandar um email para a editora a fim desta, numa próxima edição, conseguir fazer chegar ao leitor um livro melhor. Convenhamos, eu leitora, quando faço isso, já estou a facilitar um trabalho que não é o meu. E há editoras que sim, sabem que ter livros bem revistos no mercado, faz diferença e respondem-nos, agradecem e alteram. E depois há outras que “nem burro se queres água” como se costuma dizer, e continuamos a ver livro após livro, dessa editora, cada vez mais mal revisto, mas com cada vez mais livros no mercado.

Acho que chegou a altura de sermos um bocadinho exigentes com aquilo que consumimos. E não, não estou a ser mesquinha. E sim, os meus textos têm gralhas e provavelmente têm erros. Têm pontuação errada, verdade. Mas, em minha defesa, eu não sou nem escritora, nem revisora, nem editora de textos. Não é a minha profissão. Mas conheço pessoas cuja profissão é exactamente essa, revisão de textos. E é por conhecer e saber que ela é eximia no seu trabalho e que sim, podem passar gralhas, pode passar uma pontuação aqui e outra ali, mas sei que se ler um livro revisto por ela vai ser um bom livro, na ótica da edição. E é tão bom ler um livro bem escrito. Por isso, se há tão bons profissionais no mercado e há livros que têm potencial para ser, realmente, giros se a revisão estiver bem feita, porque é que ainda continuamos a comprar e a ler livros que nos tiram do sério pela falta de profissionalismo e de preocupação pelos leitores neles plasmados? Não sei. E contra mim falo, que infelizmente continuo a comprar livros de editoras e de revisores (sim, há livros que quando saem no mercado e vemos que tem como revisora a pessoa x, dizemos logo ‘oh não, vai ser mais um para nos irritar’) que não ligam grande coisa a forma como o livro chega aos leitores. Mas a verdade é que a maior parte das vezes os escritores também não têm culpa, a maior parte são escritores estrangeiros. Mas, a questão é mesmo essa, será que se pararmos de consumir livros mal editados e mal revistos estes começam a melhorar? Não saberá a editora que aqueles escritores vendem? Quer o livro esteja bom ou mau? Não sei, eu começo a fazer as minhas escolhas. Há livros que quero ler, mas se tem um revisor que eu sei que não faz um bom trabalho já peço o livro emprestado, já não vai para a lista do ‘a comprar’… assim sempre leio o livro que quero, pela história e pelo autor mas não dou dinheiro a ganhar aquela editora.

Para terminar resta-me dizer que há livros e editoras excelentes no que à revisão diz respeito. E gosto tanto quando isso acontece! E vocês, o que me dizem sobre este assunto? Sou muito picuinhas ou há mais pessoas aí desse lado a pensar como eu?

 

Boas leituras.

 

F. 

16
Out18

Ver(de) México.

quatro de treta e um bebé

Há escolhas que fazem dias valer a pena.

 

E o dia em que, numa viagem ao México, decidimos abdicar das típicas excursões, alugar um carro e ir “por aí”, à procura dos sítios que pretendíamos visitar, foi "A" escolha que valeu mais do que a pena. É graças a essa escolha que pretendo voltar ao México. Que vou voltar ao México! Quando as viagens para lá forem mais rápidas. Ou quando descobrir o segredo para passar 10 horas dentro de um avião sem me querer atirar pela janela ao fim de 4 horas.

 

Há já alguns anos que não abdico da semana de férias em  outubro, em algum lugar do mundo que me consiga dar sol, calor, praia e pulseirinha no pé. Onde me limito simplesmente a existir. Mas o México, “obrigava-me” a tirar uns dias de férias do “só existir”.

 

Foram-nos apresentadas várias excursões. Todas elas com algo em comum: pareciam ser demasiado chatas. Muitas horas dentro de um autocarro, que nos tentavam vender como a melhor coisa do mundo (tinham wifi gratuito e ar condicionado. Além disso viajavam pela autoestrada (imagine-se!), logo o caminho fazer-se-ia muito mais rápido). Não sou fã de excursões. Nunca fui. Não consigo gostar.

Decidimos alugar um carro, ir sem horas, parar onde nos apetecesse e voltar quando e assim que entendêssemos. Não tínhamos wifi gratuito a viagem toda, é certo. Mas viajávamos pela autoestrada e chegaríamos ainda mais rápido. E também tínhamos ar condicionado. O maravilhoso ar condicionado! Diria que se não é a melhor invenção do mundo, deve andar lá perto. Ficamos na Península de Yucatan! O clima é quente. Muito quente. E húmido. Demasiado húmido. Quente OK. Húmido NOT OK. Por isso, nada melhor que o ar condicionado. Se fosse possível apanhar sol com ar condicionado tê-lo-ia feito. Aliás, fica a sugestão para os inventores de tudo, os quais muito prezo (vénia).

 

Conduzir no México é o oito ou o oitenta.

Nas cidades é um salve-se quem puder. Há imenso trânsito. Há cruzamentos em todo o lado. Não há a regra da cedência à direita. Podes passar nos semáforos de cor vermelha se vires que não vem ninguém do outro lado. O mais importante, no meio disto tudo, é não bater! Não bati e ninguém me bateu. Correu bem.

Por sua vez, nas autoestradas não se passa nada. Praticamente não há trânsito (são pagas e por esse motivo os locais evitam-nas), algumas só têm uma faixa em cada sentido onde é possível inverter a marcha a qualquer momento. São retas, sem fim. Não há curvas ou altos e baixos. Apenas se vêem duas faixas da estrada e o verde a delimitar as vias.

 

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Se pretendem visitar a Península de Yucatan, aconselho o aluguer do carro num rentcar fora do hotel. É muito mais barato e super prático: é possível alugar um carro por 20 euros/dia e a gasolina encontra-se, neste momento, a menos de 1 euro/litro.

 

Como o típico turista que se atira para a estrada à procura de algo que não sabe bem o quê, enganamo-nos na saída da autoestrada. Chateados porque aquele desvio implicava, pelo menos, mais 30 minutos de caminho, dirigimo-nos à saída mais próxima, onde nos perguntam, nos pórticos, para onde queremos ir (em algumas autoestradas o valor depende do destino para onde vamos a seguir ao pórtico – e ninguém confirma se efetivamente vais para lá). À resposta Chichen-Itza, o senhor (ironicamente muito simpático) ri-se, manda-nos voltar para trás, fazer inversão de marcha e sair na saída correta (aquela onde deveria ter saído se não me tivesse enganado).

Oi?? Posso? Como assim, fazer inversão de marcha nos pórticos da portagem? Bem, é possível e recorrente! E eu a-do-rei.

 

Visitamos a cidade de Chichen-Itza. Tiramos fotos junto de uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, o Templo de Kukulcán. Passamos pelas Coluna do Templo dos Mil Guerreiros e pelo Templo das Pequenas Mesas. Visitamos o Mercado e a Plataforma de Vénus.

 

Entrada: cerca de 12 euros.

Horário de funcionamento: diariamente das 9h às 17h (só é possível entrar até as 16h30).

Estacionamento: cerca de 1,40 euros. Mas é possível estacionar nas bermas da via de acesso, de forma gratuíta.

 

Visitamos Valladolid, onde a maior atração é a arquitetura colonial, influenciada pelos colonizadores espanhóis. Fazer o percurso de carro permitiu-nos passar por várias aldeias. Ver como se vivia por ali. Conhecer aquilo que chamam de restaurantes ou supermercados. Foi-nos possível ver que nas bermas da estrada estava sempre algo à venda. À espera que um turista qualquer que por lá passasse decidisse parar.

 

Seguimos até Cobá. A grande atração era poder subir a pirâmide de Nohoch Mul ou o “Castillo”, com 42 metros de altura. A única onde isso era permitido. E vale tanto mas tanto a pena. Nenhuma fotografia é capaz de mostrar o quão lindo é estar lá em cima. E repito: vale tanto, mas tanto a pena. Caí a descer. Só para testar a aderência das escadas. É péssima. Não testem.

Entrada: cerca de 3,20 euros.

Horário de Funcionamento: diariamente das 8h às 17h (só é possível entrar até as 16h30).

Estacionamento: cerca de 2,30 euros.

 

Tulum é uma outra cidade maya. As ruínas de Tulum situam-se na costa do Mar do Caribe. De lá é possível contemplar aquelas águas azuis. É possível visitar o Castelo, o Templo do Deus Descendente, o Templo dos Afrescos e a praia.

 

Entrada: cerca de 3,20 euros.

Horário de Funcionamento: diariamente das 8h às 17h (só é possível entrar até as 16h30).

Estacionamento: É possível estacionar em locais gratuítos.

 

É ainda possível visitar os cenotes e dispõe de diversos parques temáticos. Se for necessário escolher um sítio onde é possível fazer tudo: é no México, mais concretamente na Península de Yucatan, com toda a certeza.

 

O México é lindo. E conquistou-me. Hei-de voltar, para fazer tudo aquilo que não fiz. Quando as viagens forem mais rápidas. Ou quando, finalmente, tenha encontrado uma solução para aguentar 10 horas de voo sem me querer atirar pela janela fora... ao fim de 4 horas.

 

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M.

11
Out18

As melhores hamburguerias do Porto

quatro de treta e um bebé

Comer: sem dúvida, um dos meus passatempos favoritos!

 

Adoro comer. Durante todo o dia, há uma parte do meu cérebro cuja única ocupação é pensar em comida; o que comi, se já serão horas de lanchar, o que será que vou jantar, quando é que posso planear ir àquele restaurante.

Sorte a minha, o J. gosta tanto de comer quanto eu, pelo que a nossa ideia de um date perfeito tem sempre o mesmo ponto de partida: “e o que é que vamos comer?”.

Na verdade, já vos vim adiantando a minha obsessão por comida, pelo que isto não será propriamente uma surpresa! E, da mesma forma que adoro comer, adoro falar sobre comida e partilhar comida (excepto aquele último pedacinho; dar o último pedaço, a última fatia, ou, no cúmulo, aquele bocadinho que tínhamos guardado na ponta do prato para comer no final, é, sem dúvida, uma das maiores provas de amor possíveis!).

Sou assumidamente carnívora! Vou, contudo, tentar ter em atenção opções alternativas. A verdade é que não sou grande fã de pratos vegetarianos, que, normalmente, são acompanhados por coisas mais ou menos esquisitas (acho que é este o termo técnico) – vá, atirem-me lá com tomates e chamem-me ignorante, mas preferia que me indicassem bons pratos para mudar de opinião!

Sucede que, apesar de adorar comida, não gosto assim tanto de experimentar coisas novas (nem como se não souber o que é) e sou um pouco “esquisitinha” (a minha mãe e o J. estão a abanar fervorosa e afirmativamente a cabeça enquanto lêem, tenho a certeza!).

Quem conhece o Porto sabe que vivo num paraíso culinário. Não faltam opções, todos os meses abrem novos restaurantes, uns tradicionais, outros mais inovadores, espalhados por toda a cidade, mais novos e mais velhos, já conhecidos e por conhecer.

Voltando a focar no tema de hoje, vou juntar o melhor destas minhas duas paixões, a comida e o Porto, e aconselhar algumas das minhas escolhas de eleição.

Vamos começar pelo básico: hambúrgueres! Existem de todos os sabores, tamanhos e feitios; e quem não gosta?!

 

SANTO BURGA

Nascido em Leça da Palmeira, rejubilei quando abriu, no ano passado, bem perto de minha casa, esta maravilhosa hamburgueria!

O espaço é muito agradável, bem decorado, com uma cozinha aberta e funcionários prestáveis.

Para iniciar, uns incríveis rolinis (queijo cheddar enrolado em bacon crocante) e uns imperdíveis santinis (bolas de risotto, mozzarella e presunto serrano envolvidas em pão ralado acompanhado com molho burga). E pronto, já me estou a babar! Todos os hambúrgueres são acompanhados desse maravilhoso molho burga, e também de umas excelentes batatas fritas.

Como carnívora que sou, o bacon é a minha perdição, e, portanto, acabo sempre no mesmo hambúrguer: o santo bacon! 160gr de novilho, bacon grelhado, queijo cheddar, rúcula e tomate compõem a minha escolha. Há também opções sem carne e saladas, para quem é de saladas (ainda que eu não entenda esta opção!). Para acompanhar, servem uma boa sangria.

Têm também excelentes sobremesas: tarte de lima e hortelã, tarte de mousse de chocolate e delícia do burga; mas duvido que cheguem ao final com espaço para sobremesas!

O preço também é simpático, e saem de barriga bem cheia (um pouco mais caro se beberem sangria)!

Pontos principais: as deliciosas entradas de perder a cabeça e um grande ecrã, excelente para ver jogos de futebol.

 

📷 Tiradas por mim.

Morada: Rua de Egas Moniz 500, 4050-235 Porto

Site: https://www.facebook.com/santoburgaporto/

Preço médio: 9 €

 

PEEBZ

Situado na foz, mesmo em frente à marginal, este restaurante ganha pontos pela possibilidade de um passeio pós-jantar para derreter as calorias que acabamos de ingerir (e, acreditem, vão precisar!).

Como pontos menos positivos, nem sempre é fácil arranjar estacionamento em frente ao restaurante, e o mesmo costuma estar cheio, pelo que é recomendável marcar! Aproveitem e, se estiver bom tempo, marquem para uma das mesas no exterior, que é um espaço muito agradável.

Têm a opção de escolher no pão ou no prato, e alerto que, especialmente com pão, as porções são fartas. Escolho o clássico cogumelos e bacon, acompanhado das deliciosas batatas, que são um dos pontos fortes deste restaurante! Têm também opções sem carne e saladas.

Pontos principais: a localização e as deliciosas batatas fritas.

 

📷 Tiradas do site.

Morada: Rua da Sra. da Luz 448, 4150-274 Porto

Site: https://www.facebook.com/restaurantepeebz/

Preço médio: 10 €

 

MUNCHIE

Um clássico da baixa do Porto. Desta lista, é sem dúvida aquele a que já fui mais vezes. Está aberto no Food Corner da Rua do Ateneu Comercial e noutros locais, mas costumo ir ao que se situa na praça D. Filipa de Lencastre. Da ementa constam os sete pecados (picados, como são aqui denominados) mortais, e a minha escolha é, sem surpresa, a Gula: um hambúrguer de carne de vaca recheado com cheddar, alface, tomate e (guess what) bacon. Têm também o hambúrguer do dia, que é ainda mais barato do que os da lista, e igualmente bom e diversificado. Está no local perfeito para quem vai às compras, dar um passeio, ver uma peça de teatro, tomar um café com amigos ou beber um copo às galerias e, de repente, lhe dá aquela fome. Graças ao seu horário (aberto até à meia noite), já lá fui parar esfomeada por muitas vezes, e fico sempre agradada com esta hamburgueria que está ali à mão. A qualidade é excelente, mas as doses são mais pequenas, ou seja, ao contrário dos dois acima, não vão sair deste restaurante a rebolar.

Pontos principais: a localização, no centro de zonas de passeio, cultura e diversão noturna, o preço, provavelmente o mais baixo da lista, e o horário.

📷 Tiradas do site.

Morada: Praça D. Filipa de Lencastre 177, 4000-407 Porto

Site: https://www.facebook.com/MunchieBK/

Preço médio: 8 €

 

TASQUINHA DO CACO

Como o nome indica, este restaurante serve um excelente hambúrguer em bolo do caco, mas tem outras opções de pão, incluindo sem glúten.

Para acompanhar, servem batata frita, batata-doce frita e (drum roll) noisettes. Só de falar nisto, já estou com vontade de pegar no carro e ir até lá pedir uma dose de batatas. Adoro noisettes! Ainda por cima, é algo que como muito raramente, e que nunca vi servir noutro restaurante, para mais hamburgueria, pelo que este é um grande ponto positivo. O que ganha nas batatas, perde nos hambúrgueres, que, apesar do pão delicioso, não são assim tão marcantes.

Têm também opções sem carne e saladas.

Pontos principais: as noisettes (óbvio) e o pão de bolo do caco.

📷 Tiradas do site.

Morada: Passeio de São Lázaro 51, 4000-175 Porto

Site: http://www.tasquinhadocaco.pt

Preço médio: 10 €

 

STEAK’N’SHAKE

É impossível não ver este grande edifício, na baixa do Porto, presenteado com um mural colorido da artista Joana Vasconcelos. Por dentro, o espaço não parece tão amplo, especialmente pela forma de fazer o pedido: uma fila, que vai existir quase de certeza, para fazer o pedido e o pagamento, sendo que no momento do pedido levamos as bebidas e um buzzer para a mesa. O hambúrguer, esse é levado à mesa, graças ao sistema de localização embutido nos buzzers. Enquanto estamos na fila para fazer o pedido, podemos ver os hambúrgueres a ser cozinhados, o que é um ponto positivo que se pode tornar bastante doloroso, para quem estiver cheio de fome! A minha escolha recai sobre o Royale, um duplo steakburguer com ovo estrelado, bacon, queijo americano, alface, tomate e maionese. Os hambúrgueres não são particularmente especiais nem memoráveis, especialmente por não terem nenhum molho distinto, mas apenas ketchup e maionese, o que os torna um pouco banais. O que faz com que valha a pena visitar este restaurante são as batatas, e acreditem que vale mesmo a pena! Têm batatas fritas normais, com queijo, com queijo e bacon e condimentadas, que custam entre 1,90 € e 2,95 €, em tamanho médio ou grande. Quanto aos batidos, assumo que nunca provei, até porque associo mais esta bebida e lanches, e não tanto a acompanhar um hambúrguer. Serve apenas uma alternativa sem carne.     

Pontos principais: as batatas e a localização, em plena baixa do Porto.

📷 Tiradas por mim.

Morada: Praça de Guilherme Gomes Fernandes 67, 4050-159 Porto

Site: https://steaknshake.pt/

Preço médio: 9 €

 

HARD ROCK

Sou fã do Hard Rock já há alguns anos, do ambiente, da comida, do atendimento e do merchandise. Coleciono pins e essa paixão nasceu quando conheci os pins do Hard Rock, que me arrebataram. Sou fã, em geral, da cultura que o Hard Rock representa.

Nunca me vou esquecer da minha primeira visita ao Hard Rock, no Cairo, que estava vazio e completamente à nossa disposição. Lembro-me que me perdi ao olhar para aquelas paredes repletas de história. Também não posso esquecer a vez em que ficámos fechados dentro do Hard Rock de Londres porque havia um pacote suspeito na rua ao lado. Já conhecia o único em Portugal, o de Lisboa, e quando abriu no Porto fui, com grande curiosidade, visitar.

Confesso que não sou grande fã do espaço. Não se respira o ambiente de rock que acho que representa a marca. A loja é pequena e um pouco mal organizada. Ao invés de fazerem o espaço representar o rock e o ambiente típico de um Hard Rock, esforçaram-se a ter funcionários que transmitissem esse espírito, pelo menos na sua opinião, pelo que as pessoas que servem à mesa têm maioritariamente um aspeto semi-alternativo, e as raparigas ou têm saia muito curta, ou muitas tatuagens, ou ambos – e não, não acho que isso tenha relação direta com o espírito rock. Não me levem a mal, sei que estou a generalizar, mas preferia que tivessem investido na imagem do espaço mais do que na imagem dos profissionais. Também sei que já lá decorreram concertos mas ainda não tive oportunidade de assistir.

Mas vamos ao mais importante: o hambúrguer. Acertamos sempre com o original legendary burger, o clássico com bacon fumado, queijo cheddar, um aro de cebola frito, alface e tomate, disponível em qualquer Hard Rock. Cada espaço tem o seu local legendary, com ingredientes típicos do local onde se inserem.

Pontos principais: a localização, junto à Avenida dos Aliados, e a mítica do Hard Rock.

📷 Tiradas por mim.

Morada: Rua do Almada 120, 4050-031 Porto

Site: https://www.hardrock.com/cafes/porto/

Preço: 18 € 

 

Bom proveito!

R.

09
Out18

Protecção das Advogadas na Maternidade

quatro de treta e um bebé

 

 

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Antes de mais, talvez esclarecer que, advogadas também têm filhos, são mulheres, também têm família, também amamentam, enfim, também elas precisam dos 5 meses (existentes para os comuns mortais) para estar com os filhos e estes com elas. Porque sim - espantem-se!- os filhos das advogados são pessoas normais, como os filhos dos outros e com as mesmas necessidades. 

Bem, no fundo, no fundo, apesar da confusão ser grande, a conclusão é simples: as advogadas são mulheres como quaisquer outras e também têm filhos como quaisquer outras.
Apesar de parecer um ultraje e uma ousadia, a verdade é que as advogadas também têm essa ”veleidade”.
Ora bem, contextualizando, uma Advogada, mulher, que decida ser mãe, tem como única ajuda - no meu caso - da Caixa para a qual desconta, Caixa de Previdência de Advogados e Solicitadores a quantia correspondente ao salário mínimo, à data, paga UMA ÚNICA VEZ, isto é, aquando do evento - o nascimento da criança.
Os prazos, esses tormentos, continuam a correr e as desgraçadas das advogadas -mães, aquelas que ousaram ter filhos, dependem da simpatia do colega que representa a parte contrária para adiar prazos, diligências, o que for.
Acresce ainda, a correria do dia- a -dia e o esforço para cumprir a agenda profissional e conciliar com a pessoal.
Nada pára!
Na verdade dou por mim - que comecei a trabalhar tinha o meu rebento 2 meses - a participar em reuniões e a rezar para que aquilo acabe rápido porque tenho as mamas cheias e já não aguento as dores. O mesmo acontece quando estou no tribunal horas sem fim à espera da diligência e a ligar para casa a pedir para darem suplemento porque não sei quando os senhores Juízes vão fazer o favor de iniciar as diligências.
E o mesmo se diga quando estou na conservatória a divorciar gente e o telefone não pára de tocar com a sogra a mostrar que a criança abre a goela até trás.
Com tudo isto, são 13h e ainda pouco fiz. O que fiz pareceu uma maratona entre cumprir minimamente com os compromissos e, por outro lado, conseguir não manchar a roupa com auréolas de leite.
Na verdade estou acordada desde as 6h30 a pensar “isto vai render” e, na realidade, são 9h da manhã e ainda só dei de mamar e me arranjei.
Quando penso “é desta: agora o paizinho vai levá-la a avó”; Não!! Já passaram 3h e ela está a berrar e quer mamar de novo!
Toca a pôr mama de fora, já toda maquilhada e bem vestida para ir para o escritório - gente à espera- e a miúda calmamente a desfrutar da mama.
Mãezinha pega no telefone, liga à funcionária, contextualiza e desfaz-se em mil desculpas com os clientes, pedindo que aguardem mais uns minutos.
Criança acaba de mamar (demora no mínimo 45 min.), pôr a arrotar, mudar fralda, pôr no carro, levar à sogra -que entretanto o marido já saiu porque tinha compromisso -(também advogado - igualmente sem licença).
Com isto tudo são 11h (a correr muito bem!), chego ao escritório já toda transpirada e descabelada, começo a atender e quando dou conta, após hora e meia, já está a sogra a ligar porque a criança quer mamar. Chegamos a casa da sogra, toca a dar de mamar, almoçar enquanto se dá a mama para poupar tempo e depois toca a sair de novo para a segunda maratona.
Ufa!! Cansados de ler? Imaginem eu!
De facto, não há qualquer apoio a mães advogadas. Aliás, quando eu me fui informar fiquei mesmo com a sensação que uma Advogada ser mãe era uma coisa assim tipo os unicórnios!!
É que enquanto isto tudo se faz ao ritmo que tentei descrever; por outro lado, tudo se processa como se estivessemos activamente a trabalhar e sem termos um qualquer ser dependente. Os prazos não suspendem, as diligências nao são adiadas, tudo se passa normalmente.
E é assim, quer a criança tenho 2,6,10 meses, um ano ou 2,3,4 dias.
A propósito, deixo aqui um episódio caricato de uma mãe cujo filho estava sujeito à medida de coação mais gravosa (Prisão Preventiva) que me liga, precisamente no dia em que fui para o hospital para a B. nascer, pedindo se me podia ligar sempre e a qualquer hora “mesmo quando estiver a ter a criança?”.
Sim, minha senhora, mesmo aí. Porque eu vou estar mesmo só com a cabeça no seu assunto e o “resto”não me vai tirar o foco!!
Pois é... no fim de contas ainda ouvimos “Que os advogados é que estão bem”.
É precário, demasiado precário, só por si mas tanto mais quando comparado com as licenças comuns de, pelo menos, 5 meses em que as mães se dedicam exclusivamente aos filhos. Para isto há uma razão e não é menor. Os miúdos precisam disso para o desenvolvimento salutar e as mães também.


Fica para reflectirem.

 

A dar de mamar e descabelada,

com carinho,

S.

 

04
Out18

Era uma vez #1

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

Hoje venho falar-vos de um livro que li durante o mês de Setembro. Chama-se O Desaparecimento de Stephanie Mailer e é do Joël Dicker.

 

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Sinopse:

Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o Presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só pára quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta. A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado. Dias depois, Stephanie desaparece. Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace. O que aconteceu a Stephanie Mailer? E o que aconteceu realmente no Verão de 1994? 

 

Opinião

Este não é o primeiro livro do Joël Dicker que eu leio. Li há uns tempos o A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, aconselhado por uma amiga e gostei muito. Sei que além deste livro Joël Dicker tem outros livros, mas só a sinopse do Desaparecimento da Stephanie Mailer me gerou curiosidade suficiente para voltar a este escritor que tanto me apaixonou com o Quebert.

Joël Dicker é um escritor Suíço. A verdade Sobre o Caso Harry Quebert foi o primeiro livro que li de um escritor suíço. E não se enganem, a escrita varia muito não só porque, obviamente, cada pessoa escreve à sua maneira, mas também pelas suas origens, cultura e crescimento literário. Gosto de ler autores de diferentes nacionalidades, até para perceber tanto o que é que une esses mesmos autores como aquilo que os separa. Mas, isto para vos dizer que gosto muito da escrita do Joël. É uma escrita fluida, complexa, e, no entanto, fácil. É um page turner, sem dúvida. Os livros do Dicker e este, em particular, têm a característica de serem os chamados “calhamaços”, ou seja, são livros, normalmente, com mais de 600 páginas. O que para muitos é um “stop”, porque são livros muito grandes, demoram mais tempo a ler, são muito pesados (literalmente)… para mim é um “venha ele”. E isto porque, apesar de serem muito grandes, poderem demorar mais a ler e serem pesados, quando valem a pena é maravilhoso ter mais do que as 300/400 páginas habituais. Eu gosto de livros, gosto de ler, gosto de histórias e personagens. Gosto tanto que, quando gosto mesmo de um livro, sofro um bocadinho porque está a acabar e, as vezes, tento protelar a leitura de forma a que o livro dure mais tempo.
Ora, nestes livros grandes, quando o livro é mesmo bom, não há tanto essa necessidade, uma vez que vamos olhando e pensando “ainda falta…”. É bom ler um livro grande quando é bem escrito. E este livro do Joël é bem escrito. Tem uma história boa e plausível. Tem personagens complexas e distintas. Tal como a sinopse supra, este livro trata de um quadruplo homicídio que aconteceu em 1994 e um desaparecimento que ocorreu em 2014. Mas enganem-se aqueles que acham que é apenas mais um policial que conta a história de dois crimes com 20 anos de espaço temporal.

Não, é um livro sobre pessoas. Falamos de muito mais que os crimes em evidência. Falamos das personagens e das suas histórias. Do que aconteceu há 20 anos atrás ao Derek e ao Jesse, do que está a acontecer neste momento ao Jesse para ele se reformar da policia tão novo. Falamos de uma cidadezinha Orphea e dos seus habitantes e como é que um homicídio e o desaparecimento de uma jornalista da zona podem abalar a cidade inteira. Falamos de ganância, de medos, de relações familiares, de anseios e de como, por vezes, a falta de comunicação pode abalar e até mesmo destruir relações. Falamos da vida de uma polícia reformado/produtor teatral que todos julgam maluco, de jornalistas, de vice presidentes que se tornam presidentes, de adolescentes traumatizadas, de bullying, de perdas, de escolhas, de amor e de vida. Falamos de todos os assuntos que mais ou menos nos vão aparecendo pelo caminho e não só os homicídios. A verdade é que se calhar falamos de assuntos a mais ou de personagens a mais. Quando damos conta há várias histórias paralelas e, para um leitor um bocadinho mais cansado ou distraído, poderá pecar por excesso. Mas, quando falamos dos homicídios, e não sejamos levamos a pensar outra coisa, este é um livro policial, a história está bem construída. Temos páginas que nos fazem perceber a investigação de 1994 ao mesmo tempo que acompanhamos a investigação de 2014. Cruzamos o presente com o passado, o que nos faz perceber melhor o que se vai passando. Não obstante, estamos constantemente a pensar, quem poderá ser o assassino? Porque é que a Stephanie disse que a verdade estava mesmo a frente dos olhos deles? O que é que escapou na investigação de 1994? Temos todos os ingredientes de um bom policial. Não sabemos quem é o verdadeiro culpado até ao fim, o que também pode ser um senão, não é assim tão previsível, é certo, mas aqueles ‘quase culpados’ dificilmente nos convencem porque alguma coisa nos diz que não é aquele, não faz sentido. Por isso, quando somos levamos para aquela personagem, apesar do autor nos querer fazer crer que descobrimos o culpado, nós, lá no fundo, sabemos que não é verosímil. Isso ou sou eu que já sei que nem tudo é o que parece.

Não podemos achar que só o desaparecimento da Stephanie e o crime de 1994 se vêem resolvidos. Não, na teia deste livro, há vários outros personagens com questões por resolver. A questão é que pelo menos uma, é resolvida no fim do livro (quando já achávamos que o autor se tinha esquecido) mas, quanto a mim, é mal resolvida. Não sei, pode ser a minha natureza de feminista e de advogada ao mesmo tempo a vir ao de cima mas, não me adiantando em relação à personagem ou ao tema, não me pareceu bem resolvido. Está bem que o livro já ia com 650 páginas mas, se calhar, em mais meia dúzia resolvia a coisa de forma um bocadinho mais plausível e coerente.

No entanto, continuo a afirmar: este livro é bom. É um livro dinâmico, é denso e rápido ao mesmo tempo, é complexo e leve na sua forma de ler. Pode ser algo muito pessoal e vocês lerem o livro e nem gostarem. Mas eu gosto deste autor, gosto dos livros dele, gosto da forma como escreve, gosto das histórias e das personagens que ele cria e constrói.

A todos quem a sinopse deste ou de outro livro dele agrade, leiam. Sem medos. Vão gostar de Joël Dicker. Espero que gostem tanto quanto eu.

 

F.

02
Out18

e a palavra do ano 2018 é....

quatro de treta e um bebé

Para Janeiro de 2019 aguardo com grande expectativa a revelação da palavra vencedora do “Palavra do Ano 2018”. Posso, desde já, adiantar que não espero outra coisa se não ouvir a palavra CASAMENTO.

Não pode ser outra. Não faz sentido ser outra. Não dá margem para dúvidas. E se revelarem outra vou impugnar! Contestar! Fazer um abaixo assinado! Recorrer de tal decisão para instâncias superiores!

 

Este ano, metade do país casou. E a outra metade foi ao casamento. Um país inteiro pronunciou, mais do que milhentas vezes, a palavra casamento. E pensou nela outras tantas.

Nem sei como houve espaço para outras palavras no discurso. Na verdade, as que houve serviram de base àquela.

 

Sinto-me na obrigação de referir que acredito, solenemente, que este facto só se deu porque as pessoas não são tão exigentes quanto eu. Mas deviam!

 

No fim de semana tive o último casamento para o qual fui convidada em 2018 e, a determinada altura, comentava que não percebo o que deu a toda a gente para decidir casar este ano. Com espanto, ou se calhar nem tanto, ouvi as mais variadas respostas. Coisas como "isto é um vírus contagioso que anda por aí", "anda tudo maluco", "é a idade a pesar" e a melhor de todas "é reflexo da recuperação económica que o país atravessa".

 

Bem, e o amor ? Eu achei mesmo que o que levava as pessoas a casar era o amor. Que ingénua!

A culpa é dos meus amigos. Afinal é com base no casamento deles que formei a minha ingénua opinião de que era o amor que os levava a fazer aquilo. Até porque todos sabemos que é o amor que nos leva a cometer as mais variadas loucuras.

 

Mas afinal não! Não é o amor que leva as pessoas a casar. É, entre outras coisas possíveis, a recuperação económica do país. Que contrassenso!

Não percebo como é que o governo ainda não proibiu os casamentos. Afinal, o Governo tem-se esforçado, trabalhado num determinado sentido, fazendo um esforço e obrigando os contribuintes a fazer esse esforço também, para que se encaminhe o país para uma recuperação económica e depois, metade do país decide casar. Consequentemente, a outra metade do país, ficou na penúria. É por isso que não saímos da "cepa torta"...

O Governo lá consegue uma "recuperaçãozinha", e os contribuintes deitam tudo a perder.

Por esta lógica de ideias, adivinha-se que não haverá casamentos para o ano. Nem para o outro. Nem até que o governo lá consiga dar a volta a este golpe dos contribuintes, e voltar a colocar o país em recuperação... e nessa altura outros contribuintes, ou até os mesmos, vão decidir que a recuperação económica só existe para que possam casar e acabar com ela. Que assim seja.

 

M.

 

P.S.: Em nenhum casamento apanhei o ramo da noiva. Mas já tenho a pedra para o meu anel de noivado.

 

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