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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

29
Nov18

Arouca e os Passadiços do Paiva

quatro de treta e um bebé

Passadiços do Paiva - Arouca  Natureza em Estado

Fonte: http://www.passadicosdopaiva.pt/

Arouca era uma vila pacata, no fim do mundo (na verdade é na cave do mundo), reduzida a uma rua a que chamam de avenida (não sei se chamam, mas quase que aposto!) e a um mosteiro. À volta disso é monte. E monte. E mais monte. Por lá, e depois de passar o enjoo da viagem (o qual não se consegue evitar com tanta curva e contracurva) conseguia-se comer uma das melhores carnes de vaca e saborear vários doces conventuais de deixar água na boca. Até que um dia, alguém astuto, decidiu alargar horizontes e criar um passadiço, que liga 3 praias fluviais ao longo do Rio Paiva, a que se deu o nome de "Passadiços do Paiva". E descobriu a galinha dos ovos de ouro.

 

Se valia a pena ir a Arouca pela carne e pelos doces, agora vale também pelos passadiços. E se der para juntar tudo, tanto melhor.

 

Aconselho, seriamente, a passar um dia lá. Chegar cedo. Fazer os 8 quilómetros do Passadiço. Ir almoçar a famosa carne de vaca arouquesa. Regressar aos passadiços. Fazer os 8 quilómetros em sentido contrário, para desgastar o almoço. E terminar o dia com o pão de ló de Arouca, os charutos ou as castanhas doces.

 

Fiz os "Passadiços do Paiva" há já alguns anos, mas continua a ser um destino atual. A ideia passava por um domingo diferente, entre amigos, com fotos, mergulhos e boa comida. Mas Arouca e os passadiços surpreenderam.

Partimos do Porto num domingo de manhã. O objetivo era estar em Arouca às 9h30, evitando assim a hora de maior calor. Levamos dois carros, para que fosse possível deixar um em cada ponta dos passadiços, podendo fazer o regresso ao ponto de partida de carro.

 

Como bons portugueses que somos chegamos a Arouca por volta as 11h.

 

Nota: Aconselho a chegar realmente cedo, porque fazer o percurso na hora de maior calor pode tornar-se insuportável, não permitindo usufruir verdadeiramente de tudo que os Passadiços tem para nos dar.

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Começamos o percurso na praia fluvial de Espiunca. As paisagens são fenomenais. Por esse motivo, demoramos cerca de uma hora a fazer menos de 3 km (a indicação dos km está ao longo de todo o percurso). Temos fotos de tudo, de cada esquina, de cada paisagem que nos cativou (e cativaram-nos todas).

Alertados pelas horas, e pelo calor que se fazia sentir, aceleramos passo até à Praia Fluvial do Vau.

Chegamos à ponte suspensa. E para esquecer as vertigens é colocar-nos no centro dela desfrutando da paisagem que nos permite contemplar.

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Ao longo do percurso podemos ver a Cascata das Aguieiras e a Garganta do Paiva. Subimos as escadas que ainda hoje não consigo qualificar.

Por fim, chegamos à Praia Fluvial de Areinho.

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Depois de um mergulho que "soube por vidas", seguimos caminho para o restaurante. Fomos à famosa carne arouquesa, que, uma vez mais, não desiludiu.

 

Nota: Não há fotos de comida, não consigo, é mais forte do que eu começar logo a comer. 

 

Após um almoço de domingo demorado, voltamos aos passadiços. Exatamente ao mesmo ponto onde tínhamos ficado.Mais uma vez como bons portugueses que somos, desfrutamos uma cesta e demos mais uns mergulhos na Praia Fluvial de Areinho.

Não estava nos planos fazer o percurso de volta a pé. Mas à ultima hora decidimos que assim seria. Fizemos o caminho de volta já com o pôr do sol. E se o percurso com plena luz do sol é lindo, com o pôr do sol ganha ainda mais beleza.

Atualmente, trabalham na construção de uma outra ponte suspensa - envidraçada. Voltarei, com toda a certeza, assim que a ponte estiver aberta ao publico.

M.

 

P.S. Para quem estiver a pensar fazer o percurso, relembro que hoje é necessário fazer reserva, e tem um custo de 1€/pessoa.

27
Nov18

Era uma vez #2

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

Hoje venho falar-vos de um livro que li no início deste ano. Para dizer a verdade comecei-o no final do ano passado mas não estava a conseguir avançar na leitura, pelo que deixei passar as festas e retomei-o em Janeiro. Eu acho que os livros são pequenos mundos tão extraordinários que se estivermos com um livro na mão e não nos estiver a apetecer ler, devemos parar, passar para outro e mais tarde, quando nos apetecer, pegar de novo. Ler por obrigação não é bom. Mas quem diz que não gosta de ler é só porque ainda não encontrou o livro certo.

Mas passando ao livro propriamente dito, este é o Persépolis da Marjane Satrapi.

 

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Não peguei neste livro por acaso, no pequeno grupo de leitura do qual faço parte, o desafio daquele mês seria ler um género literário nunca lido e bem, eu nunca tinha lido nenhuma novela gráfica (não, não vamos chamar a este livro banda desenhada, por favor!) e a C. já tinha comentado o livro e vá a Emma Watson (hello, Hermione? Ahah) também o recomendou, por isso foi juntar o útil ao agradável.

 

Começo por dizer que este é um livro extraordinariamente interessante. Mais do que interessante, isto é a autobiografia da iraniana Marjane Satrapi. Isso mesmo, o que se passa neste livro é real. Não sabia grande coisa sobre o Irão, confesso, apenas o que vai saindo nas notícias e o pouco que posso ter falado na escola mas não tinha ideia, por exemplo, que antes da guerra o Irão era um país muçulmano super progressista, em que as mulheres podiam ir a escola, à faculdade, podiam ter a profissão que quisessem, tinham os mesmos direitos dos homens, não eram obrigadas a usar véus, etc., e depois da guerra e da entrada do fundamentalismo tudo mudou, para pior, e ainda hoje podemos ver que não temos nem de longe o Irão que existia antes da guerra. Por este motivo considero este livro mais do que interessante, importante.

Fiquei muito contente por ter lido este género. Este livro fala da história de um povo, de um país, de uma revolução e de uma guerra, de uma criança/adulta e da visão dela sobre tudo o que a rodeia. É um livro que fala de um tema muito sério e distante para nós ocidentais, de forma, diria até, simples. De forma não tão pesada como seria de esperar pelo menos. 
O livro está dividido por um género de capítulos, cada um sobre um tema. Vamos acompanhando o crescimento da Marje e da sua família. Vamos sabendo mais sobre as particularidades da sua vida. Como ela própria sabe é uma criança privilegiada. É de uma família considerada rica em relação à maioria, tem uns pais e uma avó ‘liberais’, que querem que ela cresça e seja feliz, que tenha direito à liberdade, liberdade de ser, de estar, de expressão. Num país que rapidamente viu a sua liberdade restringida, viu as liberdades das pessoas desaparecerem, Marje é uma menina rebelde que quer ter e tem uma voz sobre tudo e não tem medo de expressar aquilo que sabe, o que não sabe, o que sente e o que pensa. É um livro que de uma forma super cativante, por vezes desconcertante mas também simplista nos faz reflectir sobre problemas tão sérios como o fascismo, como o machismo, como a opressão, etc. Se em alguns dos temas, e especialmente quando ouvimos uma Marje criança, acabamos por dar por nós a rir, apesar das verdades que ela diz, quando estamos com a Marje adulta já há mais momentos de revolta, em que nos apetece entrar para dentro do livro e distribuir chapadas por toda a gente. E é aqui que acho que a protagonista é muito boa, porque ela não tem medo. Ela é corajosa. Ela enfrenta quem tem que enfrentar, mas nunca deixa de ser ela própria. Não deixa que aquilo em que acredita seja apagado por outros, apesar das consequências que pode vir a enfrentar, para ela é certamente preferível uma consequência do que ficar calada. 
Este não é um livro fácil. Tem ilustrações muito boas, outras assustadoras (ahaha) e também por causa disso uma pessoa acaba por demorar mais do que o esperado mas ao mesmo tempo menos que um livro normal, porque, obviamente a quantidade de texto é menor. Mas também acho que é uma questão de nos habituarmos. 

 

“Quando temos medo, perdemos todo o sentido de análise e de reflexão. Somos paralisados pelo medo. Além disso, o medo sempre foi a força motriz da repressão de todas as ditaduras”.

 

F. 

23
Nov18

Take 1

quatro de treta e um bebé

Olá cinéfilos da blogosfera!

 

No passado dia 5 de novembro celebrou-se o dia mundial do cinema e eu descobri que, nos últimos tempos, das quatro, fui a que mais frequentou o cinema (aliás, se calhar mais do que as outras três meninas em conjunto, para terem uma noção)!

Por isso, neste post, venho falar-vos dos últimos filmes a que assisti numa sala de cinema.

Antes disso, em jeito de introdução, vou falar-vos um bocadinho sobre os meus hábitos e experiências cinematográficas.

A verdade é que não costumo ir frequentemente ao cinema, especialmente por duas razões: os bilhetes são cada vez mais caros e eu tenho cada vez menos capacidade para sessões tardias.

De forma geral, sem hesitar, prefiro as séries aos filmes, simplesmente porque a ideia de estar mais de duas horas no mesmo lugar, a ver a mesma coisa, me causa uma certa comichão (apesar de acabar a ver episódio atrás de episódio e ultrapassar as duas horas, mas isso, diz o meu subconsciente, é completamente diferente).

Essencialmente, há dois tipos de filmes que não prescindo de ver numa sala de cinema: os da Marvel e DC Comics (já vos disse que adoro super-heróis) e os musicais, uma vez que considero que estes dois tipos de filmes são aqueles que efetivamente compensam a ida ao cinema, por toda a envolvência e imersão sensorial que nos proporcionam.

Além desses dois tipos, há um terceiro: os grátis. Globalmente, adooooooro coisas grátis. E até me posso gabar de já ter ganho vários concursos. Ainda assim, não participo em tudo o que é sorteio de bilhetes para cinema, porque acho que não é qualquer filme que justifique as tais cerca de duas horas sentada e o decréscimo nas horas de sono.

Uma nota importante: pipocas. Não vou ao cinema sem comer pipocas. Para isso, prefiro não ir! As pipocas fazem parte de toda a experiência, de toda a envolvência que referi ali em cima (é sequer possível ver um filme no cinema sem pipocas?! Conseguem concentrar-se?!).

Vou vos deixar trailers, mas hoje em dia os próprios trailers estão cheios de spoilers, aqueles dois minutos contam a história completa, apenas de forma mais resumida. Não sei se concordam comigo, mas acho que isso tira a piada toda ao filme!

Vamos lá falar, então, dos últimos três filmes que vi no cinema.

 

MAMMA MIA! HERE WE GO AGAIN 

 

Estava há uns meses sem ir ao cinema, mas a minha querida prima, a L., é a fã n.º 1 do Mamma Mia! Não, não é dos Abba, é do Mamma Mia mesmo! Como tal, há já meses que a L. andava a sonhar com a sequela, depois de ter rejubilado e quase ensurdecido a família com a notícia de que a sua produção favorita ia voltar aos cinemas!

Obviamente que não tivemos sequer hipótese de recusar e, chegando a hora, a L. põe a família toda a participar para ganhar bilhetes para a antestreia. E eis que a sua maravilhosa prima, eu mesma, lhe envia printscreen do email acabado de receber, “parabéns! Vai ver Mamma Mia! Here we go again”. Custou, mas ao fim de 23 anos, lá me diz ela, de forma completamente espontânea e desprovida de qualquer segunda intenção, que me adora (enquanto implora para eu a levar).

Não estava tão entusiasmada quanto ela (ninguém estava!). E não é que adorei o filme?! Ri-me do início ao fim, cantei, dancei na cadeira (não tanto como ela mas, mais uma vez, ninguém o fez!). Valeu completamente a pena a ida ao cinema. Sabem quando chegam a casa depois de um filme de sorriso na cara, de bom humor, depois de ter vivido num mundo de fantasia durante hora e meia? É verdade, é um filme muito divertido, muito boa onda, leve.

Aliás, valeu tanto a pena que pouco tempo depois voltei a ir vê-lo ao cinema, com (vocês sabem…) a L., claro, que via o filme pela terceira vez!

Um bom filme para aqueles dias mais chuvosos, mais melancólicos, mais enfadonhos, para encher o peito de alegria, de vontade de cantar e dançar, para por um sorriso na cara!

Deixo-vos o trailer:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IMDB

 

CLUBE DOS BILIONÁRIOS / BILLIONAIRE BOYS CLUB

 

Este é daqueles filmes que não compensou ir ver ao cinema, nem com o bilhete pago. Fomos ver em família porque acabamos a ganhar seis (!) bilhetes grátis.

É baseado num caso real dos anos 1980 nos EUA, um esquema de investimento que leva à ascensão e rápida queda de dois jovens, que conseguem enganar uma quantidade impressionante de pessoas. O esquema em si não é aprofundado. As personagens e as suas histórias não são aprofundadas. De vez em quando, parece que tentam inocentar algumas personagens e diabolizar outras, mas sem grande efeito. O impostor ludibria o aldrabão. De repente, um homicídio. Depois a polícia, um julgamento, e outros meandros que ficam por aprofundar. Tudo somado, não encanta, não prende, em muitas partes não faz sequer sentido, e parece apenas uma história mal contada, e contada de uma forma muito aborrecida.

Não recomendo! Deixo-vos o trailer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IMDB

 

ASSIM NASCE UMA ESTRELA / A STAR IS BORN

 

Desde que soube que a Lady Gaga ia entrar e cantar num filme que soube que o queria ver.

Evitei ver o trailer, consegui ficar sem o ver e ainda não o tinha visto até hoje.

Não gosto de coisas nem pessoas sobrevalorizadas e, por isso, torcia o nariz ao Bradley Cooper, que dirige, atua e canta neste filme. Dou o braço a torcer, estava redondamente enganada. A performance dele arrebatou-me por completo, mesmo enquanto cantor – ele, efetivamente, canta (e bem)! E, mais incrível ainda, aprendeu a cantar e a tocar guitarra especialmente para este filme.

Contra ele, tinha o facto de esta ser a quarta versão do filme (as anteriores foram a 1937, 1954 e 1976), já tinha sido falado fazer este remake por vários nomes conhecidos, e o próprio Bradley já tinha recusado representar esse papel uns anos antes, ao que acresce ter sido desaconselhado a apresentar o filme.

Não vi os filmes anteriores, não sabia sequer que esta era uma quarta versão, mas tinha imensa curiosidade e vontade em ir ao cinema vê-lo.

Apesar de ser um remake, que fique bem claro que todas as músicas são originais e foram escritas e produzidas especialmente para o filme. Quase todas as músicas são coescritas e coproduzidas por Lady Gaga, que, para quem ainda não sabe (mas devia saber) é um génio musical.

O filme é muito bonito, o Bradley e a Lady Gaga (de seu nome Stefani Joanne Angelina Germanotta) enchem o ecrã. As músicas são fenomenais. É uma história sobre o amor, sobre a ascensão ao estrelato, o declínio da fama, uma vida de abusos, relações humanas, codependência, saúde mental, tragédia, realidade.

Jackson Maine (representado por Bradley Cooper) apaixona-se por Ally (Lady Gaga) quando a vê atuar num bar. A admiração de Jack é clara, o olhar embevecido deste de cada vez que Ally canta é, provavelmente, a minha parte favorita do filme (além das músicas, claro!). É lindo ver como Bradley representa esta paixão e admiração. Vê-se também como Jack fica desiludido quando Ally se afasta deste tipo de música mais real, mais cru, e passa a escolher músicas mais comerciais, com um aspeto mais produzido, mas que o seu agente garante que lhe trarão maior fama. Não sei se Bradley pretende fazer algum tipo de crítica ao mundo da pop, ao “vender a alma pela fama”, ao efémero que é o sucesso (não acredito que queira, até porque Gaga alcançou o seu sucesso através de músicas pop e comerciais). Mas acaba por fazê-lo, ao mostrar-nos uma rapariga cheia de talento, compositora e cantora, que escreve sobre o que sente de forma empolgante, a afastar-se de tudo isso para cantar sobre futilidades, e ao sublinhar várias vezes que quem tem uma voz deve usá-la para dizer algo com significado. Sentimos que Jack viu algo de diferente, algo de muito especial em Ally, e sentimos a sua frustração ao considerar que esta não está a viver a totalidade do seu potencial.

Todo o percurso de ascensão musical de Ally é acompanhado, em paralelo, pela decadência de Jack, um homem com uma infância conturbada, com claros problemas de saúde física e mental, agarrado a vícios e a uma sensação fugaz de fama.

A incrível música Shallow diz-nos muito sobre Jack (apesar de escrita por Ally, e de fazer sentido para esta também): “tell me something girl, are you happy in this modern world? Or do you need more? Is there something else you’re searching for? I’m falling, in all the good times I find myself longing for change, and in the bad times, I fear myself”. Para quem se identifica com esta pequena passagem, ouvi-la é emocionante, e antevê a fragilidade emocional e de saúde mental dos nossos protagonistas.

É um filme que fica connosco, que nos mexe, que nos faz voltar para ouvir (e reouvir) a banda sonora, nos faz pesquisar mais sobre o filme, sobre as músicas, sobre os temas que são falados. Ouvir as músicas depois de ver o filme ganha um novo sabor, mais viciante ainda.

 

SPOILER: O final deste filme é dilacerante. A mensagem vai passando na música, vai-se prevendo no desabafo que Jack tem no centro de desintoxicação, é evidente nos vícios e abusos cada vez mais exacerbados de Jack. No final, Jack sente-se sem valor e sente que está a impedir Ally de chegar onde sabe que esta é capaz de chegar. Em desespero, despede-se de Ally com um heartbreakingjust wanted to take another look at you” e tira a sua própria vida. A saúde mental é um tema que me é muito próximo e que é muito importante para mim, e sem dúvida que vou querer trazer esse tema ao blog. Infelizmente, também o desfecho é demasiado próximo. Demasiado. Tivesse eu visto o trailer ou soubesse que a história se repete em três filmes anteriores, e talvez não tivesse levado o insuportável murro no estômago que levei. Se ainda não tiverem visto o filme, tenham isso em conta. O filme termina com a Lady Gaga a cantar, de forma lindíssima, “I’ll never love again”, com uma letra que nos atinge no âmago do nosso ser e que sentimos como se fosse nossa: “wish I could, I could've said goodbye. I would've said what I wanted to, maybe even cried for you. If I knew it would be the last time, I would've broke my heart in two, tryin' to save a part of you”. Se odiei a cena anterior (e odiei), adorei a música, como foi escrita por Jack para Ally, e como a interpretação de Lady Gaga nos deixa colados à cadeira de coração nas mãos.

FIM DO SPOILER

 

É difícil separar Ally de Lady Gaga, até porque os seus percursos têm similaridades, e porque é também Lady Gaga que escreve por Ally, ainda que do ponto de vista desta. E é fácil identificarmo-nos com Ally, confesso que sinto mais próxima de Ally e que acabo por gostar mais do estilo musical de Ally do que o da própria Lady Gaga!

Mas por isso tudo é que a maior ovação vai para Gaga. Porque tem a capacidade de fazer tudo, de escrever sobre tudo, de lançar hits em vários géneros musicais, e, no final, ser nada mais do que quem quer ser, fazer o que quer, vestir o que quer, cantar o que quer, ser ela própria, independentemente dos murmúrios que possa levantar, e ser absolutamente genial a sê-lo.

Uma curiosidade, na cena final, Ally olha diretamente para a câmara, e este frame final é, segundo o próprio Bradley, o momento em que a star is born.

 

Deixo-vos apenas a música que já todos conhecem (e que é coescrita e coproduzida pela Lady Gaga):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IMDB

 

Bons filmes!

 

R.

20
Nov18

20.11.2017

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20.11.2017

Faz precisamente HOJE, 1 ano, 365 dias que soube que estava grávida e que vinha a caminho um rebento.
Mal sabia eu como tudo na minha vida mudaria. E para tão melhor.
Não me imagino a viver sem a B. Não mesmo. É o melhor da vida, o melhor de nós. “Tanto cliché”, pensam vocês. Eu pensava o mesmo até ter a minha boneca comigo.

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Revivendo, e recordando... dia 20.11.2017 estava eu já com alguns dias de atraso e pedi à minha mãe (técnica de análises) que me levasse urina para o laboratório.
Pois é, e não é que aconteceu o mais caricato de sempre?
A minha mãe soube primeiro que ia ser avó, do que eu que ia ser MÃE.
Enquanto aguardava o resultado fui trabalhar num turbilhão... até que a minha mãe me liga de voz trêmula e me pede para descer.
Assim que os nossos olhares se cruzam e de lágrima no olho, diz-me enquanto me abraça “vou ser vóvó”.
Foi na rua, ao som do trânsito matinal, em frente ao meu escritório, que se deu o grande momento e o dia que nunca mais esquecerei.
Depois de saber que estava grávida, subi as escadas do meu escritório, sentei-me na minha cadeira e não consegui concentrar-me o resto do dia. Que feliz que estava! E que ansiosa que estava por partilhar.
Era altura de contar ao Papá T. que íamos passar a ser 3 e que o mundo de fraldas, biberões e leite chegava em breve.
Convidei-o a almoçar comigo e escrevi lhe numa ardósia “adoro-te Papá”.

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Abraçou-me intensamente e de sorriso rasgado deixou escapar umas lágrimas. Lembro-me como se fosse hoje desse abraço.
Um ano passou, e hoje temos cá a princesinha que “deu causa” a tudo isto. Imaginei que fosse bom, só não sabia que seria tão maravilhoso.


Em breve contar-vos-ei como dei a conhecer a amigos que a B. viria a caminho. Fiquem atentos.

S.

15
Nov18

As minhas viagens #1 Veneza

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

Como devem ter visto no Instagram fez, há meia dúzia de dias, um ano que estive em Veneza. Não foi a minha primeira viagem a Itália, em 2013 já lá havia estado para visitar Roma e Florença (com um pezinho em Milão e Bergamo) mas sabíamos (o meu querido grupo das viagens – Love you girls!) que Itália seria daqueles países que iriamos voltar algumas vezes. Foi em 2017! Decidimos ir a Veneza e Verona passar uns dias, são cidades perto que se fazem de comboio em pouco mais de uma hora!

Hoje só vos vou falar de Veneza, Verona fica para outra altura! Aproveito só para vos dizer que nós fizemos uma viagem de 5 dias para estas duas cidades mas que eu ficava, fácil, os 5 dias em Veneza (conheço alguém que neste momento está a pensar "eu tinha razão e eu disse-te"! Sim, és tu Mi ahah).

Saímos do Porto com destino a Milão – Bergamo – Aerporto Orio Al Serio. Escolhemos este aeroporto porque, geograficamente, era o que ficava mais perto de Veneza/Verona (não esquecer que Veneza tem aeroporto, mas não voam para lá as companhias ditas low cost) e é aquele que, financeiramente, tem as viagens mais em conta (também foi o aeroporto escolhido em 2013!).

Se tiverem algum interesse, Bergamo é uma cidadezinha muito acolhedora com uma parte moderna e uma Città Alta com edifícios mais antigos. Basta apanharem um autocarro directo do aeroporto para a cidade, o tempo de viagem é mais ou menos 30 minutos e o custo ronda os 2,30€. Se não quiserem podem sempre apanhar o autocarro até à estação de comboios para apanharem o comboio para o destino que escolherem! Neste caso nós apanhámos o comboio para Veneza. Primeiro para Brescia e de Brescia para Veneza – S. Lucia. O tempo das viagens é menos de 3horas.

Chegamos a Veneza já por volta das 19h10 e, como estávamos em Novembro, já era de noite mas, assim que entramos no Vaporetto (Transporte Público Veneziano - Veneza conhece-se de barco e a pé, já sabem não é?!) ficámos deslumbradas. Foi assim um misto de choque e magia, Veneza, à noite, naqueles canais, com tudo iluminado é deslumbrante. Foi um primeiro impacto magnifico, provavelmente o melhor primeiro impacto de todas as viagens que já fiz.

Nós escolhemos ficar no Hotel San Luca Venezia, na Calle dei Fabbri e não nos arrependemos. Tem uma boa relação qualidade preço e uma óptima localização!

Vou poupar-vos ao nosso roteiro por lá, mas há lugares icónicos e indispensáveis a conhecer naquela cidade.

A nossa descoberta por Veneza começou na Basilica de Santa Maria della Salute,

127. Venezia - Santa Maria della Salute.JPG

Foto de @susanacplima

 

Para lá chegar é necessário apanhar um ferry e em pouco mais de 5 minutos estamos lá! O custo do bilhete é de 4€. Esta Basílica foi construída para comemorar o fim da peste que matou grande parte da população na região e demorou 56 a ser construída! Mas é um edifício tão bonito!

Outro dos sítios que não devem perder é a Ponte della Paglia, não pela ponte em si, mas porque daí podem ver a Ponte dos Suspiros (é uma ponte que foi atravessada por muitos prisioneiros para serem interrogados e julgados no Palácio Ducal. É chamada de Ponte dos Suspiros porque se diz que os prisioneiros suspiravam quando lá passavam, uma vez que provavelmente seria a última vez que olhariam para o exterior. E há ainda uma lenda que diz que será concedido amor eterno e felicidade àqueles que se beijarem numa gôndola, ao pôr do sol, sob a ponte dos suspiros quando os sinos do campanário da Praça de São Marcos tocar. Ahah).

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 Foto de @susanacplima

 

E falando do Palácio Ducal também não podem perder este! É quando visitarem este que vão poder passar por dentro da ponte dos Suspiros e ver o mesmo que os prisioneiros viam!

 

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Foto de @susanacplima

 

O custo do bilhete é 20,50€, aconselho a que o comprem online e antes de lá chegar para evitar filas e o bilhete dá para visitar o Palácio, os Museus Correr e Arqueologico e ainda a Sala Monumental da Biblioteca Marciana. Valem a pena, visitem.

Nisto tudo já passámos várias vezes pela Praça de São Marcos. Um dos sítios mais icónicos de Veneza, se não o mais icónico! É lá que fica a Basílica de São Marcos, o Duomo, o Campanário, a Biblioteca Nacional, a Torre do Relógio, o café mais antigo da Europa, o Caffè Florian, o também famoso Caffè Ristorante Quadri, entre outros cafés e recantos tão bonitos.

A Torre do Relógio tem uma particularidade gira, é conhecida como Torre dos Mouros e tem um dos maiores e mais importantes relógios astrológicos do mundo, que marca a hora, dia, fase lunar e signos do zodíaco. Nessa mesma torre podemos encontrar a Maddona (não, não estamos a falar da cantora, obviamente xD) onde a hora pode ser lida de uma forma mais imediata em números romanos e, posicionado no patamar acima, temos o Leão, símbolo de Veneza, o que demonstra que o sistema hierárquico colocava a política acima da religião. Outra particularidade interessante e o que dá o nome Torre dos Mouros à Torre do Relógio é o facto de existirem dois mouros, assim chamados devido à cor escura que têm pelos metais com que foram feitos, e as suas feições fazem-nos perceber que um é mais velho que o outro. O mouro mais velho fica à esquerda e bate o sino 2 minutos antes da hora certa, representando o tempo que passou e o mouro mais novo, que fica à direita, bate o sino dois minutos depois da hora certa representando o tempo que virá. Até 1996, os responsáveis pelo mecanismo da torre vivam na própria torre com as suas famílias. Só depois deste ano e com a modernização e restauração do mecanismo da Torre é que deixaram de estar presentes.  

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Foto de @susanacplima

 

Para entrar na Basílica de São Marcos o custo do bilhete é de 2€ (também comprado online) e é uma visita relativamente curta. Na parte de cima da Basílica têm ainda o Museu, cujo bilhete é de 5€ e compra-se no local. O acesso a este museu faz-se por uma escada um bocadinho íngreme e apertada, mas bem! Eu fiz, por isso toda a gente faz! Atenção que não podem entrar com mochilas na Basílica, têm que as deixar num edifício perto do local. A Basílica é riquíssima de elementos bonitos para ver! E a vista da sua varanda é linda!

Fotos de @susanacplima

 

Também o Campanário é visita obrigatória. O bilhete tem o valor de 8€ e compra-se no local. A subida é feita de elevador e a vista é soberba, vale a pena.

O encanto de Veneza é também andar por aquelas ruelas todas e descobrir lojas e sítios bonitos, sem estar nada programado, mas também não podem perder uma ida à Ponte Rialto e ao mercado que se encontra de um dos lados da ponte! A ponte é um conjunto de lojas, de gente, de animação, é um bom sitio para se ir ao fim do dia!

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Foto de @susanacplima

 

Nós ficámos por Veneza de 1 a 3 de Novembro, mas digo-vos, se tiverem oportunidade fiquem mais tempo! Além da cidade ser absolutamente maravilhosa, podem dar um saltinho às ilhas de Burano e Murano que, infelizmente, nós não tivemos oportunidade de ir, mas que sei que vai ser daqueles sítios onde irei, certamente!

Só para ficarem a par a ilha de Murano é a que fica mais próxima de Veneza e em tempos foi a maior produtora de cristais da Europa. Apesar de já não ser assim, quem é que já não ouviu falar dos cristais/vidros de Murano? Por lá podemos ver algumas fábricas e até assistir aos processos de criação! A ilha de Burano é famosa pelas suas cores. As casas têm todas uma cor diferente, o que faz com que fique tudo super colorido e bem fora do normal! Também é bastante conhecida pelas rendas feitas pelas mulheres da ilha! Não percam! Eu perdi e arrependi-me.

Veneza não é uma cidade muito grande mas é uma cidade que vale a pena ver, tem muito que descobrir e sem dúvida que vai encantar qualquer um. Eu confesso que não ia com muitas expectativas. Achei que não ia achar a cidade nada de especial, que Veneza era sobrevalorizada, mas enganei-me redondamente. Veneza tem um encanto que mais nenhuma cidade tem. Veneza é muito, muito bonita. Veneza é um sitio onde, se depender de mim, vou voltar.

 

Espero que quem nunca foi e está a ler este post pense em ir! Vale a pena!

 

 

Quem já foi? O que mais gostaram? Contem-nos tudo!

 

F.

 

12
Nov18

é preciso ter noção!

quatro de treta e um bebé

Não acredito no destino, nem em "coisas" que não possam ser cientificamente provadas. Bem, pensando melhor... não precisam de ser cientificamente provadas. Basta que exista, pelo menos, uma explicação lógica para a referida "coisa". Em alternativa a isto tudo, só se os meus próprios olhos virem. 

 

E, às vezes, os meu olhos assistem a determinados acontecimentos que são para correr mal, e que não adianta fazer nada porque tudo vai correr mal de alguma forma. Não é destino, não é possível provar cientificamente, não há uma explicação lógica, mas os meus olhos veem que vai ser assim, e que não adianta contrariar, porque se o fizer, vai ser pior. 

 

Nestas situações, o melhor a fazer é sentar no chão, cruzar os braços e assistir. Quando terminar, levantas-te, enervas-te, gritas, barafustas, e evitas ouvir pessoas sem noção! Fixem, sublinhem: evitar ouvir pessoas sem noção!

 

Ontem, vivi um desse dias em que tudo vai correr mal e pronto. Em vez de fazer o mais sensato: sentar, cruzar os braços e assistir, decidi intervir (nunca façam isso!)! Quando decides intervir as coisas correm pior, e correram: o meu avião não levantou voo, decidi utilizar o meio alternativo, não consegui chegar a Lisboa a tempo e faltei ao jogo de volei (se tivesse sentado, cruzado os braços e assistido, talveeez tivesse chegado a tempo).

 

Quando decides intervir e provocas uma situação ainda pior é ainda mais importante berrar, barafustar, dizer que o mundo vai acabar, que aquilo não podia ter acontecido, que é tudo uma cambada de incompetentes, e que deviam ir todos para o raio que os parta, e outras coisas que não posso escrever no blog porque há crianças a ler. E é ainda mais importante que ninguém, mas ninguém, te tente convencer o contrário!

 

É preciso ter noção! 

Quando o mundo de alguém está a acabar, não se pode dizer a essa pessoa que há coisas piores! PORQUE NÃO HÁ! Naquele momento, não há! E só quem não tem noção é que diz que há.

Coisas como “pronto, calma, há coisas piores”. Ou  “ acontece, jogas o próximo”. Ou pior  “é só um jogo”. Evitam-se! Não se dizem! Não se podem dizer! Não me peçam para ter calma, que acontece, ou que há coisas piores.

 

Porqueeunãoconsigotercalmanãoacontecenãohácoisaspioresemuitomenosnãoésóumjogonemvou

jogarnopróximoporqueopróximoéoutroenãoéaquele!!! (Que é como quem diz: "porque eu não consigo ter calma, não acontece, não há coisas piores e muito menos não é só um jogo, nem vou jogar no próximo porque o próximo é outro e não é aquele" muito rápido, entre dentes, sem respirar e quase a tirar um olho a quem me está a dizer isso). 

 

É preciso ter noção, caramba! 

O momento é dramático, eu preciso de dramatizar! Ajudem. Digam coisas como "tens razão", "não sei como não tiraste o piloto do lugar e foste tu a conduzir o avião", "queres fazer uma espera aos senhores do avião que andou a sobrevoar Lisboa numa altura tão inoportuna?". Isto é ter noção! Isto ajuda!

 

Porque no dia seguinte eu saberei que há coisas piores, que podia ter sido pior, que o avião podia ter caído comigo lá dentro ou que há fome no mundo! Mas SÓ no dia seguinte! Na hora, no momento, aquele é o meu maior drama! E eu quero desfrutar dele como deve de ser. 

Até porque o dia seguinte é hoje. E hoje é dia de treino. E o meu treinador, durante todo o treino, não se vai esquecer que não fui ao jogo. E nesse momento o meu drama será outro. E esse sim, será o meu maior drama. De hoje.

 

M.

08
Nov18

Os meus amores pequeninos (parte 1)

quatro de treta e um bebé

Em outubro de 2010 nasceu um dos meus amores pequeninos: a S.

 

Tinha 18 anos quando me contaram que ia ter uma irmã (da parte do pai, que vivia nesta altura em Inglaterra).

Como devem compreender, a ideia de ter uma irmã não me passava sequer pelo pensamento. Claro que, quando somos pequenos, pensamos nisso, e a maior parte de nós fantasia com o que seria ter um irmão ou irmã. Contudo, verdade seja dita, aos 18 anos, essa ideia já está há muito arredada do nosso pensamento, e é algo que já nem sequer contemplamos. Por isso, podem bem imaginar a minha cara quando me deram esta novidade: parte incrédula, sem saber o que dizer, parte “será que ouvi bem”, parte a fazer as contas à nossa diferença de idade, parte a contemplar a distância que nos ia separar.

Sendo, como sou, um tipo de pessoa ver-para-crer, a ideia pairava mas ainda não tinha assentado. Aliás, aconteceu o mesmo com a B., tal como a F. descreveu, ficámos cépticas, como se a bebé que aí vinha fosse fruto da imaginação, uma fantasia meia surreal, “ia mesmo acontecer?”, e sentimos o desejo de o tornar o mais real possível, o que só aconteceu quando, finalmente, a conhecemos.

E então, em 2010, lá fui eu, com os meus avós, até Inglaterra, passar o meu aniversário na expetativa de conhecer a pequena. Mas a S., que não tem nada o feitio da irmã, não quis nascer nessa altura, e decidiu ficar na barriga da mãe durante mais umas semanas. Lá voltamos nós a casa, um pouco desiludidos por não sermos os primeiros a receber a bebé. No dia 1 de outubro, estão os meus tios e primos a chegar a Inglaterra, e a S. lá se decide a vir para o mundo, e surpreende-os com o presente que foi a sua chegada. Pouco tempo depois, lá voltámos a entrar no avião, desta vez com a certeza de que a S. nos aguardava.

Entrei no avião sem certezas. Não sabia o que esperar, não sabia o que ia sentir, não sabia como iam ser os próximos anos.

Tudo isso desapareceu quando a vi. Quando a segurei nos meus braços pela primeira vez, não tive dúvida nenhuma, só certezas. Tivesse a Deslandes lançado a música há oito anos atrás e dizia-vos que ali, soube que era amor para a vida toda.

 

S. (Tata para nós):

Tu não te lembras, mas passei aqueles dias agarrada a ti. Levava o meu ipod com músicas para ouvirmos juntas, embalei-te, dormi contigo, fiquei simplesmente a contemplar-te. Quando estávamos sozinhas, tu não sabes, mas eu falava contigo, e cantava para ti. Tu eras tão pequenina! Tão linda. E minha. Quando te peguei ao colo pela primeira vez tive a certeza, tu eras minha, a minha irmã, sangue do meu sangue, para sempre parte de mim, independentemente do que o futuro tivesse reservado para nós.

Uma das músicas que gostava de trautear para ti era a Patience, dos Guns N’Roses, porque fazia tanto sentido (se eu sequer imaginava que o teu gosto musical ia ser tão diferente do meu!).

Was a time when I wasn’t sure but you set my mind at ease,

There is no doubt you’re in my heart now (…)

If I can’t have you right now, I’ll wait dear.

Sometimes, I get so tense, but I can’t speed up the time,

But you know, love, there’s one more thing to consider

Said woman, take it slow, and things will be just fine,

You and I’ll just use a little patience

Said sugar, take the time, ‘cause the lights are shining bright,

You and I’ve got what it takes to make it. 

A viagem de volta foi difícil. Não contei a ninguém, mas vinha com os olhos cheios de lágrimas e o coração apertado. Sabia que ia sentir a tua falta, e que ias sentir a minha. Custou-me muito deixar-te tão longe. Cada vez que fechava os olhos ouvia-te, o teu choro (tu tinhas uns pulmões bem potentes!).

Pouco tempo depois, tiveste o teu primeiro Natal, e voltámos a Inglaterra para o passarmos contigo. Ofereci-te um álbum com as tuas primeiras fotografias com a família e, claro, comigo, para que, quando fosses mais velha, pudesses ver todo o amor com que foste recebida, e que estamos contigo desde que tu eras uma bebé tão pequenina. Levei-te também um cd, porque a música é tão importante para mim e uma forma tão boa de demonstrar o que sentimos, onde incluí algumas das músicas que ouvimos juntas, e outras que me faziam lembrar de ti. A principal, que te dediquei na altura, hoje e sempre, é da Adele, Make You Feel My Love.

Hoje vives em Portugal, ainda assim afastada de mim, porque a vida é assim, e continuamos sem fazer ideia do que vai ser o nosso futuro.

Mantenho a certeza que tive no dia em que te conheci: és minha, para sempre serás, e a ligação que nos une é forte e resiliente. O que quer que aconteça, teremos sempre isso. E eu serei sempre tua.

 

I know you haven't made your mind up yet

but I will never do you wrong

I've known it from the moment that we met,

 

No doubt in my mind where you belong (...)

There's nothing that I wouldn't do

To make you feel my love

 

 

R.

06
Nov18

Quem tem uma bimby, tem tudo!

quatro de treta e um bebé

Confesso que não estava nada convencida com a tão famosa e reconhecida Bimby.
Já tinha ouvido falar mas achava um desperdício gastar 1.000,00€ numa máquina - promissora, é certo - mas uma máquina!
Contudo e, não obstante a minha firme posição, eis que o T., num belo dia, decide marcar uma demonstração com uma agente da marca.
Telefona-me, estava eu a trabalhar, a perguntar se dava para a Lara ir, naquele dia, lá a casa. Questionei: "Lara? Quem é essa?" Respondeu-me, "é por causa da Bimby!".
Não o desiludi e aceitei o desafio.
A senhora, no dia agendado, por volta das 19h30,entra lá em casa carregadíssima com a tralha toda.
Apresentámo- nos e, logo, começamos a aventura na cozinha... com o T. ao comando de tudo, claro!

Desde já vos digo que o T. nunca mexeu um dedinho que fosse.  A única coisa que sabia fazer era ferver água e pôr um aroma qualquer lá para dentro e voilá, tínhamos chá!
De vez em quando, caprichava e lá saía uma tosta mista 5***.
De resto, mais nada!!!!!


Sucedeu que, no dia da demonstração e, no decurso da mesma, eu própria já estava super entusiasmada. Uma bola de carne de entrada, óptima; gelado feito na hora com fruta que tínhamos por casa; bacalhau espiritual; e um refresco muito saboroso. Tudo divinal.
Perguntam vocês: Convencida S.? Neste momento estava quase!!
O jantar ficou pronto e chegou a hora da "amiga Lara" se despedir para nos deixar a apreciar o que o chefe T. havia feito. E, espantem-se, quando a alerto de que se esquecia de uma caixa no chão, próxima da saída, eis que me surpreende com um “é sua”!

Respondi: "como assim, minha?"
Atrás de mim estava o T. com cara de caso a apreciar tudo isto e a rir baixinho.
Na altura não fiquei assim super entusiasmada mas hoje estou completamente rendida por uma razão simples - não  só pela Bimby - mas pelo cozinheiro que ela fez do T.. Excelente!

Faz o melhor risotto de sempre.
A melhor tarde de amêndoa.
A melhor mousse de chocolate branco.
O melhor cheesecake.
O melhor pão com chouriço.

A melhor pizza.

As melhores gomas.

(o melhor caril não, o meu é muito melhor!!)


E podia estar aqui a enunciar mais, mas como ele também lê isto, o melhor é não gabar demasiado.
De facto, a Bimby conseguiu com que o T. gostasse da cozinha e fizesse tudo com gosto. Eu? Agradeço imenso e não me importei nada com a demissão do meu cargo na cozinha!! Pecou por não ser mais cedo.
Alguém desse lado é fã da Bimby?

Aqui deixo um cheirinho "amador" das iguarias do T. e da sua amante Bimby bem como o link para os interessados que ainda não a tenham adquirido:

(https://bimby.vorwerk.pt/bimby/)

Vão partilhando connosco as vossas receitas e delícias na cozinha.

Bons cozinhados e Bom apetite,

 

S.

 

01
Nov18

O dia em que soubemos que íamos passar a ser cinco

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

O dia em que soubemos que íamos passar a ser cinco, foi inesperado. Era uma semana perfeitamente normal onde, no nosso grupo do Whatsapp ,falávamos sobre tudo e sobre nada, quando a S. nos diz  “temos que nos encontrar, tenho algo para vos contar”. “Vá, quando podemos todas?” Pois bem… nós até podemos demorar semanas para encontrar um dia para estarmos juntas, mas quando a S. nos diz que tem uma coisa para contar, no domingo seguinte já toda a gente podia e marcávamos encontro para almoçar em Viseu. Como devem calcular nós pensámos logo em duas hipóteses, a S. vai casar! ou claro, a S. está grávida. Só que "a S. está grávida" era quase uma piada, o que nós tínhamos quase a certeza é que o T. a tinha pedido em casamento e ela ia contar-nos! Sempre vimos a S. a casar, não sei porquê, por isso a gravidez era, realmente, algo distante e um género de brincadeira que dava um certo mistério à coisa (já vos disse que tínhamos quase a certeza que o T. a tinha pedido em casamento não já?! Ahahah).

Chegámos ao restaurante, a S. estava um bocadinho atrasada, mas não havia problema, atrasos são normais. O restaurante ao domingo não aceita reservas e já sabíamos que iriamos ter que esperar por mesa. Depois de a S. e o T. chegarem, e enquanto esperávamos por mesa, divagámos e brincámos com a situação, ela não trazia o anel no dedo, mas isso também seria muito óbvio! Estava dentro da carteira (claro!) que ela não largava. A S. esteve o tempo todo só a rir, sem se descoser. A espera foi um bocadinho maior que o normal e estávamos sentadas (as quatro num sofá) e os 3, o T. o T. e o J. em pé quando a S. diz que vai à casa de banho (coitada, nós deviamos estar realmente muito chatas e deviamos estar tão ansiosas que ela teve piedade de nós!). Continuamos na conversa e mega ansiosas, como devem calcular. Ela sai da casa de banho e traz com ela um pequeno quadro, mas vira primeiro para os rapazes que fazem uma cara de ‘meu deus elas vão-se passar!! com um misto de, hm não estavamos a espera disto’ e, de repente a S. vira o quadro para nós e olhem só o que dizia: !!!

 

IMG_0466.JPG

  

Isso mesmo, Adoro-vos Tias! A S. não ia casar, a S. estava grávida e ia dar-nos um sobrinho ou uma sobrinha! Eu disse logo “estás a falar a sério?!” e corri para os braços dela, corremos as 3 e, claro, tivemos um género de histerismo colectivo! A S. ESTAVA GRÁVIDA! IAMOS SER TIAS! Não imaginam muito bem a nossa felicidade.

Lá nos contou porque é que chegou atrasada, teve que parar para vomitar pelo caminho, a B. já andava a fazer das dela. Enjoava muito e não lhe era muito fácil passar muito tempo bem-disposta. Passámos o resto do almoço a falar do bebé e de como ia ser tudo, como estava a ser, como soube, como contou ao T. e tudo o que podem imaginar sobre o assunto e nós babadas e ansiosíssimas de saber se era menino ou menina, ansiosas até de a ter já nos braços.

Falando por mim, era a minha primeira amiga grávida, eu ia ser tia do bebé de uma amiga pela primeira vez. Era um bocadinho estranho (ainda é!) como se não fosse bem verdade. Mas fiquei tão tão feliz, fiquei feliz e desde que soube da B. passei a adora-la mesmo sem a conhecer. E 3 meses depois de ela nascer (sim só três meses!), finalmente, conheci a nossa bebé, o nosso quinto elemento, a B.. E só vos posso dizer, ela é ADORÁVEL. Mas este dia fica para outro post.

 

F.

 

 

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