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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

26
Out19

Mais um!!

quatro de treta e um bebé

Ora vamos a isso: mais um.
Mais um casamento de amigos. Mais uma festa até de manhã. Mais uma união que testemunhamos cheios de orgulho e mais umas quantas lágrimas - sim, eu sou daquelas que chooooorrrraaaa, choooorraaaa-!
Amanhã a Benedita fará a sua estreia na passadeira vermelha: tem a missão (espero que não impossível) de levar as alianças.
Neste momento faz o seu sono de beleza (já lhe disse que mais bela é impossível mas ela é persistente!); mal sabe o que a espera.
O casamento de amigos é sempre um privilégio e quando mais chegados, mais especial se torna. É o caso de amanhã: Casa uma das melhores! Estou tão feliz!!
Dispensava a rotina matinal de “cabeleireirÓmaquilhagem” mas para se ir em “bom” vale tudo.
Uma mulher sofre!! Mas há quem não tenha grandes preocupações.
Perguntei há pouco: Tiago, já tens tudo pronto?
Resposta: sim, amanhã de manhã, vou a lavandaria buscar o fato.
Por um lado, gabo-lhes a sorte. Por outro, ou são lindos-assim-memo-lindos (como o meu!!!!) ou também não têm muito por onde melhorar.
Não me vejo a casar assim neste modelo tradicional mas adoro as festas dos outros.
Amanhã há mais UM GRANDE DIA e fica mais perto o dia em que chegará mais um sobrinho!

A delirar,
S.

16
Out19

Os meus amores pequeninos (parte 2)

quatro de treta e um bebé

Não imaginava o que seria o amor de tia.

Ser tia nunca foi uma ambição minha, tão pouco um plano, um desejo, sequer uma eventualidade pensada.

Como já vos contei, fui filha única até aos 19 anos, quando nasceu a S.

Não ter irmãos significava não ter nada do que vem associado à irmandade; mormente, significava não ter sobrinhos.

Naturalmente, após nascer a S., sobrinhos não foi, de todo, uma ideia que tivéssemos contemplado. Afinal de contas, a S. acabou de fazer 9 anos, pelo que espero que não me dê essa novidade durante muito, muuuuiiiito tempo.

Talvez em relação aos meus primos, a relação mais próxima desse género, os meus brothers from another mother, ainda imaginasse vir a ser tia, mas, novamente, nada de muito pensado, planeado, ou sequer ambicionado.

Surge o J. e com ele traz não um, não dois, não três, mas quatro irmãos. Ainda assim, sobrinhos, nem pensá-los.

Passam uns anos e nasce o A. Uns anos depois, nasce o D.

E heis que dou por mim uma tia babada.

Sim, sim, tia. A irmã é do J., mas os sobrinhos são nossos.

Fosse o J. diferente, fosse eu diferente, ou fossemos nós diferentes, e até poderia nem ser assim. Mas não somos; somos assim. A loucura da minha família já é dele, e a loucura da família dele já é minha. Vejam lá que o J. já merece ser individualizado no discurso de agradecimento dos 80 anos da minha avó M. (e olhem que foi um momento muito solene!).

De entre tantas coisas boas que o J. trouxe à minha vida (ele próprio incluído), trouxe-me também dois amores pequeninos.

Descobri recentemente este novo sentimento, o amor de tia – e tão bom que é.

Sim, sou daquelas tias babadas que fala dos sobrinhos como se tivessem acabado de ganhar a bola de ouro, ou um óscar, ou o nobel da paz. Daquelas que se baba a ver os vídeos e as fotografias das peripécias dos pequenos. Mesmo daquelas que volta e meia diz “sabes que os meus sobrinhos fazem isto e aquilo”.

É que, não é por serem meus, mas são, efetivamente, os sobrinhos mais fofos de todo o universo.

Ser tia, descobri eu, é algo de fabuloso.

Ser tia é ter a oportunidade de ser uma figura de referência, é poder ser um porto de abrigo, uma amiga que é mais do que isso, e, quando os pais nos permitem e nos incluem da forma inclusiva como a irmã do J. o fez, a possibilidade de, junto dos pais, participar ativamente na vida de bebés/crianças/jovens/adultos que, não sendo nossos, o são.

É ser uma companheira de aventuras e brincadeiras, ser aquele adulto que, como o Panda, é fixe. Ser, como o J. gosta de dizer, “os tios malucos” (ou, como eu prefiro, “os tios favoritos”).

Mas também estar pronta para se for preciso ser o adulto que diz “não, isso não”.

É que isto de ser tia não é só folia, também é responsabilidade!

É perceber que somos importantes para aqueles seres tão pequeninos, entender que eles sentem a nossa falta, que nos estranham e ressentem se ficamos ausentes, que a nossa validação é importante e que o nosso apoio pode ser decisivo.

Quanto ao nosso grupo, a S. contemplou-nos com a felicidade de sermos tias emprestadas da nossa B., pelo que de tudo faremos também para tornar a vida da pequena B. mais feliz, com essa benesse e bem-vinda responsabilidade que nos foi atribuída.

Tive a sorte de ter tios e tios-avós fabulosos que marcaram, e continuam a marcar, a minha vida de uma forma muito positiva e muito importante.

Espero poder vir a, de certa forma, retribuir, tudo o que recebi enquanto sobrinha, como tia.

Até lá, e sempre enquanto mo permitirem, espero poder ser uma presença positiva na vida destes meus amores pequeninos.

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R.

10
Out19

Direito de Resposta de Hezalel ao texto "O meu anjo da guarda abandonou-me!"

quatro de treta e um bebé

"Tem direito de resposta nas publicações periódicas qualquer pessoa singular ou coletiva, organização, serviço ou organismo público, bem como o titular de qualquer órgão ou responsável por estabelecimento público, que tiver sido objeto de referências, ainda que indiretas, que possam afetar a sua reputação e boa fama", art. 24.º, n.º 1 da Lei da Imprensa (Lei 2/99, de 13 de janeiro).

Era desta forma que começava a carta que me foi dirigida, e que infra transcrevo, enviada pelo meu querido anjo da guarda, exigindo a publicação da mesma neste blog, que até então tinha algum nível nos artigos publicados. 

Li e reli o artigo supra citado. Acho que conseguia arranjar justificação plausível para não o fazer. Desde logo, e sem entrar nos pormenores da reputação ou boa fama, o meu anjo da guarda não se trata de uma pessoa, organização, serviço ou organismo público, nem me parece ser titular de qualquer órgão ou responsável por estabelecimento público. No máximo será responsável por mim, função que desempenha, digamos, com algum desdém! Mas enfim! Revirando os olhos, enquanto encolho os ombros,  e sob protesto, decidi ceder ao seu "pedido" e acreditar que, desta forma, a partir de hoje, as coisas mudam e as paz prevalece entre nós. Torçamos por isso. Que esta exposição pública não seja em vão. Ou que, pelo menos, me permita pedir uma indemnização...por danos morais.

"Queridos leitores, 

Ao contrário do que foi aqui publicado, a 16 de agosto de 2019, durante estes quase 31 anos (sim, Ela diz 30, mas são quase 31) sempre exerci as minhas funções com total empenho e dedicação. Efetivamente estou cansado, (afinal quem é que trabalha 31 anos, sem paragens, e não se cansa? Nem os anjos!) mas nunca o meu cansaço foi sinónimo de desleixo. 

Dou por mim, por vezes, a tentar perceber que mal terei feito numa outra vida, para que me tivesse calhado Esta pessoa na rifa. Quando levanto esta questão em grupo, é-me respondido, cada vez com menos convicção, que os grandes desafios são entregues apenas àqueles com capacidades para os superar. Cliché! Mas ainda assim, acreditando que merecia melhor, aceitei o desafio e em momento algum me desligo da Pessoa ingrata de quem sou o anjo da guarda. Se bem que mesmo que tentasse, acho que a campainha do perigo tocava. 

Durante estes 31 anos, e por mais difícil que seja, nunca A abandonei. Recordo-me, por exemplo, de quando concorreu à faculdade. Andava numa época em que só via séries criminais, e no momento da candidatura, deixou Direito e Coimbra em 2.º opção e concorreu para Ciências Criminais, no Porto. Acham que foi fácil, retirar-lhe uma décima da média para que não entrasse em Ciências Criminais? Mesmo assim, teimosa, entrou em Direito a pensar na especialização em Penal. Especializou-se em Imobiliário e nunca, ao longo destes anos, trabalhou em Penal por opção. 

E a paixão platónica pelo rapaz mais feio que alguma vez viram? Foi duro, desgastante e obrigou-me a trabalhar em conjunto com o anjo da guarda do tal rapaz, para lhe encontrarmos uma namorada e dessa forma esperar que Ela não se atrevesse a chegar perto. Para que tenham alguma noção, o meu colega ainda hoje se emociona quando relembrar o momento em que finalmente encontramos a tal namorada, e diz, entre lágrimas, que nunca conseguirá retribuir essa ajuda.

A lista é extensa e infinita. E ainda agora, enquanto vos escrevo, Ela está a tentar desviar-se do percurso. Contudo, contra tudo e contra todos (ou talvez só contra ela própria), continuo cá, firme e forte. Com 1,80 e corpo musculado. E totalmente disponível caso algum de vocês, caro leitores, pretender me contratar.

Tenho experiência nas mais variadas áreas, podem acreditar. E sucesso em tudo onde meti a mão. Basta olhar para Ela. Sou trabalhador e não desisto. Se não desisti dela, acreditem, não desistirei de vocês.

Hezalel, o verdadeiro Anjo da Guarda."

M.

04
Out19

As mentiras que contamos na vida adulta

quatro de treta e um bebé
Desde pequenos que nos ensinam a não mentir.
Claro está que uma interpretação restritiva desde logo nos diz que o que se quer proibir são as grandes mentiras, e não aquelas mentirinhas pequenas que não fazem mal a ninguém, as chamadas “ white lies”.
Atenção, estão a falar com uma pessoa que não só não gosta de mentir, como não o sabe fazer, por isso acreditem quando vos digo que estas mentiras não são as “ mentiras más”.
Contudo, todos nós, desde pequeninos, acabamos por recorrer àquela mentirinha pequena, aquela omissão oportuna, aquele engano inocente, aquela frase que dita daquela maneira não é bem mentira, aquela desculpa.
Só que as mentirinhas da criança são bem diferentes daquelas da vida adulta.
 
Quando erámos pequenos, as mais famosas eram as “ já arrumei o quarto” como sinónimo para “atirei tudo para dentro do armário”, a “já lavei os dentes”,  “arruma tu hoje, que eu arrumo amanhã”; o meu favorito, “já vou”; o “esqueci-me da caderneta” (aliás, o “esqueci-me” como sinónimo para “não quis fazer”); o "não me dói nada"; ou, o mais popular de todos, o “não fui eu”.
 
Na vida adulta, quando já ninguém nos obriga a arrumar o quarto ou a lavar os dentes, as mentirinhas que contamos tornam-se muito diferentes, várias vezes inconscientes, e na sua maioria, contadas a nós próprios.
 
As mais habituais:
- amanhã não vou sair tão tarde;
- ao menos para a semana as coisas vão acalmar;
- quando chegar o próximo mês vou ter muito mais tempo livre;
- vamos marcar qualquer coisa;
- fiquei sem bateria;
- li e concordo com os termos de utilização;
- não engordei, estou só inchada, de certeza que o problema é ainda não ter ido à casa de banho hoje;
- estas calças encolheram na máquina;
- ele/ela é assim, mas vai mudar
- Este mês gastei demais, mas no próximo vou de certeza compensar
- Respondi-te mas esqueci-me de carregar enviar (apesar de, na verdade, isto me acontecer mais vezes do que gostava de admitir)
- Já vou a caminho
- Nem gostava assim tanto dele/dela
- Já o/a esqueci
- Isto não é muito calórico
- Não vi a tua chamada
- Só mais 5 minutos
- Ainda tenho tempo, faço isso amanhã
- Já tenho planos
- Deve ter ido para a caixa de spam
- Respondi mas não tinha a internet ligada
- Não foi muito caro

E, a pior de todas, “as coisas vão melhorar”. Essa é a mais nefasta, pois as coisas só melhoram quando nos aprecebemos de que estamos a mentir; as coisas não mudam só porque sim, e só melhoram quando tu mudas a tua atitude, ou mudas as coisas.

Mentimos aos outros, em grande parte das vezes, porque, como ouvi dizer outro dia, "não somos ricos o suficiente para podermos dizer o que achamos". Também para tentar libertar da pressão que nos colocam para não falhar, para responder logo, para estar sempre presente.

Mentimos a nós próprios para nos alegrar, para não desesperarmos, para criar alguma esperança, para nos permitir fazer algo que sabemos que não devemos fazer, para nos sentirmos melhor connosco próprios.

E vocês, que mentirinhas costumam dizer?

Verdadeiramente,
R.

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