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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

28
Fev21

Era uma vez #10 Reviews

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas, 

Vamos lá falar de livros outra vez. 

Desta vez trago-vos a review de três livros que li este ano. 

O primeiro foi o "As Mensageiras da Esperança" da Jojo Moyes.

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Foi o segundo livro que li em 2021 e foi-me oferecido no Natal. 

Este é um livro sobre pessoas e sobre livros e como os livros podem salvar pessoas. Só a premissa já é um óptimo motivo para o lermos. 

Sinopse: Alice Wright casa-se com o belo americano Bennett Van Cleve na esperança de escapar a uma vida sufocante, em Inglaterra. Mas a pequena cidade de Kentucky rapidamente se revela igualmente claustrofóbica, sobretudo vivendo Alice com o sogro autoritário. É então que é feito um apelo para a participação das mulheres da cidade numa equipa para entregar livros; um projeto da nova biblioteca itinerante de Eleanor Roosevelt. Alice adere com entusiasmo.
Alice conhece assim Margery, a líder desta equipa, uma mulher autossuficiente e de discurso inteligente que nunca pediu permissão a um homem para nada. A elas juntar-se-ão três outras mulheres singulares que ficarão conhecidas como as Packhorse Librarians of Kentucky.
A aventura destas mulheres - e dos homens que amam - torna-se um drama inesquecível de lealdade, justiça, humanidade e paixão. Estas mulheres, autênticas heroínas, recusam-se a ser intimidadas pelos homens ou pelas convenções. E embora enfrentem todos os tipos de perigos, não desistem da missão que abraçaram: levar a sabedoria, a leitura e o mundo fantástico dos livros até aos mais pobres e desfavorecidos.
Mas quando a comunidade de Baileyville se voltar contra elas, será que a determinação - e o poder da palavra escrita - será suficiente para as salvar?
 

É um livro inspirado na história real das Packhorse Librarians of Kentucky, um programa de mulher que entregavam livros a pessoas que viviam nas montanhas e em sítios mais remotos entre 1939 e 1943. Por isso, este livro além desse projecto maravilhoso conta-nos a história de várias mulheres e assim vamos tendo uma perspectiva diferente do que era ser mulher naquela época. Do que era a sociedade no Estado do Kentucky, da mentalidade daquelas pessoas.

Este livro reune personagens maravilhosas e odiosas. Mas, ensina-nos e mostra-nos que através da amizade e dos livros podemos ultrapassar ou amenizar os nosso problemas. Vemos, de forma muito emocionada (confesso-me!) como os livros chegaram a tantas pessoas que estavam tão relutantes, tão desconfiadas, tão sem motivação. Como os livros mudaram a vida de homens, mulheres e crianças e deu-lhes algo pelo que ansiar, semana após semana. Como os ensinou, como os fez crescer, como lhes abriu novos horizontes.

Mas apesar de tudo isto ser realmente muito bom e eu ter gostado deste livro, especialmente pela forma como falava dos livros, quando eu digo que este livro tem pessoas odiosas, tem! Pessoas que não acho que tenham tido o final que mereciam, o que me irritou profundamente. Neste livro há descriminação, há muita descriminação e infelizmente faz-nos refletir se o que se passava naquela época mudou assim tanto em 50 anos. 

Mas bem, não posso dizer muito mais. Posso dizer que me custou muito a entrar no livro, aliás as primeiras 70/80 páginas foram dificeis e pensei em desistir, mas depois li o resto do livro num fim de semana. Ler um livro durante muito tempo tolda-me sempre a vontade que tenho de o ler e a graça que lhe acho. 

Dei 4 estrelas a este livro, porque apesar de ser um livro que me trouxe várias emoções e apesar de ter gostado gostava, de ter algumas personagens melhor desenvolvidas, gostava de ter final para algumas personagens e descobrir coisas que para mim seriam importantes. Se para algumas pessoas é ok ficar a imaginar o que aconteceu e os porquês, para mim não é ok. Eu gosto que o autor me esclareça e isso não aconteceu neste livro.

Mas é um livro que aconselho e valeu muito a pena ler!

 

O Segundo livro que vos trago é "O Rapaz ao Fundo da Sala "de Onjali Q. Raúf.

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Que livro maravilhoso!! Aviso já que dei 5 estrelas a este livro.

É um livro da booksmile, por isso é um livro juvenil, supostamente não seria um livro imediatamente recomendado para adultos, mas who cares? Todos os adultos deviam ler livros infantis, juvenis, young adultos etc! Este livro é a prova disso.

Logo nas primeiras páginas fiquei maravilhada com a escrita. Esta autora escreve TÃO bem. (eu não sou pessoa de sublinhar livros, mas se fosse tinha sublinhado sempre qualquer coisa em todos os capítulos". 

Sinopse: Um livro sobre um tema atual, visto pelo olhar de uma criança. Uma história memorável e premiada, que salienta a importância da amizade e da bondade num mundo tantas vezes intolerante e sem sentido.

Há um colega novo na turma. Ele senta-se sempre na última fila, mas não fala com ninguém nem olha para ninguém. Este rapaz enigmático e misterioso não sorri. O seu nome é Ahmet.

Intrigados, quatro meninos muito especiais tentam fazer amizade com ele e conhecer a sua história. Descobrem que o Ahmet é um rapaz refugiado que foi separado da família. Ele teve de abandonar o seu país para fugir à guerra.

Uma vez que nenhum adulto consegue ajudar o Ahmet a reencontrar a família, o quarteto de amigos elabora um plano audaz — nada mais do que A Melhor Ideia do Mundo — que os levará numa aventura extraordinária envolvendo a própria Rainha de Inglaterra!

Um livro multipremiado: vencedor do Prémio Blue Peter para Melhor História e do Prémio Waterstones para Melhor Livro Infantil, foi ainda finalista do Prémio Jhalak e nomeado para o Carnegie na categoria de Melhor Livro Infantil.

E é isso mesmo. Fala de um tema mesmo actual, o tema dos refugiados pelos olhos de uma criança. E como é incrivelmente tratado este tema. Não só este como o tema do bullying, por exemplo. É um livro tão inspirador. E posso dizer novamente como a escrita desta autora é fenomenal?

A sinopse já diz tudo por isso a única coisa que me resta acrescentar e sem dar nenhum spoiler é que este livro me fez perceber que mesmo sendo feminista, mesmo sendo uma pessoa consciente e informada, (não só eu como outras pessoas que leram o livro e com as quais discuti sobre ele) inconscientemente fui um bocadinho machista a ler este livro e isso só me faz pensar que sim, a escrita é óptima, mas se o meu cerebro nao deixasse não seria ludibriada com uma das especificidades do livro, mas quando percebi isso, god! que brutal, porque não estava a contar e pensei 'o que é que isso diz de mim?'. Não sei, se alguém leu este livro diga!! para falarmos sobre isto, porque só conheço mais duas pessoas que o tenham lido e pensamos as três exactamente o mesmo!!

Leiam este livro!! leiam livros infanto-juvenis, leiam livros infantis. Leiam o que quiserem! Mas leiam!

 

Por último, o livro que li basicamente o Fevereiro inteiro e acabei hoje!

"A Célula adormecida" do Nuno Nepomuceno.

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Não, a verdade é que não leio tantos autores portugueses quanto gostaria.

A verdade é que já tinha visto muitos livros deste autor mas nunca tinha pegado em nenhum.

A verdade é que sempre que parava para olhar para livros do Nuno era sempre por causa das capas que são lindas! Mas.. em conversa com uma amiga - que andava a ler este livro - ela convenceu-me a compra-lo. É o primeiro de uma série e se o comprasse podia ler ao mesmo tempo que ela (sem pressão, mas ainda não lhe voltaste a pegar ). E assim foi. Não me arrependo.

Arrependo-me de ter demorado 20 dias a ler este livro. Quanto mais tempo demoro a ler um livro mais é afectado o impacto que tem em mim (já disse isto, eu sei). Mas é a verdade, parece que gosto sempre menos quando demoro mais a ler.

Sinopse: Um professor universitário vê-se envolvido num ato terrorista de dimensão mundial. As autoridades intervêm e interrogam-no. Mas enquanto as primeiras respostas começam a surgir, uma dúvida persiste: por que motivo continua ele a mentir?

Lisboa desperta para um cenário aterrador. Um bombista suicida barrica-se no interior de um autocarro e o novo primeiro-ministro é encontrado morto. Ao mesmo tempo, uma jornalista tão bela como determinada recebe um ultimato de um ente querido — é sua responsabilidade descobrir toda a verdade.

Os serviços secretos portugueses reúnem provas e concluem que uma célula terrorista adormecida está pronta a ressurgir. Com um evento internacional a aproximar-se, pedem ajuda a Afonso Catalão, um reputado especialista em Ciência Política e Estudos Orientais que já viveu no Médio Oriente. Mas é aí que acabam por se deparar com um poço de mistérios e meias-verdade ainda mais negras do que o novo ataque que está prestes a acontecer.

Pedido pelos fãs, passado durante os 30 dias do Ramadão, abordando temas atuais como a xenofobia e o racismo, A Célula Adormecida transporta-nos numa viagem deslumbrante por locais como Istambul, ou o interior da Mesquita Central de Lisboa. Inovador entre o género dos thrillers religiosos, este é não só um livro de leitura compulsiva e voraz, como também uma incursão temerária aos segredos mais recônditos da vida privada de um homem.

Mas bem, este livro é bom. O Nuno escreve de forma extraordinária. Adorei a escrita. Adorei os temas, adorei os sítios para onde me levou. Escreve capítulos curtos (o que adoro) e falou de temas de extrema importancia como a xenofobia e o racismo. 

Tem personagens muito fortes e a personagem principal, o Afonso Catalão (que é personagem do resto da série), graças a Deus, é likeable, ou seja, é uma personagem porreira mas não simples, pelo contrário, é complexa e um bocadinho estranha mas simpatizei com ele. No início só pensava 'meu Deus, tantos acontecimentos importantes e díspares, tantas personagens' mas no fim encaixou-se tudo e tudo fez sentido e eu gostei disso. Podia ser um livro facilmente caótico mas sem ligação mas foi bem escrito. 

Tem momentos realmente perturbadores e tristes mas acho que este livro serve sobretudo para nos fazer refletir na sociedade em que vivemos e na forma como estamos a educar as pessoas. 

Gostei particularmente de ter tantos factos reais. Gostei muito que me tivesse ensinado coisas. Não foi só uma leitura por puro gosto mas fez-me aprender algumas coisas e levou-me para sítios que quero muito visitar, como Istambul. 

E gostei imenso que fosse um livro com um final alternativo. Ou seja, este livro tem dois finais. Acabamos o livro e a seguir há outro final e nós que escolhamos qual queremos. ahah Por acaso acho que não competem nem são antagónicos, acho que até podiam ser cumulativos. Talvez pegue noutro livro dele, vamos ver!

4 estrelas para este livro e uma recomendação para todos!

Até qualquer dia, pessoas!

F. 

 

 

18
Fev21

Contrato de Namoro

quatro de treta e um bebé

No passado domingo, foi dia dos namorados. Facto que me teria passado totalmente ao lado, não fosse o bombardeamento de instahistórias e publicações que o meu Instagram sofreu. 

Antes de prosseguir, é necessário clarificar que nada tenho contra as manifestações de amor nas redes socais, seja pelo dia dos namorados, pelo dia da mãe, do pai ou do periquito. Pelo contrário, se sentem vontade de deitar esse amor cá para fora, deitem! Força! Com força! 

Ainda assim, e porque, acima de tudo, sou advogada (sim, acima de tudo! é mais forte do que eu), após ver tanta manifestação de amor, decidi, pro bono, partilhar convosco uma minuta de contrato de namoro. 

Ser-vos-á muito útil ao longo do vosso namoro, tanto quanto foi para mim. E preparar-vos-á para o contrato que pretendem celebrar a seguir... no próximo passo. Afinal, o amor é, nada mais, nada menos, que uma sucessão de contratos! 

Minuta de Contrato de Namoro


Primeiro Outorgante: identificação da parte, ora em diante designado de primeiro outorgante ou NAMORADO;
E
Segundo Outorgante: identificação da  outra parte, ora em diante designado de segundo outorgante ou NAMORADA;

Celebram entre si, livre e conscientemente, o presente contrato de Namoro, o qual se rege nos termos e condições constantes das cláusulas seguintes:

PARTE I – DOS PRINCÍPIOS GERAIS

Cláusula 1ª.

Os outorgantes comprometem-se a prover amor única e exclusivamente um para com o outro.

Cláusula 2ª.

Os outorgantes comprometem-se a nunca, em momento algum, sob forma alguma, trair o outro outorgante.

Cláusula 3ª.

Ambos se comprometem a encarar a vida e a sociedade com bom humor e a aceitar a constante presença dos amigos e amigas, salvo se as amigas forem do NAMORADO.

Cláusula 4ª.

Ambos se comprometem a dedicar tempo ao estudo académico e intelectual, de forma que suas faculdades mentais não se tornem obsoletas ou sem-uso.


PARTE II – DO NAMORADO

Cláusula 5ª.

O NAMORADO sempre obedecerá todas as vontades da NAMORADA, inclusive escolher roupas no shopping e experimentá-las com prazer.

Cláusula 6ª.

1 - O NAMORADO fica obrigado a perceber, notar e exaltar qualquer mudança no visual da NAMORADA, e elogiar tal mudança.

2 - O NAMORADO nunca dirá à NAMORADA que ela está gorda ou que a roupa nova não lhe caiu bem.

3 - O NAMORADO promete repetir sempre, com toda a sinceridade, que a NAMORADA é majestosa, linda, maravilhosa, charmosa, sensual e gostosa.

Cláusula 7ª.

O NAMORADO promete que nunca reclamar dos decotes, da saia curta e da espera de três horas.

Cláusula 8ª.

O NAMORADO será sempre gentil e galante, e nunca se esquecerá de abrir a porta do carro, carregar as malas da NAMORADA e emprestar-lhe o seu casaco sempre que esta estiver com frio, mesmo correndo o risco de ficar doente.

Cláusula 9ª.

O NAMORADO compromete-se, nas viagens de trabalho, negócios, lazer ou hobby, não se interessar por nenhuma outra mulher.

Cláusula 10ª.

O NAMORADO compromete-se a ganhar muito dinheiro para gastar com a NAMORADA.

Cláusula 11ª.

O NAMORADO compromete-se a abdicar e renegar totalmente a qualquer tipo de vídeo, revista ou material de conteúdo pornográfico e/ou erótico.

Cláusula 12ª.

1 - O NAMORADO tem o dever de aturar a NAMORADA nos seus piores dias.

2 - O NAMORADO promete não reclamar e ouvir atenciosamente todas as queixas da NAMORADA, mesmo quando ela quiser "discutir a relação" às três horas da manhã.

Cláusula 13ª.

O NAMORADO compromete-se a fazer viagens com a NAMORADA, totalmente pagas pelo primeiro outorgante.

Cláusula 14ª.

O NAMORADO compromete-se a oferecer à NAMORADA presentes em todas as datas comemorativas ou festivas, nomeadamente nos dia 8 de Março, 25 de Abril e 10 de Junho.

Cláusula 15ª.

O NAMORADO compromete-se a, jamais, trocar a NAMORADA pelo futebol, independentemente do clube ou da competição.

Cláusula 16ª.

É da responsabilidade do NAMORADO o pagamento de jantares, cafés, saídas e afins.

Cláusula 17ª.

O NAMORADO compromete-se a nunca chegar à casa da NAMORADA vestido de forma inadequada, seja com a camisola do clube, ou mesmo com uma roupa imprópria.


PARTE III – DA NAMORADA

Cláusula 18ª.

A NAMORADA promete apresentar-se sempre perfumada e linda.

Cláusula 19ª.

A NAMORADA compromete-se em prover ao NAMORADO todo o amor necessário.

Cláusula 20ª.

A NAMORADA compromete-se em deixar o NAMORADO assistir os jogos de futebol de seu clube uma vez por mês.

PARTE IV – CONCLUSÕES

Cláusula 21ª.

1 – Os outorgantes adotarão o Regime Híbrido:
1.1. Quando houver aumento patrimonial advindo da NAMORADA, vigorará a Separação Total de Bens.
1.2. Quando o aumento advier do NAMORADO, vigorará o Regime de Adquiridos, somando-se tais bens aos do casal.

Cláusula 22ª.

Os outorgantes comprometem-se a serem totalmente fieis um com o outro, jamais celebrando qualquer tipo de contrato de NAMORO, NOIVADO, CASAMENTO, OLHADELA e CASUS SORDIDUS com qualquer outra mulher ou homem.

Cláusula 23ª.

O contrato terá a validade de dois anos, ficando, após essa data, o NAMORADO obrigado a trocar o referido contrato pelo contrato de adesão ao NOIVADO.

Feito em duplicado. 

local, dia do mês do ano

Assinaturas. 

 

Como comecei por referir, isto é apenas uma minuta. Sintam-se à vontade para usar, alterar e adaptar ao vosso caso concreto. Contudo, NAMORADAS, deixo-vos a ressalva de que esta será sempre a versão que melhor salvaguardará os direitos de ambas as partes.

Sejam felizes. 

M.  

12
Fev21

Sobre lugares especiais - a praia da Aguda

quatro de treta e um bebé

Todos temos aqueles lugares que são casa.

Há o Porto, obviamente. Nascida e criada. Portuense e tripeira. A minha cidade favorita e a mais bonita.

Há a Lageosa da Raia, claro. A outra parte das minhas raízes. A casa de tantas pessoas especiais e de tão boas memórias.

 

E, depois, há outros lugares, mais ou menos improváveis, aos quais, ouvindo o nome ou revendo fotografias, nos conseguimos quase de imediato transportar. Lugares que respiram sentimentos fortes e que, por algum motivo, falam mais alto do que outros.

 

A praia da Aguda é, para mim, um desses lugares.

 

Conheço-a desde pequena. Entre passeios e idas à praia em família, desde a Madalena até aos gelados do Esquimó, aquela costa ganhou um sentido de familiaridade.

Dos imensos passeios com os meus avós, uma das minhas memórias favoritas passa por lá. Tantas vezes apanhamos o autocarro até à praia da Madalena, passeamos pelos passadiços até à praia da Aguda ou da Granja, e de lá voltámos de comboio (não sem antes parar para o lanche, obrigatório em qualquer passeio com os avós). Num desses dias, decidimos não parar, e, entre os tropeções da avó nas tábuas do passadiço, o confundir a Capela do Senhor da Pedra com Espinho, os muitos “vamos lá, só mais um bocadinho”, e o olhar de esguelha para as placas com o número de Km’s que iam aparecendo, acabamos por chegar a Espinho, num dos nossos passeios favoritos e mais memoráveis (por ter sido tão bom, mas também pela história dos 10 Km’s que percorremos quase sem dar conta).

 

Por isso, descobrir que os avós do J. tinham uma casa de praia na Aguda foi duplamente bom: desde logo porque, bem, é uma casa de praia, e segundo por ser um lugar que já me era querido.

Desde então, a praia da Aguda tornou-se também um refúgio e passou a alimentar novas histórias e memórias, desde passeios, a encontros com amigos, a escapadelas com o J., a espaço de família e de partilha.

De ouvir as histórias de infância da mãe do J. e do J., quase as consigo imaginar (as do J. são esmagadoramente pacíficas, desde os saltos do paredão, a nadar até perder as forças, todas as corridas de bicicleta e jogos de futebol).

Ao carinho que já sentia, juntei-lhe a afeição que o J. tem por aquele lugar que conhece tão bem, todas as aventuras e memórias que me conta, e todas as recordações que desde então criámos em conjunto.

As viagens de comboio, o pequeno-almoço na pastelaria, o pequeno supermercado, o café depois de jantar junto à praia, os jogos de futebol e a tábua mista no Ela’s Bar, as tapas no Pinchos, das minhas pizzas favoritas no Ciao Bella, todos os passeios junto ao mar.

Todos os encontros a dois, as experiências culinárias, os banhos de sol no jardim, o tempo em família, as sestas na praia, os (raros, que aquela água é gelada!) mergulhos, conhecer o Charlie ainda cachorrinho, ver os sobrinhos a crescer e correr com eles atrás dos animais selvagens que se escondem nos arbustos, o cenário típico do Charlie, o J. e os bebés no mirante a ver os carros passar.

Por tudo isto e por muito mais, a praia da Aguda é um sítio muito especial, em várias dimensões e significados, e um dos lugares a que mais anseio por voltar, assim que a pandemia o deixar.

 

E vocês, quais sãos os vossos lugares especiais?

R.

05
Fev21

Vaci (assim não!)

quatro de treta e um bebé

Ora bem, hoje venho em missão. Após demissão do “xor Ramos” da Task Force cumpre-me a mim, por delegação, actualizar o estado do plano de vacinação!!

Então é assim, aqui na minha zona de residência, faltam apenas os Bombeiros Vermelhos e Amarelos, e os Lares, mas já estão a Pastelaria B., a Padaria L., o Restaurante T. e o Y., o Restaurante Chinês, o Café do Miguel, a mercearia da Cristiana, o Talho “da esquina”.
Posto isto, julgo que está a correr bem e que se está a cumprir escrupulosamente o plano, respeitando as razões subjacentes ao mesmo, dando-se a devida prioridade a profissionais de saúde, idosos, ...
Ao estilo portuguesinho lá está o “Chico espertismo” a dar cartas.
Há coisas que não mudam.
Acabamos de vacinar os profissionais (INEM) e descemos e perguntamos lá em baixo na pastelaria se alguém queria”.
Pois, claro que sim... então e depois deste acto genuinamente altruísta ainda há quem critique?
Diria o Diretor Regional do Norte: “O Senhor Vitor da pastelaria é sempre tão simpático, foi a nossa vez de pegar numa bandeja, descer à rua e oferecer o pequeno almoço adaptado ao INEM: uma “piquinha milagrosa” daquelas que anda aí o pessoal todo a querer e que dizem “salva-nos desta pandemia”.
Agora só falta saber como é que esta gente vai arranjar a segunda dose da vacina!! Essa é a grande questão!!
O Sr. Vitor e restante STAFF estão à espera, é bom que o INEM tenha uma boa explicação para não lhes dar a tempo a segunda dose.
Esperemos que o Sr. Vitor não tenha que se chatear a sério... o Sr. Director colocou o lugar à disposição, e o Sr. Vitor está mesmo a ver que quem está a fugir com o rabo à seringa -literalmente - é ele. Mas, Sr. Vitor, qualquer problema, ligue com o Dr. Salazar Coimbra que ele também está por dentro do assunto e dispensa aí umas doses “na boa”. É só pedir!!
Oremos irmãos!!
Haja bom senso, que apesar do humor e ironia, o texto serve de reflexão!!

Cumprimentos pandémico-confinados,
S.

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