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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

10
Dez18

apaixólicos - aqueles que não souberam furar o fundo do copo.

quatro de treta e um bebé

Conseguem identificar o momento, em concreto, que se apaixonaram por alguém? Não o porquê. Não de forma genérica. O momento concreto em que sentiram que estavam apaixonados? E o que levou a isso? Conseguem identificar, de forma concreta, o que gerou o clique?

 

Sabemos (ou achamos que sabemos) que é um conjunto de situações. Há quem defenda que é o cheiro.
Se quanto ao conjunto de situações nada tenho a aportar. Quanto ao cheiro refuto com toda a convicção.

 

Quando damos por nós já está. Não há muito a fazer. Reformulando, não há nada a fazer.

Na verdade, quando dás por ti já estás apaixonado e não tem volta a dar. Percebes que um olhar, algumas conversas, determinados momentos, levaram àquilo. Sabes, à partida, que foi tudo, em conjunto, que originou aquela situação irreversível.
Mas consegues perceber, efetivamente, o que levou o copo cheio a transbordar?

 

Tenho refletido sobre o tema. Não por alguma razão em especial. A maior parte das vezes reflito só porque sim. E a conclusão que cheguei é que não. Dificilmente vamos saber o que deu origem à enxurrada.


Em retrospetiva, não sei o que fez o meu copo transbordar. Se soubesse, talvez tivesse arrastado o copo um pouco para o lado. Virado um bocadinho só para garantir. Furado o fundo. Na verdade, talvez tivesse furado o fundo!


Equiparo o "ficar apaixonado" "àquela" noite de copos. Realizando uma análise racional (daquelas que o "ficar apaixonado" não permite, e que a noite de copos também não) tenho algumas dificuldades em descobrir as diferenças. 

 

Em ambas as situações quando dás por ti "já está" ! Não há nada a fazer. Não sabes o que originou, tinhas tudo controlado, mas alguma coisa alterou o rumo que tu tão bem tinhas delineado. Em ambas, saíste só para tomar café e contas voltar para casa cedo e descansar. Em ambas, no momento em que o copo transborda, sabes que o que te espera não é, nada mais, nada menos, do que dores de cabeça. E a culpa nem foi tua, porque tinhas tudo controlado e não percebes como se descontrolou. Ambas te levam a fazer coisas que jamais farias se não estivesses alterado por tal estado. E ambas te vão fazer arrepender no momento da ressaca. E nesse momento (o da ressaca) vais dar voltas e voltas à tua memória traiçoeira, com alguma neblina e visão turva, para perceber em que momento é que tudo se descontrolou.

Em nenhuma das duas situações vais perceber. E nas duas vais deitar-te a adivinhar. E acertar ao lado. E por esse motivo, cair no mesmo erro. 

 

Todavia, também em ambas as situações vais viver momentos inesquecíveis (até com apagões de memória), que apesar das dores da ressaca, vais recordar sempre com um sorriso na cara. Ambas te vão provocar nostalgia. Ambas te vão fazer feliz e fazer acreditar que o mundo é teu. Em ambas vais sonhar e concretizar (quem é que na naquela noite de copos não consegue voar?).

 

Já se diz por aí, o que não tem remédio, remediado está. E as melhores noites começam sempre com um "vou só tomar café". 

 

M.

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