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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

04
Out19

As mentiras que contamos na vida adulta

quatro de treta e um bebé
Desde pequenos que nos ensinam a não mentir.
Claro está que uma interpretação restritiva desde logo nos diz que o que se quer proibir são as grandes mentiras, e não aquelas mentirinhas pequenas que não fazem mal a ninguém, as chamadas “ white lies”.
Atenção, estão a falar com uma pessoa que não só não gosta de mentir, como não o sabe fazer, por isso acreditem quando vos digo que estas mentiras não são as “ mentiras más”.
Contudo, todos nós, desde pequeninos, acabamos por recorrer àquela mentirinha pequena, aquela omissão oportuna, aquele engano inocente, aquela frase que dita daquela maneira não é bem mentira, aquela desculpa.
Só que as mentirinhas da criança são bem diferentes daquelas da vida adulta.
 
Quando erámos pequenos, as mais famosas eram as “ já arrumei o quarto” como sinónimo para “atirei tudo para dentro do armário”, a “já lavei os dentes”,  “arruma tu hoje, que eu arrumo amanhã”; o meu favorito, “já vou”; o “esqueci-me da caderneta” (aliás, o “esqueci-me” como sinónimo para “não quis fazer”); o "não me dói nada"; ou, o mais popular de todos, o “não fui eu”.
 
Na vida adulta, quando já ninguém nos obriga a arrumar o quarto ou a lavar os dentes, as mentirinhas que contamos tornam-se muito diferentes, várias vezes inconscientes, e na sua maioria, contadas a nós próprios.
 
As mais habituais:
- amanhã não vou sair tão tarde;
- ao menos para a semana as coisas vão acalmar;
- quando chegar o próximo mês vou ter muito mais tempo livre;
- vamos marcar qualquer coisa;
- fiquei sem bateria;
- li e concordo com os termos de utilização;
- não engordei, estou só inchada, de certeza que o problema é ainda não ter ido à casa de banho hoje;
- estas calças encolheram na máquina;
- ele/ela é assim, mas vai mudar
- Este mês gastei demais, mas no próximo vou de certeza compensar
- Respondi-te mas esqueci-me de carregar enviar (apesar de, na verdade, isto me acontecer mais vezes do que gostava de admitir)
- Já vou a caminho
- Nem gostava assim tanto dele/dela
- Já o/a esqueci
- Isto não é muito calórico
- Não vi a tua chamada
- Só mais 5 minutos
- Ainda tenho tempo, faço isso amanhã
- Já tenho planos
- Deve ter ido para a caixa de spam
- Respondi mas não tinha a internet ligada
- Não foi muito caro

E, a pior de todas, “as coisas vão melhorar”. Essa é a mais nefasta, pois as coisas só melhoram quando nos aprecebemos de que estamos a mentir; as coisas não mudam só porque sim, e só melhoram quando tu mudas a tua atitude, ou mudas as coisas.

Mentimos aos outros, em grande parte das vezes, porque, como ouvi dizer outro dia, "não somos ricos o suficiente para podermos dizer o que achamos". Também para tentar libertar da pressão que nos colocam para não falhar, para responder logo, para estar sempre presente.

Mentimos a nós próprios para nos alegrar, para não desesperarmos, para criar alguma esperança, para nos permitir fazer algo que sabemos que não devemos fazer, para nos sentirmos melhor connosco próprios.

E vocês, que mentirinhas costumam dizer?

Verdadeiramente,
R.

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