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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

17
Jan19

Autocontrolo, o superpoder da maturidade

quatro de treta e um bebé

Cara de adolescente, espírito de criança, corpo de velha, mas, afinal, adulta.

 

Aos trambolhões, entre metamorfoses e complicações, damos por nós um dia e somos, vejam vós, adultos.

 

Nem sempre o fiz my way (à minha maneira), mas posso, envaidecidamente, dizer-vos que “I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king, I've been up and down and over and out” e que descobri, como o nosso caro Sinatra, que “that’s life”!

Vivi, cresci, aprendi e desaprendi, fiz, ganhei, perdi, mudei e voltei a mudar.

No meio disto tudo, houve uma grande capacidade que desenvolvi, se não, melhor dizendo, criei. O superpoder da vida adulta, o verdadeiro sinónimo, para mim, de maturidade. O que veio mudar tudo, o momento da revelação, a perceção de que “damn, sou uma adulta”.

 

Autocontrolo.

 

Reparei que já se vinha desenvolvendo, desde há uns anos. Veio demonstrando-se em pequenas reações. Notei que, de repente, a vontade de desferir estaladas como recompensa pela idiotice humana tinha diminuído (não que eu costumasse fazê-lo, apenas tinha mesmo muita vontade de o fazer).

 

É a capacidade de ouvir e responder “está bem”, “claro”, “’tá bem”, (seu incomensurável desperdício de oxigénio), “certo”, “com certeza”, (se sequer eu te conseguisse explicar o tamanho da tua imbecilidade), “tudo bem”. Respondê-lo com convicção, enquanto, por dentro, abanamos ferverosamente a cabeça de um lado para o outro. “Que seja”.

 

Respirar fundo, convocar o nosso Rafiki interior, e acenar, enquanto os nossos olhos se reviram, ainda que clandestinamente, como autênticos acrobatas.

 

Não é que a idiotice alheia me tenha deixado de fazer comichão. Não é que deixe de ficar verde, é simplesmente que, a final, o Bruce Banner consegue ganhar. Não é engolir sapos ou qualquer outro tipo de anfíbios, tão pouco sermos menos nós.

 

É maturidade.

 

É não precisar de ter a última palavra. Não precisar de responder sempre, pelo menos, não em voz alta. Não precisar de subir de decibéis até a outra pessoa desistir. Não precisar de ter sempre razão. Não dizer sempre a primeira coisa que nos vem à cabeça. Não dizer tudo o que pensamos. Saber parar antes de ambas as partes acabarem a perder a discussão. Controlar o primeiro impulso. Controlar a primeira reação perante idiotices (regra geral, seria a vontade de desferir chapadas).

 

Há pouco tempo confessei ao J. uma das principais características dele que me fazem admirá-lo. Uma situação tão irrisória como, vamos imaginar, alguém alegar altiva e perentoriamente, “aquilo nunca existiu”, e o J., com o telemóvel na mão, com uma fotografia que gritava, com letras garrafais, “é mais do que óbvio que aquilo existiu, dah”, olhar para o ecrã, levantar os olhos, voltar a ver a imagem, respirar fundo e dizer “está bem”. É a capacidade de saberes quando tens razão, mesmo que to tentem contrariar, sem precisar de qualquer tipo de validação externa.

 

E autocontrolo, meus caros, autocontrolo.

 

rafiki.jpg

R.

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