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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

18
Out18

O flagelo das revisões de livros

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas.

 

Não tinha qualquer intenção de escrever sobre este tema assim, sem mais nem menos. Mas, em conversa com uma amiga (que é tão ou mais aficcionada por livros como eu), acho que está na altura de ver se alguém tem a mesma opinião que nós ou se o defeito é nosso e somos exigentes demais.

Eu gosto de ler. Gosto de livros. Um dos meus sonhos é ter uma biblioteca em casa, com uma escada para deslizar pelas estantes (qual Bela na Bela e o Monstro). Gosto de falar sobre livros, gosto de me apaixonar por livros, gosto de me apaixonar por personagens.

Não pertenço ao mundo editorial, bem sei. Não tenho certezas sobre como as coisas funcionam nesse mundo, é verdade, mas como leitora, assídua, que gosta de fazer colecção de livros, acho que tenho direito a uma opinião sobre o que passa para nós leitores.

Há livros absolutamente excepcionais. Por vários motivos. Há livros excepcionais por aquilo que nos fazem sentir. Há livros excepcionais pelas personagens complexas e maravilhosas que têm. Há livros excepcionais porque têm excelentes histórias. E, também há livros excepcionais porque estão editados de forma exemplar, com revisões exímias. E é aqui que eu quero chegar.

Como é que me vou apaixonar por um livro que está cheio de gralhas e frases sem sentido?  Como é que vou confiar numa editora que livro após livro não melhora e não liga nenhuma ao que os seus leitores dizem?

Eu sigo muitos blogs sobre livros. Gosto de saber sempre as novidades, gosto de saber o que algumas bloggers dizem acerca dos livros, a opinião delas. Há meia dúzia, cuja opinião, realmente, valorizo. Mas depois há outras tantas que eu penso, será que leram mesmo os livros? Ou será que ler na diagonal conta? É que, convenhamos, como é que alguém pode adorar um livro, pode dizer que é a última bolacha do pacote quando só tem gralhas? Frases sem nexo. Pontuação completamente fora do sítio, expressões e sentidos que nós nem usamos? Não entendo.

Há livros cuja história é boa, promissora, tem tudo para ser um livro giro, mas quando numa página temos que reler as frases duas e três vezes para que percebamos o sentido, isso não altera logo a nossa perceção do livro e o nosso gosto pela leitura desse mesmo livro?

E há dias ou livros em que nem estamos para nos irritar e pronto, a má revisão nem nos incomoda assim tanto. Mas há outros em que é impossível. E começamos a apontar, as gralhas, a falta de pontuação, as frases sem sentido, a má tradução…etc., e decidimos mandar um email para a editora a fim desta, numa próxima edição, conseguir fazer chegar ao leitor um livro melhor. Convenhamos, eu leitora, quando faço isso, já estou a facilitar um trabalho que não é o meu. E há editoras que sim, sabem que ter livros bem revistos no mercado, faz diferença e respondem-nos, agradecem e alteram. E depois há outras que “nem burro se queres água” como se costuma dizer, e continuamos a ver livro após livro, dessa editora, cada vez mais mal revisto, mas com cada vez mais livros no mercado.

Acho que chegou a altura de sermos um bocadinho exigentes com aquilo que consumimos. E não, não estou a ser mesquinha. E sim, os meus textos têm gralhas e provavelmente têm erros. Têm pontuação errada, verdade. Mas, em minha defesa, eu não sou nem escritora, nem revisora, nem editora de textos. Não é a minha profissão. Mas conheço pessoas cuja profissão é exactamente essa, revisão de textos. E é por conhecer e saber que ela é eximia no seu trabalho e que sim, podem passar gralhas, pode passar uma pontuação aqui e outra ali, mas sei que se ler um livro revisto por ela vai ser um bom livro, na ótica da edição. E é tão bom ler um livro bem escrito. Por isso, se há tão bons profissionais no mercado e há livros que têm potencial para ser, realmente, giros se a revisão estiver bem feita, porque é que ainda continuamos a comprar e a ler livros que nos tiram do sério pela falta de profissionalismo e de preocupação pelos leitores neles plasmados? Não sei. E contra mim falo, que infelizmente continuo a comprar livros de editoras e de revisores (sim, há livros que quando saem no mercado e vemos que tem como revisora a pessoa x, dizemos logo ‘oh não, vai ser mais um para nos irritar’) que não ligam grande coisa a forma como o livro chega aos leitores. Mas a verdade é que a maior parte das vezes os escritores também não têm culpa, a maior parte são escritores estrangeiros. Mas, a questão é mesmo essa, será que se pararmos de consumir livros mal editados e mal revistos estes começam a melhorar? Não saberá a editora que aqueles escritores vendem? Quer o livro esteja bom ou mau? Não sei, eu começo a fazer as minhas escolhas. Há livros que quero ler, mas se tem um revisor que eu sei que não faz um bom trabalho já peço o livro emprestado, já não vai para a lista do ‘a comprar’… assim sempre leio o livro que quero, pela história e pelo autor mas não dou dinheiro a ganhar aquela editora.

Para terminar resta-me dizer que há livros e editoras excelentes no que à revisão diz respeito. E gosto tanto quando isso acontece! E vocês, o que me dizem sobre este assunto? Sou muito picuinhas ou há mais pessoas aí desse lado a pensar como eu?

 

Boas leituras.

 

F. 

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