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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

09
Out18

Protecção das Advogadas na Maternidade

quatro de treta e um bebé

 

 

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Antes de mais, talvez esclarecer que, advogadas também têm filhos, são mulheres, também têm família, também amamentam, enfim, também elas precisam dos 5 meses (existentes para os comuns mortais) para estar com os filhos e estes com elas. Porque sim - espantem-se!- os filhos das advogados são pessoas normais, como os filhos dos outros e com as mesmas necessidades. 

Bem, no fundo, no fundo, apesar da confusão ser grande, a conclusão é simples: as advogadas são mulheres como quaisquer outras e também têm filhos como quaisquer outras.
Apesar de parecer um ultraje e uma ousadia, a verdade é que as advogadas também têm essa ”veleidade”.
Ora bem, contextualizando, uma Advogada, mulher, que decida ser mãe, tem como única ajuda - no meu caso - da Caixa para a qual desconta, Caixa de Previdência de Advogados e Solicitadores a quantia correspondente ao salário mínimo, à data, paga UMA ÚNICA VEZ, isto é, aquando do evento - o nascimento da criança.
Os prazos, esses tormentos, continuam a correr e as desgraçadas das advogadas -mães, aquelas que ousaram ter filhos, dependem da simpatia do colega que representa a parte contrária para adiar prazos, diligências, o que for.
Acresce ainda, a correria do dia- a -dia e o esforço para cumprir a agenda profissional e conciliar com a pessoal.
Nada pára!
Na verdade dou por mim - que comecei a trabalhar tinha o meu rebento 2 meses - a participar em reuniões e a rezar para que aquilo acabe rápido porque tenho as mamas cheias e já não aguento as dores. O mesmo acontece quando estou no tribunal horas sem fim à espera da diligência e a ligar para casa a pedir para darem suplemento porque não sei quando os senhores Juízes vão fazer o favor de iniciar as diligências.
E o mesmo se diga quando estou na conservatória a divorciar gente e o telefone não pára de tocar com a sogra a mostrar que a criança abre a goela até trás.
Com tudo isto, são 13h e ainda pouco fiz. O que fiz pareceu uma maratona entre cumprir minimamente com os compromissos e, por outro lado, conseguir não manchar a roupa com auréolas de leite.
Na verdade estou acordada desde as 6h30 a pensar “isto vai render” e, na realidade, são 9h da manhã e ainda só dei de mamar e me arranjei.
Quando penso “é desta: agora o paizinho vai levá-la a avó”; Não!! Já passaram 3h e ela está a berrar e quer mamar de novo!
Toca a pôr mama de fora, já toda maquilhada e bem vestida para ir para o escritório - gente à espera- e a miúda calmamente a desfrutar da mama.
Mãezinha pega no telefone, liga à funcionária, contextualiza e desfaz-se em mil desculpas com os clientes, pedindo que aguardem mais uns minutos.
Criança acaba de mamar (demora no mínimo 45 min.), pôr a arrotar, mudar fralda, pôr no carro, levar à sogra -que entretanto o marido já saiu porque tinha compromisso -(também advogado - igualmente sem licença).
Com isto tudo são 11h (a correr muito bem!), chego ao escritório já toda transpirada e descabelada, começo a atender e quando dou conta, após hora e meia, já está a sogra a ligar porque a criança quer mamar. Chegamos a casa da sogra, toca a dar de mamar, almoçar enquanto se dá a mama para poupar tempo e depois toca a sair de novo para a segunda maratona.
Ufa!! Cansados de ler? Imaginem eu!
De facto, não há qualquer apoio a mães advogadas. Aliás, quando eu me fui informar fiquei mesmo com a sensação que uma Advogada ser mãe era uma coisa assim tipo os unicórnios!!
É que enquanto isto tudo se faz ao ritmo que tentei descrever; por outro lado, tudo se processa como se estivessemos activamente a trabalhar e sem termos um qualquer ser dependente. Os prazos não suspendem, as diligências nao são adiadas, tudo se passa normalmente.
E é assim, quer a criança tenho 2,6,10 meses, um ano ou 2,3,4 dias.
A propósito, deixo aqui um episódio caricato de uma mãe cujo filho estava sujeito à medida de coação mais gravosa (Prisão Preventiva) que me liga, precisamente no dia em que fui para o hospital para a B. nascer, pedindo se me podia ligar sempre e a qualquer hora “mesmo quando estiver a ter a criança?”.
Sim, minha senhora, mesmo aí. Porque eu vou estar mesmo só com a cabeça no seu assunto e o “resto”não me vai tirar o foco!!
Pois é... no fim de contas ainda ouvimos “Que os advogados é que estão bem”.
É precário, demasiado precário, só por si mas tanto mais quando comparado com as licenças comuns de, pelo menos, 5 meses em que as mães se dedicam exclusivamente aos filhos. Para isto há uma razão e não é menor. Os miúdos precisam disso para o desenvolvimento salutar e as mães também.


Fica para reflectirem.

 

A dar de mamar e descabelada,

com carinho,

S.

 

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