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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

16
Ago19

O meu anjo da guarda abandonou-me!

quatro de treta e um bebé

Hezalel, volta já aqui! Agora!! Não te volto a chamar! Hezalel!!!!!!

Hezalel é o meu anjo da guarda.
Que ao fim de 30 anos decidiu fazer greve (não consigo evitar revirar os olhos ao dizer isto). Diz ele que está cansado e recebe pouco!

Pensava eu que a função dos anjos da guarda era igual à dos advogados estagiários, não remunerada, e que a gratidão, por si só, chegava. E se há coisa da qual ele não se pode queixar é de lhe ser, eterna e extremamente, grata.

Recordo o meu querido anjo da guarda com um grande sorriso no rosto... Já fomos tão felizes juntos! Eu a tentar fazer asneira e ele a impedir. Eu a tentar alguns desvios e ele, teimoso, a empurrar para o caminho certo. Por diversas vezes, não tinha qualquer a intenção de me desviar do percurso, mas dava-me algum gozo ouvir o suspiro do "outra vez?!", ver o encher do peito como se fosse buscar energia aos confins do mundo, e a corrida rápida, tipo Duck Dodgers, para se colocar à minha frente com o dedo esticado a dizer "go out".

Foi com ele que aprendi a dizer os meus "nãos" e o "põe-te a andar".

É um anãozinho (bem pequenino), gordinho, de cabelo encaracolado, loiro, olhos claros e nariz empinado. Anda sempre de fraldas de pano, com alfinete dourado, e teima em carregar nas costas umas asas daquelas que se compram em qualquer loja de fantasias na altura do carnaval. Anda como se desfilasse, de peito feito e barriga encolhida, aparentando que mantém a respiração suspensa durante todo o tempo. Sempre o achei ridículo. Mas ao mesmo tempo um fofo, daqueles que apetece apertar as bochechas só para que o peito baixe, a barriga saia e a respiração retome a normalidade.

Apesar de todas as nossas desavenças e pensamentos opostos, sempre gostei muito dele. E sempre fomos um só.

Mas agora, sem dó nem piedade, decidiu abandonar-me assim. Sem mais. Argumentando que se quero continuar a fazer asneira, para o fazer com força, e para não contar com ele. Que está cansado e que não lhe pago para isso?!

Como assim cansado? Eu nem dou assim tanto trabalho!

Está a fazer birra! É isso, está simplesmente a fazer birra!

Hezalel, já não tens idade para birras! Volta imediatamente. Por favorzinho!!!

 

M.

10
Ago19

Há sítios assim...

quatro de treta e um bebé

Hoje, partilho com vocês um texto muito especial para mim, escrito há dez anos atrás, sobre um lugar igualmente especial: a Lageosa da Raia.

 

Quem me conhece, já me ouviu falar sobre a minha aldeia. Faz sentido partilhar este texto agora, este mês, depois de ter voltado de lá.

É um sítio muito especial, sobretudo, pelas pessoas especiais que lhe estão associadas. 

É por isso que, hoje, é com um misto de sentimentos que partilho este texto, que tanto me diz. Aquele sítio continua tão especial, tão importante. Sucede que muitas das pessoas que o tornavam tão especial já não estão cá. Em particular, aquela pessoa já não está cá, aquela que é das pessoas mais especiais e mais importantes de toda a minha vida. É, por isso, com um misto de dor e tristeza, com muita saudade, mas também alegria, gratidão e muito amor, que partilho este texto, com a certeza que não vos dirá tanto quanto me diz a mim, mas com a esperança de, após esta pequena explicação, consigam perceber o quão especial é para mim este sítio.

 

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"Há sítios assim, onde o resto do mundo parece desaparecer, restando pouco mais a não ser nós próprios, com todas as nossas fragilidades e imperfeições. É algo a que acabamos por não estar muito habituados, já que na sociedade é costume escondermo-nos atrás de maquilhagens, mentiras, actuações teatrais, até da própria boa educação. Há sítios assim, em que nos é permitido largar tudo isso. Há sítios em que podemos descansar, sem porquês, sem obrigações, preocupações, discussões, desculpas. Podemos fugir, ainda que por momentos, deste mundo atarefado que nos sobrecarrega a todos os minutos com sensações de todos os tipos – gritos, palavras falsas, sons agressivos, todo o tipo de movimentos, cheiros, uma constante agitação. Temos a oportunidade de sentir, menosprezando o pensar. Conseguimos abstrairmo-nos, largar os bens materiais excessivos e as dores de cabeça. Guardamos apenas a nossa personalidade e um iPod, para que possamos ter o prazer de nos deliciarmos com a melhor musica, aquela que “fala” connosco e nos faz sentir bem. Numa tarde de Verão em que o sol está presente, atinge-nos uma sensação de calor e, caso tenhamos sorte, uma suave brisa. Se tirarmos os auriculares dos ouvidos, conseguimos ouvir os mais leves movimentos das folhas, os passos raros e distantes, o rio que passa devagar. Atirar uma pedra ao rio, ouvir o seu primeiro contacto, observar o salto da água e a pedra a descer até ao fundo, onde repousa, misturando-se com todas as outras pedras e perdendo qualquer característica distinta – os mais puros e ingénuos comportamentos, tão frequentemente chamados de infantis, que nos acalmam e, de certa forma, ainda nos impressionam. Contrariando as grandes cidades, conseguimos sentir a natureza, conseguimos fazer com que todo este conjunto se funda connosco de forma harmoniosa. Se olharmos com atenção, é impossível não nos sentirmos maravilhados com a simplicidade e a pureza de sítios assim, ainda não destruídos pelo homem. Apesar da nossa consciência e racionalidade nos dizer que não é possível haver algo perfeito, parece-nos impossível apontar críticas a um sítio que nos causa tamanha paz - sentimo-nos ser invadidos por uma serenidade incrível. Pensamos e sentimo-nos como nos é natural e verdadeiro, sem sermos controlados.

Para mim, a Lageosa da Raia é um sítio assim. Caminhar sozinha, rodeada de campos banhados pelo sol numa tarde soalheira, animais de vez em quando (mais raras ainda as pessoas), sem ter que explicar o porquê de me sentir bem, sem ter que encontrar razões para seguir um determinado caminho. Simplesmente caminhar. E, de em vez quando, parar, parar para sentir com maior força e admirar o quão maravilhosas são a simplicidade e a pureza de sítios assim, tão serenos. Viajar por um mundo melhor sem sair deste mundo, viajar por emoções, sentimentos, ideais, recordações, sem tirar os pés do chão. Entrar num ambiente que é só nosso, de mais ninguém. Há sítios assim, pequenos e pouco desenvolvidos, que com tão pouco nos provocam tão boas sensações. Há sítios assim, mágicos, onde sentimos que nada neste mundo nos pode perturbar."

 

Hay un lugar tan especial 
En donde yo contigo quisiera estar
Ese lugar tan especial
Donde si quieres nos besamos
Y me voy enamorando

R.

24
Jun19

Tinder, prazer!

quatro de treta e um bebé

Maria. Maria Crespo Martins. Não Maria Crespo, está incompleto, falta qualquer coisa. Nem Maria Martins, há muitas. 30 anos, mas ninguém me dá mais de 20. Consigo aparentar 5 anos, quando me oferecem um presente envolto em papel de embrulho, e até 2 anos, nos dias da rabugice do sono. Cabelo loiro escuro, segundo diz a cabeleireira. Desculpem, cabelo loiro escuro, assim o diz a Art Director de um hairstlyling qualquer. E olhos azul camuflado. Odeio favas, herdei da mãe, e sushi, porque tal como as favas não continuo a insistir comer até gostar.

Seguindo os conselhos sábios de uma amiga, que reitera, com alguma frequência, que não devemos negar, à partida, uma ciência que desconhecemos, decidi descarregar a aplicação Tinder e apresentar-me da forma supra a quem tem a sorte de me localizar dentro da área geográfica pré-estabelecida. De forma curta e clara. Para que não hajam dúvidas e não se sintam enganados. E para que não cometam erros irreversíveis logo no primeiro encontro.

Seria pouco provável que num primeiro encontro o candidato a uma bela amizade me levasse a jantar a um restaurante japonês, com um presente dentro de um saco do continente, e me dissesse que tenho um cabelo castanho super hidratado, e uns olhos negros brilhantes? Nunca fiando.

A quem começou a revirar os olhos no momento que leu "Tinder" já pode parar os olhos no centro e ler com atenção. Espantem-se: O Tinder não é assim tão diferente do Facebook ou Instagram! Na verdade, fiquei com a sensação que é só a versão 0.0.1 dessas redes sociais.

Simples. Fundo branco e traços finos. Tudo é feito em 3, talvez porque o seu criador acreditava na perfeição associada ao número. O ecrã dividi-se em 3 partes: a superior, com 3 separadores (acesso ao perfil pessoal, acesso aos perfis dos candidatos e acesso à caixa de mensagens), a central que permite vislumbrar a foto, o nome e a idade dos candidatos, e a inferior, com 3 botões: nope, superlike e like.

A partir daqui é só deslizar o dedo.

Aproveitei as férias no Algarve para explorar esse mundo, no verdadeiro sentido da palavra. Em menos de 24 horas, tinha mais de 99 likes, 5 matchs, e um encontro em Albufeira. C'um caraças, o Tinder funciona mesmo!

Durante os 3 dias seguintes o Tinder foi divertido. Foi realmente divertido.
E, ao contrário do que as mentes preconceituosas por aí espalham, existe de tudo. Pessoas normais e outras normais à maneira delas.
Há quem ache que a sua cara metade deve conhecer, antes de tudo, os seus atributos fisicos, e quem ache que deve conhecer primeiro o cão. Há quem leve à letra aquela velha máxima de que o tamanho é que importa, e outros pretendem conquistar com um boxers com notas de quinhentos euros.
Há pessoas simpáticas e verdadeiramente afáveis. E há os outros. Na verdade, nada de novo. Exceto ter chegado à conclusão que ando a dormir na rua. Garanto-vos que na minha área geográfica há gente verdadeiramente interessante. Isso, verdadeiramente interessante.

Infelizmente o entusiasmo passou-me rápido e, hoje, o Tinder dá-me sono. Abro a aplicação e em menos de dois minutos estou a piscar os olhos. Mas o problema não é da aplicação, é meu! Quem me manda ir para lá à procura do Tiago Violas?

Já agora, para os curiosos, o encontro correu bem. Ele tinha boa alma.

M.

16
Mai19

O Mundo precisa de bondade

quatro de treta e um bebé

Precisamos, urgentemente, de praticar a bondade.

 

Menos do que praticar exercício, menos do que laborar, menos do que gastar, menos do que preocupar, precisamos de praticar a bondade.

 

Bem no início, quando ainda nos estávamos a apaixonar um pelo outro, numa discussão filosófica às custas de um tema qualquer, diz-me o J.: fazer o bem custa tanto ou menos do que fazer o mal, por isso porque é que havemos de fazer o mal?

 

Mal sabia ele, naquela altura, de que aquela frase, aquele espírito, tinha sido melhor do que qualquer frase de engate que pudesse ter descoberto.

 

É bem verdade. Dizer que fazemos o mal porque custa menos do que fazer o bem não passa de uma mentira que contamos, para convencer o Mundo, mormente para nos convencemos a nós próprios. No entanto, não passa disso. Em bom português, é treta.

 

Aprendi ao longo da vida que cada um de nós trava uma batalha própria, alheia aos olhos da maior parte das pessoas. Sem exceção, todos temos demónios. Sejam eles quais forem, todos nós carregamos fardos, bagagem, lutas internas.

 

E precisamos de bondade. Precisamos tanto de bondade.

 

Parar de pensar para dentro e olhar para quem temos ao nosso lado. Será que há algo que podemos fazer por essa pessoa? Será que essa pessoa está bem? Já lhe perguntamos hoje se essa pessoa está bem, mas mesmo perguntar, porque nos preocupamos, e não apenas para fazer conversa?

 

Às vezes é tão simples quanto um sorriso. Como um abanar de ombros de compreensão pela pessoa que errou mesmo à nossa frente, em vez do habitual palavrão ou desprezo, lembrando que também nós, nalgum momento, já fizemos erros idiotas.

É tão simples quanto mandar uma mensagem. Pode servir de pouco, pode não ter resposta, mas praticámos a bondade. Pode ser tão simples quanto um “lembrei-me de ti, espero que estejas bem”. Por vezes, palavras tão breves e simples podem salvar um dia.

 

A bondade não precisa de resposta, não exige obrigados, não espera retribuições. A bondade, pelo contrário, vale por si só.

 

Sejamos menos egoístas, mais atentos. Menos impulsivos, menos irritadiços. Direcionemos menos a nossa raiva ou frustração para os outros, e olhemos bem para dentro, para vermos o que de verdade se passa, para podermos tratar de nós próprios. Com bondade.

 

Não custa mais, não se paga, não nos tira dignidade, não quer dizer dar o braço a torcer, não quer dizer parecer fraco, nem sequer quer dizer esquecer.

 

Deixem-se de tretas. É só bondade. Só isso. E nós precisamos tanto de bondade.

 

R.

02
Mai19

O amor e a fotografia.

quatro de treta e um bebé

A fotografia sempre assumiu um lugar importante na vida das pessoas.

 

Se recorrermos aos nossos primórdios, facilmente percebemos que a fotografia está presente desde sempre. Não da forma que a conhecemos agora, é certo. Mas estava lá. Recorde-se, a título de exemplo, as pinturas rupestres, que nada mais são do que “fotografias” dos momentos vividos na época e que os nossos antepassados perpetuaram no tempo. É graças a elas, que hoje temos uma vaga ideia do que faziam na altura. Excelentes caçadores, quiseram fazer-nos crer, mas péssimos "fotógrafos", conseguimos concluir.

 

Antes, como agora, preocupámo-nos em registar aquilo que entendemos como importante, o que queremos que fique para o futuro. Há uns dias, um amigo escrevia na sua página do facebook, que "um dia seremos apenas o retrato na estante de alguém". Querem prova maior da importância da fotografia? 

Hoje diz-se que a fotografia se tornou vulgar. Efetivamente, constatamos com alguma frequência que as pessoas se preocupam mais em captar os momentos do que em vivê-los. Todavia, entendo que isso não retira a importância da fotografia. Eu diria antes que a fotografia se tornou mais fácil. Mas não menos importante.

 

Fotografar é uma arte. E como todas as artes exige que haja amor. Não há arte sem amor. Pode haver qualquer coisa. Qualquer tentativa. Rasca. Banal. Sem jeito. Assim, fotografar exige amor. À fotografia, ou ao que se fotográfa. E só isso nos faz explorar. No verdadeiro sentido da palavra.

 

Recentemente, estive de férias em Barcelona. Poderia partilhar convosco as fotos, para que percebessem melhor o meu devaneio acerca deste tema, mas não vos vou expor a isso. Nem a vocês, nem a mim. Adianto apenas que não se aproveita uma. Ponderei sobre os porquês (afinal, a modelo é top) e conclui que não podes ir de férias com qualquer pessoa e esperar que tire fotos para colocar na estante, sem que alguém visite a casa e não se ria (como fazemos na casa dos amigos quando vemos aquelas fotos de criança). Já pensaram porquê que a imagem de todos os reis é feia, mas a imagem de jesus cristo é bonita?

 

A partir de agora só viajo com pessoas que cumpram, pelo menos, um desses dois requisitos: ou amam a fotografia ou amam a minha pessoa. Com preferência, a primeira hipótese. Já que segunda pode facilmente induzi-los em erros, e acharem que está sempre tudo bem. Afinal... o amor, por vezes, faz ver tudo bonito. 

 

Felizmente a minha próxima viagem é com a Catarina, uma grande amiga minha. Que ama a fotografia... e também me ama a mim. De certeza!

 

M.

 

01
Abr19

esquisitices.

quatro de treta e um bebé

Há muitos anos atrás (oh meu deus, já tenho muitos anos atrás!) tive uma paixão platónica que, também ela, durou alguns anos. Talvez andasse no 7.º ou 8.º ano e ele no 11.º ou 12.º. Como uma verdadeira paixão platónica, ele nunca soube. Ninguém soube. Nunca tínhamos falado e apenas o via ao longe. Como sabemos, a vida dá voltas e o destino é traiçoeiro. Conheci-o quando já estava na faculdade, por acaso, num daqueles típicos jantares de Coimbra. A paixão platónica ainda existia. Até que ele abriu a boca para falar para mim... e a paixão morreu!

 

Um sorriso, um olhar, o tom de voz. As mãos, as conversas ou a gargalhada. Todos temos algo que se destaca na pessoa que nos cativou e por quem nos apaixonamos. Arrisco-me a dizer que cada um de vocês saberá dizer uma, ou várias coisas, acerca da pessoa por quem nutrem sentimentos.

 

Saberão responder de igual modo acerca daquilo que vos afastou, por completo e à primeira vista (ou momento) de determinada pessoa? Aquela característica que não sendo má, ou não a tornando numa pessoa má, que não tendo a pessoa culpa, vos fez por um ponto final ainda antes do início da frase?

 

Há uns tempos, em conversa com uma amiga, dizia-me ela que no programa do “O Carro do Amor”, uma das candidatas deu sinal vermelho ao par simplesmente porque ele era mais baixo do que ela. E que apesar de toda a cumplicidade que existiu entre os dois desde o primeiro momento, havia algo do qual a candidata não se conseguia abstrair... a altura.

 

Divagamos sobre o tema e concluímos que ambas teríamos feito a mesma coisa. Talvez não o admitíssemos na TV. Talvez não disséssemos à pessoa. Mas saberíamos que era isso que nos estava a impedir de avançar.

 

Não que tenha passado pela experiência (ou se passei nem me apercebi de tão automático que foi o bloqueio), mas quase que garanto que jamais me apaixonaria por alguém mais baixo do que eu. Por muito que tivesse “tudo o resto”. É um facto: ser mais baixo colocaria logo, só por si, o sinal vermelho. O ponto final antes da frase. Mas podíamos ser amigos para sempre.

 

Dei pelo meu pensamento a divagar sobre aquelas coisas que ativariam o sinal vermelho. E concluí que até tenho algumas.

 

A voz. Capaz de destruir uma paixão platónica de anos. E me faz fazer questão de falar com as possíveis paixões platónicas que surgem.

 

A data de nascimento com um número igual ou superior a 1993. (Tenho que partilhar convosco que primeiro escrevi 1998, apaguei e escrevi, 1995 e voltei a apagar e escrevi, finalmente, 1993. Ainda voltei a apagar com a intenção de colocar 1991, mas voltei a escrever um 3. Não estou certa disto. Mas prefiro manter a amplitude, pelo menos mental).

 

A bagagem...

 

Neste momento, tenho aqueles que me são mais próximos a revirar os olhos e a dizer em voz alta (porque já não conseguem controlar o som): “mas ainda há alguém que acredite que ela não vai ser solteira a vida toda?”.

 

Calma! Ainda há esperança no Tinder!

 

M.

15
Fev19

Celebre-se o amor

quatro de treta e um bebé

Quis a distribuição dos dias que me calhasse escrever no afamado dia 14 de fevereiro, ou seja, no dia dos namorados.

 

Acontece, porém, que, chegada a hora, dei por mim a optar por namorar, ao invés de me sentar a escrever. Contudo, e dada a ocasião, certezas tenho de que me vão conseguir compreender e, quiçá, inocentar.

 

Afinal, no dia dos namorados, ou dia de São Valentim, celebramos o amor. E, se este argumento não vos convencer, sempre poderemos tentar novamente no dia 12 de junho, que é quando se comemora este dia no Brasil!

 

De qualquer forma, o tema não é propriamente estranho ao blog, especialmente quando temos alguém que trata o Cupido por tu e até criou um crowdfunding com vista ao casamento de sonho (#somostodosTEAMMARIA).

 

As origens da celebração do dia, pelo menos de acordo com o nosso amigo google, remontaram a Roma Antiga e festejos em honra de Juno, uma deusa associada à fertilidade e ao casamento. Claro que, anunciemos muito estas origens e vejam grande parte dos casais lembrarem-se que, afinal, tinham-se esquecido daqueles planos importantes e que, se calhar, será melhor festejar noutro dia, pelo sim, pelo não. Como tantas vezes na história, chega a altura em que a igreja católica se decide apropriar de uma festa pagã, sempre é mais fácil e muito mais prático do que ter que inventar novas festas (lembrem-se que, na altura, ainda não existia a rádio comercial…). Coloca-se um “São” em jeito de prefixo e a tónica no casamento, entendendo o departamento de marketing da igreja que teria mais sucesso e que sempre seria mais consistente com a teoria católica do casamento antes da fertilidade.

 

Só que o casamento não paga o sustento dos comerciantes. Imaginem lá aqueles restaurantes cheios de casais e sorrisos, se sequer imaginassem que, lá em cima, os nomes deles estão a ser apontados para potenciais casamentos. Até lhes podia cair mal a comida, ou, pior, engasgarem-se. E nós também não queremos isso. Nem isso, nem perder a oportunidade de lucrar qualquer coisita. Agora anunciem que, na verdade, o estão a fazer em celebração da deusa do casamento e da fertilidade, e imaginem o caos.

 

Então, vamos lá abrilhantar a coisa. Chamemos-lhe o dia dos namorados. Melhor, proclamem o dia do amor! Amor em geral. Pode ser pelos amigos e familiares. Pode ser pelos animais de estimação. Pela vida no seu todo. O amor, ponto. Não dá para ficar muito mais genérico do que isto.

 

Uns coraçõezitos, um vermelho que chame bem à atenção, umas camufladas sugestões de prendas, as subtis dicas de lembranças para quem se esqueceu, e voilá! Isto tudo porque, afinal, o amor é isso mesmo, certo?

 

Talvez já desconfiem, mas não sou grande entusiasta da data. Já me conhecem, não gosto do tem de ser, forçarem-me a celebrar o amor, já viram isto? Se não o celebrasse durante todo o ano, pouco sentido faria apregoá-lo neste dia, não concordam? E, por muito sensível que seja à causa do combate à baixa natalidade, não tenho qualquer interesse direto e pessoal em honrar a deusa do casamento e da fertilidade, pelo menos, não para já. Por isso, pouca importância têm para mim datas como esta. O que tem importância, isso sim, é o amor. E, esse, eu trato de lembrar e cuidar durante todo o ano.

 

E o J., claro, o meu comprimido de sanidade mental. E aí é consensual, qualquer oportunidade de, juntos, nos celebrarmos, e de celebrarmos o amor, é uma estupenda oportunidade. Por isso, apesar de tudo, lá vamos nós, de braço dado, pelo meio dos coraçõezitos, de todo o vermelho, para os restaurantes atafulhados de casais de todos os tipos e feitios, e, entre risos e olhares, lá vamos lamentando os tolos que só celebram o amor uma vez por ano.

 

Com amor,

R.

07
Fev19

#somostodosTEAMMARIA

quatro de treta e um bebé
Há dias, li uma notícia sobre umas jovens japonesas, homossexuais, que criaram um crowdfunding com o objetivo de angariarem fundos para percorrerem 26 países, onde o casamento homossexual é permitido, tirando fotos simulando (reitero e sublinho, simulando) a concretização do casamento entre as duas, em todos eles. Dizem elas que o farão em jeito de protesto, uma vez que o direito ao casamento lhes tinha sido vedado no seu país. 
 
Em Portugal, e apesar de não sermos, de todo, um país evoluído e com mentalidades abertas, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido (e bem! Fica a faltar a mesma igualdade de direitos no que respeita a outros temas, como, por exemplo, a adoção). Todavia, e em jeito de protesto pelos países que não o permitem, não tenho qualquer problema em percorrer 26, 50, 100 países, a tirar fotos a simular casamentos, se alguém pagar essas viagens.
 
Verdade seja dita, quem é que se importava de fazer isso?
 
Ponderei, seriamente, em lançar um desafio idêntico e percorrer o mundo às custas de alguém que acredita que vou em protesto e em defesa de boas causas. Mas a minha consciência (estúpida!) relembrou-me que não se deve enganar as pessoas.
Odeio a minha consciência. De verdade. Mas também acho que ela faz falta a muito boa gente (ofereço-a, se quiserem).
 
[ por favor, abram num novo separador com este link antes de continuarem a ler o texto ]
 
Tudo isto para vos dizer que ponderei novamente (e melhor), e de acordo com a minha consciência, acabo de lançar o desafio #somostodosTEAMMARIA.

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 #somostodosTEAMMARIA, é um crowdfunding que tem como objetivo angariar fundos para que o meu namorado me leve a Nova Iorque na Passagem de Ano.

 
Parece-me legítimo. E é totalmente verdadeiro. 
Na verdade, nem é por mim, é por ele.
 
Em contrapartida, sacrifico-me eu, e comprometo-me perante vós, a reportar tudo o que se passará durante esse período. E até partilhar convosco o vídeo do pedido... e sem simulações!
 
É um crowdfunding totalmente genuíno e não pretende camuflar qualquer outra intenção que não a verdadeira: ser pedida em casamento, na passagem de ano, em Nova Iorque, com anel estilo Kate Middleton.
 
Criei o meu projeto em PPL | Crowdfunding Portugal, e contava acrescentar aqui o link, porque sei que estão ansiosos por contribuir para esta boa causa. Mas dizem eles que demoram dois dias a analisar o meu pedido... precisam de verificar a legitimidade do mesmo (?). Mas há dúvidas? 
 
De qualquer forma, dar-vos-ei novidades em breve! Posso contar convosco? 
 
[ façam o favor de fechar o novo separador ]
 
M.
 
04
Fev19

A adaptação do Cupido.

quatro de treta e um bebé
Ao longo dos anos foi necessário adaptar a maior parte das profissões (se não todas). A invasão das novas tecnologias levou a que "novos" e "velhos" tivessem que aprender a trabalhar com elas, e viver com elas, a depender delas, e a gostar tanto delas. De uma forma ou de outra, todos tiveram que aprender, se adaptar e trabalhar de forma diferente. Hoje, todos estamos contentes por as novas tecnologias terem entrado nas nossas vidas.
 
A profissão do Cupido não foi exceção. Lá vão os tempos em que um menino (quando ainda não se falava em exploração infantil), cujas ferramentas de trabalho eram umas asas e uma flecha, andava por aí, a percorrer o mundo, à procura dos pares ideais, atirando-lhes flechas que os trespassavam, mas não matavam (ou matavam lentamente, muito lentamenteeee, mas nunca nenhum Cupido foi condenado por isso).
Era uma profissão exigente. Muito exigente, na verdade. Não se exigia qualificação para exercer a função, mas exigia-se mira, muita mira! Todavia, não era essa a maior dificuldade, ou exigência: a verdadeira dificuldade estava em encontrar os tais pares ideais. As caras metade. Os compatíveis. E eram percorridos quilómetros e quilómetros em vão.
 
Não sei se por erros de recrutamento, ou se por cansaço que impedia uma mira exímia, a verdade é que conseguimos encontrar várias falhas do Cupido.
 
Pois bem, graças à evolução e as novas tecnologias, estes erros já não acontecerão mais.
 
Hoje, o Cupido dispõe de um conjunto de ferramentas que lhe permitem não precisar de asas, não correr o mundo, podendo, contudo, continuar a lançar flechas só por diversão. Já não é um menino. É um adulto, com formação superior. E cursos de "coaching". Dá-se preferência aos "coach de relacionamentos", mas não é requisito essencial.
Hoje, não é o Cupido que percorre quilómetros, a vaguear nas alturas. São os, chamar-lhe-emos, Candidatos ao Amor que se sinalizam. Se inscrevem. E se põe quietinhos para que o Cupido não atire a flecha ao lado.
Hoje, é através de uma câmara que o Cupido faz (tão bem, como se vê) o seu trabalho.
À distância, após analisar os CV's dos candidatos, juntando aqueles que melhor se entenderão, e sentado num cadeirão para que se sinta confortável, acompanha, todo um processo a que chamam de encontro.
 
Assim, a quem anda por aí  à espera que o Cupido faça o trabalho dele, desistam.
Casamento à primeira vista, Carro do amor, First Date, Quem quer namorar com um agricultor?, são as melhores hipóteses que têm para conseguir encontrar o verdadeiro amor. E nem é difícil escolher (podem sempre se inscrever em todos).
 
Caprichem no CV e fiquem quietinhos para que flecha não passe ao lado no momento em que se baixam para atar os atacadores. E Boa Sorte. 
 
M.

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31
Dez18

Querido 2019... acredita e entra com tudo!

quatro de treta e um bebé

Poderia estar a contar-vos que me encontrava sentada num banco qualquer do aeroporto, pronta a embarcar para Nova Iorque e que, ao que tudo indicava, a próxima vez que vos escrevesse contar-vos-ia que os meus desejos se tinham realizado. Mas não. Posso adiantar-vos já o fim. Não estou em Nova Iorque, nem vou embarcar nas próximas horas. Não verão fotos no instagram de Times Square, nem da minha mão com o anel e o hashtag #shesaidyes. Nem verão um sem fim de fotos românticas, pirosas e sem critério, que iria partilhar convosco, influenciada pelo momento.

 

Não sei bem quando é que esta ideia de ser pedida em casamento na passagem de ano em Nova Iorque surgiu. Mas, com certeza, não estava numa das minhas uvas passas na meia noite do dia 1 de janeiro de 2018. Pois bem, pelo sim, pelo não, estará, com toda a certeza, logo à noite, numa das minhas uvas passas da meia noite do primeiro dia de 2019. E quem sabe se o post que poderia estar a escrever hoje, não escrevo daqui a um ano. Podem incluir esse desejo numa das vossas uvas passas, se faz favor? Sempre ouvi dizer que a união faz a força.

 

Tenho uma amiga que no final de cada conversa cujo tema é “vida” me diz: “pensamento positivo, pensamento muitooo positivo que isso, por si só, atrai coisas positivas”. Efetivamente ela tem sempre razão: acreditar é o primeiro passo para que as coisas aconteçam. Por isso, a primeira resolução para 2019 é acreditar sempre!

 

Acreditar que o Benfica vai ser campeão no futebol e o Famões no voleibol. Que o meu treinador me vai deixar ser distribuidora, que vou visitar os 5 continentes, que me vai sair o euromilhões. Que vou a Nova Iorque no final do próximo ano.

 

Há uns anos escrevia que adorava resoluções de ano novo. E adoro. Não por acreditar verdadeiramente nelas (e se calhar é por isso que ainda não me saiu o euromilhões, apesar de todos os anos comer uma uva passa por ele), mas porque permitem que quem as faz feche um ciclo e inicie um novo. Logo, à meia noite, tudo o que aconteceu em 2018 fica ali. É como se fosse possível fragmentar a vida. Mais um ano que se inicia. Um Novo Ano onde tudo é possível. Como no ano anterior. Deixar de fumar, viver uma vida mais saudável, ser mais feliz, ajudar os outros, trabalhar mais (ou menos), começar a acreditar. Como no ano anterior.  Onde as pessoas se comprometem a tudo, como no ano anterior. Mas desta vez é diferente. Como no ano anterior. Não, porque este ano é "o ano"! Que seja. Como no ano anterior. Feliz 2019! Que entre com tudo. E acreditem!

O que fazer no ano novo em Nova York em 2018 Brook

M.

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