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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

01
Abr19

esquisitices.

quatro de treta e um bebé

Há muitos anos atrás (oh meu deus, já tenho muitos anos atrás!) tive uma paixão platónica que, também ela, durou alguns anos. Talvez andasse no 7.º ou 8.º ano e ele no 11.º ou 12.º. Como uma verdadeira paixão platónica, ele nunca soube. Ninguém soube. Nunca tínhamos falado e apenas o via ao longe. Como sabemos, a vida dá voltas e o destino é traiçoeiro. Conheci-o quando já estava na faculdade, por acaso, num daqueles típicos jantares de Coimbra. A paixão platónica ainda existia. Até que ele abriu a boca para falar para mim... e a paixão morreu!

 

Um sorriso, um olhar, o tom de voz. As mãos, as conversas ou a gargalhada. Todos temos algo que se destaca na pessoa que nos cativou e por quem nos apaixonamos. Arrisco-me a dizer que cada um de vocês saberá dizer uma, ou várias coisas, acerca da pessoa por quem nutrem sentimentos.

 

Saberão responder de igual modo acerca daquilo que vos afastou, por completo e à primeira vista (ou momento) de determinada pessoa? Aquela característica que não sendo má, ou não a tornando numa pessoa má, que não tendo a pessoa culpa, vos fez por um ponto final ainda antes do início da frase?

 

Há uns tempos, em conversa com uma amiga, dizia-me ela que no programa do “O Carro do Amor”, uma das candidatas deu sinal vermelho ao par simplesmente porque ele era mais baixo do que ela. E que apesar de toda a cumplicidade que existiu entre os dois desde o primeiro momento, havia algo do qual a candidata não se conseguia abstrair... a altura.

 

Divagamos sobre o tema e concluímos que ambas teríamos feito a mesma coisa. Talvez não o admitíssemos na TV. Talvez não disséssemos à pessoa. Mas saberíamos que era isso que nos estava a impedir de avançar.

 

Não que tenha passado pela experiência (ou se passei nem me apercebi de tão automático que foi o bloqueio), mas quase que garanto que jamais me apaixonaria por alguém mais baixo do que eu. Por muito que tivesse “tudo o resto”. É um facto: ser mais baixo colocaria logo, só por si, o sinal vermelho. O ponto final antes da frase. Mas podíamos ser amigos para sempre.

 

Dei pelo meu pensamento a divagar sobre aquelas coisas que ativariam o sinal vermelho. E concluí que até tenho algumas.

 

A voz. Capaz de destruir uma paixão platónica de anos. E me faz fazer questão de falar com as possíveis paixões platónicas que surgem.

 

A data de nascimento com um número igual ou superior a 1993. (Tenho que partilhar convosco que primeiro escrevi 1998, apaguei e escrevi, 1995 e voltei a apagar e escrevi, finalmente, 1993. Ainda voltei a apagar com a intenção de colocar 1991, mas voltei a escrever um 3. Não estou certa disto. Mas prefiro manter a amplitude, pelo menos mental).

 

A bagagem...

 

Neste momento, tenho aqueles que me são mais próximos a revirar os olhos e a dizer em voz alta (porque já não conseguem controlar o som): “mas ainda há alguém que acredite que ela não vai ser solteira a vida toda?”.

 

Calma! Ainda há esperança no Tinder!

 

M.

10
Dez18

apaixólicos - aqueles que não souberam furar o fundo do copo.

quatro de treta e um bebé

Conseguem identificar o momento, em concreto, que se apaixonaram por alguém? Não o porquê. Não de forma genérica. O momento concreto em que sentiram que estavam apaixonados? E o que levou a isso? Conseguem identificar, de forma concreta, o que gerou o clique?

 

Sabemos (ou achamos que sabemos) que é um conjunto de situações. Há quem defenda que é o cheiro.
Se quanto ao conjunto de situações nada tenho a aportar. Quanto ao cheiro refuto com toda a convicção.

 

Quando damos por nós já está. Não há muito a fazer. Reformulando, não há nada a fazer.

Na verdade, quando dás por ti já estás apaixonado e não tem volta a dar. Percebes que um olhar, algumas conversas, determinados momentos, levaram àquilo. Sabes, à partida, que foi tudo, em conjunto, que originou aquela situação irreversível.
Mas consegues perceber, efetivamente, o que levou o copo cheio a transbordar?

 

Tenho refletido sobre o tema. Não por alguma razão em especial. A maior parte das vezes reflito só porque sim. E a conclusão que cheguei é que não. Dificilmente vamos saber o que deu origem à enxurrada.


Em retrospetiva, não sei o que fez o meu copo transbordar. Se soubesse, talvez tivesse arrastado o copo um pouco para o lado. Virado um bocadinho só para garantir. Furado o fundo. Na verdade, talvez tivesse furado o fundo!


Equiparo o "ficar apaixonado" "àquela" noite de copos. Realizando uma análise racional (daquelas que o "ficar apaixonado" não permite, e que a noite de copos também não) tenho algumas dificuldades em descobrir as diferenças. 

 

Em ambas as situações quando dás por ti "já está" ! Não há nada a fazer. Não sabes o que originou, tinhas tudo controlado, mas alguma coisa alterou o rumo que tu tão bem tinhas delineado. Em ambas, saíste só para tomar café e contas voltar para casa cedo e descansar. Em ambas, no momento em que o copo transborda, sabes que o que te espera não é, nada mais, nada menos, do que dores de cabeça. E a culpa nem foi tua, porque tinhas tudo controlado e não percebes como se descontrolou. Ambas te levam a fazer coisas que jamais farias se não estivesses alterado por tal estado. E ambas te vão fazer arrepender no momento da ressaca. E nesse momento (o da ressaca) vais dar voltas e voltas à tua memória traiçoeira, com alguma neblina e visão turva, para perceber em que momento é que tudo se descontrolou.

Em nenhuma das duas situações vais perceber. E nas duas vais deitar-te a adivinhar. E acertar ao lado. E por esse motivo, cair no mesmo erro. 

 

Todavia, também em ambas as situações vais viver momentos inesquecíveis (até com apagões de memória), que apesar das dores da ressaca, vais recordar sempre com um sorriso na cara. Ambas te vão provocar nostalgia. Ambas te vão fazer feliz e fazer acreditar que o mundo é teu. Em ambas vais sonhar e concretizar (quem é que na naquela noite de copos não consegue voar?).

 

Já se diz por aí, o que não tem remédio, remediado está. E as melhores noites começam sempre com um "vou só tomar café". 

 

M.

20
Ago18

Ao querido namorado.

quatro de treta e um bebé

Ao longo de toda a nossa vida somos obrigados a abdicar de coisas. Desde cedo que os nossos pais, avós, pessoas adultas em geral, nos tentam ensinar isso. Ora não podes ir. Ora não podes comprar. Ora ou isto ou aquilo. Sempre vivi bem com isso. Bem! Se calhar nem sempre. Mas, pelo menos, não vivi mal o suficiente ao ponto de levar a birras memoráveis.

 

No básico, dizia que ia casar com um jogador de futebol. Viajar pelo mundo. Viver no verão durante os doze meses do ano. Ter uma casa enorme, com piscina, jardim, campo de jogos, e alguém que cuidasse dela por mim. Abdiquei disto por amor. Porque o amor era um zero à esquerda no futebol. Tão à esquerda que nem para a equipa B do FCPorto dava, quanto mais para ser titular no Âncora Praia.

 

Na faculdade, sonhava com a serenata à janela. Estudei em Coimbra, era o mínimo que podia ter feito. Contentei-me com um bombom Serenata de Amor. Afinal o amor é isso, não é? Ver os pequenos gestos como se fossem gestos gigantes (leiam isto com aquele tom que usam quando estão desiludidos e conformados ao mesmo tempo, porque é dessa forma que o estou a escrever).

 

Recentemente, decidi que quero ser pedida em casamento na Passagem de Ano, em Nova Iorque, com um anel de noivado estilo Kate Middleton.

E desta vez não há amor que resista. Como já li por aí, ou é assim ou então nem caso (e estou a escrever isto com ar de importante e nariz empinado, e é bom que isso fique claro para todos).

Já passei a informação às amigas. Elas sabem qual é o anel e onde se compra. Qualquer dúvida elas estão aptas para esclarecer.

A viagem compra-se numa agência qualquer de viagens, não sou esquisita.

Como sou uma pessoa prevenida, deixei dois dias de férias por marcar. Para "eventuais eventualidades".

O pedido de casamento é uma eventualidade não é?

Mas sem pressão! 

New-York-1.jpg

 

M.

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