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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

19
Mai20

Época Balnear 2020

quatro de treta e um bebé

A abertura da época balnear nunca foi digna de uma abertura com "pompa e circunstância", pelo simples facto de, se assim entedêssemos, podermos estender a toalha na areia em pleno mês de dezembro, e com a exceção da pneumonia ou da hipotermia, mais ninguém queria saber disso.

Este ano, o Covid-19 veio por-nos a todos a ansiar pela tal abertura da época balnear. E as medidas governamentais que se pretendem implementar, para que o regresso às praia seja o mais seguro possível, colocou-nos em frente à TV, a ouvir com bastante atenção, para percebermos se em vez de acordarmos às cinco da manhã para conseguirmos estender a toalha o mais perto possível da água, não temos que passar lá a noite para garantir que temos lugar no areal. Tipo fila para marcação de consulta no centro de saúde. Nada de novo.


Ao que a mim diz respeito, admito estar super entusiasmada com a época balnear 2020. Pela primeira vez, desde que me lembro, posso chamar a policia quando aquela família com 20 pessoas, chegar à praia às onze da manhã e montar a barraca (literalmente) no metro quadrado que sobrou ao meu lado. Estou em êxtase só pela possibilidade.

Há anos que anseio que apareça uma nuvem bem carregada, em cima deles, do tamanho desse metro quadrado, e que comece a chover torrencialmente, só ali. Ou então que a onda do mar, faça um pequeno desvio, naquele metro quadrado, e leve todas as suas coisas. Obrigada Covid.

Também prevejo que, este ano, seja possível resolver o problema daquelas criaturas (adultos e crianças, entenda-se!) que passam a correr junto à minha toalha. A minha solução passará por tossir ou espirrar, com todas as minhas forças, no momento em que por ali passam. Acredito que não voltem a passar e prefiram dar a volta à praia, mesmo que essa volta seja de 10 km. Obrigada Covid.


Não deixa de ser incrível como é necessário que apareça um tal vírus para que as regras de bom senso sejam cumpridas. E por esse motivo, estou grata.


Aproveito este post, para vos informar, queridos leitores, que, para aqueles que não consigam passar a noite na praia e dessa forma garantir o seu lugar, na minha casa, em Vila Praia de Âncora, tenho um terraço onde cabem cerca de 10 pessoas (garantindo as devidas distâncias de segurança), disponível para alugar. Para além do sossego do vosso metro quadrado, garantimos uma bacia onde podem molhar os pés e refrescar-se. Tem vista para o mar. Mais informações por MP. 


M.

28
Mar19

Bloqueio criativo

quatro de treta e um bebé

Lanço o papel branco em cima da mesa e saco da caneca, pronta para desbravar em prosa, linha a linha, um conteúdo interessante para o meu post no blog. Porém, a tinta não escorre, a ideia não surge, as palavras não saem.

 

Bem, na verdade, abro um novo documento word, mas vocês entendem a ideia.

 

Eis que surge, perante mim, o temível, o terrorífico, o impiedoso… writer’s block.

 

Dizendo de outra forma, não sai qualquer texto! Contudo, dizê-lo desta forma não soa tão bem, pois não? Chamemos-lhe um bloqueio criativo. Não, não é a segunda frase que custa a escrever, é mesmo a primeira que não aparece.

 

Confessei este meu desespero produtivo à M., cuja resposta me deixou bem mais tranquila: “estamos umas autênticas escritoras, isto só acontece às escritoras!

 

Querem ver que a árida época que atravesso, fonte da minha preocupação, é, afinal, nem mais nem menos do que a prova, em si mesma, da nossa qualidade de escritoras?

 

Esta fase infrutífera nada passa, afinal, do que uma mera praxe das mentes criativas, um ritual de passagem, a derradeira prova de sobrevivência criativa?

 

É que, se o é, então garanto-vos, há aqui escritora, porque esta conversa foi já há umas semanas e, à semelhança do resto do país, a seca mantem-se por estes lados.

 

Eu tenho ideias, tenho uma lista delas, temas que quero trazer para o blog, experiências que quero partilhar, histórias que quero contar. Sucede que, página aberta, as palavras não fluem, não surgem no cérebro, quanto mais nas pontas dos dedos. É uma sensação estranha, de que as ideias estão lá ao longe, gosto delas e acho que vão dar bons posts, mas estão longe, e eu estou completamente desconectada delas, como se a ponte que conectava a ilha das ideias à página do post tivesse temporariamente fechada para obras.

 

Não sei quanto tempo demorarão as ditas cujas, contudo, por hoje, escapo-me sorrateiramente com um post sobre não conseguir escrever um post

 

Para já, chamo-lhe um writer’s block, porque o estrangeirismo é sempre mais chique, e procuro refúgio na teoria da M., até descobrir como o magicamente curar.

 

C-Writer_s_Block_grande.jpg

Vela: https://whiskeyriversoap.com/products/a-candle-for-writers-block

 

R.

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