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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

22
Mar21

O segredo do mental coach, ou lá o que é.

quatro de treta e um bebé

Antes de mais, desculpem psicólogos deste país (e do mundo, também).

Começo o artigo de hoje, com este pedido de desculpas que, apesar de duvidar que sejam aceites, são sentidas. De verdade.

Não sou uma fã da psicologia, em geral. Não me cativa, não me desperta curiosidade, faz-me revirar os olhos constantemente, e se aprofundasse este tema, amanhã teria os psicólogos em ataque direto, defendendo a sua profissão e contra-atacando os advogados, que nada tem a ver com este artigo. 

Mas, efetivamente, é um tema para o qual, mesmo que quisesse muito, não teria paciência para aprofundar. Digamos que me falta o dom (o dom da paciência, entenda-se). Talvez precise de procurar um psicólogo que me ajuda a entender os motivos subjacentes no meu consciente (ou subconsciente, não sei).

Adiante.

Apesar da psicologia, em geral, não me despertar qualquer interesse, por sua vez, a psicologia no desporto já capta a minha atenção.

Ligada ao desporto desde os 8/9 anos, já lidei com atletas de todo o género e feitio. Os muito bons tecnicamente, os muito bons fisicamente, os que não sendo nada disso, conseguem um rendimento de topo, que os outros não conseguem.

Já fui treinada por místeres que focavam as capacidades técnicas das equipas, e outros cujo foco apontava essencialmente para o psicológico. Tratando-se das equipas adversárias, focavam-se naquelas que entendiam ser as atletas "psicologicamente" mais fracas. Que à mínima pressão, ao mínimo contratempo, deixavam, simplesmente, de conseguir executar a sua tarefa, por mais pequena, ou simples, que fosse. 

Em retrospetiva reparo que os segundo (atletas ou treinadores supra) sempre foram mais bem sucedidos. 

A este propósito quem não se lembra do golo do Éder que nos deu o título de campeões da Europa, que perdura até hoje, e da sua mental coach, que apareceu em tudo o que era noticia nos dias (ou meses) seguintes? Afinal, é disto mesmo que vos falo hoje. De pessoas, tecnicamente (ou teoricamente) mais fracas, mas psicologicamente capazes de nos fazer ganhar o campeonato da Europa. Com a ajuda de um mental coach.

Pelo menos na teoria.

Atualmente sou treinadora de uma equipa de voleibol feminino, cujas idades das atletas rondam os 14/15 anos. A idade crítica. A adolescência. Os medos. A psicose. As manias. Os choros. E a minha paciência para tudo isso. 

Tendo perfeito conhecimento das minhas limitações, decidi inscrever-me numa formação barra webinar barra curso on line barra palestra barra conferência barra qualquer coisa barra (doravante somente formação) cujo tema era, adivinhem só, Psicologia no Desporto. E tentar esforçar-me para me tornar algo parecido com um mental coach

Estava motivada. Entusiasmada. Abri a mente, conforme me foi pedido, e tentei aprender os segredos mais bem guardados da psicologia. Do desporto, pelo menos. 

E eis os grandes pilares desse ensinamento:

1 - Há atletas psicologicamente mais fortes e atletas psicologicamente mais fracas. 

2 - Não podemos falar para todos os atletas da mesma forma.

3 - Atletas diferentes reagem de forma diferente à mesma situação.

4 - As vivências de cada uma afeta a sua performance.

Quando esta formação testava os níveis máximos da minha paciência e batia recordes quanto ao número de vezes que revirava os olhos, eis que o formador diz algo novo, diferente, surpreendente e que fez valer toda a formação. 

"Imaginar que desenvolvemos bem uma tarefa antes de dormir, evolui efetivamente a nossa capacidade de realizar essa tarefa."

Ou seja, imaginar que fazemos é tão (ou até mais) importante como fazer. 

Esqueçam os treinos durante horas, esqueçam os sermões, as explicações, a prática. Mudem o paradigma. Andamos a fazer tudo errado.

Após essa formação, alterei os meus treinos. Já não estamos duas horas, três/quatro vezes por semana a treinar. Já não insistimos na prática. Hoje, todas as atletas, todos, os dias, à noite, quando já estão na cama, imaginam-se a jogar a grande nível. Já não me preocupo se faltam, se estão a fazer o movimento ou o gesto errado. Preocupo-me antes com o que imaginam. E se efetivamente imaginam. Para garantir que imaginam bem feito.

E eu, também todas as noites antes de dormir, imagino que tudo isso dá certo. E há-de dar. Com o Éder também resultou. E ainda resulta. Ultimamente imagina-se a não ser convocado. E não é.

M.

05
Set19

Quarter-life crisis, já dizia o John Mayer (ou não tão quarter assim)

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas,

 

Quando é que sabem que o trabalho que fazem todos os dias já não vos faz feliz?

Como é que sabem que não foram feitas para aquele trabalho?

Como é que sabem que, se calhar, não é esta a vida que querem?

Quando é que ganham coragem para mudar?

Como é que se ganha coragem para mudar?

Se tens coragem para mudar, mas não tens meios financeiros para isso, como é que mudas?

Já alguma vez fizeram alguma destas perguntas a vocês mesmos?

Já alguma vez se viram numa situação em que até gostam de várias coisas no vosso trabalho, mas odeiam tanto outras que se calhar não compensa o bom?

Já se imaginaram a deixar o trabalho para o qual estudaram anos a fio, queimaram dinheiro, anos, tempo, e tentar outra coisa totalmente diferente?

E saberem que não estão no caminho certo, mas também não sabem qual é o certo?

Tenho pensado muito nisto ultimamente, mas não chego a grandes conclusões. Porque me sinto muito confusa, não sei a maioria das respostas a estas perguntas. Mas sei que o trabalho que há um ano atrás me realizava, hoje não o faz.

Eu antes costumava dizer que a segunda-feira era só um dia de semana como outro qualquer, eu queria, claro, um fim de semana de no mínimo três dias, mas era ok ir trabalhar na mesma. Neste momento só quero que a semana acabe e nunca comece, será este um indicador?

Mas olho e penso, querer mudar não será demonstrar ingratidão por todo o esforço que fizeram por ti ao longo dos anos para estares onde estás hoje?

Penso que, provavelmente, queria mudar o trabalho que faço, mas se calhar não queria mudar a vida que tenho, será compatível?

Não sei, isto se calhar hoje é um post um bocadinho esquizofrénico. Perguntas retóricas ou não. Partilhem connosco as vossas experiências e as vossas mudanças! Pode ser que nos inspirem!

 

F.

02
Mai19

O amor e a fotografia.

quatro de treta e um bebé

A fotografia sempre assumiu um lugar importante na vida das pessoas.

 

Se recorrermos aos nossos primórdios, facilmente percebemos que a fotografia está presente desde sempre. Não da forma que a conhecemos agora, é certo. Mas estava lá. Recorde-se, a título de exemplo, as pinturas rupestres, que nada mais são do que “fotografias” dos momentos vividos na época e que os nossos antepassados perpetuaram no tempo. É graças a elas, que hoje temos uma vaga ideia do que faziam na altura. Excelentes caçadores, quiseram fazer-nos crer, mas péssimos "fotógrafos", conseguimos concluir.

 

Antes, como agora, preocupámo-nos em registar aquilo que entendemos como importante, o que queremos que fique para o futuro. Há uns dias, um amigo escrevia na sua página do facebook, que "um dia seremos apenas o retrato na estante de alguém". Querem prova maior da importância da fotografia? 

Hoje diz-se que a fotografia se tornou vulgar. Efetivamente, constatamos com alguma frequência que as pessoas se preocupam mais em captar os momentos do que em vivê-los. Todavia, entendo que isso não retira a importância da fotografia. Eu diria antes que a fotografia se tornou mais fácil. Mas não menos importante.

 

Fotografar é uma arte. E como todas as artes exige que haja amor. Não há arte sem amor. Pode haver qualquer coisa. Qualquer tentativa. Rasca. Banal. Sem jeito. Assim, fotografar exige amor. À fotografia, ou ao que se fotográfa. E só isso nos faz explorar. No verdadeiro sentido da palavra.

 

Recentemente, estive de férias em Barcelona. Poderia partilhar convosco as fotos, para que percebessem melhor o meu devaneio acerca deste tema, mas não vos vou expor a isso. Nem a vocês, nem a mim. Adianto apenas que não se aproveita uma. Ponderei sobre os porquês (afinal, a modelo é top) e conclui que não podes ir de férias com qualquer pessoa e esperar que tire fotos para colocar na estante, sem que alguém visite a casa e não se ria (como fazemos na casa dos amigos quando vemos aquelas fotos de criança). Já pensaram porquê que a imagem de todos os reis é feia, mas a imagem de jesus cristo é bonita?

 

A partir de agora só viajo com pessoas que cumpram, pelo menos, um desses dois requisitos: ou amam a fotografia ou amam a minha pessoa. Com preferência, a primeira hipótese. Já que segunda pode facilmente induzi-los em erros, e acharem que está sempre tudo bem. Afinal... o amor, por vezes, faz ver tudo bonito. 

 

Felizmente a minha próxima viagem é com a Catarina, uma grande amiga minha. Que ama a fotografia... e também me ama a mim. De certeza!

 

M.

 

13
Dez18

Mercado de Natal de Passau

quatro de treta e um bebé

Talvez ainda não saibam, mas durante a licenciatura em Direito tive a oportunidade de fazer Erasmus. Passei o 1º semestre do meu 4º ano em Passau, na Alemanha, o que significa que, por esta altura em 2012, eu estava numa pequena cidade cheia de neve. Significa, também, que, apesar de ter vindo passar o Natal com a família, vivi grande parte da época natalícia na Alemanha.

 

Não sou grande fã do Natal, confesso, da mesma forma que não sou grande fã de qualquer evento do género, em geral. Gosto de celebrar, porque gosto de celebrar, quando me apetece celebrar, quando há bons motivos para celebrar. Gosto de estar com a família durante todo o ano, aliás, preciso disso. Gosto de comprar presentes porque aquilo me lembrou daquela pessoa, não apenas porque tem de ser. Aliás, vocês já sabem o quão pouco eu gosto do que tem de ser! Por outro lado, não consigo deixar de sentir alguma nostalgia. Vemos os anúncios na televisão, os planos de jantares e almoços, e é impossível não recordar aqueles que nos faltam, aqueles que queríamos convidar, abraçar e nunca mais largar, mas que já não podemos…

 

Contudo, há algo que eu absolutamente adoro nesta época natalícia: os mercados de Natal. Antes de 2012, os mercados de Natal pouco me diziam (mas também, antes de 2012, não conhecia o vazio das ausências à mesa de jantar…).

 

Foi em Passau que eu descobri a magia dos mercados de Natal, e me deixei por eles arrebatar.

 

Passau fica na Baviera e é uma cidade relativamente pequena (eu digo pequena por ser uma cidade mais pacata, com menos prédios, menos carros; aliás, apesar de ter uma área superior à da cidade do Porto, cerca de 69,58 km2, para 41,42 km2 do Porto, tem um quinto da densidade populacional, de cerca de 727 hab./km2 para 5.736,1 hab./km2 do Porto, segundo a nossa amiga wikipédia).

 

Por esta altura, já poderíamos visitar o Christkindlmarkt (que poderemos traduzir como mercado do menino Jesus), na praça da catedral (Dom) de Passau – podem ver a página oficial com mais informações aqui

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À medida que percorremos as ruas em direção à imponente catedral vamos começando a ouvir a música de Natal que enche a praça e a sermos guiados pelos magníficos odores convidativos.

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(cliquem nas setas para verem todas as fotografias)

 

Na praça, sente-se o Natal. A iluminação harmoniza-se na perfeição, criando um ambiente especial. Podemos percorrer as várias barraquinhas, preenchidas com motivos natalícios, decorações, ideias de presentes, e, claro, comida.

 

Além do típico Glühwein (o conhecido vinho quente), que também se vende numa barraquinha noutra parte da cidade, podemos beber uma opção não-alcoólica ou chocolate quente.

 

Temos ainda míticas salsichas gigantes (ou não estivéssemos a falar da Alemanha), deliciosos crepes com nutella, e outras tantas iguarias, como as fantásticas schneeballen.

 

(cliquem nas setas para verem todas as fotografias)

 

Neste mês, apesar do frio, o mercado de Natal era o sítio ideal para juntar o grupo de amigos e ir dar um passeio, pelo que o frequentei bem mais do que qualquer outro mercado ou atividade de Natal em Portugal. E, como é óbvio, certificava-me sempre de que levava espaço na barriga para me deliciar por lá.

 

A música de Natal, o cheiro absolutamente delicioso e cativante a comida quente e confortante, a iluminação subtil e harmoniosa, as barraquinhas, as decorações exímias e adequadas, a catedral majestosa, todos estes elementos se conjugam na perfeição. Ali, sente-se o Natal.

 

 

Sonho voltar; a Passau, sem dúvida, e àquele mercado de Natal.

 

Frohe Weihnachten!

 

R.

 

(📷 as fotografias foram tiradas por mim)

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