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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

16
Out19

Os meus amores pequeninos (parte 2)

quatro de treta e um bebé

Não imaginava o que seria o amor de tia.

Ser tia nunca foi uma ambição minha, tão pouco um plano, um desejo, sequer uma eventualidade pensada.

Como já vos contei, fui filha única até aos 19 anos, quando nasceu a S.

Não ter irmãos significava não ter nada do que vem associado à irmandade; mormente, significava não ter sobrinhos.

Naturalmente, após nascer a S., sobrinhos não foi, de todo, uma ideia que tivéssemos contemplado. Afinal de contas, a S. acabou de fazer 9 anos, pelo que espero que não me dê essa novidade durante muito, muuuuiiiito tempo.

Talvez em relação aos meus primos, a relação mais próxima desse género, os meus brothers from another mother, ainda imaginasse vir a ser tia, mas, novamente, nada de muito pensado, planeado, ou sequer ambicionado.

Surge o J. e com ele traz não um, não dois, não três, mas quatro irmãos. Ainda assim, sobrinhos, nem pensá-los.

Passam uns anos e nasce o A. Uns anos depois, nasce o D.

E heis que dou por mim uma tia babada.

Sim, sim, tia. A irmã é do J., mas os sobrinhos são nossos.

Fosse o J. diferente, fosse eu diferente, ou fossemos nós diferentes, e até poderia nem ser assim. Mas não somos; somos assim. A loucura da minha família já é dele, e a loucura da família dele já é minha. Vejam lá que o J. já merece ser individualizado no discurso de agradecimento dos 80 anos da minha avó M. (e olhem que foi um momento muito solene!).

De entre tantas coisas boas que o J. trouxe à minha vida (ele próprio incluído), trouxe-me também dois amores pequeninos.

Descobri recentemente este novo sentimento, o amor de tia – e tão bom que é.

Sim, sou daquelas tias babadas que fala dos sobrinhos como se tivessem acabado de ganhar a bola de ouro, ou um óscar, ou o nobel da paz. Daquelas que se baba a ver os vídeos e as fotografias das peripécias dos pequenos. Mesmo daquelas que volta e meia diz “sabes que os meus sobrinhos fazem isto e aquilo”.

É que, não é por serem meus, mas são, efetivamente, os sobrinhos mais fofos de todo o universo.

Ser tia, descobri eu, é algo de fabuloso.

Ser tia é ter a oportunidade de ser uma figura de referência, é poder ser um porto de abrigo, uma amiga que é mais do que isso, e, quando os pais nos permitem e nos incluem da forma inclusiva como a irmã do J. o fez, a possibilidade de, junto dos pais, participar ativamente na vida de bebés/crianças/jovens/adultos que, não sendo nossos, o são.

É ser uma companheira de aventuras e brincadeiras, ser aquele adulto que, como o Panda, é fixe. Ser, como o J. gosta de dizer, “os tios malucos” (ou, como eu prefiro, “os tios favoritos”).

Mas também estar pronta para se for preciso ser o adulto que diz “não, isso não”.

É que isto de ser tia não é só folia, também é responsabilidade!

É perceber que somos importantes para aqueles seres tão pequeninos, entender que eles sentem a nossa falta, que nos estranham e ressentem se ficamos ausentes, que a nossa validação é importante e que o nosso apoio pode ser decisivo.

Quanto ao nosso grupo, a S. contemplou-nos com a felicidade de sermos tias emprestadas da nossa B., pelo que de tudo faremos também para tornar a vida da pequena B. mais feliz, com essa benesse e bem-vinda responsabilidade que nos foi atribuída.

Tive a sorte de ter tios e tios-avós fabulosos que marcaram, e continuam a marcar, a minha vida de uma forma muito positiva e muito importante.

Espero poder vir a, de certa forma, retribuir, tudo o que recebi enquanto sobrinha, como tia.

Até lá, e sempre enquanto mo permitirem, espero poder ser uma presença positiva na vida destes meus amores pequeninos.

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R.

10
Ago19

Há sítios assim...

quatro de treta e um bebé

Hoje, partilho com vocês um texto muito especial para mim, escrito há dez anos atrás, sobre um lugar igualmente especial: a Lageosa da Raia.

 

Quem me conhece, já me ouviu falar sobre a minha aldeia. Faz sentido partilhar este texto agora, este mês, depois de ter voltado de lá.

É um sítio muito especial, sobretudo, pelas pessoas especiais que lhe estão associadas. 

É por isso que, hoje, é com um misto de sentimentos que partilho este texto, que tanto me diz. Aquele sítio continua tão especial, tão importante. Sucede que muitas das pessoas que o tornavam tão especial já não estão cá. Em particular, aquela pessoa já não está cá, aquela que é das pessoas mais especiais e mais importantes de toda a minha vida. É, por isso, com um misto de dor e tristeza, com muita saudade, mas também alegria, gratidão e muito amor, que partilho este texto, com a certeza que não vos dirá tanto quanto me diz a mim, mas com a esperança de, após esta pequena explicação, consigam perceber o quão especial é para mim este sítio.

 

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"Há sítios assim, onde o resto do mundo parece desaparecer, restando pouco mais a não ser nós próprios, com todas as nossas fragilidades e imperfeições. É algo a que acabamos por não estar muito habituados, já que na sociedade é costume escondermo-nos atrás de maquilhagens, mentiras, actuações teatrais, até da própria boa educação. Há sítios assim, em que nos é permitido largar tudo isso. Há sítios em que podemos descansar, sem porquês, sem obrigações, preocupações, discussões, desculpas. Podemos fugir, ainda que por momentos, deste mundo atarefado que nos sobrecarrega a todos os minutos com sensações de todos os tipos – gritos, palavras falsas, sons agressivos, todo o tipo de movimentos, cheiros, uma constante agitação. Temos a oportunidade de sentir, menosprezando o pensar. Conseguimos abstrairmo-nos, largar os bens materiais excessivos e as dores de cabeça. Guardamos apenas a nossa personalidade e um iPod, para que possamos ter o prazer de nos deliciarmos com a melhor musica, aquela que “fala” connosco e nos faz sentir bem. Numa tarde de Verão em que o sol está presente, atinge-nos uma sensação de calor e, caso tenhamos sorte, uma suave brisa. Se tirarmos os auriculares dos ouvidos, conseguimos ouvir os mais leves movimentos das folhas, os passos raros e distantes, o rio que passa devagar. Atirar uma pedra ao rio, ouvir o seu primeiro contacto, observar o salto da água e a pedra a descer até ao fundo, onde repousa, misturando-se com todas as outras pedras e perdendo qualquer característica distinta – os mais puros e ingénuos comportamentos, tão frequentemente chamados de infantis, que nos acalmam e, de certa forma, ainda nos impressionam. Contrariando as grandes cidades, conseguimos sentir a natureza, conseguimos fazer com que todo este conjunto se funda connosco de forma harmoniosa. Se olharmos com atenção, é impossível não nos sentirmos maravilhados com a simplicidade e a pureza de sítios assim, ainda não destruídos pelo homem. Apesar da nossa consciência e racionalidade nos dizer que não é possível haver algo perfeito, parece-nos impossível apontar críticas a um sítio que nos causa tamanha paz - sentimo-nos ser invadidos por uma serenidade incrível. Pensamos e sentimo-nos como nos é natural e verdadeiro, sem sermos controlados.

Para mim, a Lageosa da Raia é um sítio assim. Caminhar sozinha, rodeada de campos banhados pelo sol numa tarde soalheira, animais de vez em quando (mais raras ainda as pessoas), sem ter que explicar o porquê de me sentir bem, sem ter que encontrar razões para seguir um determinado caminho. Simplesmente caminhar. E, de em vez quando, parar, parar para sentir com maior força e admirar o quão maravilhosas são a simplicidade e a pureza de sítios assim, tão serenos. Viajar por um mundo melhor sem sair deste mundo, viajar por emoções, sentimentos, ideais, recordações, sem tirar os pés do chão. Entrar num ambiente que é só nosso, de mais ninguém. Há sítios assim, pequenos e pouco desenvolvidos, que com tão pouco nos provocam tão boas sensações. Há sítios assim, mágicos, onde sentimos que nada neste mundo nos pode perturbar."

 

Hay un lugar tan especial 
En donde yo contigo quisiera estar
Ese lugar tan especial
Donde si quieres nos besamos
Y me voy enamorando

R.

16
Mai19

O Mundo precisa de bondade

quatro de treta e um bebé

Precisamos, urgentemente, de praticar a bondade.

 

Menos do que praticar exercício, menos do que laborar, menos do que gastar, menos do que preocupar, precisamos de praticar a bondade.

 

Bem no início, quando ainda nos estávamos a apaixonar um pelo outro, numa discussão filosófica às custas de um tema qualquer, diz-me o J.: fazer o bem custa tanto ou menos do que fazer o mal, por isso porque é que havemos de fazer o mal?

 

Mal sabia ele, naquela altura, de que aquela frase, aquele espírito, tinha sido melhor do que qualquer frase de engate que pudesse ter descoberto.

 

É bem verdade. Dizer que fazemos o mal porque custa menos do que fazer o bem não passa de uma mentira que contamos, para convencer o Mundo, mormente para nos convencemos a nós próprios. No entanto, não passa disso. Em bom português, é treta.

 

Aprendi ao longo da vida que cada um de nós trava uma batalha própria, alheia aos olhos da maior parte das pessoas. Sem exceção, todos temos demónios. Sejam eles quais forem, todos nós carregamos fardos, bagagem, lutas internas.

 

E precisamos de bondade. Precisamos tanto de bondade.

 

Parar de pensar para dentro e olhar para quem temos ao nosso lado. Será que há algo que podemos fazer por essa pessoa? Será que essa pessoa está bem? Já lhe perguntamos hoje se essa pessoa está bem, mas mesmo perguntar, porque nos preocupamos, e não apenas para fazer conversa?

 

Às vezes é tão simples quanto um sorriso. Como um abanar de ombros de compreensão pela pessoa que errou mesmo à nossa frente, em vez do habitual palavrão ou desprezo, lembrando que também nós, nalgum momento, já fizemos erros idiotas.

É tão simples quanto mandar uma mensagem. Pode servir de pouco, pode não ter resposta, mas praticámos a bondade. Pode ser tão simples quanto um “lembrei-me de ti, espero que estejas bem”. Por vezes, palavras tão breves e simples podem salvar um dia.

 

A bondade não precisa de resposta, não exige obrigados, não espera retribuições. A bondade, pelo contrário, vale por si só.

 

Sejamos menos egoístas, mais atentos. Menos impulsivos, menos irritadiços. Direcionemos menos a nossa raiva ou frustração para os outros, e olhemos bem para dentro, para vermos o que de verdade se passa, para podermos tratar de nós próprios. Com bondade.

 

Não custa mais, não se paga, não nos tira dignidade, não quer dizer dar o braço a torcer, não quer dizer parecer fraco, nem sequer quer dizer esquecer.

 

Deixem-se de tretas. É só bondade. Só isso. E nós precisamos tanto de bondade.

 

R.

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