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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

02
Out18

e a palavra do ano 2018 é....

quatro de treta e um bebé

Para Janeiro de 2019 aguardo com grande expectativa a revelação da palavra vencedora do “Palavra do Ano 2018”. Posso, desde já, adiantar que não espero outra coisa se não ouvir a palavra CASAMENTO.

Não pode ser outra. Não faz sentido ser outra. Não dá margem para dúvidas. E se revelarem outra vou impugnar! Contestar! Fazer um abaixo assinado! Recorrer de tal decisão para instâncias superiores!

 

Este ano, metade do país casou. E a outra metade foi ao casamento. Um país inteiro pronunciou, mais do que milhentas vezes, a palavra casamento. E pensou nela outras tantas.

Nem sei como houve espaço para outras palavras no discurso. Na verdade, as que houve serviram de base àquela.

 

Sinto-me na obrigação de referir que acredito, solenemente, que este facto só se deu porque as pessoas não são tão exigentes quanto eu. Mas deviam!

 

No fim de semana tive o último casamento para o qual fui convidada em 2018 e, a determinada altura, comentava que não percebo o que deu a toda a gente para decidir casar este ano. Com espanto, ou se calhar nem tanto, ouvi as mais variadas respostas. Coisas como "isto é um vírus contagioso que anda por aí", "anda tudo maluco", "é a idade a pesar" e a melhor de todas "é reflexo da recuperação económica que o país atravessa".

 

Bem, e o amor ? Eu achei mesmo que o que levava as pessoas a casar era o amor. Que ingénua!

A culpa é dos meus amigos. Afinal é com base no casamento deles que formei a minha ingénua opinião de que era o amor que os levava a fazer aquilo. Até porque todos sabemos que é o amor que nos leva a cometer as mais variadas loucuras.

 

Mas afinal não! Não é o amor que leva as pessoas a casar. É, entre outras coisas possíveis, a recuperação económica do país. Que contrassenso!

Não percebo como é que o governo ainda não proibiu os casamentos. Afinal, o Governo tem-se esforçado, trabalhado num determinado sentido, fazendo um esforço e obrigando os contribuintes a fazer esse esforço também, para que se encaminhe o país para uma recuperação económica e depois, metade do país decide casar. Consequentemente, a outra metade do país, ficou na penúria. É por isso que não saímos da "cepa torta"...

O Governo lá consegue uma "recuperaçãozinha", e os contribuintes deitam tudo a perder.

Por esta lógica de ideias, adivinha-se que não haverá casamentos para o ano. Nem para o outro. Nem até que o governo lá consiga dar a volta a este golpe dos contribuintes, e voltar a colocar o país em recuperação... e nessa altura outros contribuintes, ou até os mesmos, vão decidir que a recuperação económica só existe para que possam casar e acabar com ela. Que assim seja.

 

M.

 

P.S.: Em nenhum casamento apanhei o ramo da noiva. Mas já tenho a pedra para o meu anel de noivado.

 

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04
Set18

O regresso dos cérebros deste país.

quatro de treta e um bebé

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Na passagem do PS, por uma das vilas mais bonitas de Portugal, Caminha, no passado dia 24 de agosto, António Costa tira o Coelho da cartola, e aclama aos "cérebros" que este país viu partir rumo a outros países que precisavam mais deles do que nós: "VOLTEM! Voltem que em troca tenho um desconto de 50% no vosso IRS para vos dar"!

 

Conta quem viu que tal aclamação gerou uma enorme confusão nos aeroportos! Eram quilómetros e quilómetros de filas de emigrantes portugueses prontos a comprar o primeiro bilhete disponível para voltar para Portugal. Foi necessário alguém intervir, meter ordem em tamanha confusão, e dar as más notícias: CALMA! Afastem-se lá e ouçam as coisas como deve de ser! ISTO NÃO É PARA TODOS! Era o que mais faltava!


Antes de mais é só para quem emigrou entre 2011 e 2015. Por isso, os que não emigraram dentro desse período podem voltar à sua vida medíocre com um salário miserável de tão superior que é comparativamente ao que estariam a ganhar em Portugal.
E mesmo que tenham emigrado dentro do período referido, nem todos podem usufruir da medida. Isto é só para os qualificados. Se não tens curso superior, Portugal não precisa de ti!
E se tens tudo isso mas na altura tinhas vontade de partir, então fica onde estás. Porque esta medida também é só para aqueles que, cumprindo os outros dois requisitos, "foram sem vontade de partir", citando as palavras do nosso primeiro-ministro.


Posto isto, podem formar fila aqueles que preenchem, cumulativamente, os referidos requisitos e tenham na vossa posse os comprovativos que atestem o efetivo preenchimento dos mesmos.


Conta quem viu que no momento em que este discurso terminou, os poucos emigrantes portugueses que ainda ali se encontravam, viraram costas com o semblante cabisbaixo e dirigiram-se às saídas mais próximas.
Com que então achavam que era só voltar e usufruir de 50 % de desconto no valor do IRS, durante um período de tempo? Ridículos!


Tão ridículos como aqueles que perguntaram porque não se tratava da mesma forma os emigrantes que saíram do país noutros anos não compreendidos nesse lapso temporal.


Aos mais desatentos cumpre-me avivar a memória. A nossa Constituição estabelece o princípio da igualdade, segundo o qual, deve tratar-se de forma igual os iguais e de forma diferente o que é diferente.
Ora, perguntam vocês, o que torna diferentes os emigrantes de 2011 a 2015, dos emigrantes de 2010 ou 2016? Numa primeira análise, a frio, e como tal com grande probabilidade de estar errada (mas se calhar nem tanto quanto o nosso primeiro-ministro), os de 2010 e 2016 não são "cérebros" e como tal o nosso país não precisa deles. De portugueses sem cérebro está o país cheio ( e quanto a isto não há margem de erro ).
Os emigrantes de 2010 e 2016 já mostraram uma clara incompetência. Os primeiros não souberam esperar mais um ano, os segundos foram tarde de mais. Era assim tão difícil perceberem que só poderiam emigrar entre 2011 e 2015 ?

E os jovens do país que não emigraram, sequer? Pff, totós! Agora tomem lá paguem o IRS na totalidade. Para a próxima sejam espertos.

 

M.

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