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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

16
Abr19

Que se f*da.

quatro de treta e um bebé

Domingos à noite são sinónimos de livros, filmes e/ou séries. Sem exceção. A depressão pré-segunda-feira, obriga-me a dedicar a coisas que gosto e que não faço, normalmente por falta de tempo. Coisas essas que deveria ter começado a fazer no sábado, às 9h, e que acabei por ocupar com outras coisas, a maior parte delas sem jeito nenhum (na verdade, nunca sem jeito nenhum, porque não fazer nada e dormir até às 15h tem todo o jeito, é essencial e sabe tãooooo bem). Na verdade, os domingos à noite funcionam como forma de recuperar o tempo perdido do fim de semana, de forma calma e tranquila para que passe devagar, m-u-i-t-o-d-e-v-a-g-a-r, como se conseguisse atrasar a chegada do dia seguinte. Acaba por ter o efeito contrário. Desde logo porque quando estamos a fazer algo que gostamos o tempo parece que voa. E se esse algo que gostamos é feito a um domingo à noite, já foi!

 

Este domingo, dediquei-me a um livro que já me tinha sido oferecido há algum tempo:

 

“A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da”.

 

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Não deixa de ser irónico que esse livro me tenha sido oferecido pela pessoa que mais me fez conjugar o dito verbo, das mais diversas formas possíveis e imaginárias, durante o último ano. Talvez eu não estivesse a ser subtil sempre que o pronunciei e como tal a pessoa achou por bem deixar-me  a dica. Está registado.

 

Dizia-vos eu então, que ontem comecei a ler esse livro. Ainda não tenho uma opinião formada sobre o mesmo, já que apenas li algumas dezenas de páginas. Todavia, desde a primeira página que me encontro em longos debates com o Autor. Se bem que depois de cada contra-argumento que utilizo penso... "que se f*da". Acho que já aprendi alguma coisa. A relevar... depois de falar. Bem, talvez não tenha aprendido nada. Oh! Que se f*da!

 

Autor: "Nós só procuramos aquilo que não temos."

M.: Efetivamente só costumo procurar aquilo que não tenho. Ou porque perdi, ou porque não me lembro onde guardei, mas o mais provável é que esteja a procura de algo que alguém tirou do sitio sem me avisar. Quando não encontro, encolho os olhos e faço uma de duas coisas:

1- Mamãaaaaa, viste as minhas sapatilhas?

2- "que se f*da, quando a minha mãe chegar pergunto-lhe onde as escondeu".

 

Autor: "Achamos que a felicidade consiste no alcançar aquilo que idealizamos e esse é o nosso grande erro, a felicidade consiste na busca, no caminho até alcançar."

M.: Sinto que a minha vida foi um erro. Fui tão feliz quando alcancei coisas que idealizei e nada feliz em alguns dos percursos que tive que percorrer até lá chegar. Afinal fiz tudo ao contrário, fui feliz nos momentos errados. Penitencio-me por isso... mas que se f*da.

 

Autor: "A felicidade não é não ter problemas, é resolver os problemas que temos."

M.: Se tenho um problema e o resolvo, fico sem ele. E se fico feliz com a resolução é porque fico feliz sem o referido problema. Então a felicidade é ter problemas resolvidos. Se estão resolvidos já não são um problema. Certo? Bom, "que se f*da".

 

Autor: "O desejo de termos experiências positivas é, por si só, uma experiência negativa, e paradoxalmente, o facto de aceitarmos experiências negativas, é, por sua vez, uma experiência positiva."

M.: Diria que o desejo ter experiências negativas ao invés de experiências positivas está ligado a escolhas de índole e gosto pessoal, que se podem traduzir (ou não) na prática do sadomasoquismo. E se assim for, se optarmos pela prática do sadomasoquismo, parece-me que esta frase fará todo o sentido. Caso contrário... que se f*da.

 

Subtileza nunca foi o meu forte. Prometo que trabalharei nessa parte daqui para a frente. Porque saber dizer "que se f*da", eu já sei.

 

O ser humano é demasiado confuso. Complica. É estranho. Atrai problemas. Mas depois há os que abusam. Que se f*da.

 

M.

 

27
Nov18

Era uma vez #2

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

Hoje venho falar-vos de um livro que li no início deste ano. Para dizer a verdade comecei-o no final do ano passado mas não estava a conseguir avançar na leitura, pelo que deixei passar as festas e retomei-o em Janeiro. Eu acho que os livros são pequenos mundos tão extraordinários que se estivermos com um livro na mão e não nos estiver a apetecer ler, devemos parar, passar para outro e mais tarde, quando nos apetecer, pegar de novo. Ler por obrigação não é bom. Mas quem diz que não gosta de ler é só porque ainda não encontrou o livro certo.

Mas passando ao livro propriamente dito, este é o Persépolis da Marjane Satrapi.

 

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Não peguei neste livro por acaso, no pequeno grupo de leitura do qual faço parte, o desafio daquele mês seria ler um género literário nunca lido e bem, eu nunca tinha lido nenhuma novela gráfica (não, não vamos chamar a este livro banda desenhada, por favor!) e a C. já tinha comentado o livro e vá a Emma Watson (hello, Hermione? Ahah) também o recomendou, por isso foi juntar o útil ao agradável.

 

Começo por dizer que este é um livro extraordinariamente interessante. Mais do que interessante, isto é a autobiografia da iraniana Marjane Satrapi. Isso mesmo, o que se passa neste livro é real. Não sabia grande coisa sobre o Irão, confesso, apenas o que vai saindo nas notícias e o pouco que posso ter falado na escola mas não tinha ideia, por exemplo, que antes da guerra o Irão era um país muçulmano super progressista, em que as mulheres podiam ir a escola, à faculdade, podiam ter a profissão que quisessem, tinham os mesmos direitos dos homens, não eram obrigadas a usar véus, etc., e depois da guerra e da entrada do fundamentalismo tudo mudou, para pior, e ainda hoje podemos ver que não temos nem de longe o Irão que existia antes da guerra. Por este motivo considero este livro mais do que interessante, importante.

Fiquei muito contente por ter lido este género. Este livro fala da história de um povo, de um país, de uma revolução e de uma guerra, de uma criança/adulta e da visão dela sobre tudo o que a rodeia. É um livro que fala de um tema muito sério e distante para nós ocidentais, de forma, diria até, simples. De forma não tão pesada como seria de esperar pelo menos. 
O livro está dividido por um género de capítulos, cada um sobre um tema. Vamos acompanhando o crescimento da Marje e da sua família. Vamos sabendo mais sobre as particularidades da sua vida. Como ela própria sabe é uma criança privilegiada. É de uma família considerada rica em relação à maioria, tem uns pais e uma avó ‘liberais’, que querem que ela cresça e seja feliz, que tenha direito à liberdade, liberdade de ser, de estar, de expressão. Num país que rapidamente viu a sua liberdade restringida, viu as liberdades das pessoas desaparecerem, Marje é uma menina rebelde que quer ter e tem uma voz sobre tudo e não tem medo de expressar aquilo que sabe, o que não sabe, o que sente e o que pensa. É um livro que de uma forma super cativante, por vezes desconcertante mas também simplista nos faz reflectir sobre problemas tão sérios como o fascismo, como o machismo, como a opressão, etc. Se em alguns dos temas, e especialmente quando ouvimos uma Marje criança, acabamos por dar por nós a rir, apesar das verdades que ela diz, quando estamos com a Marje adulta já há mais momentos de revolta, em que nos apetece entrar para dentro do livro e distribuir chapadas por toda a gente. E é aqui que acho que a protagonista é muito boa, porque ela não tem medo. Ela é corajosa. Ela enfrenta quem tem que enfrentar, mas nunca deixa de ser ela própria. Não deixa que aquilo em que acredita seja apagado por outros, apesar das consequências que pode vir a enfrentar, para ela é certamente preferível uma consequência do que ficar calada. 
Este não é um livro fácil. Tem ilustrações muito boas, outras assustadoras (ahaha) e também por causa disso uma pessoa acaba por demorar mais do que o esperado mas ao mesmo tempo menos que um livro normal, porque, obviamente a quantidade de texto é menor. Mas também acho que é uma questão de nos habituarmos. 

 

“Quando temos medo, perdemos todo o sentido de análise e de reflexão. Somos paralisados pelo medo. Além disso, o medo sempre foi a força motriz da repressão de todas as ditaduras”.

 

F. 

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