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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

16
Ago19

O meu anjo da guarda abandonou-me!

quatro de treta e um bebé

Hezalel, volta já aqui! Agora!! Não te volto a chamar! Hezalel!!!!!!

Hezalel é o meu anjo da guarda.
Que ao fim de 30 anos decidiu fazer greve (não consigo evitar revirar os olhos ao dizer isto). Diz ele que está cansado e recebe pouco!

Pensava eu que a função dos anjos da guarda era igual à dos advogados estagiários, não remunerada, e que a gratidão, por si só, chegava. E se há coisa da qual ele não se pode queixar é de lhe ser, eterna e extremamente, grata.

Recordo o meu querido anjo da guarda com um grande sorriso no rosto... Já fomos tão felizes juntos! Eu a tentar fazer asneira e ele a impedir. Eu a tentar alguns desvios e ele, teimoso, a empurrar para o caminho certo. Por diversas vezes, não tinha qualquer a intenção de me desviar do percurso, mas dava-me algum gozo ouvir o suspiro do "outra vez?!", ver o encher do peito como se fosse buscar energia aos confins do mundo, e a corrida rápida, tipo Duck Dodgers, para se colocar à minha frente com o dedo esticado a dizer "go out".

Foi com ele que aprendi a dizer os meus "nãos" e o "põe-te a andar".

É um anãozinho (bem pequenino), gordinho, de cabelo encaracolado, loiro, olhos claros e nariz empinado. Anda sempre de fraldas de pano, com alfinete dourado, e teima em carregar nas costas umas asas daquelas que se compram em qualquer loja de fantasias na altura do carnaval. Anda como se desfilasse, de peito feito e barriga encolhida, aparentando que mantém a respiração suspensa durante todo o tempo. Sempre o achei ridículo. Mas ao mesmo tempo um fofo, daqueles que apetece apertar as bochechas só para que o peito baixe, a barriga saia e a respiração retome a normalidade.

Apesar de todas as nossas desavenças e pensamentos opostos, sempre gostei muito dele. E sempre fomos um só.

Mas agora, sem dó nem piedade, decidiu abandonar-me assim. Sem mais. Argumentando que se quero continuar a fazer asneira, para o fazer com força, e para não contar com ele. Que está cansado e que não lhe pago para isso?!

Como assim cansado? Eu nem dou assim tanto trabalho!

Está a fazer birra! É isso, está simplesmente a fazer birra!

Hezalel, já não tens idade para birras! Volta imediatamente. Por favorzinho!!!

 

M.

21
Jan19

Boicote às "coisas" tóxicas.

quatro de treta e um bebé

Desde que me lembro de mim, adoro leite. De todas as formas. No verão ou no inverno. Quente. Frio. Com café ou chocolate. Simples! A qualquer hora. Alimentar-me-ia só de leite, se tal fosse possível.

 

Há uns anos descobri que é o leite que me provoca uma determinada reação alérgica. Foi flecha direta no peito. Daquelas que depois de entrar ainda roda para um lado e para o outro, e quando achamos que parou ainda dá um solavancozinho.

Outra opção não me restou se não abandonar o leite. Aqui entre nós, nunca o cheguei a abandonar verdadeiramente. De vez em quando, acabo por não resistir à tentação.

Naquele momento em que decido ceder, eu sei o que vem a seguir. Sei que não devia. Mas... oh pá, eu gosto tantooo. Afinal antes de fazer mal, faz bem. E tãooo bem.

E então, com plena consciência das consequências da minha escolha, minto para mim mesma e digo "é só desta vez". Não é! Eu sei. Mas antes de fazer mal, faz bem.

 

Há pessoas que, desde que nos lembramos, adoramos. Seja pelo que são, pelo que nos fizeram ser, ou simplesmente porque não soubemos fazer o furo no fundo do copo.

Um dia, descobrimos que essas pessoas, nos provocam determinadas reações alérgicas. Que nos fazem mal. Que, elas próprias, nos atiraram a tal flecha, e rodaram. E no momento em que respiras fundo, dão ainda o tal empurrãozinho só para garantir que flecha está lá bem enterrada.

 

Também aqui, não nos resta outra opção, se não levantar, arrancar a flecha, virar costas e abandonar. Sem voltar a atrás.

Aqui, e ao contrário do leite, não há nada de bom, antes de fazer mal. Podemos ter a plena consciência das consequências depois de ceder. Mas em momento algum há um "faz bem, antes de fazer mal". Faz mal desde o início. E por esse motivo, não vale a pena a cedência.

 

Se consigo perceber o facto de insistirmos em algo que nos faz mal, porque antes há um algo que nos faz bem, já tenho sérias dificuldades em perceber porque insistimos naquilo que só nos faz mal. Há quem me responda que é sadomasoquismo. Pesquisei na internet que até isso parece que faz bem. Pelo menos é o que dizem, que eu cá não sei nada disso.

Por isso, eh pá, deixar-nos-emos de coisas que nos fazem mal. Seja leite, glúten ou pessoas. Principalmente de pessoas. Que de tão tóxicas, são as únicas que não trazem nada de bom, antes de fazer mal.

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M.

31
Dez18

Querido 2019... acredita e entra com tudo!

quatro de treta e um bebé

Poderia estar a contar-vos que me encontrava sentada num banco qualquer do aeroporto, pronta a embarcar para Nova Iorque e que, ao que tudo indicava, a próxima vez que vos escrevesse contar-vos-ia que os meus desejos se tinham realizado. Mas não. Posso adiantar-vos já o fim. Não estou em Nova Iorque, nem vou embarcar nas próximas horas. Não verão fotos no instagram de Times Square, nem da minha mão com o anel e o hashtag #shesaidyes. Nem verão um sem fim de fotos românticas, pirosas e sem critério, que iria partilhar convosco, influenciada pelo momento.

 

Não sei bem quando é que esta ideia de ser pedida em casamento na passagem de ano em Nova Iorque surgiu. Mas, com certeza, não estava numa das minhas uvas passas na meia noite do dia 1 de janeiro de 2018. Pois bem, pelo sim, pelo não, estará, com toda a certeza, logo à noite, numa das minhas uvas passas da meia noite do primeiro dia de 2019. E quem sabe se o post que poderia estar a escrever hoje, não escrevo daqui a um ano. Podem incluir esse desejo numa das vossas uvas passas, se faz favor? Sempre ouvi dizer que a união faz a força.

 

Tenho uma amiga que no final de cada conversa cujo tema é “vida” me diz: “pensamento positivo, pensamento muitooo positivo que isso, por si só, atrai coisas positivas”. Efetivamente ela tem sempre razão: acreditar é o primeiro passo para que as coisas aconteçam. Por isso, a primeira resolução para 2019 é acreditar sempre!

 

Acreditar que o Benfica vai ser campeão no futebol e o Famões no voleibol. Que o meu treinador me vai deixar ser distribuidora, que vou visitar os 5 continentes, que me vai sair o euromilhões. Que vou a Nova Iorque no final do próximo ano.

 

Há uns anos escrevia que adorava resoluções de ano novo. E adoro. Não por acreditar verdadeiramente nelas (e se calhar é por isso que ainda não me saiu o euromilhões, apesar de todos os anos comer uma uva passa por ele), mas porque permitem que quem as faz feche um ciclo e inicie um novo. Logo, à meia noite, tudo o que aconteceu em 2018 fica ali. É como se fosse possível fragmentar a vida. Mais um ano que se inicia. Um Novo Ano onde tudo é possível. Como no ano anterior. Deixar de fumar, viver uma vida mais saudável, ser mais feliz, ajudar os outros, trabalhar mais (ou menos), começar a acreditar. Como no ano anterior.  Onde as pessoas se comprometem a tudo, como no ano anterior. Mas desta vez é diferente. Como no ano anterior. Não, porque este ano é "o ano"! Que seja. Como no ano anterior. Feliz 2019! Que entre com tudo. E acreditem!

O que fazer no ano novo em Nova York em 2018 Brook

M.

12
Nov18

é preciso ter noção!

quatro de treta e um bebé

Não acredito no destino, nem em "coisas" que não possam ser cientificamente provadas. Bem, pensando melhor... não precisam de ser cientificamente provadas. Basta que exista, pelo menos, uma explicação lógica para a referida "coisa". Em alternativa a isto tudo, só se os meus próprios olhos virem. 

 

E, às vezes, os meu olhos assistem a determinados acontecimentos que são para correr mal, e que não adianta fazer nada porque tudo vai correr mal de alguma forma. Não é destino, não é possível provar cientificamente, não há uma explicação lógica, mas os meus olhos veem que vai ser assim, e que não adianta contrariar, porque se o fizer, vai ser pior. 

 

Nestas situações, o melhor a fazer é sentar no chão, cruzar os braços e assistir. Quando terminar, levantas-te, enervas-te, gritas, barafustas, e evitas ouvir pessoas sem noção! Fixem, sublinhem: evitar ouvir pessoas sem noção!

 

Ontem, vivi um desse dias em que tudo vai correr mal e pronto. Em vez de fazer o mais sensato: sentar, cruzar os braços e assistir, decidi intervir (nunca façam isso!)! Quando decides intervir as coisas correm pior, e correram: o meu avião não levantou voo, decidi utilizar o meio alternativo, não consegui chegar a Lisboa a tempo e faltei ao jogo de volei (se tivesse sentado, cruzado os braços e assistido, talveeez tivesse chegado a tempo).

 

Quando decides intervir e provocas uma situação ainda pior é ainda mais importante berrar, barafustar, dizer que o mundo vai acabar, que aquilo não podia ter acontecido, que é tudo uma cambada de incompetentes, e que deviam ir todos para o raio que os parta, e outras coisas que não posso escrever no blog porque há crianças a ler. E é ainda mais importante que ninguém, mas ninguém, te tente convencer o contrário!

 

É preciso ter noção! 

Quando o mundo de alguém está a acabar, não se pode dizer a essa pessoa que há coisas piores! PORQUE NÃO HÁ! Naquele momento, não há! E só quem não tem noção é que diz que há.

Coisas como “pronto, calma, há coisas piores”. Ou  “ acontece, jogas o próximo”. Ou pior  “é só um jogo”. Evitam-se! Não se dizem! Não se podem dizer! Não me peçam para ter calma, que acontece, ou que há coisas piores.

 

Porqueeunãoconsigotercalmanãoacontecenãohácoisaspioresemuitomenosnãoésóumjogonemvou

jogarnopróximoporqueopróximoéoutroenãoéaquele!!! (Que é como quem diz: "porque eu não consigo ter calma, não acontece, não há coisas piores e muito menos não é só um jogo, nem vou jogar no próximo porque o próximo é outro e não é aquele" muito rápido, entre dentes, sem respirar e quase a tirar um olho a quem me está a dizer isso). 

 

É preciso ter noção, caramba! 

O momento é dramático, eu preciso de dramatizar! Ajudem. Digam coisas como "tens razão", "não sei como não tiraste o piloto do lugar e foste tu a conduzir o avião", "queres fazer uma espera aos senhores do avião que andou a sobrevoar Lisboa numa altura tão inoportuna?". Isto é ter noção! Isto ajuda!

 

Porque no dia seguinte eu saberei que há coisas piores, que podia ter sido pior, que o avião podia ter caído comigo lá dentro ou que há fome no mundo! Mas SÓ no dia seguinte! Na hora, no momento, aquele é o meu maior drama! E eu quero desfrutar dele como deve de ser. 

Até porque o dia seguinte é hoje. E hoje é dia de treino. E o meu treinador, durante todo o treino, não se vai esquecer que não fui ao jogo. E nesse momento o meu drama será outro. E esse sim, será o meu maior drama. De hoje.

 

M.

02
Out18

e a palavra do ano 2018 é....

quatro de treta e um bebé

Para Janeiro de 2019 aguardo com grande expectativa a revelação da palavra vencedora do “Palavra do Ano 2018”. Posso, desde já, adiantar que não espero outra coisa se não ouvir a palavra CASAMENTO.

Não pode ser outra. Não faz sentido ser outra. Não dá margem para dúvidas. E se revelarem outra vou impugnar! Contestar! Fazer um abaixo assinado! Recorrer de tal decisão para instâncias superiores!

 

Este ano, metade do país casou. E a outra metade foi ao casamento. Um país inteiro pronunciou, mais do que milhentas vezes, a palavra casamento. E pensou nela outras tantas.

Nem sei como houve espaço para outras palavras no discurso. Na verdade, as que houve serviram de base àquela.

 

Sinto-me na obrigação de referir que acredito, solenemente, que este facto só se deu porque as pessoas não são tão exigentes quanto eu. Mas deviam!

 

No fim de semana tive o último casamento para o qual fui convidada em 2018 e, a determinada altura, comentava que não percebo o que deu a toda a gente para decidir casar este ano. Com espanto, ou se calhar nem tanto, ouvi as mais variadas respostas. Coisas como "isto é um vírus contagioso que anda por aí", "anda tudo maluco", "é a idade a pesar" e a melhor de todas "é reflexo da recuperação económica que o país atravessa".

 

Bem, e o amor ? Eu achei mesmo que o que levava as pessoas a casar era o amor. Que ingénua!

A culpa é dos meus amigos. Afinal é com base no casamento deles que formei a minha ingénua opinião de que era o amor que os levava a fazer aquilo. Até porque todos sabemos que é o amor que nos leva a cometer as mais variadas loucuras.

 

Mas afinal não! Não é o amor que leva as pessoas a casar. É, entre outras coisas possíveis, a recuperação económica do país. Que contrassenso!

Não percebo como é que o governo ainda não proibiu os casamentos. Afinal, o Governo tem-se esforçado, trabalhado num determinado sentido, fazendo um esforço e obrigando os contribuintes a fazer esse esforço também, para que se encaminhe o país para uma recuperação económica e depois, metade do país decide casar. Consequentemente, a outra metade do país, ficou na penúria. É por isso que não saímos da "cepa torta"...

O Governo lá consegue uma "recuperaçãozinha", e os contribuintes deitam tudo a perder.

Por esta lógica de ideias, adivinha-se que não haverá casamentos para o ano. Nem para o outro. Nem até que o governo lá consiga dar a volta a este golpe dos contribuintes, e voltar a colocar o país em recuperação... e nessa altura outros contribuintes, ou até os mesmos, vão decidir que a recuperação económica só existe para que possam casar e acabar com ela. Que assim seja.

 

M.

 

P.S.: Em nenhum casamento apanhei o ramo da noiva. Mas já tenho a pedra para o meu anel de noivado.

 

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