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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

18
Fev21

Contrato de Namoro

quatro de treta e um bebé

No passado domingo, foi dia dos namorados. Facto que me teria passado totalmente ao lado, não fosse o bombardeamento de instahistórias e publicações que o meu Instagram sofreu. 

Antes de prosseguir, é necessário clarificar que nada tenho contra as manifestações de amor nas redes socais, seja pelo dia dos namorados, pelo dia da mãe, do pai ou do periquito. Pelo contrário, se sentem vontade de deitar esse amor cá para fora, deitem! Força! Com força! 

Ainda assim, e porque, acima de tudo, sou advogada (sim, acima de tudo! é mais forte do que eu), após ver tanta manifestação de amor, decidi, pro bono, partilhar convosco uma minuta de contrato de namoro. 

Ser-vos-á muito útil ao longo do vosso namoro, tanto quanto foi para mim. E preparar-vos-á para o contrato que pretendem celebrar a seguir... no próximo passo. Afinal, o amor é, nada mais, nada menos, que uma sucessão de contratos! 

Minuta de Contrato de Namoro


Primeiro Outorgante: identificação da parte, ora em diante designado de primeiro outorgante ou NAMORADO;
E
Segundo Outorgante: identificação da  outra parte, ora em diante designado de segundo outorgante ou NAMORADA;

Celebram entre si, livre e conscientemente, o presente contrato de Namoro, o qual se rege nos termos e condições constantes das cláusulas seguintes:

PARTE I – DOS PRINCÍPIOS GERAIS

Cláusula 1ª.

Os outorgantes comprometem-se a prover amor única e exclusivamente um para com o outro.

Cláusula 2ª.

Os outorgantes comprometem-se a nunca, em momento algum, sob forma alguma, trair o outro outorgante.

Cláusula 3ª.

Ambos se comprometem a encarar a vida e a sociedade com bom humor e a aceitar a constante presença dos amigos e amigas, salvo se as amigas forem do NAMORADO.

Cláusula 4ª.

Ambos se comprometem a dedicar tempo ao estudo académico e intelectual, de forma que suas faculdades mentais não se tornem obsoletas ou sem-uso.


PARTE II – DO NAMORADO

Cláusula 5ª.

O NAMORADO sempre obedecerá todas as vontades da NAMORADA, inclusive escolher roupas no shopping e experimentá-las com prazer.

Cláusula 6ª.

1 - O NAMORADO fica obrigado a perceber, notar e exaltar qualquer mudança no visual da NAMORADA, e elogiar tal mudança.

2 - O NAMORADO nunca dirá à NAMORADA que ela está gorda ou que a roupa nova não lhe caiu bem.

3 - O NAMORADO promete repetir sempre, com toda a sinceridade, que a NAMORADA é majestosa, linda, maravilhosa, charmosa, sensual e gostosa.

Cláusula 7ª.

O NAMORADO promete que nunca reclamar dos decotes, da saia curta e da espera de três horas.

Cláusula 8ª.

O NAMORADO será sempre gentil e galante, e nunca se esquecerá de abrir a porta do carro, carregar as malas da NAMORADA e emprestar-lhe o seu casaco sempre que esta estiver com frio, mesmo correndo o risco de ficar doente.

Cláusula 9ª.

O NAMORADO compromete-se, nas viagens de trabalho, negócios, lazer ou hobby, não se interessar por nenhuma outra mulher.

Cláusula 10ª.

O NAMORADO compromete-se a ganhar muito dinheiro para gastar com a NAMORADA.

Cláusula 11ª.

O NAMORADO compromete-se a abdicar e renegar totalmente a qualquer tipo de vídeo, revista ou material de conteúdo pornográfico e/ou erótico.

Cláusula 12ª.

1 - O NAMORADO tem o dever de aturar a NAMORADA nos seus piores dias.

2 - O NAMORADO promete não reclamar e ouvir atenciosamente todas as queixas da NAMORADA, mesmo quando ela quiser "discutir a relação" às três horas da manhã.

Cláusula 13ª.

O NAMORADO compromete-se a fazer viagens com a NAMORADA, totalmente pagas pelo primeiro outorgante.

Cláusula 14ª.

O NAMORADO compromete-se a oferecer à NAMORADA presentes em todas as datas comemorativas ou festivas, nomeadamente nos dia 8 de Março, 25 de Abril e 10 de Junho.

Cláusula 15ª.

O NAMORADO compromete-se a, jamais, trocar a NAMORADA pelo futebol, independentemente do clube ou da competição.

Cláusula 16ª.

É da responsabilidade do NAMORADO o pagamento de jantares, cafés, saídas e afins.

Cláusula 17ª.

O NAMORADO compromete-se a nunca chegar à casa da NAMORADA vestido de forma inadequada, seja com a camisola do clube, ou mesmo com uma roupa imprópria.


PARTE III – DA NAMORADA

Cláusula 18ª.

A NAMORADA promete apresentar-se sempre perfumada e linda.

Cláusula 19ª.

A NAMORADA compromete-se em prover ao NAMORADO todo o amor necessário.

Cláusula 20ª.

A NAMORADA compromete-se em deixar o NAMORADO assistir os jogos de futebol de seu clube uma vez por mês.

PARTE IV – CONCLUSÕES

Cláusula 21ª.

1 – Os outorgantes adotarão o Regime Híbrido:
1.1. Quando houver aumento patrimonial advindo da NAMORADA, vigorará a Separação Total de Bens.
1.2. Quando o aumento advier do NAMORADO, vigorará o Regime de Adquiridos, somando-se tais bens aos do casal.

Cláusula 22ª.

Os outorgantes comprometem-se a serem totalmente fieis um com o outro, jamais celebrando qualquer tipo de contrato de NAMORO, NOIVADO, CASAMENTO, OLHADELA e CASUS SORDIDUS com qualquer outra mulher ou homem.

Cláusula 23ª.

O contrato terá a validade de dois anos, ficando, após essa data, o NAMORADO obrigado a trocar o referido contrato pelo contrato de adesão ao NOIVADO.

Feito em duplicado. 

local, dia do mês do ano

Assinaturas. 

 

Como comecei por referir, isto é apenas uma minuta. Sintam-se à vontade para usar, alterar e adaptar ao vosso caso concreto. Contudo, NAMORADAS, deixo-vos a ressalva de que esta será sempre a versão que melhor salvaguardará os direitos de ambas as partes.

Sejam felizes. 

M.  

18
Ago20

Herrar é umano, mas á herros e erros.

quatro de treta e um bebé

Espantem-se: continuo naquela fase de apelo ao amor. No mês passado alertei-vos para quando devem ativar o sinal verde, mesmo que seja manualmente. Este mês vou mais longe e faço serviço público.

Uma mensagem cheia de erros ortográficos é algo que dá cabo de qual relação (acrescentem este ponto à lista de ativação automática do sinal vermelho). Assim, e aproveitando o momento (raro), deixo-vos uma lista de palavras que devem constar do vosso vocabulário, para que as usem no momento certo. Reitero: no momento certo. E em caso de dúvida, consultem este artigo. Sem medo. As vezes que fizerem falta. E lembrem-se: uma cara bonita não é tudo, principalmente a partir do momento que abre a boca... ou mexe os dedos. 

  1. “Há” e “à”

Há: verbo haver - exemplo prático (ep): há muito tempo que não te vejo.

À: preposição - ep: estou à tua espera.

  1. “Haver” e “a ver”

Haver: verbo - ep: se continuas a chorar assim por ele, vai haver uma enchente na cidade.

A ver: afinidade (ou não) entre duas coisas - ep: isto não ter nada a ver contigo.

  1. “Haja” e “aja”

Haja: verbo haver - ep: haja paciência para as tuas crises de ciúmes

Aja: verbo agir - ep: se ele quer salvar a nossa relação, é bom que aja imediatamente.

(neste caso, deixo-vos um truque: se der para substituir pela palavra existir, então é com h)

  1. “Aparte” e “à parte”

Aparte: imperativo do verbo “apartar” (que quer dizer separar ou desviar) ou um substantivo masculino (que significa um comentário isolado, como se fosse um parêntese em um discurso) - ep: sempre que discutimos o assunto do casamento, ele não consegue manter sua linha de raciocínio e faz apartes desnecessários o tempo todo.

À parte: que já está ou vai ser separado - ep: Ele quer ter uma conversa comigo à parte de toda a gente.

  1. “Perca” e “perda”

Perda: substantivo - ep: ele é uma perda de tempo.

Perca: verbo - ep: não perca tempo com ele.

  1. “Comprimento” e “cumprimento”

Cumprimento: saudação - ep: apresento-lhe os meus mais sinceros cumprimentos.

Comprimento: medida - ep: aquilo tem 1 palmo de comprimento.

Espero, sinceramente, que vos ajude. E se prenderem a vossa cara metade, graças a este artigo ou, pelo menos, não a perderem, por favor, enviem-me uma mensagem. Morrerei feliz, sabendo que contribuí para um mundo melhor.

 

M. 

 

Errata: Onde se lê "Herrar é umano, mas á herros e erros", deverá ler-se: "Errar é humano, mas há erros e erros". 

02
Nov19

Amor entre rivais

quatro de treta e um bebé

Sou portista desde pequenina. Sócia desde 1994.

Desde pequena que vou ao estádio, tenho cachecóis e t-shirts, grito os golos do Porto e festejo as vitórias nos aliados.

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Como portista que sou, estou também habituada a vencer desde pequenina.

Desde pequena que fui habituada uma certa competição com os da outra trupe. E não apenas por serem, tantos deles, um tanto ao quanto arrogantes, que não se conseguem aturar quando, ao fim de tantos anos de derrotas, lá ganham qualquer coisa, mas porque são, efetivamente, o nosso maior rival. Aqui entre nós que ninguém nos ouve (especialmente a F.), já sabemos que, pelo menos desde que esta geração se lembra, as grandes competições pendem quase sempre entre dois clubes.

A acrescer, sou portuense desde pequenina. Sou bairrista pela minha cidade, e o meu clube é o clube da minha cidade (desculpe-me o axadrezado). Sempre torci o nariz à centralização, a ter 90% de notícias da outra cidade no telejornal, a ouvir o tempo para a capital, a ver o trânsito apenas para a capital, como se, fora daí, nada se passasse. Isso também se vê no futebol, nas reações diferentes às vitórias do meu clube nos jornais, sites desportivos, telejornais, e outros que tal, a ter programas da manhã dedicamos àquela vitória esporádica dos vermelhos mas ter, anos a fio, apenas um cantinho dedicado à vitória dos azuis.

Como ferrenha desde pequenina, sempre disse, de nariz empinado, que não namoraria com um daqueles do outro clube.

Quis o destino, em tom jocoso, que me aparecesse à frente o J. E eu, feita inocente, não me lembrei de lhe perguntar o clube antes de me apaixonar. E, depois, já não fui a tempo.

Quis o destino, gozando comigo, que, contrariando aquilo a vinha habituada desde pequenina, desde que namoramos que o clube dele ganha mais do que o meu.

Tentando ver o lado positivo da coisa, ao fim ao cabo, ninguém é perfeito, menos mal que o defeito do J. é tão fácil de descobrir.

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Por outro lado, quando era pequenina, não fazia ideia do que seria um Famalicão. Tão pouco sabia, como a maior parte das pessoas só veio a descobrir no ano passado, que Famalicão teria um clube de futebol. Tão pouco imaginava, tal como a maior parte das pessoas só se foi apercebendo quando o Famalicão chegou e se manteve no primeiro lugar, que seria um clube capaz de ser competitivo na primeira liga.

Aí sim, descobri a melhor parte do futebol. O prazer de torcer pela mesma equipa que a pessoa que está ao nosso lado.

Aí, o destino quis compensar-me e ser bom para mim, dando-me a oportunidade de torcer, com o J., por um clube azul e branco. E que bom que é! (não é, J., e pode ser mais do que um jogo por jornada assim, se tu quiseres… - numa derradeira tentativa de o convencer)

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Hipocrisias à parte, e como, para um ganhar, o outro terá de perder, confesso que eu torço principalmente pelo meu clube mas um bocadinho também pelo clube que está a jogar contra o meu rival, pelo menos enquanto a luta pelo primeiro lugar for tão acesa como nos últimos anos. Contudo, podemos fazer isso tudo e ter respeito uns pelos outros, que o respeitinho é muito importante, e, acreditem em nós, é possível. Especialmente porque sem o nosso clube ganhar, de pouco importa o outro perder, pelo que o que o clube deveria fazer é preocupar-se consigo e o seu jogo, e, quanto aos outros, bem, estar macagar.

Nem sempre é fácil, nem sempre é tranquilo, duas vezes por ano futebolístico, pelo menos, a nossa amizade é posta à prova, um fica sempre mais feliz do que o outro no final do ano. Felizmente, o J. não é tão ferrenho quanto eu, e conseguimos, para já, sobreviver e até gostar de ver futebol em conjunto.

Resta-me a esperança de que o azul e branco do Famalicão se entranhe tanto que expulse o vermelho de dentro dele, e uma rapariga pode ter esperança, certo?!

 

R.

24
Jun19

Tinder, prazer!

quatro de treta e um bebé

Maria. Maria Crespo Martins. Não Maria Crespo, está incompleto, falta qualquer coisa. Nem Maria Martins, há muitas. 30 anos, mas ninguém me dá mais de 20. Consigo aparentar 5 anos, quando me oferecem um presente envolto em papel de embrulho, e até 2 anos, nos dias da rabugice do sono. Cabelo loiro escuro, segundo diz a cabeleireira. Desculpem, cabelo loiro escuro, assim o diz a Art Director de um hairstlyling qualquer. E olhos azul camuflado. Odeio favas, herdei da mãe, e sushi, porque tal como as favas não continuo a insistir comer até gostar.

Seguindo os conselhos sábios de uma amiga, que reitera, com alguma frequência, que não devemos negar, à partida, uma ciência que desconhecemos, decidi descarregar a aplicação Tinder e apresentar-me da forma supra a quem tem a sorte de me localizar dentro da área geográfica pré-estabelecida. De forma curta e clara. Para que não hajam dúvidas e não se sintam enganados. E para que não cometam erros irreversíveis logo no primeiro encontro.

Seria pouco provável que num primeiro encontro o candidato a uma bela amizade me levasse a jantar a um restaurante japonês, com um presente dentro de um saco do continente, e me dissesse que tenho um cabelo castanho super hidratado, e uns olhos negros brilhantes? Nunca fiando.

A quem começou a revirar os olhos no momento que leu "Tinder" já pode parar os olhos no centro e ler com atenção. Espantem-se: O Tinder não é assim tão diferente do Facebook ou Instagram! Na verdade, fiquei com a sensação que é só a versão 0.0.1 dessas redes sociais.

Simples. Fundo branco e traços finos. Tudo é feito em 3, talvez porque o seu criador acreditava na perfeição associada ao número. O ecrã dividi-se em 3 partes: a superior, com 3 separadores (acesso ao perfil pessoal, acesso aos perfis dos candidatos e acesso à caixa de mensagens), a central que permite vislumbrar a foto, o nome e a idade dos candidatos, e a inferior, com 3 botões: nope, superlike e like.

A partir daqui é só deslizar o dedo.

Aproveitei as férias no Algarve para explorar esse mundo, no verdadeiro sentido da palavra. Em menos de 24 horas, tinha mais de 99 likes, 5 matchs, e um encontro em Albufeira. C'um caraças, o Tinder funciona mesmo!

Durante os 3 dias seguintes o Tinder foi divertido. Foi realmente divertido.
E, ao contrário do que as mentes preconceituosas por aí espalham, existe de tudo. Pessoas normais e outras normais à maneira delas.
Há quem ache que a sua cara metade deve conhecer, antes de tudo, os seus atributos fisicos, e quem ache que deve conhecer primeiro o cão. Há quem leve à letra aquela velha máxima de que o tamanho é que importa, e outros pretendem conquistar com um boxers com notas de quinhentos euros.
Há pessoas simpáticas e verdadeiramente afáveis. E há os outros. Na verdade, nada de novo. Exceto ter chegado à conclusão que ando a dormir na rua. Garanto-vos que na minha área geográfica há gente verdadeiramente interessante. Isso, verdadeiramente interessante.

Infelizmente o entusiasmo passou-me rápido e, hoje, o Tinder dá-me sono. Abro a aplicação e em menos de dois minutos estou a piscar os olhos. Mas o problema não é da aplicação, é meu! Quem me manda ir para lá à procura do Tiago Violas?

Já agora, para os curiosos, o encontro correu bem. Ele tinha boa alma.

M.

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