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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

24
Jun19

Tinder, prazer!

quatro de treta e um bebé

Maria. Maria Crespo Martins. Não Maria Crespo, está incompleto, falta qualquer coisa. Nem Maria Martins, há muitas. 30 anos, mas ninguém me dá mais de 20. Consigo aparentar 5 anos, quando me oferecem um presente envolto em papel de embrulho, e até 2 anos, nos dias da rabugice do sono. Cabelo loiro escuro, segundo diz a cabeleireira. Desculpem, cabelo loiro escuro, assim o diz a Art Director de um hairstlyling qualquer. E olhos azul camuflado. Odeio favas, herdei da mãe, e sushi, porque tal como as favas não continuo a insistir comer até gostar.

Seguindo os conselhos sábios de uma amiga, que reitera, com alguma frequência, que não devemos negar, à partida, uma ciência que desconhecemos, decidi descarregar a aplicação Tinder e apresentar-me da forma supra a quem tem a sorte de me localizar dentro da área geográfica pré-estabelecida. De forma curta e clara. Para que não hajam dúvidas e não se sintam enganados. E para que não cometam erros irreversíveis logo no primeiro encontro.

Seria pouco provável que num primeiro encontro o candidato a uma bela amizade me levasse a jantar a um restaurante japonês, com um presente dentro de um saco do continente, e me dissesse que tenho um cabelo castanho super hidratado, e uns olhos negros brilhantes? Nunca fiando.

A quem começou a revirar os olhos no momento que leu "Tinder" já pode parar os olhos no centro e ler com atenção. Espantem-se: O Tinder não é assim tão diferente do Facebook ou Instagram! Na verdade, fiquei com a sensação que é só a versão 0.0.1 dessas redes sociais.

Simples. Fundo branco e traços finos. Tudo é feito em 3, talvez porque o seu criador acreditava na perfeição associada ao número. O ecrã dividi-se em 3 partes: a superior, com 3 separadores (acesso ao perfil pessoal, acesso aos perfis dos candidatos e acesso à caixa de mensagens), a central que permite vislumbrar a foto, o nome e a idade dos candidatos, e a inferior, com 3 botões: nope, superlike e like.

A partir daqui é só deslizar o dedo.

Aproveitei as férias no Algarve para explorar esse mundo, no verdadeiro sentido da palavra. Em menos de 24 horas, tinha mais de 99 likes, 5 matchs, e um encontro em Albufeira. C'um caraças, o Tinder funciona mesmo!

Durante os 3 dias seguintes o Tinder foi divertido. Foi realmente divertido.
E, ao contrário do que as mentes preconceituosas por aí espalham, existe de tudo. Pessoas normais e outras normais à maneira delas.
Há quem ache que a sua cara metade deve conhecer, antes de tudo, os seus atributos fisicos, e quem ache que deve conhecer primeiro o cão. Há quem leve à letra aquela velha máxima de que o tamanho é que importa, e outros pretendem conquistar com um boxers com notas de quinhentos euros.
Há pessoas simpáticas e verdadeiramente afáveis. E há os outros. Na verdade, nada de novo. Exceto ter chegado à conclusão que ando a dormir na rua. Garanto-vos que na minha área geográfica há gente verdadeiramente interessante. Isso, verdadeiramente interessante.

Infelizmente o entusiasmo passou-me rápido e, hoje, o Tinder dá-me sono. Abro a aplicação e em menos de dois minutos estou a piscar os olhos. Mas o problema não é da aplicação, é meu! Quem me manda ir para lá à procura do Tiago Violas?

Já agora, para os curiosos, o encontro correu bem. Ele tinha boa alma.

M.

01
Abr19

esquisitices.

quatro de treta e um bebé

Há muitos anos atrás (oh meu deus, já tenho muitos anos atrás!) tive uma paixão platónica que, também ela, durou alguns anos. Talvez andasse no 7.º ou 8.º ano e ele no 11.º ou 12.º. Como uma verdadeira paixão platónica, ele nunca soube. Ninguém soube. Nunca tínhamos falado e apenas o via ao longe. Como sabemos, a vida dá voltas e o destino é traiçoeiro. Conheci-o quando já estava na faculdade, por acaso, num daqueles típicos jantares de Coimbra. A paixão platónica ainda existia. Até que ele abriu a boca para falar para mim... e a paixão morreu!

 

Um sorriso, um olhar, o tom de voz. As mãos, as conversas ou a gargalhada. Todos temos algo que se destaca na pessoa que nos cativou e por quem nos apaixonamos. Arrisco-me a dizer que cada um de vocês saberá dizer uma, ou várias coisas, acerca da pessoa por quem nutrem sentimentos.

 

Saberão responder de igual modo acerca daquilo que vos afastou, por completo e à primeira vista (ou momento) de determinada pessoa? Aquela característica que não sendo má, ou não a tornando numa pessoa má, que não tendo a pessoa culpa, vos fez por um ponto final ainda antes do início da frase?

 

Há uns tempos, em conversa com uma amiga, dizia-me ela que no programa do “O Carro do Amor”, uma das candidatas deu sinal vermelho ao par simplesmente porque ele era mais baixo do que ela. E que apesar de toda a cumplicidade que existiu entre os dois desde o primeiro momento, havia algo do qual a candidata não se conseguia abstrair... a altura.

 

Divagamos sobre o tema e concluímos que ambas teríamos feito a mesma coisa. Talvez não o admitíssemos na TV. Talvez não disséssemos à pessoa. Mas saberíamos que era isso que nos estava a impedir de avançar.

 

Não que tenha passado pela experiência (ou se passei nem me apercebi de tão automático que foi o bloqueio), mas quase que garanto que jamais me apaixonaria por alguém mais baixo do que eu. Por muito que tivesse “tudo o resto”. É um facto: ser mais baixo colocaria logo, só por si, o sinal vermelho. O ponto final antes da frase. Mas podíamos ser amigos para sempre.

 

Dei pelo meu pensamento a divagar sobre aquelas coisas que ativariam o sinal vermelho. E concluí que até tenho algumas.

 

A voz. Capaz de destruir uma paixão platónica de anos. E me faz fazer questão de falar com as possíveis paixões platónicas que surgem.

 

A data de nascimento com um número igual ou superior a 1993. (Tenho que partilhar convosco que primeiro escrevi 1998, apaguei e escrevi, 1995 e voltei a apagar e escrevi, finalmente, 1993. Ainda voltei a apagar com a intenção de colocar 1991, mas voltei a escrever um 3. Não estou certa disto. Mas prefiro manter a amplitude, pelo menos mental).

 

A bagagem...

 

Neste momento, tenho aqueles que me são mais próximos a revirar os olhos e a dizer em voz alta (porque já não conseguem controlar o som): “mas ainda há alguém que acredite que ela não vai ser solteira a vida toda?”.

 

Calma! Ainda há esperança no Tinder!

 

M.

15
Fev19

Celebre-se o amor

quatro de treta e um bebé

Quis a distribuição dos dias que me calhasse escrever no afamado dia 14 de fevereiro, ou seja, no dia dos namorados.

 

Acontece, porém, que, chegada a hora, dei por mim a optar por namorar, ao invés de me sentar a escrever. Contudo, e dada a ocasião, certezas tenho de que me vão conseguir compreender e, quiçá, inocentar.

 

Afinal, no dia dos namorados, ou dia de São Valentim, celebramos o amor. E, se este argumento não vos convencer, sempre poderemos tentar novamente no dia 12 de junho, que é quando se comemora este dia no Brasil!

 

De qualquer forma, o tema não é propriamente estranho ao blog, especialmente quando temos alguém que trata o Cupido por tu e até criou um crowdfunding com vista ao casamento de sonho (#somostodosTEAMMARIA).

 

As origens da celebração do dia, pelo menos de acordo com o nosso amigo google, remontaram a Roma Antiga e festejos em honra de Juno, uma deusa associada à fertilidade e ao casamento. Claro que, anunciemos muito estas origens e vejam grande parte dos casais lembrarem-se que, afinal, tinham-se esquecido daqueles planos importantes e que, se calhar, será melhor festejar noutro dia, pelo sim, pelo não. Como tantas vezes na história, chega a altura em que a igreja católica se decide apropriar de uma festa pagã, sempre é mais fácil e muito mais prático do que ter que inventar novas festas (lembrem-se que, na altura, ainda não existia a rádio comercial…). Coloca-se um “São” em jeito de prefixo e a tónica no casamento, entendendo o departamento de marketing da igreja que teria mais sucesso e que sempre seria mais consistente com a teoria católica do casamento antes da fertilidade.

 

Só que o casamento não paga o sustento dos comerciantes. Imaginem lá aqueles restaurantes cheios de casais e sorrisos, se sequer imaginassem que, lá em cima, os nomes deles estão a ser apontados para potenciais casamentos. Até lhes podia cair mal a comida, ou, pior, engasgarem-se. E nós também não queremos isso. Nem isso, nem perder a oportunidade de lucrar qualquer coisita. Agora anunciem que, na verdade, o estão a fazer em celebração da deusa do casamento e da fertilidade, e imaginem o caos.

 

Então, vamos lá abrilhantar a coisa. Chamemos-lhe o dia dos namorados. Melhor, proclamem o dia do amor! Amor em geral. Pode ser pelos amigos e familiares. Pode ser pelos animais de estimação. Pela vida no seu todo. O amor, ponto. Não dá para ficar muito mais genérico do que isto.

 

Uns coraçõezitos, um vermelho que chame bem à atenção, umas camufladas sugestões de prendas, as subtis dicas de lembranças para quem se esqueceu, e voilá! Isto tudo porque, afinal, o amor é isso mesmo, certo?

 

Talvez já desconfiem, mas não sou grande entusiasta da data. Já me conhecem, não gosto do tem de ser, forçarem-me a celebrar o amor, já viram isto? Se não o celebrasse durante todo o ano, pouco sentido faria apregoá-lo neste dia, não concordam? E, por muito sensível que seja à causa do combate à baixa natalidade, não tenho qualquer interesse direto e pessoal em honrar a deusa do casamento e da fertilidade, pelo menos, não para já. Por isso, pouca importância têm para mim datas como esta. O que tem importância, isso sim, é o amor. E, esse, eu trato de lembrar e cuidar durante todo o ano.

 

E o J., claro, o meu comprimido de sanidade mental. E aí é consensual, qualquer oportunidade de, juntos, nos celebrarmos, e de celebrarmos o amor, é uma estupenda oportunidade. Por isso, apesar de tudo, lá vamos nós, de braço dado, pelo meio dos coraçõezitos, de todo o vermelho, para os restaurantes atafulhados de casais de todos os tipos e feitios, e, entre risos e olhares, lá vamos lamentando os tolos que só celebram o amor uma vez por ano.

 

Com amor,

R.

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