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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

16
Abr19

Que se f*da.

quatro de treta e um bebé

Domingos à noite são sinónimos de livros, filmes e/ou séries. Sem exceção. A depressão pré-segunda-feira, obriga-me a dedicar a coisas que gosto e que não faço, normalmente por falta de tempo. Coisas essas que deveria ter começado a fazer no sábado, às 9h, e que acabei por ocupar com outras coisas, a maior parte delas sem jeito nenhum (na verdade, nunca sem jeito nenhum, porque não fazer nada e dormir até às 15h tem todo o jeito, é essencial e sabe tãooooo bem). Na verdade, os domingos à noite funcionam como forma de recuperar o tempo perdido do fim de semana, de forma calma e tranquila para que passe devagar, m-u-i-t-o-d-e-v-a-g-a-r, como se conseguisse atrasar a chegada do dia seguinte. Acaba por ter o efeito contrário. Desde logo porque quando estamos a fazer algo que gostamos o tempo parece que voa. E se esse algo que gostamos é feito a um domingo à noite, já foi!

 

Este domingo, dediquei-me a um livro que já me tinha sido oferecido há algum tempo:

 

“A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da”.

 

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Não deixa de ser irónico que esse livro me tenha sido oferecido pela pessoa que mais me fez conjugar o dito verbo, das mais diversas formas possíveis e imaginárias, durante o último ano. Talvez eu não estivesse a ser subtil sempre que o pronunciei e como tal a pessoa achou por bem deixar-me  a dica. Está registado.

 

Dizia-vos eu então, que ontem comecei a ler esse livro. Ainda não tenho uma opinião formada sobre o mesmo, já que apenas li algumas dezenas de páginas. Todavia, desde a primeira página que me encontro em longos debates com o Autor. Se bem que depois de cada contra-argumento que utilizo penso... "que se f*da". Acho que já aprendi alguma coisa. A relevar... depois de falar. Bem, talvez não tenha aprendido nada. Oh! Que se f*da!

 

Autor: "Nós só procuramos aquilo que não temos."

M.: Efetivamente só costumo procurar aquilo que não tenho. Ou porque perdi, ou porque não me lembro onde guardei, mas o mais provável é que esteja a procura de algo que alguém tirou do sitio sem me avisar. Quando não encontro, encolho os olhos e faço uma de duas coisas:

1- Mamãaaaaa, viste as minhas sapatilhas?

2- "que se f*da, quando a minha mãe chegar pergunto-lhe onde as escondeu".

 

Autor: "Achamos que a felicidade consiste no alcançar aquilo que idealizamos e esse é o nosso grande erro, a felicidade consiste na busca, no caminho até alcançar."

M.: Sinto que a minha vida foi um erro. Fui tão feliz quando alcancei coisas que idealizei e nada feliz em alguns dos percursos que tive que percorrer até lá chegar. Afinal fiz tudo ao contrário, fui feliz nos momentos errados. Penitencio-me por isso... mas que se f*da.

 

Autor: "A felicidade não é não ter problemas, é resolver os problemas que temos."

M.: Se tenho um problema e o resolvo, fico sem ele. E se fico feliz com a resolução é porque fico feliz sem o referido problema. Então a felicidade é ter problemas resolvidos. Se estão resolvidos já não são um problema. Certo? Bom, "que se f*da".

 

Autor: "O desejo de termos experiências positivas é, por si só, uma experiência negativa, e paradoxalmente, o facto de aceitarmos experiências negativas, é, por sua vez, uma experiência positiva."

M.: Diria que o desejo ter experiências negativas ao invés de experiências positivas está ligado a escolhas de índole e gosto pessoal, que se podem traduzir (ou não) na prática do sadomasoquismo. E se assim for, se optarmos pela prática do sadomasoquismo, parece-me que esta frase fará todo o sentido. Caso contrário... que se f*da.

 

Subtileza nunca foi o meu forte. Prometo que trabalharei nessa parte daqui para a frente. Porque saber dizer "que se f*da", eu já sei.

 

O ser humano é demasiado confuso. Complica. É estranho. Atrai problemas. Mas depois há os que abusam. Que se f*da.

 

M.

 

01
Abr19

esquisitices.

quatro de treta e um bebé

Há muitos anos atrás (oh meu deus, já tenho muitos anos atrás!) tive uma paixão platónica que, também ela, durou alguns anos. Talvez andasse no 7.º ou 8.º ano e ele no 11.º ou 12.º. Como uma verdadeira paixão platónica, ele nunca soube. Ninguém soube. Nunca tínhamos falado e apenas o via ao longe. Como sabemos, a vida dá voltas e o destino é traiçoeiro. Conheci-o quando já estava na faculdade, por acaso, num daqueles típicos jantares de Coimbra. A paixão platónica ainda existia. Até que ele abriu a boca para falar para mim... e a paixão morreu!

 

Um sorriso, um olhar, o tom de voz. As mãos, as conversas ou a gargalhada. Todos temos algo que se destaca na pessoa que nos cativou e por quem nos apaixonamos. Arrisco-me a dizer que cada um de vocês saberá dizer uma, ou várias coisas, acerca da pessoa por quem nutrem sentimentos.

 

Saberão responder de igual modo acerca daquilo que vos afastou, por completo e à primeira vista (ou momento) de determinada pessoa? Aquela característica que não sendo má, ou não a tornando numa pessoa má, que não tendo a pessoa culpa, vos fez por um ponto final ainda antes do início da frase?

 

Há uns tempos, em conversa com uma amiga, dizia-me ela que no programa do “O Carro do Amor”, uma das candidatas deu sinal vermelho ao par simplesmente porque ele era mais baixo do que ela. E que apesar de toda a cumplicidade que existiu entre os dois desde o primeiro momento, havia algo do qual a candidata não se conseguia abstrair... a altura.

 

Divagamos sobre o tema e concluímos que ambas teríamos feito a mesma coisa. Talvez não o admitíssemos na TV. Talvez não disséssemos à pessoa. Mas saberíamos que era isso que nos estava a impedir de avançar.

 

Não que tenha passado pela experiência (ou se passei nem me apercebi de tão automático que foi o bloqueio), mas quase que garanto que jamais me apaixonaria por alguém mais baixo do que eu. Por muito que tivesse “tudo o resto”. É um facto: ser mais baixo colocaria logo, só por si, o sinal vermelho. O ponto final antes da frase. Mas podíamos ser amigos para sempre.

 

Dei pelo meu pensamento a divagar sobre aquelas coisas que ativariam o sinal vermelho. E concluí que até tenho algumas.

 

A voz. Capaz de destruir uma paixão platónica de anos. E me faz fazer questão de falar com as possíveis paixões platónicas que surgem.

 

A data de nascimento com um número igual ou superior a 1993. (Tenho que partilhar convosco que primeiro escrevi 1998, apaguei e escrevi, 1995 e voltei a apagar e escrevi, finalmente, 1993. Ainda voltei a apagar com a intenção de colocar 1991, mas voltei a escrever um 3. Não estou certa disto. Mas prefiro manter a amplitude, pelo menos mental).

 

A bagagem...

 

Neste momento, tenho aqueles que me são mais próximos a revirar os olhos e a dizer em voz alta (porque já não conseguem controlar o som): “mas ainda há alguém que acredite que ela não vai ser solteira a vida toda?”.

 

Calma! Ainda há esperança no Tinder!

 

M.

18
Mar19

conversas despreocupadas

quatro de treta e um bebé

- Já ouviste falar daqueles novos programas de TV, de domingo à noite?

- Sim.

- Achas aquilo normal?

- Não tenho nada contra.

- Como não tens nada contra?

- Porque haveria de ter?

- Achas normal o que se está ali a fazer? A forma como as mulheres estão a ser expostas, humilhadas. O estereótipo que se defende. É chocante. Não percebo como é que nos dias de hoje isso é permitido. E percebo, menos ainda, como é que as mulheres não se revoltam contra isso. Enquanto mulher sinto-me humilhada, rebaixada. Andamos anos e anos a lutar por direitos, ainda agora assinalámos o 8 de Março, esforçamo-nos pela igualdade, e depois é isto. Permite-se isto. E ainda se chocam com os casos de violência doméstica. Com as mortes. Com as decisões do juiz. É isto que se fomenta com este tipo de programas.

- Não estou a perceber...

- Como não estás a perceber? O que se passa naqueles programas é inadmissível, as mulheres são expostas, como se numa montra estivessem, e os homens (ou as mães, o que ainda é pior), escolhem aquelas que melhor se adequam aos seus caprichos (ou dos filhos).

- Hum. Estou a ver... Essas mulheres foram obrigadas a estar lá ou estão por vontade própria?

- Não!!! Aquilo é um concurso. Candidataram-se. Mas a questão não é essa...

- Então estás a dizer-me que foi opção delas estar ali e sabiam para o que iam?

- Sim, mas...

- Mas não podem escolher se colocar numa montra porque socialmente isso não é aceite? Isso não faz muito sentido.

- Não é nada disso. Elas podem escolher ser o que quiserem. Mas já viste aquilo que se fomenta? Que os homens escolhem as mulheres com base na imagem, se sabem cozinhar, se tem filhos, se já foram casadas... No fundo é como se aquilo fosse uma entrevista de emprego. Fazem 50 mil perguntas, ridículas, como, por exemplo, se é virgem, mas o que tem eles a ver com isso? Agora uma mulher para ser ideal tem que ser imaculada, saber cozinhar, cuidar da casa, planear ter filhos? O que é isto??

- E a mulher tem que ser ideal?

- Ah?

- Sim, tu disseste “a mulher para ser ideal tem que”. A minha pergunta é “tem que haver uma mulher ideal?”. Ideal para quê? O que é ser ideal?

- A questão não é essa. Naqueles programas fomenta-se um determinado estereótipo. Defende-se que a mulher tem que ser de determinada forma para ser escolhida.

- Ok, eu já percebi essa parte. Mas essas mulheres não estão lá porque querem?

- Estão, mas...

- E não tem o direito de escolher estar ali, daquela forma?

- O que? Fomentar estereótipos?

- Então vamos por partes: Nós queremos ser livres, queremos ter direitos, liberdade, fazer o que queremos, pensar como entendemos, seguir o caminho que escolhermos, sem que haja ninguém a impedir-nos disso, simplesmente porque somos mulheres, certo?

- Sim.

- Defendemos o fim dos estereótipos, do caminho demarcado, a ideia da mulher como uma máquina de fazer filhos, ou a dona de casa, submissa às ordens do marido, ou do pai.

- Claro.

- Mas a mulher não pode querer participar em programas de televisão, onde há homens que as escolhem, seja para o que for, nos critérios que assim entenderem?

- O quê?

- Estou muito confusa. Afinal, as mulheres podem ser tudo, exceto aquilo que as outras mulheres acham que não podem ser.

- Não é nada disso. Mas...

- Sabes o que a minha mãe sempre fez questão de deixar claro lá em casa? Que por lá "reinava" a democracia... a democracia dela.

 

Ainda bem que a democracia dela me ensinou que liberdade é, também, aceitar que os outros pensem de forma diferente da minha. E não os julgar por isso.

 

M.

21
Jan19

Boicote às "coisas" tóxicas.

quatro de treta e um bebé

Desde que me lembro de mim, adoro leite. De todas as formas. No verão ou no inverno. Quente. Frio. Com café ou chocolate. Simples! A qualquer hora. Alimentar-me-ia só de leite, se tal fosse possível.

 

Há uns anos descobri que é o leite que me provoca uma determinada reação alérgica. Foi flecha direta no peito. Daquelas que depois de entrar ainda roda para um lado e para o outro, e quando achamos que parou ainda dá um solavancozinho.

Outra opção não me restou se não abandonar o leite. Aqui entre nós, nunca o cheguei a abandonar verdadeiramente. De vez em quando, acabo por não resistir à tentação.

Naquele momento em que decido ceder, eu sei o que vem a seguir. Sei que não devia. Mas... oh pá, eu gosto tantooo. Afinal antes de fazer mal, faz bem. E tãooo bem.

E então, com plena consciência das consequências da minha escolha, minto para mim mesma e digo "é só desta vez". Não é! Eu sei. Mas antes de fazer mal, faz bem.

 

Há pessoas que, desde que nos lembramos, adoramos. Seja pelo que são, pelo que nos fizeram ser, ou simplesmente porque não soubemos fazer o furo no fundo do copo.

Um dia, descobrimos que essas pessoas, nos provocam determinadas reações alérgicas. Que nos fazem mal. Que, elas próprias, nos atiraram a tal flecha, e rodaram. E no momento em que respiras fundo, dão ainda o tal empurrãozinho só para garantir que flecha está lá bem enterrada.

 

Também aqui, não nos resta outra opção, se não levantar, arrancar a flecha, virar costas e abandonar. Sem voltar a atrás.

Aqui, e ao contrário do leite, não há nada de bom, antes de fazer mal. Podemos ter a plena consciência das consequências depois de ceder. Mas em momento algum há um "faz bem, antes de fazer mal". Faz mal desde o início. E por esse motivo, não vale a pena a cedência.

 

Se consigo perceber o facto de insistirmos em algo que nos faz mal, porque antes há um algo que nos faz bem, já tenho sérias dificuldades em perceber porque insistimos naquilo que só nos faz mal. Há quem me responda que é sadomasoquismo. Pesquisei na internet que até isso parece que faz bem. Pelo menos é o que dizem, que eu cá não sei nada disso.

Por isso, eh pá, deixar-nos-emos de coisas que nos fazem mal. Seja leite, glúten ou pessoas. Principalmente de pessoas. Que de tão tóxicas, são as únicas que não trazem nada de bom, antes de fazer mal.

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M.

17
Jan19

Autocontrolo, o superpoder da maturidade

quatro de treta e um bebé

Cara de adolescente, espírito de criança, corpo de velha, mas, afinal, adulta.

 

Aos trambolhões, entre metamorfoses e complicações, damos por nós um dia e somos, vejam vós, adultos.

 

Nem sempre o fiz my way (à minha maneira), mas posso, envaidecidamente, dizer-vos que “I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king, I've been up and down and over and out” e que descobri, como o nosso caro Sinatra, que “that’s life”!

Vivi, cresci, aprendi e desaprendi, fiz, ganhei, perdi, mudei e voltei a mudar.

No meio disto tudo, houve uma grande capacidade que desenvolvi, se não, melhor dizendo, criei. O superpoder da vida adulta, o verdadeiro sinónimo, para mim, de maturidade. O que veio mudar tudo, o momento da revelação, a perceção de que “damn, sou uma adulta”.

 

Autocontrolo.

 

Reparei que já se vinha desenvolvendo, desde há uns anos. Veio demonstrando-se em pequenas reações. Notei que, de repente, a vontade de desferir estaladas como recompensa pela idiotice humana tinha diminuído (não que eu costumasse fazê-lo, apenas tinha mesmo muita vontade de o fazer).

 

É a capacidade de ouvir e responder “está bem”, “claro”, “’tá bem”, (seu incomensurável desperdício de oxigénio), “certo”, “com certeza”, (se sequer eu te conseguisse explicar o tamanho da tua imbecilidade), “tudo bem”. Respondê-lo com convicção, enquanto, por dentro, abanamos ferverosamente a cabeça de um lado para o outro. “Que seja”.

 

Respirar fundo, convocar o nosso Rafiki interior, e acenar, enquanto os nossos olhos se reviram, ainda que clandestinamente, como autênticos acrobatas.

 

Não é que a idiotice alheia me tenha deixado de fazer comichão. Não é que deixe de ficar verde, é simplesmente que, a final, o Bruce Banner consegue ganhar. Não é engolir sapos ou qualquer outro tipo de anfíbios, tão pouco sermos menos nós.

 

É maturidade.

 

É não precisar de ter a última palavra. Não precisar de responder sempre, pelo menos, não em voz alta. Não precisar de subir de decibéis até a outra pessoa desistir. Não precisar de ter sempre razão. Não dizer sempre a primeira coisa que nos vem à cabeça. Não dizer tudo o que pensamos. Saber parar antes de ambas as partes acabarem a perder a discussão. Controlar o primeiro impulso. Controlar a primeira reação perante idiotices (regra geral, seria a vontade de desferir chapadas).

 

Há pouco tempo confessei ao J. uma das principais características dele que me fazem admirá-lo. Uma situação tão irrisória como, vamos imaginar, alguém alegar altiva e perentoriamente, “aquilo nunca existiu”, e o J., com o telemóvel na mão, com uma fotografia que gritava, com letras garrafais, “é mais do que óbvio que aquilo existiu, dah”, olhar para o ecrã, levantar os olhos, voltar a ver a imagem, respirar fundo e dizer “está bem”. É a capacidade de saberes quando tens razão, mesmo que to tentem contrariar, sem precisar de qualquer tipo de validação externa.

 

E autocontrolo, meus caros, autocontrolo.

 

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R.

27
Nov18

Era uma vez #2

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas!

 

Hoje venho falar-vos de um livro que li no início deste ano. Para dizer a verdade comecei-o no final do ano passado mas não estava a conseguir avançar na leitura, pelo que deixei passar as festas e retomei-o em Janeiro. Eu acho que os livros são pequenos mundos tão extraordinários que se estivermos com um livro na mão e não nos estiver a apetecer ler, devemos parar, passar para outro e mais tarde, quando nos apetecer, pegar de novo. Ler por obrigação não é bom. Mas quem diz que não gosta de ler é só porque ainda não encontrou o livro certo.

Mas passando ao livro propriamente dito, este é o Persépolis da Marjane Satrapi.

 

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Não peguei neste livro por acaso, no pequeno grupo de leitura do qual faço parte, o desafio daquele mês seria ler um género literário nunca lido e bem, eu nunca tinha lido nenhuma novela gráfica (não, não vamos chamar a este livro banda desenhada, por favor!) e a C. já tinha comentado o livro e vá a Emma Watson (hello, Hermione? Ahah) também o recomendou, por isso foi juntar o útil ao agradável.

 

Começo por dizer que este é um livro extraordinariamente interessante. Mais do que interessante, isto é a autobiografia da iraniana Marjane Satrapi. Isso mesmo, o que se passa neste livro é real. Não sabia grande coisa sobre o Irão, confesso, apenas o que vai saindo nas notícias e o pouco que posso ter falado na escola mas não tinha ideia, por exemplo, que antes da guerra o Irão era um país muçulmano super progressista, em que as mulheres podiam ir a escola, à faculdade, podiam ter a profissão que quisessem, tinham os mesmos direitos dos homens, não eram obrigadas a usar véus, etc., e depois da guerra e da entrada do fundamentalismo tudo mudou, para pior, e ainda hoje podemos ver que não temos nem de longe o Irão que existia antes da guerra. Por este motivo considero este livro mais do que interessante, importante.

Fiquei muito contente por ter lido este género. Este livro fala da história de um povo, de um país, de uma revolução e de uma guerra, de uma criança/adulta e da visão dela sobre tudo o que a rodeia. É um livro que fala de um tema muito sério e distante para nós ocidentais, de forma, diria até, simples. De forma não tão pesada como seria de esperar pelo menos. 
O livro está dividido por um género de capítulos, cada um sobre um tema. Vamos acompanhando o crescimento da Marje e da sua família. Vamos sabendo mais sobre as particularidades da sua vida. Como ela própria sabe é uma criança privilegiada. É de uma família considerada rica em relação à maioria, tem uns pais e uma avó ‘liberais’, que querem que ela cresça e seja feliz, que tenha direito à liberdade, liberdade de ser, de estar, de expressão. Num país que rapidamente viu a sua liberdade restringida, viu as liberdades das pessoas desaparecerem, Marje é uma menina rebelde que quer ter e tem uma voz sobre tudo e não tem medo de expressar aquilo que sabe, o que não sabe, o que sente e o que pensa. É um livro que de uma forma super cativante, por vezes desconcertante mas também simplista nos faz reflectir sobre problemas tão sérios como o fascismo, como o machismo, como a opressão, etc. Se em alguns dos temas, e especialmente quando ouvimos uma Marje criança, acabamos por dar por nós a rir, apesar das verdades que ela diz, quando estamos com a Marje adulta já há mais momentos de revolta, em que nos apetece entrar para dentro do livro e distribuir chapadas por toda a gente. E é aqui que acho que a protagonista é muito boa, porque ela não tem medo. Ela é corajosa. Ela enfrenta quem tem que enfrentar, mas nunca deixa de ser ela própria. Não deixa que aquilo em que acredita seja apagado por outros, apesar das consequências que pode vir a enfrentar, para ela é certamente preferível uma consequência do que ficar calada. 
Este não é um livro fácil. Tem ilustrações muito boas, outras assustadoras (ahaha) e também por causa disso uma pessoa acaba por demorar mais do que o esperado mas ao mesmo tempo menos que um livro normal, porque, obviamente a quantidade de texto é menor. Mas também acho que é uma questão de nos habituarmos. 

 

“Quando temos medo, perdemos todo o sentido de análise e de reflexão. Somos paralisados pelo medo. Além disso, o medo sempre foi a força motriz da repressão de todas as ditaduras”.

 

F. 

06
Nov18

Quem tem uma bimby, tem tudo!

quatro de treta e um bebé

Confesso que não estava nada convencida com a tão famosa e reconhecida Bimby.
Já tinha ouvido falar mas achava um desperdício gastar 1.000,00€ numa máquina - promissora, é certo - mas uma máquina!
Contudo e, não obstante a minha firme posição, eis que o T., num belo dia, decide marcar uma demonstração com uma agente da marca.
Telefona-me, estava eu a trabalhar, a perguntar se dava para a Lara ir, naquele dia, lá a casa. Questionei: "Lara? Quem é essa?" Respondeu-me, "é por causa da Bimby!".
Não o desiludi e aceitei o desafio.
A senhora, no dia agendado, por volta das 19h30,entra lá em casa carregadíssima com a tralha toda.
Apresentámo- nos e, logo, começamos a aventura na cozinha... com o T. ao comando de tudo, claro!

Desde já vos digo que o T. nunca mexeu um dedinho que fosse.  A única coisa que sabia fazer era ferver água e pôr um aroma qualquer lá para dentro e voilá, tínhamos chá!
De vez em quando, caprichava e lá saía uma tosta mista 5***.
De resto, mais nada!!!!!


Sucedeu que, no dia da demonstração e, no decurso da mesma, eu própria já estava super entusiasmada. Uma bola de carne de entrada, óptima; gelado feito na hora com fruta que tínhamos por casa; bacalhau espiritual; e um refresco muito saboroso. Tudo divinal.
Perguntam vocês: Convencida S.? Neste momento estava quase!!
O jantar ficou pronto e chegou a hora da "amiga Lara" se despedir para nos deixar a apreciar o que o chefe T. havia feito. E, espantem-se, quando a alerto de que se esquecia de uma caixa no chão, próxima da saída, eis que me surpreende com um “é sua”!

Respondi: "como assim, minha?"
Atrás de mim estava o T. com cara de caso a apreciar tudo isto e a rir baixinho.
Na altura não fiquei assim super entusiasmada mas hoje estou completamente rendida por uma razão simples - não  só pela Bimby - mas pelo cozinheiro que ela fez do T.. Excelente!

Faz o melhor risotto de sempre.
A melhor tarde de amêndoa.
A melhor mousse de chocolate branco.
O melhor cheesecake.
O melhor pão com chouriço.

A melhor pizza.

As melhores gomas.

(o melhor caril não, o meu é muito melhor!!)


E podia estar aqui a enunciar mais, mas como ele também lê isto, o melhor é não gabar demasiado.
De facto, a Bimby conseguiu com que o T. gostasse da cozinha e fizesse tudo com gosto. Eu? Agradeço imenso e não me importei nada com a demissão do meu cargo na cozinha!! Pecou por não ser mais cedo.
Alguém desse lado é fã da Bimby?

Aqui deixo um cheirinho "amador" das iguarias do T. e da sua amante Bimby bem como o link para os interessados que ainda não a tenham adquirido:

(https://bimby.vorwerk.pt/bimby/)

Vão partilhando connosco as vossas receitas e delícias na cozinha.

Bons cozinhados e Bom apetite,

 

S.

 

22
Out18

DUAS COLHERADAS E DUAS DE TRETA PELO MEIO, se possível!

quatro de treta e um bebé

 

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Poluição sonora. É isto. Falta de respeito e consciência social.
Chego a um restaurante. Sento-me. Chega o empregado. Pergunta uma, duas, três vezes... qualquer coisa que eu não entendo. Porque não ouço. Porque não consigo ler através dos lábios. E ele tenta, simpaticamente, alterar a voz.
Aos berros, pergunta se já escolhemos. Aos berros, eu peço-lhe para ele aguardar mais um pouco. E, aos berros, peço o meu menu.

Fico o jantar/almoço todo a, apenas, abanar a cabeça para quem me acompanha. Não falo. Não se fala.
Com o pouco que falo rebento com os decibéis e chego cá fora, no fim de tudo, rouca. Cheia de dores de cabeça e com vontade de ir para casa repousar. Um programa que seria agradável para descontrair quantas vezes acaba por ser um tormento?
Isto porque há sempre aquelas almas que se juntam em jantares de família para festejar os aniversários do avôzinho e fazem da sala do restaurante, a sala de sua casa. Melhor era impossível.
Crianças a correr pelas mesas, o 40° da mesa a falar com o 1° da outra ponta. A mãe a chamar a atenção aos miúdos. As adolescentes, histéricas, a comentar o “boy mais giro lá da escola”. Os bebés aos gritos - esses com desconto, claro. O avôzinho a perguntar 1001 vezes se já todos escolheram, enquanto vai soltando um “olhaaaaa, tu aí Mila, já escolheste mais o teu home?”. E repete o processo pela mesa toda.
Quando penso que tudo vai acalmar após os pedidos dos menus, eis que chega a comida, e lá anda esta para um lado e para o outro. “Prova aqui”, “prova ali”. Comida pelo ar, pelos mais novos, e mais uns quantos berros para chamar atenção.
No fim de tudo, pensamos “ufa, de barriguinha cheia já devem acalmar mais um bocadinho”. E vêm os Parabéns. Em tom BEM alto! Altíssimo, diria. Capaz de rebentar um qualquer tímpano. Até o mais calejado. E envolvem toda a sala do restaurante com palmas.
Depois lá vem - qual cereja no topo do bolo - o “e-fé-re -á” (https://youtu.be/fbs5jtESfz8)
E no fim ainda vêm as criancinhas com o “e que seja feliz, e que parta o nariz”.
Serei eu a intolerante?
Sugiro aos restaurantes que, após festejos destes, na continha que apresentam tragam logo a farmácia para ver se uma pessoa consegue fazer - de pé - o caminho até ao carro sem chamar o INEM. Exagero, não é!?
Até não é, sabem!? Porque isto a correr bem, anima a B. para fazermos ensaio para um concerto de techno music, assim que chega a casa.
Confesso que saio pouquíssimas vezes para jantar fora. Agora com a B., menos ainda e, apesar de ter cuidado, por vezes, ainda me deparo (como aconteceu este fim de semana) com situações destas.

Ufa! Haja paciência!!

Bons jantares/almoços, de preferência silenciosos.


S.

28
Set18

Sobre o Acórdão do Tribunal da Relação do Porto e o crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência

quatro de treta e um bebé

Ainda sobre o Acórdão do Tribunal da Relação do Porto, é a nossa vez de deixar uma breve análise.

Falamos do Acórdão de 27 de junho de 2018, proferido por Maria Dolores da Silva e Sousa (relatora) e Manuel Soares, presidente da ASJP (Associação Sindical dos Juízes Portugueses), que confirma parcialmente a decisão condenatória de dois arguidos pelo crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência (disponível aqui).

 

Desde já alerto que este não é um post bonito, principalmente porque a descrição dos factos não é fácil de ler, como é habitual em relação a crimes sexuais.

Desde já digo também que este não é um comentário do ponto de vista femininista, apesar de eu o ser, assumidamente. Sou-o por causa de factos, porque os crimes sexuais são esmagadoramente cometidos contra mulheres, e esmagadoramente cometidos por homens, e porque o cunho machista da sociedade é-nos inerente a todos, ainda que alguns possam ter mais noção disso do que outros e, consequentemente, o consigam combater. Este, como tantos outros em Portugal, é o caso de uma mulher vítima de um crime de abuso sexual cometido por dois homens. Contudo, não é essa a perspectiva que aqui me interessa, e que fique bem claro que estaria a fazer este mesmo comentário se se tratasse de um homem vítima e de duas mulheres agressoras.

Se forem como eu, uma das primeiras perguntas que vos assola a mente é “e onde é que estavam os amigos ou amigas daquela rapariga?”. Pois é, mas isso é uma consideração que não vou sequer tecer, e vou cingir-me àqueles factos reprováveis que constituem, efetivamente, crime.

 

Vamos, então, ver o que ficou provado que se passou.

(porque, para uma análise de Direito, o que interessa é o que se provou, e neste caso os factos provados são abundantes, completos, coerentes e clarividentes)

 

Os arguidos, “C” e “D”, estavam a trabalhar no bar discoteca onde se passaram os factos, um como porteiro e o outro como barman.

As amigas “E” e “G”, no período noturno, foram até esse bar, onde já tinham estado anteriormente, pelo que conheciam minimamente os arguidos. Sabe-se que dançaram e que consumiram bebidas alcoólicas.

Perto da hora do fecho, estando já o bar com poucos clientes, um dos arguidos serve shots grátis a “E”. Já depois da hora do fecho, “C” aproxima-se de “G”, que está deitada num sofá, indisposta. “E” e “B” também se aproximam. “E” sente-se indisposta, pelo que o arguido “B” vai com ela ao exterior. Mais tarde, já estando o bar fechado e encontrando-se presentes apenas os dois arguidos e as duas amigas, a vítima, juntamente com o arguido “B”, vai para a casa de banho, onde fica sentada no chão, junto à sanita, para onde vomitou. O arguido “C” esteve na casa de banho e verificou os sinais de embriaguez de “E”. Entretanto, o arguido “C” levou “G” até casa desta, tendo regressado ao bar.

“E” perdeu a consciência, altura em que o arguido “B”, verificando a incapacidade da ofendida de reger a sua vontade e de ter consciência dos seus atos, resolveu e com ela manteve relações sexuais de cópula vaginal completa, depois de a ter despido da cintura para baixo. “E” voltou a si, deitada no chão, com a cabeça encostada à porta de entrada, quando sentiu um empurrão na porta, ouvindo "B" e "C", que entretanto tinha regressado. Momentos depois, “E” perdeu novamente a consciência, só voltando a recuperar os sentidos quando, ouvindo as vozes dos dois arguidos, sentiu umas palmadas na zona dos seus glúteos, apercebendo-se também aí que tinha roupa puxada até à zona dos joelhos, e que se encontrava posicionada de bruços, com o tronco totalmente apoiado na área do lavatório. “E” perdeu novamente a consciência, só voltando a recuperá-la quando se encontrava sentada no sofá do bar discoteca, nessa altura vestida e estando junto a si os arguidos, tendo um deles atirado com água para o seu rosto. Ficou provado que “C” e “B” tinham pleno conhecimento das circunstâncias e que “B”, em primeiro lugar, e “C”, em segundo, mantiveram relações sexuais de cópula vaginal completa com “E”, enquanto esta estava na casa de banho sem consciência de si própria e incapaz de dispor da sua vontade.

De manhã, “C” levou “E” a casa, apelando-lhe que esquecesse o que tinha acontecido, pois não podia colocar em causa a sua vida pessoal e familiar e que lhe daria em troca o que quisesse, incluindo dinheiro. No dia seguinte, “C” e “B” trocaram várias mensagens com “E”, alegando que não teriam feito nada de errado, que “E” teria consentido, insistindo na não apresentação de queixa e na não divulgação dos factos.

 

“E” ficou com equimoses e hematomas em várias partes do corpo. Esta é a única referência que é feita em relação às consequências que os factos tiveram para a vítima. Em momento algum se refere os danos psicológicos ou os efeitos na vida de “E”.

 

Por outro lado, a condição sócio económica dos arguidos consubstancia uma exposição maior do que a dos factos provados.

 

Não se prova que os arguidos tenham atuado de forma conjunta e concertada. Contudo, fica provado que cada um soube que o outro abusou sexualmente da vítima.

 

Os arguidos não têm antecedentes criminais. O que quer dizer, e já que estamos a ser tecnicamente corretos, que nunca foram condenados.

 

Na motivação da decisão, diz-se que os arguidos admitiram boa parte dos factos, “todavia, colocando a sua prática como uma consequência normal (e consentida) do envolvimento entre eles e a ofendida”.

 

O tribunal, em 1ª instância, condenou os arguidos pela prática de um crime de abuso sexual, cada, em penas de 4 anos e 6 meses de prisão, com execução suspensa por igual período.

 

Estes são os factos.

Da decisão de 1ª instância, o Ministério Público recorre quanto à suspensão da pena, considerando que se justifica a aplicação de pena efetiva.

 

Naturalmente que, ao analisar este caso, não nos estamos a cingir única e exclusivamente à decisão do Tribunal da Relação do Porto. É óbvio que o tribunal de Gaia, em 1ª instância, analisou e decidiu os factos, nos termos acima vistos. Se discordamos da decisão de suspensão, que é a que é analisada na Relação, discordamos também da decisão que a aplica em 1ª instância. Contudo, não tivemos acesso à decisão em 1ª instância, ao passo que, como todos sabemos, a decisão da Relação é publicada e, consequentemente, aberta a análise e discussão.

 

Vejamos os factos como se de um caso de faculdade se tratasse, em primeiro lugar quanto ao tipo de crime.

 O artigo 164º do Código Penal refere-se ao crime de violação, enquanto o artigo 165º se refere ao crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência. Seria violação, em termos técnico-jurídicos, se os arguidos tivessem tornado a vítima inconsciente, ou por outro meio a tivessem constrangido a praticar relações sexuais. Ora, no primeiro caso, a moldura penal vai de 3 a 10 anos e, no segundo, de 1 a 6 anos. Já o crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, consistindo em praticar ato sexual, no caso cópula vaginal, com pessoa inconsciente ou incapaz de resistir, aproveitando-se do seu estado de incapacidade, é punido com pena de prisão de 2 a 10 anos. Ou seja, em termos técnico-jurídicos, a correta aplicação da lei implica enquadrar os factos no crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, e esta não é uma aplicação chocante ou em benefício do arguido, uma vez que a moldura penal aplicável é até semelhante à da violação, e que é exatamente para este tipo de factos que o tipo legal está pensado. Entenda-se, portanto, que a crítica ao acórdão e à decisão (em 1ª ou 2ª instância) não advém do tipo legal em causa. Por outro lado, não está sequer em discussão a pena aplicada, que não foi alvo de recurso, pelo que, concordando ou não com a pena aplicada de 4 anos e 6 meses, numa moldura penal de 2 a 10 anos, não nos vamos pronunciar sobre este aspeto.

 

O que causou a reação de estupefacção foi, por um lado, a manutenção da suspensão da pena, e, por outro, as considerações tecidas por quem proferiu a decisão em sede de recurso.

 

A ASPJ foi muito rápida a emitir uma nota informativa, o que não é de estranhar se nos lembrarmos que um dos juízes decisores é o seu presidente. Defendendo exacerbadamente o acórdão proferido, a ASPJ faz o favor de explicar o que não é verdade e o que não está em causa no caso.

 

A ASPJ explica-nos “não é verdade que tivesse considerado que o crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência ocorreu num ambiente de sedução mútua; essa qualificação refere-se ao contexto que antecedeu a prática dos crimes e que foi tida como relevante para a determinação da pena.” Aaah! É que o problema estava em quando é que o tribunal tinha considerado haver sedução mútua, assim ficou tudo esclarecido. Mas esperem, o que é que tribunal considerou “sedução mútua”? Diz-se que, a certa altura da noite, durante alguns instantes, a vítima foi vista a “dançar mais junto” de um dos arguidos. Se isto for considerado sedução, terá sido mútuo? Terá o arguido dançado? Pelo menos não consta dos factos provados… e será que a sedução foi tão intensa que, ao dançar junto a um, se estendeu a ambos os arguidos? Ou será ainda que o clima de sedução mútua foi entre os dois arguidos?! ASPJ, era aqui que precisávamos de alguns esclarecimentos.

Outro aspeto curioso desta nota informativa é o facto de alegar peremptoriamente que “não é verdade que tivesse havido violação, que no sentido técnico-jurídico constitui um tipo de crime diferente, punível com pena mais grave”. Ora, do ponto de vista técnico-jurídico, deve ter-se cuidado com o que se diz que é verdade; talvez fosse mais correto, estritamente do ponto de vista técnico-jurídico, dizer que os factos provados não integram o tipo legal de violação. Acresce que, como já vimos, não é completamente inequívoco dizer que o crime de violação é punível com pena mais grave. A ASJP termina clarificando que “os tribunais não têm agendas políticas ou sociais”, esclarecimento que muito nos acalma e que desde já agradecemos, e demonstra uma evidente preocupação com o agravamento do sofrimento e direitos da vítima dos crimes pelo facto de se debater o acórdão em causa, preocupação que sufragamos e que voltamos a agradecer.

 

Em termos técnico-jurídicos, analisemos o objeto do recurso, a suspensão da execução da pena de prisão.

Estipula o artigo 50º do Código Penal que “o tribunal suspende a execução da pena de prisão aplicada em medida não superior a cinco anos se, atendendo à personalidade do agente, às condições da sua vida, à sua conduta anterior e posterior ao crime e às circunstâncias deste, concluir que a simples censura do facto e a ameaça da prisão realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição”.

No caso em concreto, o requisito formal verifica-se, uma vez que foi aplicada pena de prisão de 4 anos e 6 meses.

O resto do artigo manda atender a elementos que, forçosamente, têm de ser analisados, pelo que não só se entende como se concorda que se analisem todos estes aspetos, nomeadamente aqueles que dizem respeito à pessoa do arguido, ainda que não se veja ser necessário escrever um livro de romance sobre a sua vida.

Cito algumas passagens do acórdão, para que não surjam dúvidas da sua má interpretação: “a culpa dos arguidos [embora nesta sede a culpa já não seja chamada ao caso] situa-se na mediania, ao fim de uma noite com muita bebida alcoólica, ambiente de sedução mútua, ocasionalidade (não premeditação), na prática dos factos”; “a ilicitude não é elevada. Não há danos físicos [ou são diminutos] nem violência [o abuso da inconsciência faz parte do tipo].“

 

O acórdão debruça-se ainda sobre todos os impactos negativos que os factos podem ter implicado para a vida dos arguidos.

É que o crime em questão, e o processo judicial daí decorrente, trouxe muitos incómodos para a vida dos arguidos! Quer dizer, pelo que percebi, ficaram sem emprego e uma relação amorosa terminou, quiçá por causa dos factos em causa, mas isso é muito grave. Diz-se que “B” “revela apreensão com o presente confronto com o sistema de administração da justiça penal e com as suas eventuais consequências”. Também “C” revela “apreensão face ao seu desfecho e preocupação relativamente às suas consequências em termos pessoais e familiares”.

 

As considerações em relação à personalidade dos arguidos não podem deixar de atender ao facto de, por exemplo, cada um deles saber que o outro abusou sexualmente da vítima, e isso não lhe causar repúdio algum, o que é demonstrador de que, apesar de se admitir que o abuso sexual possa não ter sido planeado ou possa não ter sido concertado em conjunto, os arguidos vêem os factos como normais. Acrescente-se que o próprio tribunal considera que os factos revelam "a presença de duas personalidades mal formadas e distanciadas do dever ser jurídico-penal".

Os percursos de vida dos arguidos são analisados de forma bem descritiva e, atrevemo-nos, até um pouco romantizada, quando constatamos que se chega a demorar mais a explanar as suas condições de vida do que a descrever os factos provados.

Quanto à conduta anterior e posterior ao crime e às circunstâncias deste, não haverá muito a acrescentar, sendo os factos provados tão completos e suficientes. É nesta fase da análise que os juízes terão considerado o alegado ambiente de “sedução mútua”. Mais uma vez esclareço, não se põe em causa que os elementos relativos à conduta anterior e posterior ao crime e às circunstâncias deste sejam analisadas, como naturalmente decorre do artigo mencionado! Questiona-se, contudo, como é que se pode considerar que tenha existido um ambiente de “sedução mútua”, que já vimos não decorrer de quaisquer dos factos provados, e choca-se que se possa considerar que uma eventual sedução mútua pudesse ser determinante a suspensão da pena de prisão. Porquê é que é tão chocante essa consideração? É que ler tal contemplação leva-nos a teorias vitimológicas, que queremos acreditar estar já arredadas, de que a conduta da vítima ou a sua eventual contribuição para os factos, pode ter o impacto de diminuir a pena ou suspender a sua execução. Digo-o com todas as letras, e não me sinto culpada de o fazer, porque é de facto uma preocupação grande e uma consequência muito grave pensar que os nossos decisores podem ainda acreditar nestas considerações. E digo-o porque me sinto afetada por decisões anteriores, não tão antigas, que fazem atender a considerações tão chocantes quanto a do “macho ibérico”, a da rapariga que “estava a pedi-las”, a diminuição da culpa do agente tão acentuada quanto for o decote da vítima, e como é que eu poderia não me sentir afetada, magoada até?     

Depois de considerar todos aqueles elementos, para suspender a pena, o juiz tem de “concluir que a simples censura do facto e a ameaça da prisão realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição”. E aqui volto a estremecer.

 

O tribunal afirma que houve a negação absoluta dos factos, é claro no sentido de que os arguidos e que procuraram centrar as suas preocupações nas suas pessoas e nas consequências para si e de que não ficou demonstrado qualquer arrependimento. É difícil imaginar o salto lógico que vai destas considerações à decisão de suspensão.

Considera-se que as necessidades de prevenção geral são prementes, dá-se bastante atenção a este aspeto. Já quanto às exigências de prevenção especial, consideram-se as mesmas medianamente acentuadas, e até se diz que parece que arguidos se empenharam a prestar auxílio às duas raparigas, sentando-as no sofá e levando-as a apanhar ar, ficando a dúvida quanto às suas reais intenções (como não nos sentirmos profundamente gratas?!).

Toma-se em consideração, para fundamentar a suspensão, desde logo, a primariedade dos arguidos; em termos técnico-jurídicos, como diria a ASJP, tal não significa que os arguidos nunca praticaram factos semelhantes, antes que nunca foram por tal facto condenados. Por outro lado, entende-se que os arguidos “não têm particulares factores de risco associados a problemas comportamentais que revelem disfuncional idade na vertente afectiva, ou dificuldade de autocontrolo dos respectivos impulsos, que urja acautelar”, e que “revelaram noção da gravidade dos factos”, o que até pode parecer contradizer o anteriormente constatado.

Além disso, o tribunal atesta que “apesar da censurabilidade das suas condutas, os danos físicos provocados não assumem especial gravidade considerando o período de cura das lesões provadas essencialmente com as palmadas (equimoses e hematomas)”. A sério que existe alguém a quem esta afirmação não cause um calafrio? Primeiro, porque ficou provado que a vítima foi abusada sexualmente junto à sanita, por um dos arguidos, e depois levada e colocada junto do lavatório, para ser abusada sexualmente por outro dos arguidos. Não fica demonstrado como ou quem a colocou nessa posição, mas depreendemos que não tenha ocorrido por magia, e, do meu ponto de vista, o facto de se ter ajeitado o corpo daquela mulher incapaz de resistência é um facto, só por si, bastante revelador da personalidade dos arguidos. Além dos danos decorrentes desta movimentação e do próprio ato sexual, um dos arguidos, não se sabe qual, desferiu palmadas (quiçá acometido pelo clima de sedução mútua?!), que não deverão ter sido suaves, considerando que deixaram marcas claras no corpo da vítima. Mais grave ainda é que se escolha falar dos danos físicos, porque os decisores escolheram trazer este dado à colação e escolheram fazer constar do texto do acórdão esta bela frase, e se tenha escolhido ignorar por completo os danos psicológicos que o crime poderá ter tido na vítima e que, como bem sabemos, são, por regra, bem mais graves e bem mais consequentes nos crimes de abuso sexual do que os danos físicos propriamente ditos. O tribunal continua, dizendo que “acresce o diminuto receio de cometimento de novos e idênticos factos atento o facto de não haver notícia da posteriores deslocações da ofendida ao “F…” ou de qualquer tipo de contacto entre ela e os arguidos, com núcleos de vida familiar e profissional perfeitamente afastados”. Mais um calafrio. Os arguidos não voltarão a praticar um crime de abuso sexual porque não é provável que voltem a ver a vítima? E o facto de não verem a vítima tem a ver com esta não se deslocar àquele bar? Conseguem ver como, ainda que não deliberadamente, os decisores voltam a pôr a tónica no comportamento da vítima, ao invés de focarem na potencial perigosidade dos agressores? Não ponho em causa que até seja improvável que os arguidos voltem a praticar aqueles factos com aquela vítima. Contudo, não seria fundamental, pelo menos, analisar a possibilidade de virem a praticar aqueles factos com uma outra vítima? Pelo menos, falar disso! Os arguidos trabalham na área do entretenimento noturno, é altamente provável que voltem a estar em contacto com pessoas embriagadas, muito provavelmente pessoas incapazes de resistência, talvez até inconscientes. Os arguidos não admitiram que o que fizeram é errado (de um ponto de vista técnico-jurídico, claro), não mostraram arrependimento, não mostraram interiorizar as normas legais violadas (ou abusadas, para não ferir suscetibilidades). O diminuto receio de cometimento de novos e idênticos factos só poderia ter como fundamento a interiorização da gravidade das suas condutas, de forma a que ficasse esclarecido, para lá de qualquer sombra de dúvida, que aqueles arguidos entenderam que não podem abusar sexualmente de qualquer pessoa, mulher ou homem, que encontrarem caída numa qualquer casa de banho, incapaz de oferecer resistência, por muito que lhes possa parecer boa ideia ou até apetecer. E, daquilo que me parece, isto não ficou claro.

Desta forma, do que ficou exposto, não se pode concluir que a simples censura do facto e a ameaça da prisão realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição, como manda a norma legal.

E daí que, no sentido técnico-jurídico, não possa concordar com a decisão tomada. 

Não posso, de igual modo, não me incomodar com a fundamentação da decisão tomada, com os juízos que os decisores emitem, com os factos que escolhem revelar e os que escolhem nem referir, e com o facto de não se aperceberem da gravidade de algumas das frases que escolheram escrever.

 

O acórdão em questão foi já sobejamente comentado, pela APAV, pelas Capazes, no Público (aqui e aqui), e até deu origem a manifestações. Aliás, o impacto foi tanto, que foi até noticiado, internacionalmente, pela Fox News.  

 

A propósito da temática dos crimes sexuais, o Expresso deixa-nos o facto curioso de que o único crime violento que aumentou em Portugal foi a violação.

Quanto à suspensão da pena, o Público revela-nos o pormenor da grande taxa de suspensão da execução das penas de prisão no que concerne aos crimes sexuais.

 

Antes de fechar esta análise, não posso deixar de referir o debate, a propósito do acórdão, com a Secretária-Geral da ASJP e da professora Inês Ferreira Leite, comentado no Diário de Notícias (que inclui link para a gravação da entrevista). 

Não espanta que o discurso da Secretária-Geral seja conforme ao plasmado na nota informativa da ASJP. O que espanta aqui, e que merece, por isso, uma nota, é o facto de esta representante ter afirmado, publicamente, que não basta não haver consentimento para haver violação, considerando que, no sentido técnico-jurídico, é necessário que o arguido tenha colocado a vítima na impossibilidade de resistir ou tenha usado violência para que se possa falar de uma violação. Este post já vai longo, pelo que não me vou alargar sobre este comentário. Digo apenas que me sinto profundamente chocada, desiludida e preocupada. E digo ainda que não entendo o medo demonstrado com a confusão que pode surgir entre o crime de violação e o crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, até porque o termo violação tem sido usado numa conotação que não é técnico-jurídica, e porque os crimes não são assim tão distintos. Para quem quiser ver a entrevista, fica o aviso, não vá apanharem o choque que eu apanhei, mas valerá a pena ouvirem a parte que concerne à professora Inês, essa sim bastante elucidativa e coesa.

 

Para terminar, sei que muitas pessoas ficam ainda surpreendidas com a reação que este tipo de textos provocam, com a magnitude que a não concordância com os mesmos atinge, e que muitos estranham ou até criticam o tempo dispensado a analisar estas decisões.

Em relação a isso, digo que me alegro genuinamente ao ver que o povo português não acha isto normal, que reage contra o tipo de crime cometido, contra as circunstâncias do mesmo, com a normalidade com que os arguidos olham o mesmo, que se preocupam com as vítimas. Vejo que estamos cada vez mais alertas e cada vez mais capazes de combater os crimes sexuais e os estigmas que os rodeiam.

E isso é uma grande luz ao fundo do túnel.

 

R.

06
Set18

Como conhecer pessoas novas quando temos mais de 25 anos

quatro de treta e um bebé

Tenho 26 anos (quase 27), uma relação estável, várias amizades de longos anos.

Não sou propriamente uma pessoa que tenha dificuldade em falar com pessoas, as más-línguas chamar-me-iam até tagarela, apesar de paradoxalmente ter bastante dificuldade em aproximar-me e baixar defesas.

 

Numa conversa recente, falava sobre a dificuldade de conhecer pessoas novas.

Não tenho qualquer interesse romântico em conhecer alguém. Contudo, tanto eu como o meu namorado já passamos, recentemente, por aqueles momentos em que olhamos à volta e pensamos “para onde foram todas aquelas pessoas que se chamavam amigos?!”.

Costumava ser tudo tão mais fácil quando alguém se encarregava de traçar o plano para a nossa vida… Ainda bebés, os nossos pais marcavam encontros com outros bebés. Já crianças, faziam o mesmo, mas já não achávamos tanta piada. Ainda assim, em creches, jardins-de-infância, escolas, sabíamos que tínhamos de passar aquelas horas juntos, no mesmo sítio, por isso lá acabávamos por ficar a conhecer bem aquelas pessoas. Na universidade, mais fácil ainda! Era só entrar pela universidade e lá estavam aquelas pessoas que costumávamos encontrar, um aceno ali, um abraço acolá, duas de treta aqui, e de repente parecíamos verdadeiros animais sociais.

Depois crescemos (pelo menos na teoria, não é M.?!). Temos menos tempo, menos paciência, mais obrigações.

No escritório, as pessoas do costume. No fim-de-semana, as pessoas do costume. No pouco tempo que sobra, queremos estar com aquelas pessoas, o namorado, a família, aqueles amigos que conhecemos tão bem e com quem finalmente conseguimos marcar um café.

 

Vamos lá pensar, quem foram as últimas pessoas com quem fizeram amizade?

Quanto a mim, recentemente, conheci pessoas na Ordem (Olá, meninas!) e no mestrado, mas isso já acabou. E agora?...

 

E reparem que tratando-se de conhecer parceiros românticos, o bicho-de-sete-cabeças multiplica-se.

Se fosse a referendo, éramos capazes de implementar o casamento arranjado, cem por cento de eficácia e zero por cento de preocupações em encontrar alguém, uffa! Reparem no sucesso de programas para conhecer pessoas (de novo, a maior parte parceiros românticos), The BachelorMarried At First Sight (que aparentemente vai chegar a Portugal), Next, Naked Attraction.

 

E a pergunta do milhão de euros é: Como conhecer novas pessoas?

A nossa geração responde logo Tinder! Para os mais desatentos, o Tinder é uma aplicação de encontros românticos, em que se “aprova” uma pessoa pela sua fotografia e, caso haja “aprovação” mútua, se inicia uma conversa. Problema? Além do problema óbvio se destinar apenas a interesses românticos (“mmm, com base nesta foto, acho que esta pessoa vai ser uma excelente companhia para aquela peça de teatro!”), não há como contornar o interesse sexual subjacente. Apesar de histórias de sucesso, de boa gente que se apaixonou e que têm uma relação estável com alguém que conheceram por esta via, deduzo que a esmagadora maioria consubstancia (apenas) uma noite de sucesso. Um Tinder para casais que procuram casais amigos, isso existe?! Nem vou falar do quão aborrecido é ter que explicar que sim, um homem e uma mulher podem, efetivamente, ser amigos, sem a parte do coloridos!

Já ouvi falar de aplicações para marcar jantares com desconhecidos, o que me parece uma ideia genial, como a Foodfriends, mas a verdade é que nunca a experimentei, nem sei como a usar, por isso, não sei se funciona!

Formações ou workshops? Problema, a maioria são pagas.

Saindo à noite? Certo, já conheci muito boa gente dessa forma. Claro que depois há o problema de ter que explicar que estamos na noite à procura de amigos, e, sei lá porquê, a maior parte das pessoas perde o interesse! Acresce que parece que a maior parte das pessoas da nossa idade acham que já passou o tempo de sair à noite, parece que deixou de fazer tanto sentido (certo, F.?! A M. sabe que ainda faz sentido, ainda que o corpo não aguente a mesma frequência!).

Amigos de amigos, sempre uma forte hipótese. Há o senão da pressão de tornar as coisas estranhas, quando eventualmente discutirmos, mas é uma das melhores opções para casos não românticos (ou românticos!).

Coloco um anúncio? Redes sociais (“olá, acho-te muito gira, queres trocar números?”)?

IMG_20180809_164200_812.jpg

Grupos de atividades! Aquele grupo de caminhadas, isso pode parecer interessante. Mas aí estou a criar amizade com uma pessoa que assumidamente gosta de caminhar (credo!).

Ginásio, desporto? Tem de haver uma maneira menos… suada!

Fiz o impensável, recorri ao Google! Claramente, não sou a única com esta interrogação! Desde artigos sobre se “é possível fazer amigos depois de certa idade” até “como encontrar o amor na vida adulta”, encontramos dicas que tornam tudo tão mais óbvio, como “sê sincera”! Ah, afinal é esse o truque... 

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Novas opções e ideias vão surgindo, afinal, de tudo nasce um negócio! Aparentemente, tal como a aplicação que referi acima, existem já páginas e plataformas pensadas para este problema! A plataforma Portuguese Table permite a inscrição de anfitriões que se propõem a cozinhar e a receber um grupo de pessoas, estabelecendo o preço e menu das mesmas. Já a plataforma TastePlease permite a inscrição quer como anfitrião, quer como convidado, e ainda a organização de jantares de grupo com desconhecidos em restaurantes, como uma verdadeira rede social para jantares.

Outro conceito engraçado é o das mesas comunitárias, ou mesas comuns, que vemos surgir em vários restaurantes, como o Brick Clérigos: uma única mesa com vários lugares. Não há “mesa para um”, nem se escolhe quem é a pessoa que se vai sentar ao nosso lado. Diz-se que este conceito convida ao convívio, mais não seja pela vontade de provar aquele prato ou dividir aquela tábua. Ainda não experimentei, mas estou aberta a convites, fica a dica!

(por esta altura já devem ter percebido a ligeira obsessão pela comida 🙊)

 

Há quem o faça parecer fácil (“Have you met Ted?”). 

 

Mas a verdade é que, a partir de uma certa idade, fazer novas amizades parece mais difícil. Será que nos tornamos mais exigentes? Menos crédulos? É porque já nos magoaram demasiadas vezes? É porque nos fazem crer que já temos de ter tudo decidido? Dizia-me essa amiga que sentia que já tinha feito os amigos que tinha de fazer. Como se tivesse fechado a “época de transferências”, plantel fechado. Não acredito que funcione assim. Quero conhecer novas pessoas, que tragam algo de novo à minha vida, que me ofereçam uma perspectiva nova, que estimulem estes velhos neurónios.

 

Como? Ainda estou a investigar essa parte…

 

Há sugestões por aí?

 

R. 

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