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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

18
Ago20

Herrar é umano, mas á herros e erros.

quatro de treta e um bebé

Espantem-se: continuo naquela fase de apelo ao amor. No mês passado alertei-vos para quando devem ativar o sinal verde, mesmo que seja manualmente. Este mês vou mais longe e faço serviço público.

Uma mensagem cheia de erros ortográficos é algo que dá cabo de qual relação (acrescentem este ponto à lista de ativação automática do sinal vermelho). Assim, e aproveitando o momento (raro), deixo-vos uma lista de palavras que devem constar do vosso vocabulário, para que as usem no momento certo. Reitero: no momento certo. E em caso de dúvida, consultem este artigo. Sem medo. As vezes que fizerem falta. E lembrem-se: uma cara bonita não é tudo, principalmente a partir do momento que abre a boca... ou mexe os dedos. 

  1. “Há” e “à”

Há: verbo haver - exemplo prático (ep): há muito tempo que não te vejo.

À: preposição - ep: estou à tua espera.

  1. “Haver” e “a ver”

Haver: verbo - ep: se continuas a chorar assim por ele, vai haver uma enchente na cidade.

A ver: afinidade (ou não) entre duas coisas - ep: isto não ter nada a ver contigo.

  1. “Haja” e “aja”

Haja: verbo haver - ep: haja paciência para as tuas crises de ciúmes

Aja: verbo agir - ep: se ele quer salvar a nossa relação, é bom que aja imediatamente.

(neste caso, deixo-vos um truque: se der para substituir pela palavra existir, então é com h)

  1. “Aparte” e “à parte”

Aparte: imperativo do verbo “apartar” (que quer dizer separar ou desviar) ou um substantivo masculino (que significa um comentário isolado, como se fosse um parêntese em um discurso) - ep: sempre que discutimos o assunto do casamento, ele não consegue manter sua linha de raciocínio e faz apartes desnecessários o tempo todo.

À parte: que já está ou vai ser separado - ep: Ele quer ter uma conversa comigo à parte de toda a gente.

  1. “Perca” e “perda”

Perda: substantivo - ep: ele é uma perda de tempo.

Perca: verbo - ep: não perca tempo com ele.

  1. “Comprimento” e “cumprimento”

Cumprimento: saudação - ep: apresento-lhe os meus mais sinceros cumprimentos.

Comprimento: medida - ep: aquilo tem 1 palmo de comprimento.

Espero, sinceramente, que vos ajude. E se prenderem a vossa cara metade, graças a este artigo ou, pelo menos, não a perderem, por favor, enviem-me uma mensagem. Morrerei feliz, sabendo que contribuí para um mundo melhor.

 

M. 

 

Errata: Onde se lê "Herrar é umano, mas á herros e erros", deverá ler-se: "Errar é humano, mas há erros e erros". 

13
Jul19

Falar ou não falar

quatro de treta e um bebé

Falar ou não falar – uma questão mais ancestral que os dinossauros.

 

Se acham a frase da autoria de Shakespeare emblemática, esta é ainda mais icónica.

Falar demais ou falar de menos são os riscos que se correm. Todos conhecemos exemplos dos dois casos.

Aquela pessoa a quem pensávamos ser indiferentes, porque nunca nos disse nada, aquela que sofria em silêncio, porque nunca se abriu a ninguém, aquela que, por orgulho, receio, ou até preguiça, nunca disse como se sentia.

Do outro lado, aquela pessoa que nunca se cala, que nos faz doer os tímpanos, que nos diz que a roupa nos fica mal sem que perguntemos, que nos conta ao pormenor o que fez no dia anterior, mesmo quando é inapropriado.

No meio, a procura pelo equilíbrio.

Obviamente que, conseguindo alcançá-lo, a resposta certa é o equilíbrio. No entanto, sejamos realistas e tiremos o equilíbrio da equação. A ter que pender para um dos lados, falar ou não falar?

Durante muito tempo, optei pela segunda hipótese.

Já nos ensinava o Bambi, "se não tens nada simpático para dizer, não digas nada".

Fala apenas quando o que tens a dizer for mais valioso que o silêncio, ou, como alegam que disse Eurípedes, "fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio, ou então guarda silêncio", ou ainda, como atribuem a Pitágoras, "se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te".

Por tudo isto, aliado a algumas inseguranças e ansiedade social, remetia-me ao silêncio. Desde que me deixassem em paz e não me chateassem, nem ouviam a minha voz. 

Só que algo não estava a bater certo. 

Desde logo, sentia alguma inquietude, sentia algo dentro de mim que queria sair. Afinal de contas, tenho um cérebro hiperativo, com tanto para dizer e tanto para partilhar… 

Por outro lado, percebi algo que me assustou. Vi que as pessoas não tinham bem noção do que significavam para mim. Que as pessoas não me entendiam porque não sabiam que eu estava mal, porque eu não dizia.

A partir de certa altura, dei uma volta de 180°, mudei de lunetas, e passei a ver as coisas de uma maneira diferente.

Decidi falar. Que raio, tantas palavras são ditas por tanta gente com tão pouco para dizer, e eu, aqui calada, com ideias tão bem mais interessantes. É que, quando optas por não falar, corres o risco de abarcar também palavras bem mais fortes, belas e importantes do que o silêncio.

 

Então, passei a falar. Entendi também outra coisa que, até então, me tinha passado ao lado: é que as outras pessoas também passaram pela mesma indagação, e estão tão preocupadas com a perceção que as outras pessoas têm de si que ficam sem tempo para te julgar por falares.

Descobri também o poder das palavras. O poder de magoar, claro, mas também de curar, de ajudar, de salvar. 

Passei de lobo solitário a animal social (porque os humanos são prós em metáforas animais). 

Passei a ser a pessoa que não tem medo de quebrar o silêncio, a que não tem medo do que as pessoas vão achar das minhas palavras, a dar o corpo às balas com piadas e disparates.

Passei, igualmente, a abrir um pouco a porta à maneira como me sinto, a partilhar mais os meus medos, anseios, preocupações e desejos.

Dei por ela de que aquele cliché é, efetivamente, verdade: quando olhamos para trás, aquilo de que mais nos arrependemos é do que não fizemos, e não do que fizemos - ou dissemos, neste caso.

Com o passar do tempo, adotei um novo mote. Mais vale dizer a mais do que dizer a menos. Como diz o meu John Mayer, "it's better to say too much, than never to say what you need to say".

Não quero deixar nada por dizer. Quero que as pessoas que são importantes para mim o saibam.

Passei a dizer mais vezes "gosto de ti". Passei a dizer "tenho saudades de ti", e até "preciso de ti". A mandar mensagens só para dizer "pensei em ti". A agradecer mais, a dizer "desculpo-te", a pedir ajuda. Mas não só, passei a dizer também "magoaste-me", "estou triste", "sinto-me frágil", "não concordo contigo", "o que fizeste não me parece certo".

 

 

E são posts como o desta semana que me fazem ter a certeza de que fiz a escolha certa. A vida é curta, passa a correr, e, de repente, gosta de nos lembrar disso. Por isso, se for para escolher, façam-no rápido, enquanto têm tempo. Não queiram levar as palavras convosco quando partirem, aí já não adianta de nada. Eu já decidi que prefiro arrepender-me de ter falado, do que de não o ter feito. Se concordam comigo, falem. Não deixem passar muito tempo, digam o que sentem, especialmente se for algo que pode fazer a diferença de forma positiva na vida de alguém. Curem, salvem, partilhem a bondade através das palavras. Falem.

 

R.

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