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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

25
Mar20

Assim que tiver tempo, prometo.

quatro de treta e um bebé
Há uns meses atrás a F. escrevia-nos sobre o tempo, sobre como "ele" passa e nem nos apercebemos disso. Escrevia-nos sobre como passamos o tempo a desejar que chegue um determinado dia e quando esse dia chega, automaticamente passamos a desejar um outro. E está tão certa!

Nunca arranjamos tempo para estar, para usufruir, para desfrutar. Ou porque temos muito trabalho, ou porque estamos cansados ou porque hoje não dá e amanhã não apetece. A família, os amigos, acabam por se encaixar nas horas vagas que não existem, de uma vida sempre agitada, com tempo contado para coisa nenhuma, coisa essa que é sempre prioritária. Damo-nos conta que passamos mais tempo com pessoas que não nos dizem nada ou que nos dizem muito pouco, com pessoas mesquinhas, de quem nem gostamos, ou até a fazer algo que não nos satisfaz. Porque para isso há tempo, porque isso é o que tem que ser, a isso somos obrigados. E fazemos, e vamos, e (sobre)vivemos aquilo que chamamos de vida, sonhando com um determinado dia, momento ou pessoas.

De amanhã não passa. No próximo fim de semana é que é. No próximo ano não há desculpas. Nas próximas férias, da próxima vez, assim que tiver tempo, na próxima encarnação. Fica para a próxima, prometo!

E de repente, chega um tal vírus que nos obriga a ter tempo. Um tempo imposto. Que nos condena à prisão, sem direito a visitas e que o único contacto permitido é através de videochamadas. E de repente, todos temos tempo. Através de uma pequena câmara, arranjamos formas de tomar café ou jantar com as pessoas que nos são queridas. Arranjamos tempo para ir ao ginásio, jogar cartas ou, simplesmente, estar à conversa. Os filmes parece-nos aborrecidos, os livros cansativos, as redes sociais uma seca. Porque o que gostamos mesmo é de pessoas. De estar com pessoas. E foi preciso um tal vírus aparecer, para nos darmos conta disso mesmo. Um tal vírus que nos mudou as perspetivas e diz-se por aí, que assim que esse vírus nos abandonar, o mundo jamais será o mesmo. As relações pessoais jamais serão as mesmas.  

E de repente, esse tal vírus vai embora. Felizmente, voltaremos à nossa rotina diária. Aos trabalhos que nos tiram tempo e energia, às coisas que nem gostamos assim tanto, mas que tem que ser. E as prioridades que durante estes tempos de quarentena estabelecemos, desaparecerão novamente. Ficarão para mais tarde. Para outra altura. Para quando houver tempo

Diz-se, por aí, que esse tal vírus veio mudar as pessoas. Diz-se por aí e diz-se mal. 

Durante a estadia desse tal vírus, as pessoas fizeram aquilo que fazem sempre. Esperar por um dia que não aquele. E quando esse dia chegar, esperarão por outro. E outro. E outro. Até que não hajam mais dias por que esperar. 

 

M.
04
Set18

O regresso dos cérebros deste país.

quatro de treta e um bebé

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Na passagem do PS, por uma das vilas mais bonitas de Portugal, Caminha, no passado dia 24 de agosto, António Costa tira o Coelho da cartola, e aclama aos "cérebros" que este país viu partir rumo a outros países que precisavam mais deles do que nós: "VOLTEM! Voltem que em troca tenho um desconto de 50% no vosso IRS para vos dar"!

 

Conta quem viu que tal aclamação gerou uma enorme confusão nos aeroportos! Eram quilómetros e quilómetros de filas de emigrantes portugueses prontos a comprar o primeiro bilhete disponível para voltar para Portugal. Foi necessário alguém intervir, meter ordem em tamanha confusão, e dar as más notícias: CALMA! Afastem-se lá e ouçam as coisas como deve de ser! ISTO NÃO É PARA TODOS! Era o que mais faltava!


Antes de mais é só para quem emigrou entre 2011 e 2015. Por isso, os que não emigraram dentro desse período podem voltar à sua vida medíocre com um salário miserável de tão superior que é comparativamente ao que estariam a ganhar em Portugal.
E mesmo que tenham emigrado dentro do período referido, nem todos podem usufruir da medida. Isto é só para os qualificados. Se não tens curso superior, Portugal não precisa de ti!
E se tens tudo isso mas na altura tinhas vontade de partir, então fica onde estás. Porque esta medida também é só para aqueles que, cumprindo os outros dois requisitos, "foram sem vontade de partir", citando as palavras do nosso primeiro-ministro.


Posto isto, podem formar fila aqueles que preenchem, cumulativamente, os referidos requisitos e tenham na vossa posse os comprovativos que atestem o efetivo preenchimento dos mesmos.


Conta quem viu que no momento em que este discurso terminou, os poucos emigrantes portugueses que ainda ali se encontravam, viraram costas com o semblante cabisbaixo e dirigiram-se às saídas mais próximas.
Com que então achavam que era só voltar e usufruir de 50 % de desconto no valor do IRS, durante um período de tempo? Ridículos!


Tão ridículos como aqueles que perguntaram porque não se tratava da mesma forma os emigrantes que saíram do país noutros anos não compreendidos nesse lapso temporal.


Aos mais desatentos cumpre-me avivar a memória. A nossa Constituição estabelece o princípio da igualdade, segundo o qual, deve tratar-se de forma igual os iguais e de forma diferente o que é diferente.
Ora, perguntam vocês, o que torna diferentes os emigrantes de 2011 a 2015, dos emigrantes de 2010 ou 2016? Numa primeira análise, a frio, e como tal com grande probabilidade de estar errada (mas se calhar nem tanto quanto o nosso primeiro-ministro), os de 2010 e 2016 não são "cérebros" e como tal o nosso país não precisa deles. De portugueses sem cérebro está o país cheio ( e quanto a isto não há margem de erro ).
Os emigrantes de 2010 e 2016 já mostraram uma clara incompetência. Os primeiros não souberam esperar mais um ano, os segundos foram tarde de mais. Era assim tão difícil perceberem que só poderiam emigrar entre 2011 e 2015 ?

E os jovens do país que não emigraram, sequer? Pff, totós! Agora tomem lá paguem o IRS na totalidade. Para a próxima sejam espertos.

 

M.

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