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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

22
Abr20

Raios partam as pessoas, em geral.

quatro de treta e um bebé

Odeio pessoas. Acho que não é novidade para vocês, creio que já o referi por aqui uma ou outra vez, talvez de forma mais subtil. Não é desde sempre. É desde que acabei o curso e comecei a trabalhar com pessoas. Este ódio intensificou-se quando entrei na área do retalho. As pessoas fazem as coisas mais incríveis para obter vantagens (a maior parte das vezes, insignificantes). Partilho convosco, a título de exemplo, uma situação caricata de um cliente que pretendia receber uma avultada indemnização, por danos morais, pelo atraso na entrega de uma encomenda online. Alegava que tal atraso (de um dia) lhe trouxera vários transtornos, nomeadamente problemas conjugais e insónias. Para mim, era claro que a pessoa em questão tinha vários transtornos, mas daí a ser responsabilidade da empresa que eu representava, isso já era duvidoso.

Não sei se tirar vantagens indevidas ou aproveitar-se dos outros é algo intrínseco ao ser humano. Gosto de acreditar que não. Contudo, todos os dias, nas mais diversas situações, me deparo com algo que refuta a minha crença.

Devido a um vírus que já todos conhecemos tão bem (pelo menos de nome) e que tem como principal objetivo espalhar-se, contaminar e matar pessoas, entramos em Estado de Emergência e consequentemente fomos aconselhados a ficar em casa. Combatíamos, desta forma, um vírus invisível, como lhe chamamos, e garantimos a salvaguarda do bem mais precioso, a vida. A nossa e a dos outros. 

Este combate acarreta consequências económicas e financeiras, como se sabe, pelo que o estado social é obrigado a intervir e apoiar aqueles que ficam mais fragilizados.

E é neste momento que as campainhas da ganância das pessoas toca e os euros saltam à vista, como os cifrões nos olhos do Tio Patinhas. Cada um começa a perguntar, a si próprio, de que forma vai conseguir obter mais vantagens. Assim, a par das "milhentas" publicações nas redes sociais, tentando mostrar o seu lado humano, de apoio, disponível, onde partilham a revolta contra os que aumentam os preços das máscaras ou impingem serviços ou cobram valores àqueles que deixaram de ter fontes de rendimento ou contra o estado (que não apoia verdadeiramente, que não chega, que não ajuda), planeiam uma forma de obter vantagens. De ganhar dinheiro!

"Sabe Sôtôra, com isto de termos que fechar tudo e mandar os trabalhadores para casa não está fácil. Acabamos por entrar em lay-off. Mas agora estou com um problema".

Imaginem vocês que o estado não cobre os salários dos funcionários que não tem contrato, que não estão inscritos na segurança social. Corrupto esse estado!

E o funcionário em lay-off que se recusa a trabalhar em segredo? Só quer viver às custas dos outros, calaceiro!

E esse maldito estado que não permite que se fechem as portas e se despeça toda a gente, assim sem mais?  Fascistas!

Tal como naquele exemplo caricato, também aqui não me restam duvidas de que há alguém corrupto, calaceiro e, quiçá, fascista. Só não sei se, tal como no exemplo, eu e quem me contacta estamos de acordo sobre quem será essa pessoa. 

M.

09
Abr20

Um dia (horas) de uma Advogada em Quarentena

quatro de treta e um bebé

Filha de 20 meses acorda, vamos lá mudar fralda, dar o leite, vestir robe, calçar meias e por no canal Panda.

Trimmmm, trimmm, toca o telefone:
Empresa: "Temos um caso urgente: trabalhador não vem trabalhar desde dia 09/03/2020. Queremos despedi-lo".
Ao fundo (na minha casa) ouço "para o teu amigo panda, para o meu amigo panda, lalalalalalala...."
Respondo: "mas o trabalhador não avisou? Nem nenhum familiar?"
Panda: "olhó dragão, olhó dragão ..."
A minha sanidade mental cai a pique.
E lá vem a miúda que acabou de comer: "mamã, queijinho, queres?"
Respondo: "estou ao telefone..."
Miúda: "queres, queeeeres...."
Peço uns instantes para (sem som) dar 4 berros.
Recomeço "sim, por favor..."
Benedita, "mais, mais".
Do outro lado: "mas então é para avançar, porque repare, ele faltou, não veio, não é, desde dia 09/03, e ele sabe bem o que está a fazer, isto é só uma desculpa, não podemos ter contemplações, ele já queria isto há muito, não podemos ficar parados, ele goza connosco, ele pensa que faz o que quer, mas connosco não, temos que agir, agir rápido, faça isso o quanto antes como quem diz já para enviarmos já. Os correios estão a funcionar? Temos q enviar pelo correio? Ou vamos lá a casa dele? Ai, a casa não dá... não é? E melhor não. Ele pode nem estar em casa. Repare, se está infectado pode nem estar, mas não vai estar, ele quer é umas férias, assim é que se está bem. Não facilite Dra, temos que agir já, .... bla bla bla bla bla bla!
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Socorro!
Enquanto isso a Benedita já testou os cabos da Nos, já escondeu 3 comandos, já tirou a cabeça a 3 bonecos, já se pôs na lareira, já tirou o robe, as meias, o tótó, já foi à cozinha, já abriu as especiarias, já tirou o cabo do computador, já foi buscar os meus óculos, já foi, já foi, já foi.....
alguém me ajude que eu ainda não passei das 10h da manhã!?
Alguém?
Estou quase a COVID(ar) o CORONA para um café íntimo, assim mesmo daqueles íntimos para ver se depois fico em isolamento.

Sugestões para isto melhorar?

Grata!

Com alerta vermelho de intolerância,

S.

19
Mar20

Carta ao Papá

quatro de treta e um bebé

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Olá Papá!

Este é só o segundo ano que festejo contigo o Dia do Pai, mas as diferenças são tantas...
Hoje acordei e pude encher-te de mimo, abraços, beijos, e cantigas.
Hoje pude sentir-te com tempo para me ouvires, para cantares comigo, para brincares comigo, para tomares o pequeno almoço comigo, para almoçares sem pressas comigo, para me adormeceres na minha sesta.
E que bom que foi!
Senti que o fazias com tempo, sem nunca olhares para o relógio, sem te ver stressado e preocupado com o escritório, sem atenderes o telefone, sem pegares na toga e saíres a correr. Que bom, que bom!!
Acordei da sesta e qual não foi o meu espanto estavas lá, a perguntar-me o que queria lanchar. Brincaste comigo durante a tarde. Senti-te feliz. Fizeste-me feliz. Que bom que é ter-te comigo.
Pode ser sempre assim?
Explicaram-me que estávamos de quarentena por causa de um vírus.
Não entendo bem e não sei do que se trata mas acho que eles nos querem bem.
Vocês disfarçam mas parecem preocupados. Contudo, o meu balanço é sempre o mesmo. Estou agora com vocês como nunca estive desde o dia em que nasci.
Obrigada COVID-19!!

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