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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

02
Nov19

Amor entre rivais

quatro de treta e um bebé

Sou portista desde pequenina. Sócia desde 1994.

Desde pequena que vou ao estádio, tenho cachecóis e t-shirts, grito os golos do Porto e festejo as vitórias nos aliados.

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Como portista que sou, estou também habituada a vencer desde pequenina.

Desde pequena que fui habituada uma certa competição com os da outra trupe. E não apenas por serem, tantos deles, um tanto ao quanto arrogantes, que não se conseguem aturar quando, ao fim de tantos anos de derrotas, lá ganham qualquer coisa, mas porque são, efetivamente, o nosso maior rival. Aqui entre nós que ninguém nos ouve (especialmente a F.), já sabemos que, pelo menos desde que esta geração se lembra, as grandes competições pendem quase sempre entre dois clubes.

A acrescer, sou portuense desde pequenina. Sou bairrista pela minha cidade, e o meu clube é o clube da minha cidade (desculpe-me o axadrezado). Sempre torci o nariz à centralização, a ter 90% de notícias da outra cidade no telejornal, a ouvir o tempo para a capital, a ver o trânsito apenas para a capital, como se, fora daí, nada se passasse. Isso também se vê no futebol, nas reações diferentes às vitórias do meu clube nos jornais, sites desportivos, telejornais, e outros que tal, a ter programas da manhã dedicamos àquela vitória esporádica dos vermelhos mas ter, anos a fio, apenas um cantinho dedicado à vitória dos azuis.

Como ferrenha desde pequenina, sempre disse, de nariz empinado, que não namoraria com um daqueles do outro clube.

Quis o destino, em tom jocoso, que me aparecesse à frente o J. E eu, feita inocente, não me lembrei de lhe perguntar o clube antes de me apaixonar. E, depois, já não fui a tempo.

Quis o destino, gozando comigo, que, contrariando aquilo a vinha habituada desde pequenina, desde que namoramos que o clube dele ganha mais do que o meu.

Tentando ver o lado positivo da coisa, ao fim ao cabo, ninguém é perfeito, menos mal que o defeito do J. é tão fácil de descobrir.

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Por outro lado, quando era pequenina, não fazia ideia do que seria um Famalicão. Tão pouco sabia, como a maior parte das pessoas só veio a descobrir no ano passado, que Famalicão teria um clube de futebol. Tão pouco imaginava, tal como a maior parte das pessoas só se foi apercebendo quando o Famalicão chegou e se manteve no primeiro lugar, que seria um clube capaz de ser competitivo na primeira liga.

Aí sim, descobri a melhor parte do futebol. O prazer de torcer pela mesma equipa que a pessoa que está ao nosso lado.

Aí, o destino quis compensar-me e ser bom para mim, dando-me a oportunidade de torcer, com o J., por um clube azul e branco. E que bom que é! (não é, J., e pode ser mais do que um jogo por jornada assim, se tu quiseres… - numa derradeira tentativa de o convencer)

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Hipocrisias à parte, e como, para um ganhar, o outro terá de perder, confesso que eu torço principalmente pelo meu clube mas um bocadinho também pelo clube que está a jogar contra o meu rival, pelo menos enquanto a luta pelo primeiro lugar for tão acesa como nos últimos anos. Contudo, podemos fazer isso tudo e ter respeito uns pelos outros, que o respeitinho é muito importante, e, acreditem em nós, é possível. Especialmente porque sem o nosso clube ganhar, de pouco importa o outro perder, pelo que o que o clube deveria fazer é preocupar-se consigo e o seu jogo, e, quanto aos outros, bem, estar macagar.

Nem sempre é fácil, nem sempre é tranquilo, duas vezes por ano futebolístico, pelo menos, a nossa amizade é posta à prova, um fica sempre mais feliz do que o outro no final do ano. Felizmente, o J. não é tão ferrenho quanto eu, e conseguimos, para já, sobreviver e até gostar de ver futebol em conjunto.

Resta-me a esperança de que o azul e branco do Famalicão se entranhe tanto que expulse o vermelho de dentro dele, e uma rapariga pode ter esperança, certo?!

 

R.

22
Out18

DUAS COLHERADAS E DUAS DE TRETA PELO MEIO, se possível!

quatro de treta e um bebé

 

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Poluição sonora. É isto. Falta de respeito e consciência social.
Chego a um restaurante. Sento-me. Chega o empregado. Pergunta uma, duas, três vezes... qualquer coisa que eu não entendo. Porque não ouço. Porque não consigo ler através dos lábios. E ele tenta, simpaticamente, alterar a voz.
Aos berros, pergunta se já escolhemos. Aos berros, eu peço-lhe para ele aguardar mais um pouco. E, aos berros, peço o meu menu.

Fico o jantar/almoço todo a, apenas, abanar a cabeça para quem me acompanha. Não falo. Não se fala.
Com o pouco que falo rebento com os decibéis e chego cá fora, no fim de tudo, rouca. Cheia de dores de cabeça e com vontade de ir para casa repousar. Um programa que seria agradável para descontrair quantas vezes acaba por ser um tormento?
Isto porque há sempre aquelas almas que se juntam em jantares de família para festejar os aniversários do avôzinho e fazem da sala do restaurante, a sala de sua casa. Melhor era impossível.
Crianças a correr pelas mesas, o 40° da mesa a falar com o 1° da outra ponta. A mãe a chamar a atenção aos miúdos. As adolescentes, histéricas, a comentar o “boy mais giro lá da escola”. Os bebés aos gritos - esses com desconto, claro. O avôzinho a perguntar 1001 vezes se já todos escolheram, enquanto vai soltando um “olhaaaaa, tu aí Mila, já escolheste mais o teu home?”. E repete o processo pela mesa toda.
Quando penso que tudo vai acalmar após os pedidos dos menus, eis que chega a comida, e lá anda esta para um lado e para o outro. “Prova aqui”, “prova ali”. Comida pelo ar, pelos mais novos, e mais uns quantos berros para chamar atenção.
No fim de tudo, pensamos “ufa, de barriguinha cheia já devem acalmar mais um bocadinho”. E vêm os Parabéns. Em tom BEM alto! Altíssimo, diria. Capaz de rebentar um qualquer tímpano. Até o mais calejado. E envolvem toda a sala do restaurante com palmas.
Depois lá vem - qual cereja no topo do bolo - o “e-fé-re -á” (https://youtu.be/fbs5jtESfz8)
E no fim ainda vêm as criancinhas com o “e que seja feliz, e que parta o nariz”.
Serei eu a intolerante?
Sugiro aos restaurantes que, após festejos destes, na continha que apresentam tragam logo a farmácia para ver se uma pessoa consegue fazer - de pé - o caminho até ao carro sem chamar o INEM. Exagero, não é!?
Até não é, sabem!? Porque isto a correr bem, anima a B. para fazermos ensaio para um concerto de techno music, assim que chega a casa.
Confesso que saio pouquíssimas vezes para jantar fora. Agora com a B., menos ainda e, apesar de ter cuidado, por vezes, ainda me deparo (como aconteceu este fim de semana) com situações destas.

Ufa! Haja paciência!!

Bons jantares/almoços, de preferência silenciosos.


S.

17
Set18

Vamos jogar ao jogo da bolha?

quatro de treta e um bebé
Hoje pretendo lançar-vos um desafio. Na verdade, propor-vos um jogo. 
 
Quantos de vocês conhecem o JOGO DA BOLHA? Para os mais distraídos, este jogo é conhecido pela sua "facilidade". Na versão original, pela facilidade de ganhar dinheiro.
 
As regras do jogo são de fácil perceção (neste jogo tudo, à partida, é fácil): apenas entra quem é convidado e a única coisa que cada pessoa tem que fazer é arranjar 2 pessoas que a queriam acompanhar. 
 
 

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Seguindo a imagem supra, também ela de fácil perceção, a primeira pessoa situa-se num primeiro nível, angariando duas pessoas, que se situarão no segundo nível e que, por sua vez, cada uma delas angariará outras duas, formando-se, assim, o terceiro nível. Chegados ao nível quatro (constituído pelas pessoas que o nível 3 angariou) a bolha rebenta e formam-se duas bolhas autónomas. Cada pessoa que estava na bolha original sobe de nível recomeçando tudo outra vez, e assim sucessivamente.  
 
Neste tipo de jogo é vantajoso que  todos trabalhem para o mesmo, independentemente do nível, pois só dessa forma todos crescerão mais rápido. 
 
Posto isto, o que vos venho hoje propor, é o Jogo da Bolha numa versão Feminista (aceitam-se sugestões para alterar o nome do jogo, uma vez que criatividade, como se vê é algo que neste momento não está do meu lado). Sei que o facto de trocar o dinheiro pelo feminismo pode tornar o jogo menos atrativo. Todavia, parece-me que podem experimentar e dizer-me como correu.
 
Sou adepta daquela teoria que nos diz que se queremos mudar o mundo, temos que começar por mudar a nossa própria casa. 
Entendo que de nada serve fazer parte de associações, movimentos cívicos, grupos disto ou daquilo, fazer campanhas, ir para as ruas com cartazes, chocar, expor, dizer que, se não se faz o básico, o mais banal, o mais fácil!
Em boa verdade, talvez a melhor maneira de fazer passar a palavra seja através das regras do jogo da bolha. 
 
Sou, clara e convictamente, feminista. E como feminista a primeira dificuldade que tenho é em explicar aquilo que o feminismo não é. Mais do que aquilo que é. Aquilo que não é. E isto, só por si, talvez já diga muita coisa.
 
Sou, também clara e convictamente, tendenciosa quando o tema são associações feministas. Desde logo, porque todas elas, acabam por cair no extremismo e mulher acaba sempre como vítima de alguma coisa.
 
Assim, o meu objetivo a partir de hoje, é conseguir explicar a duas pessoas que me são próximas o que o feminismo não é mas também o que o feminismo é. E convencê-las a fazer o mesmo com outras duas pessoas. E assim sucessivamente, como no jogo da bolha. 
 
Se esta ideia for bem sucedida não teremos mais que assistir a mulheres no mundo a justificar as derrotas com sexismo, e muito menos teremos pessoas a concordar com isso.
A propósito Serena, o feminismo não serve como justificação de derrotas.
 
Já dizia o outro: a diferença entre vencer e fracassar está no saber perder.
 
M.

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