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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

16
Jun20

Os prós e contras do distanciamento social

quatro de treta e um bebé

Esqueçamos por uns momentos que o distanciamento social é uma das medidas essenciais para quebrar cadeias de transmissão, travar a disseminação do vírus e com isto ajudar a diminuir o número de infetados, de doentes com complicações e sequelas, em última análise, de mortes, o que é um assim para um grande pró.

 

Tenham também em conta que regressei há pouco tempo ao escritório e que trabalho num open space com cerca de 50 pessoas, o que também pode ter afetado um bocadinho a minha reflexão.

 

A verdade é que o povo português é um povo afável, de toque, de contacto, de proximidade.

Venham aqui para os meus lados, para o Norte, e multipliquem o que acabei de afirmar por 10.

 

De um dia para o outro, o afastamento físico salva vidas (vá lá que não encontraram correlação entre a transmissão do vírus e os palavrões, valha isso aos nortenhos).

 

Tem que se lhe diga, isto do afastamento social.

 

É, naturalmente, uma adaptação. Sem a pancadinha nas costas a felicitar, a palmada no braço de desaprovação, o toque de incentivo no ombro, a brincadeira de bater nas costas quando alguém tosse ou se engasga, o passar ligeiro da mão no braço a demonstrar afeto, a cotovelada para chamar a atenção, e todos os gestos que quase involuntária e inconscientemente fazíamos como forma de expressão, passamos a ter que usar muito mais as palavras.

 

Deixamos de nos cumprimentar com dois beijinhos de cada vez que nos vimos, o que considero um dos grandes avanços sociais que a pandemia nos trouxe. Malta, há quanto tempo vos digo que dar dois beijinhos, às vezes mais do que uma vez ao dia, é só desnecessário e pouco higiénico? Estão a ver, a DGS concorda. Claro que costumo argumentar que um pequeno abraço é uma forma de cumprimento de alguém de quem gostamos muito melhor, e essa opção ficou também arredada.

Cultivemos o pequeno aceno com a cabeça, de longe a minha forma favorita de cumprimento em distanciamento social, com todas as suas variações e nuances. Viemos a descobrir que um aceno de cabeça também pode demonstrar desprezo, indiferença, alegria, carinho, solidariedade, uma semi vénia de admiração, ou até, para os mais arrojados, algum flirt.

 

A falta de abraços é, efetivamente, uma perda. Afinal, quem é que, como o Olaf, não gosta de um abraço caloroso de vez em quando? Especialmente daqueles com quem já não estamos há mais tempo, e que, efetivamente, nos fazem falta.

 

Tentemos ver o lado positivo. Os cheiros deixam de ser um problema. A pelo menos um metro e meio de distância fica bem mais difícil cheirar aquele hálito depois de almoço, aquele perfume nauseabundo (que bom, poder sentir o nosso próprio perfume!), aquele suor de quem acabou de correr uma maratona apesar de não ter saído da cadeira.

 

Surge, contudo, um outro problema. O distanciamento social é péssimo para os segredos. Como é que é suposto cochichar a, pelo menos, um metro e meio de distância? Senti que este ponto é particularmente impactante, especialmente em open spaces e copas com mais pessoas. Não há sussurro que suporte tal distância. Das duas uma, ou nos tornamos mestres em ler lábios, ou efetivamente vamos ter de abdicar de bastante coscuvilhice.

 

O distanciamento veio ainda complicar as reprimendas. Sabem aquela chamada de atenção discreta, aquela crítica sem maldade, o avisar do erro para que a pessoa vá corrigir antes dos restantes darem conta? Pois… Tal como os segredos, o mais provável é que os restantes oiçam. Vá lá que vivemos na maravilhosa era dos emails e telefones, e o distanciamento trouxe o pró de não se ter de falar sempre presencialmente, não nos termos de deslocar a cada assunto (ainda que não tenha evitado as reuniões de equipa presenciais) e ajudou a redescobrir e apreciar todos os meios digitais.

 

Quem me conhece sabe que, apesar de adorar abraços e mimos dos que me são mais queridos, aprecio bastante a minha bolha social. O dito personal space, que ganha todo um outro significado nesta época. Tenho apreciado bastante almoçar em distanciamento social, com uma mesa só para mim, muito mais silenciosamente, sem tanta pressão para socializar entre garfadas, e muito maior respeito e civismo ao usar o micro-ondas, aceder ao frigorifico, escolher mesa, movimentar entre os espaços. O maior silêncio (dentro dos limites de um open space) é definitivamente um pró. É que nós, nortenhos, somos espalhafatosos, é um facto, pelo que se poderia pensar que o barulho iria aumentar ao subir o volume para contrabalançar a distância. Sucede que, como já vimos, o distanciamento é péssimo para a bisbilhotice.

 

Certo é que, nestes dias de regresso físico ao escritório, já me agarraram a mão, ajeitaram a echarpe, afagaram o braço, e se debruçaram para um pequeno mexerico.

 

Outro contra a apontar é que fica um pouco difícil esconder a reação quando nos quebram a nossa, agora clinicamente recomendável, bolha social. As expressões variam entre um misto de surpresa, nojo, culpa, arrependimento, pânico, o (dentro do possível) discreto passo atrás e a súbita vontade de tomar banho com desinfetante.

 

Enfim, como vos disse, uma adaptação!

 

Sinto que alguns comportamentos se modificaram, atualizaram, alguns de forma mais permanente, outros ainda tomados de forma deliberada e consciente. Sinto também, todavia, que na esmagadora maioria dos nortenhos continua a residir uma espécie de Olaf que, no dia em que finalmente receber a vacina, vai correr para a rua (e para o escritório) para dar dois beijinhos, um abraço, uma pancadinha nas costas, uma palmada no braço, um toque no ombro, bater nas costas, afagar o braço, dar uma cotovela.

 

E vocês, que têm a dizer sobre a vossa experiência com o distanciamento social?

 

R.

13
Abr20

O post que nunca pensei escrever: treino em casa

quatro de treta e um bebé

A situação atual de confinamento e isolamento social não é fácil e poderá haver uma certa tendência para a letargia ou a falta de motivação.

Contudo, para quem está em casa e tem essa oportunidade, poderá ser a altura certa para tentar alterar alguns hábitos ou simplesmente aderir aos benefícios da prática de exercício física – ora aqui está um post que nunca pensei escrever.

Acreditem que se eu consigo, qualquer pessoa consegue (a sério, literalmente qualquer pessoa)! Motivem-se uns aos outros (obrigada L., apesar de te insultar de cada vez que tenho que fazer agachamentos), partilhem as vossas experiências, façam um registo para acompanhar a vossa evolução, façam aulas em conjunto, ou simplesmente experimentem.

Ainda para mais depois da Páscoa, bem sei que não resistiram aos bolos e chocolates!

Acima de tudo, poderá ser uma boa prática para quebrar a monotonia e fazer-vos sentir um pouco melhor.

Isto vindo de uma pessoa cuja frase mais repetida durante os exercícios é “porra, não me gozem, ninguém faz isto por gosto”! Mas a verdade é que sei que fará bem à minha saúde física, é uma forma de ocupar o tempo, uma forma de poder comer com menor peso na consciência, e uma oportunidade para testar os tais benefícios.

De entre as várias vantagens de um estilo de vida mais ativo, quem sabe enumera: melhoramento geral das condições de saúde e combate de algumas doenças, perda de peso, aumento dos níveis de energia, controlo da ansiedade, aumento da autoestima, melhoramento do sono (e, em dias de isolamento, a importante ocupação do tempo e da mente).

Por isso, deixamos aqui algumas sugestões de páginas e canais e respetivos links, onde podem encontrar aulas e treinos, tão variados que com certeza encontrarão algo para vocês, seja qual for a vossa motivação, quer sejam normalmente ativos e queriam só algum treino para acompanhar, quer não estejam habituados ao exercício (eu!).

Graças à internet, temos à nossa disposição treinos curtos ou mais longos, dicas de pausas ativas, aulas direcionadas para crianças e para seniores, treinos adaptados, exercícios de maior ou menor intensidade, professores diferentes, vários estilos, e a esmagadora maioria sem precisar de qualquer tipo de material para além do que temos em casa.

 

Ficam aqui as nossas sugestões:

– Centro de Desporto da Universidade do Porto (facebook e youtube) – pausas ativas, treinos para crianças e seniores, vários estilos, geralmente acessíveis e com boa disposição;

– Fitness Hut (facebook) – quatro aulas por dia útil, duas ao sábado e domingo, usando materiais que temos em casa (garrafa, toalhas, cadeiras), de intensidade variada;

– Holmes Place (facebook e youtube) – vários treinos e aulas, incluindo meditação, além de dicas e receitas;

– Breathe Sport Fitness (facebook) – várias aulas em direto;

– Go Gym (facebook) – desafios diários, várias aulas, algumas mais intensas, e dicas;

– Gaia SportCenter (facebook) – plano semanal de uma ou duas aulas por dia útil em direto.

 

Além destas páginas, o youtube oferece uma enormidade de aulas e treinos variados, como as do ValeoClub com vídeos curtos de “dance fitness workout” (confesso que gosto das músicas), a Playdance também com aulas e coreografias (a música ajuda à motivação), ou ainda a Popsugar com várias aulas.

Podem ainda aderir aos já populares treinos em direto no instagram da Helena Coelho e do Paulo Teixeira.

 

Partilhem connosco a vossa experiência, se também estão a tentar tornar este isolamento mais ativo, bem como as páginas e sugestões que conhecerem!

 

R.

(acreditem, estou tão incrédula como vocês por um post destes ser da minha autoria!)

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