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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

18
Fev19

Indefinição.

quatro de treta e um bebé
Acredito que se tenham cruzado por diversas vezes.
Foram passando um por um lado, outro pelo outro. Passeios diferentes, quiçá a meros centímetros de distância em que apenas as pessoas pelo meio impediram que os olhos se tocassem.
E não tocaram.
 
Tiveram a oportunidade de se conhecer outras tantas vezes. Pessoas, lugares em comum.
E não aconteceu.
 
Aqui e ali, foram fintando o destino como se de um jogo do apanha se tratasse.
Talvez tentando evitar, ou à esperar do momento certo.
Bateram de frente quando menos esperavam. E podiam ter sido felizes para sempre.
Mas não foram.
 
Teimosos, resistiram uma e outra vez. Até que não resistiram mais. 
Sem querer, ou talvez não, aos poucos, e cada vez mais.
Mas não. E não.
 
E foram. Deixaram-se ir. Juntos. Mas com um pé atrás. Como se um talvez se tratasse.
Ingénuos, acreditavam que controlavam os sentimentos.
Mas não.
 
Aos empurrões e sobressaltos, aos recuos e suspensões, caíram na própria rede. Na rede de cada um.
Quiserem sair, trepar.
Quiseram deixar os Ses e os Talvez. Quiseram abandonar os Mas e os Nãos. Parar de resistir. Lutar.
Mas não...
Agora já não.
 
M.
12
Nov18

é preciso ter noção!

quatro de treta e um bebé

Não acredito no destino, nem em "coisas" que não possam ser cientificamente provadas. Bem, pensando melhor... não precisam de ser cientificamente provadas. Basta que exista, pelo menos, uma explicação lógica para a referida "coisa". Em alternativa a isto tudo, só se os meus próprios olhos virem. 

 

E, às vezes, os meu olhos assistem a determinados acontecimentos que são para correr mal, e que não adianta fazer nada porque tudo vai correr mal de alguma forma. Não é destino, não é possível provar cientificamente, não há uma explicação lógica, mas os meus olhos veem que vai ser assim, e que não adianta contrariar, porque se o fizer, vai ser pior. 

 

Nestas situações, o melhor a fazer é sentar no chão, cruzar os braços e assistir. Quando terminar, levantas-te, enervas-te, gritas, barafustas, e evitas ouvir pessoas sem noção! Fixem, sublinhem: evitar ouvir pessoas sem noção!

 

Ontem, vivi um desse dias em que tudo vai correr mal e pronto. Em vez de fazer o mais sensato: sentar, cruzar os braços e assistir, decidi intervir (nunca façam isso!)! Quando decides intervir as coisas correm pior, e correram: o meu avião não levantou voo, decidi utilizar o meio alternativo, não consegui chegar a Lisboa a tempo e faltei ao jogo de volei (se tivesse sentado, cruzado os braços e assistido, talveeez tivesse chegado a tempo).

 

Quando decides intervir e provocas uma situação ainda pior é ainda mais importante berrar, barafustar, dizer que o mundo vai acabar, que aquilo não podia ter acontecido, que é tudo uma cambada de incompetentes, e que deviam ir todos para o raio que os parta, e outras coisas que não posso escrever no blog porque há crianças a ler. E é ainda mais importante que ninguém, mas ninguém, te tente convencer o contrário!

 

É preciso ter noção! 

Quando o mundo de alguém está a acabar, não se pode dizer a essa pessoa que há coisas piores! PORQUE NÃO HÁ! Naquele momento, não há! E só quem não tem noção é que diz que há.

Coisas como “pronto, calma, há coisas piores”. Ou  “ acontece, jogas o próximo”. Ou pior  “é só um jogo”. Evitam-se! Não se dizem! Não se podem dizer! Não me peçam para ter calma, que acontece, ou que há coisas piores.

 

Porqueeunãoconsigotercalmanãoacontecenãohácoisaspioresemuitomenosnãoésóumjogonemvou

jogarnopróximoporqueopróximoéoutroenãoéaquele!!! (Que é como quem diz: "porque eu não consigo ter calma, não acontece, não há coisas piores e muito menos não é só um jogo, nem vou jogar no próximo porque o próximo é outro e não é aquele" muito rápido, entre dentes, sem respirar e quase a tirar um olho a quem me está a dizer isso). 

 

É preciso ter noção, caramba! 

O momento é dramático, eu preciso de dramatizar! Ajudem. Digam coisas como "tens razão", "não sei como não tiraste o piloto do lugar e foste tu a conduzir o avião", "queres fazer uma espera aos senhores do avião que andou a sobrevoar Lisboa numa altura tão inoportuna?". Isto é ter noção! Isto ajuda!

 

Porque no dia seguinte eu saberei que há coisas piores, que podia ter sido pior, que o avião podia ter caído comigo lá dentro ou que há fome no mundo! Mas SÓ no dia seguinte! Na hora, no momento, aquele é o meu maior drama! E eu quero desfrutar dele como deve de ser. 

Até porque o dia seguinte é hoje. E hoje é dia de treino. E o meu treinador, durante todo o treino, não se vai esquecer que não fui ao jogo. E nesse momento o meu drama será outro. E esse sim, será o meu maior drama. De hoje.

 

M.

17
Set18

Vamos jogar ao jogo da bolha?

quatro de treta e um bebé
Hoje pretendo lançar-vos um desafio. Na verdade, propor-vos um jogo. 
 
Quantos de vocês conhecem o JOGO DA BOLHA? Para os mais distraídos, este jogo é conhecido pela sua "facilidade". Na versão original, pela facilidade de ganhar dinheiro.
 
As regras do jogo são de fácil perceção (neste jogo tudo, à partida, é fácil): apenas entra quem é convidado e a única coisa que cada pessoa tem que fazer é arranjar 2 pessoas que a queriam acompanhar. 
 
 

índice.jpg

 

Seguindo a imagem supra, também ela de fácil perceção, a primeira pessoa situa-se num primeiro nível, angariando duas pessoas, que se situarão no segundo nível e que, por sua vez, cada uma delas angariará outras duas, formando-se, assim, o terceiro nível. Chegados ao nível quatro (constituído pelas pessoas que o nível 3 angariou) a bolha rebenta e formam-se duas bolhas autónomas. Cada pessoa que estava na bolha original sobe de nível recomeçando tudo outra vez, e assim sucessivamente.  
 
Neste tipo de jogo é vantajoso que  todos trabalhem para o mesmo, independentemente do nível, pois só dessa forma todos crescerão mais rápido. 
 
Posto isto, o que vos venho hoje propor, é o Jogo da Bolha numa versão Feminista (aceitam-se sugestões para alterar o nome do jogo, uma vez que criatividade, como se vê é algo que neste momento não está do meu lado). Sei que o facto de trocar o dinheiro pelo feminismo pode tornar o jogo menos atrativo. Todavia, parece-me que podem experimentar e dizer-me como correu.
 
Sou adepta daquela teoria que nos diz que se queremos mudar o mundo, temos que começar por mudar a nossa própria casa. 
Entendo que de nada serve fazer parte de associações, movimentos cívicos, grupos disto ou daquilo, fazer campanhas, ir para as ruas com cartazes, chocar, expor, dizer que, se não se faz o básico, o mais banal, o mais fácil!
Em boa verdade, talvez a melhor maneira de fazer passar a palavra seja através das regras do jogo da bolha. 
 
Sou, clara e convictamente, feminista. E como feminista a primeira dificuldade que tenho é em explicar aquilo que o feminismo não é. Mais do que aquilo que é. Aquilo que não é. E isto, só por si, talvez já diga muita coisa.
 
Sou, também clara e convictamente, tendenciosa quando o tema são associações feministas. Desde logo, porque todas elas, acabam por cair no extremismo e mulher acaba sempre como vítima de alguma coisa.
 
Assim, o meu objetivo a partir de hoje, é conseguir explicar a duas pessoas que me são próximas o que o feminismo não é mas também o que o feminismo é. E convencê-las a fazer o mesmo com outras duas pessoas. E assim sucessivamente, como no jogo da bolha. 
 
Se esta ideia for bem sucedida não teremos mais que assistir a mulheres no mundo a justificar as derrotas com sexismo, e muito menos teremos pessoas a concordar com isso.
A propósito Serena, o feminismo não serve como justificação de derrotas.
 
Já dizia o outro: a diferença entre vencer e fracassar está no saber perder.
 
M.

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