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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

18
Jul19

Aos colegas de trabalho.

quatro de treta e um bebé

Com a passagem dos anos, e a evolução inerente, substituímos os colegas da escola, aqueles que eram também os nossos amigos e com quem passávamos a maior parte do nosso tempo, pelos colegas de trabalho.

Na altura, e no geral, o que nos fazia levantar todos os dias para ir para a escola eram as pessoas. As conversas, os jogos de futebol nos intervalos, as risadas nos momentos mais inoportunos. A nossa vida desenrolava-se, essencialmente, durante aquele tempo, com aquelas pessoas. Com quem crescemos, aprendemos e nos moldamos. Talvez nunca tenhamos pensado nisso (eu, pelo menos, só estou a pensar agora) mas hoje, somos o que somos, seguimos os caminhos que seguimos, muito graças aos nossos colegas de escola e àquilo que vivemos com eles ou por causa deles. E eles a mesma coisa. São o que são, também, por nossa causa. E pela forma como interviemos nas suas vidas.

Agora, já mais crescidos e com perspetivas sobre as relações pessoais bem diferentes das da altura, passamos a maior parte do nosso tempo com os colegas de trabalho. E ao contrário daquela época, ninguém fica feliz por acordar todos os dias e ir para um espaço onde estão os nossos colegas de trabalho. Exceto eu!!

Ao contrário dos tempos da escola, já não é no local de trabalho que estão os nossos amigos. Ou até estão, pelo menos alguns, mas não é lá que nos gostamos de encontrar. Até porque o pão com chocolate e o leite achocolatado foram substituídos por minis e amendoins, e ainda não conseguimos perceber o porquê de essas duas coisas não estarem disponíveis nas máquinas de vending no nosso local de trabalho.

Sem dispersar, uma vez que as minis e os amendoins já me levaram os pensamentos para outros lados, eu devo ser das poucas pessoas (se não a única) que continua a acordar todos os dias com vontade de ir para o meu local de trabalho por causa das pessoas. Sou, sem dúvida, uma privilegiada por privar, todos os dias, com seres tão... puros.

Preocupam-se comigo como ninguém. Zelam pela minha vida. Acrescentam-lhe a pitada de sal que ela precisa. Agitam-na.
Arranjam-me namorado quando percebem que é isso que me faz falta e terminam essa mesma relação quando percebem que me está a fazer mal. Mandam-me de férias para aliviar as ideias e mudam-me de casa porque entendem que a minha já não corresponde às minhas necessidades, que eles tão bem conhecem. Arranjam-me encontros e mantém-se ao longe a assistir, apenas para se certificarem que tudo corre bem. Garantem que chego a horas ao trabalho e confirmam que não me atraso na hora de saída. E tudo isso sem eu saber. Para que não me sinta em dívida,  para que não sinta a obrigação de retribuir.

Há alturas em que me pergunto se conseguem ter tempo para gerir a vida deles, que, imagino eu, também precisa de algum cuidado. Chego a sentir remorsos por não conseguir responder na mesma medida, de retribuir da mesma forma. E sinto ainda mais remorsos, por saber que mesmo que tentasse não conseguiria, sequer, chegar perto daquilo que fazem por mim. Dou por mim, todas as noites, antes de adormecer, a agradecer a Deus (e logo eu que nem acredito em Deus!) o facto de os ter colocado na minha vida. E a pedir para colocar alguém como eles na vida deles próprios.

Depois tenho os outros. Os que para além de colegas de trabalho são também meus amigos. Com quem passo imenso tempo, principalmente se na nossa companhia estiver a tal mini e os amendoins. Que me convidam para jantar em casa deles, que fazem questão de me ter nos momentos importantes como aquele em que decidem dizer "sim" ao "felizes para sempre", ou me ligam em euforia a dizer que vão ser pais. Com quem passo horas a fio a falar da minha vida, ou da deles, que conhecem os meus medos e os meus sonhos. Que sabem os meus segredos e partilham comigo os deles. Os que não me importo de fazer quilómetros só para estar à conversa, para rir nos momentos mais inoportunos ou jogar futebol nos intervalos.


É pá! Mas estes... estes não chegam nem aos calcanhares dos outros. E que pena!

M.

12
Nov18

é preciso ter noção!

quatro de treta e um bebé

Não acredito no destino, nem em "coisas" que não possam ser cientificamente provadas. Bem, pensando melhor... não precisam de ser cientificamente provadas. Basta que exista, pelo menos, uma explicação lógica para a referida "coisa". Em alternativa a isto tudo, só se os meus próprios olhos virem. 

 

E, às vezes, os meu olhos assistem a determinados acontecimentos que são para correr mal, e que não adianta fazer nada porque tudo vai correr mal de alguma forma. Não é destino, não é possível provar cientificamente, não há uma explicação lógica, mas os meus olhos veem que vai ser assim, e que não adianta contrariar, porque se o fizer, vai ser pior. 

 

Nestas situações, o melhor a fazer é sentar no chão, cruzar os braços e assistir. Quando terminar, levantas-te, enervas-te, gritas, barafustas, e evitas ouvir pessoas sem noção! Fixem, sublinhem: evitar ouvir pessoas sem noção!

 

Ontem, vivi um desse dias em que tudo vai correr mal e pronto. Em vez de fazer o mais sensato: sentar, cruzar os braços e assistir, decidi intervir (nunca façam isso!)! Quando decides intervir as coisas correm pior, e correram: o meu avião não levantou voo, decidi utilizar o meio alternativo, não consegui chegar a Lisboa a tempo e faltei ao jogo de volei (se tivesse sentado, cruzado os braços e assistido, talveeez tivesse chegado a tempo).

 

Quando decides intervir e provocas uma situação ainda pior é ainda mais importante berrar, barafustar, dizer que o mundo vai acabar, que aquilo não podia ter acontecido, que é tudo uma cambada de incompetentes, e que deviam ir todos para o raio que os parta, e outras coisas que não posso escrever no blog porque há crianças a ler. E é ainda mais importante que ninguém, mas ninguém, te tente convencer o contrário!

 

É preciso ter noção! 

Quando o mundo de alguém está a acabar, não se pode dizer a essa pessoa que há coisas piores! PORQUE NÃO HÁ! Naquele momento, não há! E só quem não tem noção é que diz que há.

Coisas como “pronto, calma, há coisas piores”. Ou  “ acontece, jogas o próximo”. Ou pior  “é só um jogo”. Evitam-se! Não se dizem! Não se podem dizer! Não me peçam para ter calma, que acontece, ou que há coisas piores.

 

Porqueeunãoconsigotercalmanãoacontecenãohácoisaspioresemuitomenosnãoésóumjogonemvou

jogarnopróximoporqueopróximoéoutroenãoéaquele!!! (Que é como quem diz: "porque eu não consigo ter calma, não acontece, não há coisas piores e muito menos não é só um jogo, nem vou jogar no próximo porque o próximo é outro e não é aquele" muito rápido, entre dentes, sem respirar e quase a tirar um olho a quem me está a dizer isso). 

 

É preciso ter noção, caramba! 

O momento é dramático, eu preciso de dramatizar! Ajudem. Digam coisas como "tens razão", "não sei como não tiraste o piloto do lugar e foste tu a conduzir o avião", "queres fazer uma espera aos senhores do avião que andou a sobrevoar Lisboa numa altura tão inoportuna?". Isto é ter noção! Isto ajuda!

 

Porque no dia seguinte eu saberei que há coisas piores, que podia ter sido pior, que o avião podia ter caído comigo lá dentro ou que há fome no mundo! Mas SÓ no dia seguinte! Na hora, no momento, aquele é o meu maior drama! E eu quero desfrutar dele como deve de ser. 

Até porque o dia seguinte é hoje. E hoje é dia de treino. E o meu treinador, durante todo o treino, não se vai esquecer que não fui ao jogo. E nesse momento o meu drama será outro. E esse sim, será o meu maior drama. De hoje.

 

M.

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