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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

14
Ago20

Dolce Far Niente

quatro de treta e um bebé

Pausar. É importante viver, aproveitar, arriscar, descobrir, viajar, festejar, contudo, é também essencial pausar.

 

Fazer um intervalo no turbilhão em que se transforma a nossa vida, respirar fundo, assimilar, recarregar baterias, colocar em perspetiva e traçar o rumo para a onda seguinte.

Este vírus veio alterar a nossa forma de estar, especialmente com os outros, com repercussões em inúmeros aspetos da nossa vida, de forma mais ou menos marcante. As férias não são exceção.

Para mim, férias em tempos de pandemia significou férias sem idas a cafés ou bares, sem as jantaradas do costume, menos tempo dentro de casa dos amigos e família, menos viagens para lugares desconhecidos. No entanto, significou mais conversas à janela, mais visitas no terraço e varanda, mais passeios a pé, e, afinal, mais pausas.

Esta minha última semana de férias, passei-a na Aldeia.

Um dos meus lugares especiais, e que tem a particularidade de ser um sítio onde apanho apenas resquícios de rede (Vodafone Espanha) e pequenos vislumbres de Wi-Fi. A dificuldade de comunicação com o mundo exterior tem as suas vantagens e desvantagens, como tudo. Se, por um lado, me custa não comunicar com os meus, não ter acesso a notícias e redes sociais, e não poder aproveitar o tempo livre para fazer pesquisas, planear compras, comparar preços ou organizar emails, por outro, esta lacuna força-nos a cortar com o vício do telemóvel e o constante fluxo de comunicações e informações com que somos bombardeados e, simplesmente, estar, sem distrações.

Aprendi que quando não temos tempo para fazer o que quer que seja, damos redobrado valor ao fazer nada.

Durante uma semana, finalmente, desliguei. Desliguei do trabalho, como tanto precisava. Desliguei do constante “tenho que fazer aquilo”. Sinto que o mundo atual tem o condão de nos fazer sentir culpados por simplesmente descansar e fazer nada. Nunca deram por vocês, sentados em casa a relaxar, e a ser assolados com o pensamento “finalmente tenho tempo livre, devia aproveitar para fazer algum plano”, “tão cedo não tenho tempo de ver um filme, convém mesmo que seja agora”, “já que estou livre, não posso simplesmente ficar parada em casa”?

Afinal, qual é o mal de um pouco de ociosidade?

Passeei, conversei, arrumei, descobri, estive com amigos e família. Mas também descansei, parei, estive sem fazer coisa alguma.

Li um livro, como não lia há anos (livros de direito não contam). Lia imenso antes da universidade – completamente ao contrário da maré, lia quando ler não era considerado cool e deixei de ler quando um livro na mão me daria um ar de mulher adulta e culta. Perdi o hábito de ler durante a Universidade, ou melhor, ler tanto para o curso fez-me perder o prazer de ler apenas por ler, de forma despreocupada. Apercebi-me quando comecei a ler Gabriel García Márquez e dei por mim a tentar fazer o resumo mental, com o impulso de ir buscar um bloco para ir tirando notas da árvore genealógica e principais aspetos, como se estivesse a estudar para um exame. Fiquei extremamente contente e descansada por saber que consegui desligar o cérebro analítico o suficiente para voltar a apreciar uma leitura, por mero prazer.

Vi filmes – atenção, inteiros, e no plural. Comédias românticas, os chamados romances de cordel, tipicamente concebidos para contar uma história leve, sem grande exigência cerebral, sem necessidade de raciocínio lógico ou sequer atenção desmesurada. Daqueles que se vê por distração pura, apenas pelo entretenimento, e que esquecemos passado pouco tempo. E que bem que soube, dar-me ao luxo de ver um filme leve, que não vai ensinar nada, acrescentar nada, não é propriamente de grande qualidade, mas que cumpre o propósito de aligeirar a realidade e distrair.

Passeei pela Aldeia, em família, como fazíamos antigamente, antes de me querer dividir com outros amigos, antes de sentir necessidade de ir conhecer outros pontos de interesse em redor, das noites ocupadas em cafés e em festas. Lembrámos com carinho aqueles nossos passeios, em que erámos quatro em vez de três. Revisitamos ruas de que já não nos lembramos. Andámos ao pôr-do-sol. Contámos histórias, lembrámos pessoas, revisitámos locais, em plenas noites quentes de verão.

 

Claro que, entre as quatro mulheres do blog, este verão já teve um pouco de tudo: aventuras (especialmente com a nossa aventureira M.), descobertas, passeios, cumprimento de tradições, grandes novidades (se ainda não sabem, vão já espreitar o último post da S.), novas leituras (vejam as 4 novas sugestões da especialista F.), muito trabalho.

 

Este ano e estas férias foram, sem dúvida, diferentes das do ano anterior e diferentes daquilo que havia previsto.

Ainda assim, adaptando-nos e aproveitando aquilo que as contrariedades acabam por proporcionar, redescobri o prazer do dolce far niente.

 

E vocês, como estão a aproveitar o vosso verão e as vossas merecidas férias?

 

R.

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