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quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

quatro de treta e um bebé!

"Não me digam que concordam comigo! Quando as pessoas concordam comigo, tenho sempre a impressão de que estou errado." – Oscar Wilde

16
Set19

Deixa-te levar pela música. #2

quatro de treta e um bebé

Há uns tempos escrevi-vos sobre músicas que dizem tudo. Que nos dizem tudo, que foram escritas para nós. 

Hoje, partilho convosco uma música que, apesar de não "dizer tudo", de forma inexplicável me levanta a moral. 

Afinal, a música é um estado de espírito. E se em vez de ouvirmos música de acordo com o nosso estado de espírito, optarmos por ouvir a música de acordo com o estado de espírito que queremos ter? A partir daí é só nos deixar levar! 

Partilho convosco, aquela música que não me deixe não sorrir, e que, por muito que tente ficar quieta, o meu corpo mexe, e rodopia, e balança... 

 

 

Boa semana! Cheia de boas energias.

M.

 

05
Set19

Quarter-life crisis, já dizia o John Mayer (ou não tão quarter assim)

quatro de treta e um bebé

Olá pessoas,

 

Quando é que sabem que o trabalho que fazem todos os dias já não vos faz feliz?

Como é que sabem que não foram feitas para aquele trabalho?

Como é que sabem que, se calhar, não é esta a vida que querem?

Quando é que ganham coragem para mudar?

Como é que se ganha coragem para mudar?

Se tens coragem para mudar, mas não tens meios financeiros para isso, como é que mudas?

Já alguma vez fizeram alguma destas perguntas a vocês mesmos?

Já alguma vez se viram numa situação em que até gostam de várias coisas no vosso trabalho, mas odeiam tanto outras que se calhar não compensa o bom?

Já se imaginaram a deixar o trabalho para o qual estudaram anos a fio, queimaram dinheiro, anos, tempo, e tentar outra coisa totalmente diferente?

E saberem que não estão no caminho certo, mas também não sabem qual é o certo?

Tenho pensado muito nisto ultimamente, mas não chego a grandes conclusões. Porque me sinto muito confusa, não sei a maioria das respostas a estas perguntas. Mas sei que o trabalho que há um ano atrás me realizava, hoje não o faz.

Eu antes costumava dizer que a segunda-feira era só um dia de semana como outro qualquer, eu queria, claro, um fim de semana de no mínimo três dias, mas era ok ir trabalhar na mesma. Neste momento só quero que a semana acabe e nunca comece, será este um indicador?

Mas olho e penso, querer mudar não será demonstrar ingratidão por todo o esforço que fizeram por ti ao longo dos anos para estares onde estás hoje?

Penso que, provavelmente, queria mudar o trabalho que faço, mas se calhar não queria mudar a vida que tenho, será compatível?

Não sei, isto se calhar hoje é um post um bocadinho esquizofrénico. Perguntas retóricas ou não. Partilhem connosco as vossas experiências e as vossas mudanças! Pode ser que nos inspirem!

 

F.

24
Jun19

Tinder, prazer!

quatro de treta e um bebé

Maria. Maria Crespo Martins. Não Maria Crespo, está incompleto, falta qualquer coisa. Nem Maria Martins, há muitas. 30 anos, mas ninguém me dá mais de 20. Consigo aparentar 5 anos, quando me oferecem um presente envolto em papel de embrulho, e até 2 anos, nos dias da rabugice do sono. Cabelo loiro escuro, segundo diz a cabeleireira. Desculpem, cabelo loiro escuro, assim o diz a Art Director de um hairstlyling qualquer. E olhos azul camuflado. Odeio favas, herdei da mãe, e sushi, porque tal como as favas não continuo a insistir comer até gostar.

Seguindo os conselhos sábios de uma amiga, que reitera, com alguma frequência, que não devemos negar, à partida, uma ciência que desconhecemos, decidi descarregar a aplicação Tinder e apresentar-me da forma supra a quem tem a sorte de me localizar dentro da área geográfica pré-estabelecida. De forma curta e clara. Para que não hajam dúvidas e não se sintam enganados. E para que não cometam erros irreversíveis logo no primeiro encontro.

Seria pouco provável que num primeiro encontro o candidato a uma bela amizade me levasse a jantar a um restaurante japonês, com um presente dentro de um saco do continente, e me dissesse que tenho um cabelo castanho super hidratado, e uns olhos negros brilhantes? Nunca fiando.

A quem começou a revirar os olhos no momento que leu "Tinder" já pode parar os olhos no centro e ler com atenção. Espantem-se: O Tinder não é assim tão diferente do Facebook ou Instagram! Na verdade, fiquei com a sensação que é só a versão 0.0.1 dessas redes sociais.

Simples. Fundo branco e traços finos. Tudo é feito em 3, talvez porque o seu criador acreditava na perfeição associada ao número. O ecrã dividi-se em 3 partes: a superior, com 3 separadores (acesso ao perfil pessoal, acesso aos perfis dos candidatos e acesso à caixa de mensagens), a central que permite vislumbrar a foto, o nome e a idade dos candidatos, e a inferior, com 3 botões: nope, superlike e like.

A partir daqui é só deslizar o dedo.

Aproveitei as férias no Algarve para explorar esse mundo, no verdadeiro sentido da palavra. Em menos de 24 horas, tinha mais de 99 likes, 5 matchs, e um encontro em Albufeira. C'um caraças, o Tinder funciona mesmo!

Durante os 3 dias seguintes o Tinder foi divertido. Foi realmente divertido.
E, ao contrário do que as mentes preconceituosas por aí espalham, existe de tudo. Pessoas normais e outras normais à maneira delas.
Há quem ache que a sua cara metade deve conhecer, antes de tudo, os seus atributos fisicos, e quem ache que deve conhecer primeiro o cão. Há quem leve à letra aquela velha máxima de que o tamanho é que importa, e outros pretendem conquistar com um boxers com notas de quinhentos euros.
Há pessoas simpáticas e verdadeiramente afáveis. E há os outros. Na verdade, nada de novo. Exceto ter chegado à conclusão que ando a dormir na rua. Garanto-vos que na minha área geográfica há gente verdadeiramente interessante. Isso, verdadeiramente interessante.

Infelizmente o entusiasmo passou-me rápido e, hoje, o Tinder dá-me sono. Abro a aplicação e em menos de dois minutos estou a piscar os olhos. Mas o problema não é da aplicação, é meu! Quem me manda ir para lá à procura do Tiago Violas?

Já agora, para os curiosos, o encontro correu bem. Ele tinha boa alma.

M.

22
Mai19

Furacão.

quatro de treta e um bebé

Pegou na mochila e colocou nas costas com o solavanco típico da criança de 5 anos que puxa o casaco que ficou preso nas alças. Encarou-o pela última vez. Sabia e queria que fosse assim, mas porquê que, naquele momento, ir embora não fazia qualquer sentido? Afastando os pensamentos que a invadiam inoportunamente, voltou-se e dirigiu-se à porta. Sem olhar para trás. Respirou fundo, enquanto levantava a cabeça, e empinando o nariz deu início ao último passo. Sabia que quando o fizesse, quando pousasse o pé no chão, era de vez. E isso assustava-a.

Com certezas, mas sem convicções, deu aquele passo. E a seguir o outro e o outro e o outro. Dirigiu-se ao lugar 29A, e sentou-se. Levou as mãos de encontro à cara enquanto o turbilhão de ideias tentava também ele ocupar o seu devido lugar. Já está, pensou! Havia um aperto no peito. Uma vontade de voltar, de fazer tudo de novo. Começaram a ouvir-se gritos ensurdecedores que diziam para se levantar, para ir, para fazer, para recomeçar... O corpo não respondia. Não mexia. E os gritos ensurdecedores foram ficando sem voz. Persistentes, esforçavam-se para se fazerem ouvir. Ao longe, cada vez mais longe. O corpo, esse, continuou impávido e sereno.

O avião partiu. Em jeito de alívio, voltou a levantar a cabeça e encostar-se para trás no banco. Respirou fundo, mais uma vez.

Porra!

Apercebera-se que acabara de passar um furacão na sua vida. Chegou de repente. Depois daquele dia de sol, onde nada fazia prever que as poucas nuvens escuras que começaram a preencher o céu causariam tamanho estrago. Fazendo jus ao nome, levou tudo na frente e foi deixando um rasto ao longo do caminho. Por fim, perdeu a força e desapareceu. Da mesma forma que chegou. Devagar, mas com tudo.

Depois da tempestade passar, o sol volta sempre a raiar. E voltou. Mas às vezes ainda pensa e se tivesse olhado para trás?

 

M.

16
Mai19

O Mundo precisa de bondade

quatro de treta e um bebé

Precisamos, urgentemente, de praticar a bondade.

 

Menos do que praticar exercício, menos do que laborar, menos do que gastar, menos do que preocupar, precisamos de praticar a bondade.

 

Bem no início, quando ainda nos estávamos a apaixonar um pelo outro, numa discussão filosófica às custas de um tema qualquer, diz-me o J.: fazer o bem custa tanto ou menos do que fazer o mal, por isso porque é que havemos de fazer o mal?

 

Mal sabia ele, naquela altura, de que aquela frase, aquele espírito, tinha sido melhor do que qualquer frase de engate que pudesse ter descoberto.

 

É bem verdade. Dizer que fazemos o mal porque custa menos do que fazer o bem não passa de uma mentira que contamos, para convencer o Mundo, mormente para nos convencemos a nós próprios. No entanto, não passa disso. Em bom português, é treta.

 

Aprendi ao longo da vida que cada um de nós trava uma batalha própria, alheia aos olhos da maior parte das pessoas. Sem exceção, todos temos demónios. Sejam eles quais forem, todos nós carregamos fardos, bagagem, lutas internas.

 

E precisamos de bondade. Precisamos tanto de bondade.

 

Parar de pensar para dentro e olhar para quem temos ao nosso lado. Será que há algo que podemos fazer por essa pessoa? Será que essa pessoa está bem? Já lhe perguntamos hoje se essa pessoa está bem, mas mesmo perguntar, porque nos preocupamos, e não apenas para fazer conversa?

 

Às vezes é tão simples quanto um sorriso. Como um abanar de ombros de compreensão pela pessoa que errou mesmo à nossa frente, em vez do habitual palavrão ou desprezo, lembrando que também nós, nalgum momento, já fizemos erros idiotas.

É tão simples quanto mandar uma mensagem. Pode servir de pouco, pode não ter resposta, mas praticámos a bondade. Pode ser tão simples quanto um “lembrei-me de ti, espero que estejas bem”. Por vezes, palavras tão breves e simples podem salvar um dia.

 

A bondade não precisa de resposta, não exige obrigados, não espera retribuições. A bondade, pelo contrário, vale por si só.

 

Sejamos menos egoístas, mais atentos. Menos impulsivos, menos irritadiços. Direcionemos menos a nossa raiva ou frustração para os outros, e olhemos bem para dentro, para vermos o que de verdade se passa, para podermos tratar de nós próprios. Com bondade.

 

Não custa mais, não se paga, não nos tira dignidade, não quer dizer dar o braço a torcer, não quer dizer parecer fraco, nem sequer quer dizer esquecer.

 

Deixem-se de tretas. É só bondade. Só isso. E nós precisamos tanto de bondade.

 

R.

04
Fev19

A adaptação do Cupido.

quatro de treta e um bebé
Ao longo dos anos foi necessário adaptar a maior parte das profissões (se não todas). A invasão das novas tecnologias levou a que "novos" e "velhos" tivessem que aprender a trabalhar com elas, e viver com elas, a depender delas, e a gostar tanto delas. De uma forma ou de outra, todos tiveram que aprender, se adaptar e trabalhar de forma diferente. Hoje, todos estamos contentes por as novas tecnologias terem entrado nas nossas vidas.
 
A profissão do Cupido não foi exceção. Lá vão os tempos em que um menino (quando ainda não se falava em exploração infantil), cujas ferramentas de trabalho eram umas asas e uma flecha, andava por aí, a percorrer o mundo, à procura dos pares ideais, atirando-lhes flechas que os trespassavam, mas não matavam (ou matavam lentamente, muito lentamenteeee, mas nunca nenhum Cupido foi condenado por isso).
Era uma profissão exigente. Muito exigente, na verdade. Não se exigia qualificação para exercer a função, mas exigia-se mira, muita mira! Todavia, não era essa a maior dificuldade, ou exigência: a verdadeira dificuldade estava em encontrar os tais pares ideais. As caras metade. Os compatíveis. E eram percorridos quilómetros e quilómetros em vão.
 
Não sei se por erros de recrutamento, ou se por cansaço que impedia uma mira exímia, a verdade é que conseguimos encontrar várias falhas do Cupido.
 
Pois bem, graças à evolução e as novas tecnologias, estes erros já não acontecerão mais.
 
Hoje, o Cupido dispõe de um conjunto de ferramentas que lhe permitem não precisar de asas, não correr o mundo, podendo, contudo, continuar a lançar flechas só por diversão. Já não é um menino. É um adulto, com formação superior. E cursos de "coaching". Dá-se preferência aos "coach de relacionamentos", mas não é requisito essencial.
Hoje, não é o Cupido que percorre quilómetros, a vaguear nas alturas. São os, chamar-lhe-emos, Candidatos ao Amor que se sinalizam. Se inscrevem. E se põe quietinhos para que o Cupido não atire a flecha ao lado.
Hoje, é através de uma câmara que o Cupido faz (tão bem, como se vê) o seu trabalho.
À distância, após analisar os CV's dos candidatos, juntando aqueles que melhor se entenderão, e sentado num cadeirão para que se sinta confortável, acompanha, todo um processo a que chamam de encontro.
 
Assim, a quem anda por aí  à espera que o Cupido faça o trabalho dele, desistam.
Casamento à primeira vista, Carro do amor, First Date, Quem quer namorar com um agricultor?, são as melhores hipóteses que têm para conseguir encontrar o verdadeiro amor. E nem é difícil escolher (podem sempre se inscrever em todos).
 
Caprichem no CV e fiquem quietinhos para que flecha não passe ao lado no momento em que se baixam para atar os atacadores. E Boa Sorte. 
 
M.

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01
Fev19

Malas feitas e um saco de felicidade

quatro de treta e um bebé

Decidimos iniciar este ano da melhor maneira possível: para além da atituda positiva, vamos concretizar um sonho.

 

Pegar nas malas e mudar de vida, pelo menos durante uma semana.

 

Viajar sempre foi uma vontade constante dos dois, e Roma o destino de sonho do J.

 

Havia uma época, quando ainda era uma miúda, que viajava com a minha mãe todos os anos, o normal era isso mesmo, conhecíamos o mundo, vários hotéis, outras culturas, experiências, pessoas.

Agora, viajar é cada vez menos frequente, ou porque há menos tempo (benditas as férias do secundário que, de tão grandes, passavam a correr, e nem sabíamos a sorte que tínhamos), ou porque é difícil conciliar horários, ou porque, simplesmente, é demasiado caro.

Excetuando o tempo de ERASMUS na Alemanha, e algumas idas ali ao país vizinho, os últimos anos não foram marcados por viagens.

Viajarmos a dois vem sendo um plano nosso já muito falado e desejado, até porque esta será a nossa primeira viagem para fora do país juntos (creio que o passeio desde a Lageosa até passar a fronteira não contará…).

 

Pois bem, porque somos donos da nossa vida, e porque merecemos e queremos a felicidade, decidimos concretizar este sonho.

A vida passa num ápice, em janeiro dizemos que não dá jeito, em fevereiro não há dinheiro, em março estamos sobrecarregados de trabalho, e quando damos por ela, passou a vida e nada fizemos. Se fazemos sacrifícios, se trabalhamos, se lutamos, é exatamente para isto, para sermos felizes e concretizarmos sonhos.

 

Deixei a preparação do roteiro a cargo do J., afinal, ele é que é o entendido em tudo o que a Roma diz respeito. Eu levo a câmara, a vontade de comer, o amor, e um saco cheio de felicidade, para deixar lá e encher de volta.

 

Só não consegui livrar-me da tarefa de que menos gosto: a mala.

Quer dizer, eu faço a mala com grande facilidade e tranquilidade, desde que me deixem levar tudo quanto tenho no armário. Posso? Está bem que está frio, mas também devia levar esta t-shirt, para o caso de estar calor. Gosto tanto desta camisola que a tenho que levar, pode ser que tenha a oportunidade de a vestir. Será que devia levar um vestido? Pronto, sei que é altamente improvável usar aquela peça de roupa, mas devia levá-la, pode ser que me apeteça. “Só para o caso”.

A seguir, a frustração e a birra típica do “não tenho nada para vestir”.

Depois, acabo a enfiar a roupa do costume na mala. Sim, enfiar é a palavra própria. Atenção, é óbvio que a roupa vai dobrada, não sou nenhuma selvagem. Dobrada e enfiada para o fundo da mala. E sacos de plástico, muitos sacos de plástico, para separar tudo o que não seja roupa, e para trazer a roupa suja, claro.

Vem a segunda onda de frustração, desta vez porque “não vou conseguir levar tudo”. Braços cruzados e “pronto, vou ter que andar nua”.

Felizmente, o J. é tipo pro a fazer malas e, que nem um jogo de tetris, lá vai pondo uma camisola para um lado, as calças para outro, os camisolões de cabeça para o ar. Hipnotiza os fechos, eu salto lá para cima (confesso, a minha parte favorita), e eis uma mala feita!

 

Estamos cheios de vontade de nos aventurarmos e partirmos à descoberta desta icónica cidade.

Mais tarde, daqui por uns posts, contar-vos-ei tudo!

 

Temos viajantes por aí? Contem-nos os vossos hábitos pré-viagem!

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Foto: https://www.instagram.com/a_luisa_castro/?hl=pt

R.

21
Jan19

Boicote às "coisas" tóxicas.

quatro de treta e um bebé

Desde que me lembro de mim, adoro leite. De todas as formas. No verão ou no inverno. Quente. Frio. Com café ou chocolate. Simples! A qualquer hora. Alimentar-me-ia só de leite, se tal fosse possível.

 

Há uns anos descobri que é o leite que me provoca uma determinada reação alérgica. Foi flecha direta no peito. Daquelas que depois de entrar ainda roda para um lado e para o outro, e quando achamos que parou ainda dá um solavancozinho.

Outra opção não me restou se não abandonar o leite. Aqui entre nós, nunca o cheguei a abandonar verdadeiramente. De vez em quando, acabo por não resistir à tentação.

Naquele momento em que decido ceder, eu sei o que vem a seguir. Sei que não devia. Mas... oh pá, eu gosto tantooo. Afinal antes de fazer mal, faz bem. E tãooo bem.

E então, com plena consciência das consequências da minha escolha, minto para mim mesma e digo "é só desta vez". Não é! Eu sei. Mas antes de fazer mal, faz bem.

 

Há pessoas que, desde que nos lembramos, adoramos. Seja pelo que são, pelo que nos fizeram ser, ou simplesmente porque não soubemos fazer o furo no fundo do copo.

Um dia, descobrimos que essas pessoas, nos provocam determinadas reações alérgicas. Que nos fazem mal. Que, elas próprias, nos atiraram a tal flecha, e rodaram. E no momento em que respiras fundo, dão ainda o tal empurrãozinho só para garantir que flecha está lá bem enterrada.

 

Também aqui, não nos resta outra opção, se não levantar, arrancar a flecha, virar costas e abandonar. Sem voltar a atrás.

Aqui, e ao contrário do leite, não há nada de bom, antes de fazer mal. Podemos ter a plena consciência das consequências depois de ceder. Mas em momento algum há um "faz bem, antes de fazer mal". Faz mal desde o início. E por esse motivo, não vale a pena a cedência.

 

Se consigo perceber o facto de insistirmos em algo que nos faz mal, porque antes há um algo que nos faz bem, já tenho sérias dificuldades em perceber porque insistimos naquilo que só nos faz mal. Há quem me responda que é sadomasoquismo. Pesquisei na internet que até isso parece que faz bem. Pelo menos é o que dizem, que eu cá não sei nada disso.

Por isso, eh pá, deixar-nos-emos de coisas que nos fazem mal. Seja leite, glúten ou pessoas. Principalmente de pessoas. Que de tão tóxicas, são as únicas que não trazem nada de bom, antes de fazer mal.

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M.

17
Jan19

Autocontrolo, o superpoder da maturidade

quatro de treta e um bebé

Cara de adolescente, espírito de criança, corpo de velha, mas, afinal, adulta.

 

Aos trambolhões, entre metamorfoses e complicações, damos por nós um dia e somos, vejam vós, adultos.

 

Nem sempre o fiz my way (à minha maneira), mas posso, envaidecidamente, dizer-vos que “I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king, I've been up and down and over and out” e que descobri, como o nosso caro Sinatra, que “that’s life”!

Vivi, cresci, aprendi e desaprendi, fiz, ganhei, perdi, mudei e voltei a mudar.

No meio disto tudo, houve uma grande capacidade que desenvolvi, se não, melhor dizendo, criei. O superpoder da vida adulta, o verdadeiro sinónimo, para mim, de maturidade. O que veio mudar tudo, o momento da revelação, a perceção de que “damn, sou uma adulta”.

 

Autocontrolo.

 

Reparei que já se vinha desenvolvendo, desde há uns anos. Veio demonstrando-se em pequenas reações. Notei que, de repente, a vontade de desferir estaladas como recompensa pela idiotice humana tinha diminuído (não que eu costumasse fazê-lo, apenas tinha mesmo muita vontade de o fazer).

 

É a capacidade de ouvir e responder “está bem”, “claro”, “’tá bem”, (seu incomensurável desperdício de oxigénio), “certo”, “com certeza”, (se sequer eu te conseguisse explicar o tamanho da tua imbecilidade), “tudo bem”. Respondê-lo com convicção, enquanto, por dentro, abanamos ferverosamente a cabeça de um lado para o outro. “Que seja”.

 

Respirar fundo, convocar o nosso Rafiki interior, e acenar, enquanto os nossos olhos se reviram, ainda que clandestinamente, como autênticos acrobatas.

 

Não é que a idiotice alheia me tenha deixado de fazer comichão. Não é que deixe de ficar verde, é simplesmente que, a final, o Bruce Banner consegue ganhar. Não é engolir sapos ou qualquer outro tipo de anfíbios, tão pouco sermos menos nós.

 

É maturidade.

 

É não precisar de ter a última palavra. Não precisar de responder sempre, pelo menos, não em voz alta. Não precisar de subir de decibéis até a outra pessoa desistir. Não precisar de ter sempre razão. Não dizer sempre a primeira coisa que nos vem à cabeça. Não dizer tudo o que pensamos. Saber parar antes de ambas as partes acabarem a perder a discussão. Controlar o primeiro impulso. Controlar a primeira reação perante idiotices (regra geral, seria a vontade de desferir chapadas).

 

Há pouco tempo confessei ao J. uma das principais características dele que me fazem admirá-lo. Uma situação tão irrisória como, vamos imaginar, alguém alegar altiva e perentoriamente, “aquilo nunca existiu”, e o J., com o telemóvel na mão, com uma fotografia que gritava, com letras garrafais, “é mais do que óbvio que aquilo existiu, dah”, olhar para o ecrã, levantar os olhos, voltar a ver a imagem, respirar fundo e dizer “está bem”. É a capacidade de saberes quando tens razão, mesmo que to tentem contrariar, sem precisar de qualquer tipo de validação externa.

 

E autocontrolo, meus caros, autocontrolo.

 

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R.

03
Jan19

Muda de vida, se tu não vives satisfeito

quatro de treta e um bebé

Às vezes, é tão simples quanto isso.

 

Nas palavras de António Variações, “muda de vida, se tu não vives satisfeito (…), estás sempre a tempo de mudar (…), não deves viver contrafeito”; “olha que a vida não, não é nem deve ser, como um castigo que tu terás de viver”.

 

Volta e meia vemos por aí histórias de pessoas que tornaram o seu passatempo num modo de vida, seja a viajar, seja a cozinhar, seja a criar o que quer que seja, e parecem-nos histórias inalcançáveis, de falácias, um “pôr-do-sol patrocinado por uma bebida qualquer” (sim, estou a sentir-me musical!).

 

Atenção, as redes sociais enganam, e a vida seja de quem for não é perfeita, tudo o que é apresentado deu trabalho, esconde suor, lágrimas, espero que não sangue. Mas dizem que é possível viver a fazer o que se gosta.

 

No meu caso concreto, não fui abençoada com um qualquer dote extraordinário, não tenho particular jeito para as artes ou para a bola, um look arrebatador sem qualquer esforço, os meus pais não me ofereceram um ferrari como prenda pela primeira comunhão, não venho de uma longa linhagem de ilustres advogados, não tenho uma qualquer cadeira de poder com o meu nome, não fui apadrinhada por um qualquer líder partidário, nem alvo de intervenção divina. Notem, não critico qualquer situação. O que vos quero dizer é que não há, nem nunca houve, um percurso mais ou menos delineado pelas circunstâncias da minha vida em concreto. Tão pouco vos posso garantir que o teria seguido, sabem que gosto de fazer as coisas à minha maneira. Mas, talvez, se o houvesse, seria, pelo menos, mais óbvio qual o caminho a seguir. Antes houvesse uma bola de cristal e soubesse de antemão o que me esperava se fosse para a direita, ou se fosse para a esquerda.

Nunca me senti totalmente confortável com a ideia de escolher um caminho, fechar as outras portas e olhar em frente. Por outro lado, sempre senti alento nas palavras dos Led Zeppelin, “yes, there are two paths you can go by, but in the long run, there’s still time to change the road you’re on”.

 

A pergunta que devemos fazer a nós próprios é “o que é que é verdadeiramente importante?”.

 

Não fazemos esta pergunta vezes suficientes, quiçá por medo de a fazer, quiçá por medo da resposta. Pode ser medo da resposta pelo que ela nos pode dizer, porque não o queremos dizer em voz alta, não o queremos admitir. Maioritariamente, porém, será medo da resposta pelo que ela implica. É que, tendo a resposta, não temos desculpa para não agirmos em prol dela.

 

O que é que é verdadeiramente importante? Qual é a nossa prioridade, neste exato momento da nossa vida? É a curto, a médio, ou a longo prazo? É algo palpável, comprar aquilo, amealhar aquela quantia, dar apoio àquela pessoa, subir de cargo, aguentar até à reforma, a casa de sonho? Ou é algo mais genérico, queremos conforto, estabilidade, ou, ao invés, adrenalina, estamos focados naquela relação, naquela pessoa, ou, então, em nós próprios, é uma fase de autodescoberta, queremos construir aquilo, alcançar aqueloutro. Vá, eu sei que vocês sabem qual é a vossa resposta a esta pergunta, se a quiserem saber. Não me digam que não houve qualquer faísca aí dentro. Eu sei qual é a minha resposta, pelo menos aqui e agora.

 

É com base nessa resposta que eu escolho olhar para o caminho que percorro e é essa resposta a base da minha perspetiva; o meu lugar, neste momento, é compatível com a minha prioridade? Se não for, por muito que nos forcemos, não vamos estar bem, porque sabemos que, pelo menos de acordo com este critério, não é aqui que devemos estar. Não, não me digam que as coisas não são assim, que temos de fazer sacrifícios. Pelo contrário, fazemos sacrifícios por causa dessa resposta, por causa dessa prioridade. Se assim não o for, então, se calhar, devem repensar a resposta, e enfrentá-la.

 

Ano novo, vida nova. Sim, sim, eu estou perfeitamente ciente de que nada mudou entre as 23h59 do dia 31 de dezembro e as 00h01 do dia 1 de janeiro. Vou contar-vos como olho para a passagem de ano.

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Há uns anos atrás publiquei esta imagem, que caracteriza aquilo que eu sinto (além de demonstrar o meu domínio exímio do software paint). Chegamos ao final do ano cansados. O ano deu o que tinha a dar, enchemos o copo (não o dos apaixólicos), demos o nosso melhor, demos tudo o que tínhamos. Ano, a culpa não é tua! Tu tentaste, eu sei. Mas, agora, vem aí outro. Um ano com a inocência e a ingenuidade que o outro já não poderia mais oferecer. Vem aí todo confiante, de peito cheio, e tu, ano passado, a olhar para ele jocosamente, como quem pensa “se tu soubesses o que te esperava, não empinavas tanto o nariz”. Mas é assim que ele vem, e nós deixamo-nos embriagar por aquela aura de firmeza de que tudo vai correr bem e, como nos diz a M., acreditar é o importante. No último fôlego, já em queda, o ano passado ainda estica a mão e, como equipa, passa o testemunho ao novo ano, já pronto para entrar no ringue.

 

Por isso, no dia 1 de janeiro, respiro fundo, encho os pulmões de ar e deito-o cá para fora com toda a pujança, sacudo o que de mau o ano transato trouxe, arregaço as mangas (figurativamente, como é óbvio, afinal é inverno), e digo para mim própria “vamos lá”.

 

E voltamos onde começamos. “Muda de vida se tu não vives satisfeito”. Sim, às vezes é mesmo tão simples quanto isso.

 

Tão simples quanto um salto de fé. Uma fé não religiosa, não numa entidade sobrenatural, não no destino, não no que pode vir a acontecer. Fé em ti. Em ti e na resposta que deste. Dá um salto de fé e dá tudo de ti para que tudo corra pelo melhor. Se não correr, pelo menos no dia 31 de dezembro vais estar exausta, saturada, mas vais saber que deste tudo, e vais ter a confiança de que estás no caminho certo, porque te deixaste de desculpas e estás a lutar pelo que é verdadeiramente importante.

 

Vamos lá.

 

R.

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